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O presente de Black Mirror

Você certamente já ouviu falar de uma série chamada Black Mirror, correto? Se não, pare de ler agora mesmo, abra seu Netflix e prepare-se para momentos incríveis de reflexão. Aos que assistiram, ou já ouviram falar, vou comentar umas coisinhas aqui.

*Não contém spoilers

Comecei a assistir essa série por pura curiosidade. Não aguentava mais entrar no meu Facebook e ver inúmeras postagens sobre ela. Li algumas coisas a respeito e vi que as pessoas a definiam como uma série que se baseia no futuro, no avanço tecnológico e nas consequências de tudo isso.

Fui lá assistir esse fenômeno e me deparei com um primeiro episódio bem perturbador.

Continuei assistindo e posso dizer que todos os episódios geram um certo impacto por suas mensagens, por suas imagens e contexto.

Black Mirror me fez refletir muito sobre a vida conforme ia assistindo cada episódio. Após assistir quase todas as temporadas completas, concluí uma coisa que pode gerar espanto em algumas pessoas:

Black Mirror não fala sobre o futuro. Não fala sobre um tempo hipotético ou sobre um mega avanço tecnológico. Black Mirror fala sobre o hoje.

E sabe por quê assusta tanto? Porque (quase) todos os episódios foram produzidos de forma exagerada para que as pessoas possam refletir e perceber o mundo em que vivem no presente.

O mundo anda doente, intolerante e absurdamente preconceituoso. Sei que isso não é de agora. Sei que talvez tudo isso não passe tão rápido.

Essa série fala sobre isso. Mostra um mundo tecnologicamente evoluído, mas socialmente doente. Mostra equipamentos surpreendentes, mas pessoas incapazes de usar tudo isso da melhor forma possível. Black Mirror fala dos homens e mulheres em uma vida atual.Essa série só me fez perceber que não importa a tecnologia do futuro, não interessa se vai haver uma lente que filma, um botão que transporte, um celular que avalie. As pessoas precisam de mais compaixão, de mais respeito, de mais amor.

Precisamos evoluir interiormente porque só assim vamos poder mudar o mundo ao nosso redor. Precisamos quebrar nossas barreiras internas, lutar contra nossos limites para que possamos buscar o bem comum, o que é bom pra todos e assim evoluir enquanto sociedade.

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Cinema e tvExperiênciasMúsica

“The Get Down”, a nova série do Netflix que narra surgimento do hip hop nos anos 1970

Netflix não cansa. Além de ser uma revolução para todo o mercado audiovisual, também é referência de produções super iradas. Vai desde “House of Cards“, falando sobre política, até “Narcos” contando toda história de Pablo Escobar. E agora não será diferente quando se fala sobre hip-hop, porque a partir do dia 12/07 eles vão disponibilizar mais uma nova produção, “The Get Down”.

Uma série que conta com 13 episódios, dirigida por Baz Luhrmann, renomado diretor de “Moulin Rouge” e “O Grande Gastby”, e conta a história do surgimento do hip-hop através de um grupo de jovens que moram no sul do Bronx, bairro de Nova York, que se armaram de latas de spray, passos de danças e rimas musicais para mudarem suas vidas.

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Jaden Smith fará uma participação como um grafiteiro chamando “Dizzee”, e a trilha sonora exclusiva foi produzida pelo rapper NAS, que é também produtor executivo do programa.

A série mostra toda a rivalidade entre as gangues locais de Nova York, na década de 70 (em 1977) e conta também com boates de disco e funk. Tendo personagens de nomes importantes no cenário, como o DJ Grandmaster Flash, figura da época, que incentivava o público das casas noturnas onde tocava a improvisar no microfone, seguindo o ritmo da música, criando rimas no freestyle.
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O figurino da série também está sendo um dos grandes destaques, já que lidamos com uma época de transição na moda. Para a figurinista Jeriana San Juan, a década de 1970 representou uma grande mudança no modo das pessoas se vestirem: a distinção sobre se vestir com uma peça específica para um local ou ocasião foi aos poucos sendo contestada, inserindo itens esportivos – fazendo referência aos garotos que começaram a ir às boates de tênis.

Assista o trailer da série abaixo:

E não esquecendo, é foda ter ainda mais representatividade para um movimento que vem ganhando muita força.

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Cinema e tvComportamentoExperiênciasReflexõesSocial

Como Miss Simpatia me fez refletir sobre Individualismo

Eu estava me questionado filosoficamente vendo Miss Simpatia. Sim, aquele filme que passa todo domingo na TNT. E não, esse texto não será uma crítica ao filme e sim uma simples cena que me fez pensar. Cena esta que as misses respondem a pergunta que faz parte da avaliação do concurso: “Qual seu maior sonho?”.

E satiricamente todas respondem: “A paz mundial.”.

Acabei parando pra refletir sobre essa utopia que todos desejam, mas poucos a questionam e tampouco agem.

Primeiro partimos do óbvio.

O mundo é grande (muito grande) e que somos pequenos quanto indivíduos, porém, somos grandes unidos. O que nos leva a segunda parte, a que impede a constatação da primeira:

Somos muito individualistas!

Conclusão, o câncer do mundo é o individualismo e a solução é falha quando a tornamos um paradoxo: as pessoas só conseguem se colocar no lugar do outro quando já passaram pela mesma situação. Se colocar no lugar não é dar conselho, não precisa viver para saber.

Ou seja, é até muito comum pessoas intolerantes, de mente fechada ou pessoas insensíveis não conseguirem entender, ajudar ou aceitar problemas simplesmente por não fazerem parte da sua realidade. Isso pode ser até plausível e comum, mas não deveria ser o normal. O erro está quando a “nossa realidade” se trata somente do que acontece na nossa vida particular e não na nossa vida social. Se convivemos com minorias, e se elas estão sendo inseridas… Porque afagar essa força? Porque torná-la não importante só porque você não faz parte?

A cegueira e o veneno do individualismo não se trata só de lutas, um mendigo, uma pessoa doente, uma velhinha que puxa papo do nada sobre o tempo… Um simples retorno de gestos sinceros podem mudar o dia de uma pessoa.

Coisas simples marcam, como um dia em que estava no ponto de ônibus às 6h da manhã e uma senhora me disse para não ficar triste, mas eu só estava com sono. Ela se moveu e me comoveu. Nem me lembro do rosto dela, mas sempre vou lembrar daquela atitude.

Quantos dias podemos salvar um dos outros sem sermos nada um pro outro?

Se o individualismo é o câncer do mundo, uma simples troca de energia pode ser a cura.

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Marvel versus DC

Esse primeiro semestre foi tomado por dois megaeventos midiáticos: as estreias de “Batman versus Superman”, de Zack Snyder e “Capitão América: Guerra Civil”, de Anthony Russo e Joe Russo.

É claro que não podemos deixar de comentar esses dois filmes, já que ambos seguem o mesmo plot central: super-heróis que lutam contra o mal, em favor da humanidade, que em um ponto brigam entre si por um motivo x e no final se juntam contra um mal maior. Ops! Spoiler? Não, não se preocupe. Texto quase sem SPOILERS!

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‘Capitão América: Guerra Civil’ estreou nesta quinta (28) nos cinemas, e eu fui conferir a produção de US$ 150 milhões da Marvel Studios. Após os eventos de ‘Vingadores: Era de Ultron’, Steve Rogers (Chris Evans) liderando o grupo de Vingadores, continua combatendo criminosos para proteger a humanidade. Um novo incidente em uma missão dos Vingadores provoca a morte de mais inocentes e a pressão política para instalar um acordo de responsabilização, comandado por uma agência do governo para supervisionar a equipe, aumenta. Essa questão divide a equipe em dois times: um comandado pelo Capitão América e outro pelo Homem de Ferro (Robert Downey Jr), que possuem opiniões divergentes. O problema aumenta quando acontece um atentado na cúpula dos países que assinarão o acordo, e o acusado é um velho conhecido nosso, e do Capitão, é claro.

Uma das características que mais chamam atenção nos filmes do Capitão são as cenas de ação, mais precisamente as cenas de luta. Você simplesmente não pode piscar, tamanha a agilidade da ação dos personagens e da montagem. E esse mais uma vez é um dos pontos fortes do filme. Diversos super-heróis utilizando seus superpoderes uns contra os outros em um mesmo quadrado, literalmente, vale a pena pagar pra ver.

Outro ponto positivo é a apresentação do Homem-Aranha, uma cena na medida certa. A história ainda reúne outros dezenas de pontos positivos e alguns negativos, como quedas de ritmo da narrativa, uma trama de romance pouco desenvolvida, e um vilão que poderia ter mais maldade. Nada que atrapalhe o todo da obra, entretenimento garantido!

Para descobrir o verdadeiro motivo da Guerra Civil você terá que ir aos cinemas, mas posso adiantar uma coisa: mesmo esse pessoal possuindo superpoderes e forças ‘sobrenaturais’, as motivações que os move são dois sentimentos bem conhecidos dos meros mortais, a vingança e a amizade.

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Do outro lado do ringue está a DC. Depois do fim da trilogia do Cavaleiro das Trevas, protagonizada por Christian Bale, e de dois filmes do Homem de Aço, a companhia trouxe Batman versus Superman.

A sinopse divulgada do filme é essa: preocupado com as ações de um super-herói com poderes quase divinos e sem restrições, o vigilante de Gotham City enfrenta o salvador de Metrópolis, enquanto todos se questionam sobre o tipo de herói que o mundo realmente precisa. E com Batman e Superman em guerra um com o outro, surge uma nova ameaça, colocando a humanidade sob um risco maior do que jamais conheceu.

Então, esse longa, nitidamente, tem muitos problemas, cujo maior deles é a história. Sinceramente, até agora não me conformo com o motivo da luta e o pior, com rápido fim dela, rs! Mas também o filme tem seus méritos: Uma combinação de efeitos especiais e visuais de primeira linha, além de preparar o terreno para a Liga da Justiça (pra mim, o que justifica a existência do filme – fãs não me matem).

Uma coisa curiosa nesses dois blockbusters, é que enquanto em um cria-se o ambiente propício para a união de super-heróis e a formação de uma Liga, no outro, planta-se uma “semente da discórdia” no time que pode ser o seu fim. Curiosos? Assistam, comentem, compartilhem.

Até a próxima!

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5 lições que “Game Of Thrones” ensinou sobre o mundo e você ainda não percebeu

Estreia nesse domingo (24) às 22h na HBO, a sexta temporada da série épica de maior sucesso atualmente, “Game Of Thrones”. E em meio a muito sangue, cenas de sexo e plots confusos, George R. R. Martin construiu uma narrativa recheada de positivas lições que você certamente nem se tocou. Confira-as abaixo:

Observação: o autor desse post não se orgulha disso, mas nunca leu os livros da saga, portanto todos os comentários se limitam ao que se desenvolve na série.

1. Dependendo do ponto de vista, todos são protagonistas;

tumblr_o4ijpq7p2f1v7c294o1_500Motivo de muitas discussões, estudos e textões,  a verdade é que, mesmo após cinco temporadas, ninguém ainda tem realmente certeza de quem é o verdadeiro(a) protagonista da série.

Seja Tyron (Peter Dinklage), Daenerys (Emilia Clarke) ou Jon Snow (Kit Harington), assim como na vida, todos têm seus altos e baixos e, dependendo do ponto de vista, são igualmente importantes para história.

 

2. Sempre é possível virar as adversidades a seu favor;

Favorito de 9 entre cada 10 fãs da série, desde a primeira temporada Tyron Lannister segue como um exemplo de superação na série. Irmão mais novo de Jaime (Nikolaj Coster-Waldau) e Cersei (Lena Headey), Tyron tem um retrospecto de abuso dentro da família desde o nascimento, uma que vez que após sua mãe morrer durante o parte, seu pai, Tywin Lannister (Charles Dance), o culpou e o odiou durante toda infância.

Dito isso, o “meio homem” da série raramente se deixou abater, e do seu jeito próprio, com humor peculiar e muita bebedeira, sempre soube virar o jogo a seu favor e já assumiu posições de poder independente do núcleo em que se envolve, mostrando que, assim como na vida, é sempre possível superar o dia anterior.

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3. A vingança é um sentimento de consequências perigosas;

Seja para Oberyn Martell (Pedro Pascal) ou Arya Stark (Maisie Williams), a vingança planejada ainda não obteve nenhum dos resultados esperados. Enquanto o Víbora Vermelha já teve seu final concretizado com aquela que é considerada uma das mortes mais impressionantes gravadas pela série, Arya ainda segue sua jornada com muito mais baixos que altos, terminando a quinta temporada cega, após desobedecer uma ordem do suposto “Homem Bom” que a treina em Braavos.

Se a sorte de Arya mudará, ainda não sabemos, mas se quando ela começou sua jornada pela vingança ela havia perdido apenas seu pai, hoje a personagem vive com o peso de saber que nunca mais verá sua mãe e boa parte de seus irmãos, após ter decidido sucumbir à sua sede pelo sentimento.

4. As melhores amizades surgem em lugares onde você não espera;

Criado ao lado dos seus meio-irmãos, mas sempre lembrado como o bastardo da família, é difícil imaginar que Jon Snow encontraria Samwell Tarly (John Bradley), sua mais fiel e verdadeira amizade, em um lugar como a “Patrulha da Noite”.

De passados e personalidades que não poderiam ser mais diferentes, assim como na vida acontece, Samwell e o “bastardo” da Casa Stark desenvolveram uma relação que quem vê de fora não entende.

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5. O mundo é um lugar realmente extraordinário.

Mas, acima de tudo, a maior lição que podemos tirar de “Game of Thrones” é que o mundo é inimaginavelmente extraordinário. Ao longo de cinco temporadas,  locações em todo o mundo foram utilizadas para contar a história dos 7 reinos na disputa pelo trono.

Abaixo, uma galeria com algumas das incríveis locações. Uma lista mais completa você encontra nesse post da Skyscanner, Nerd Travels e Rough Guides  😉

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Cinema e tvExperiências

Cinema versus TV, ou é tudo farinha do mesmo saco?

Vivemos em uma era onde o termo Google virou verbo e o vídeo ganhou vida e se multiplicou em diversas telas que nos cercam onde quer que a gente vá. O mundo gira em torno da comunicação, do conhecimento, do áudio e da imagem.

O cinema e a televisão são dois importantes meios de propagação de informações, ideias, conceitos e tendências. Mas a relação entre esses dois veículos é cheia de pré-conceitos, e as vezes nem percebemos.

Por exemplo, quando alguém fala “Muito bom aquele filme do Fritz Lang” ou ” Almodóvar me decepcionou dessa vez”, dá uma impressão de que a pessoa é cult, cheia de intelecto. Agora, “Caramba, Avenida Brasil está boa de mais, viu o que a Carminha fez essa semana?” ou ” Tenho que chegar em casa rápido pra não perder a novela das seis”, o que vem na cabeça de alguns é: pessoa sem conteúdo controlada pela mídia manipuladora.

O cinema é a sétima arte, a televisão é a oitava, mas ninguém fala nisso, já que todo mundo tem TV em casa. Brincadeiras a parte, de fato houve um choque direto entre esses dois veículos no início da década de 1950, com o início das transmissões regulares pela TV nos Estados Unidos.

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O cinema que até então homogeneizava o entretenimento audiovisual, agora tinha que disputar espaço com a televisão, que fornecia o conteúdo de graça e no conforto do lar. Com o fim da Segunda Guerra Mundial, a TV começou a se estabilizar como o maior veículo de comunicação de massa do planeta e o cinema teve que se adaptar. Houve quem achasse que o início da TV era o fim do cinema, mas deu pra ver que essas pessoas não sabiam muito bem prever o futuro.

Em mais de um século de história, o cinema construiu uma linguagem com códigos que facilitam a compreensão e imersão do espectador na história. E como ‘nada se cria tudo se transforma’, a TV elaborou suas produções tendo o cinema como nítida referência e inspiração. Se a personagem de uma novela descobre que está grávida e na próxima cena ela está em um hospital com um bebê no colo, você deduz que se passaram nove meses. Ninguém precisa mais escrever isso pra você.

O cinema e a TV são produtos distintos que partilham a mesma linguagem audiovisual, mas proporcionam experiências completamente diferentes. A gente assiste TV mexendo na internet, plantando bananeira, comendo e etc. Agora, a ida ao cinema traz consigo um ritual.

Veja se não é assim: escolher o cinema que mais te agrada (ou o mais perto de casa); escolher o filme (o que as vezes é uma odisseia quando estamos acompanhados); comprar os ingressos; comprar a pipoca (para alguns é fundamental); e por fim ficar em uma sala escura preso aquela única grande tela junto com outras centenas de companheiros de poltrona (sem mexer no celular, mas nem todos respeitam essa regra básica).

Para o Caras do Mundo não há ‘guerra civil’ entre esses dois meios. Aqui, o cinema e a TV dialogam, geram debates, e assumem juntos o seu lugar de extrema importância na formação cultural de nós ‘tupiniquins’. Fiquem ligados, comentem, critiquem, compartilhem.

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Até a próxima!

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