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Do Big Bang à sua alma! 7 questões a serem respondidas por quem deseja viver melhor em 2019

2019 já chegou com tudo e junto com ele chegou mais uma das 365 oportunidades de mudar a si mesmo durante o ano. Porém, antes de desejarmos transformar algo em nós, precisamos entender os fatores que influenciam no que somos hoje.

Estamos tão acostumados a ser quem somos que dedicamos muito pouco tempo para o auto-questionamento e para a análise de nossos sentimentos e ações. Um erro que nos aproxima cada vez mais da triste afirmação de Gabriela:

“Eu nasci assim, vou morrer assim.”

Acreditar nessa inverdade é afastar qualquer possibilidade de controlar nossas transformações, porque elas sempre existirão, quer Gabriela queira ou não.

E para compreendê-las, é necessário reconhecer que somos muitos dentro de nós, e que tudo a nossa volta tem grande parcela no que ironicamente chamamos de identidade.

1. Você sabe o que rolou no universo até chegar a nossa espécie humana?

“Somos todos poeira de estrelas”

A famosa frase do incrível astrônomo Carl Sagan inicia nossa reflexão para nos lembrar do quanto somos poucos diante da dimensão de tudo que somos parte.

Antes mesmo de sairmos da barriga de nossas mães, o nosso ‘eu’ já foi moldado por uma condição genética que caminhou até nossos pais desde do Big Bang e que influencia na nossa forma física e biológica. Presos aos nossos problemas diários, ignoramos o fato libertador de que somos:

  • apenas 1 dentre as milhares de espécies
  • que vivem em 1 dos planetas
  • de 1 sistema solar
  • que pertence a 1 das bilhões de galáxias
  • que existem em um universo,
  • até então, sem limites.

Existe uma série incrível, chamada Cosmos, apresentada pelo físico Neil deGrasse Tyson, que explica em alguns capítulos instigantes como o Big Bang deu origem ao universo, fazendo surgir RECENTEMENTE! a nossa raça humana. Está disponível no Netflix e para começar a mudar sua vida, você precisa assistir!

2. Você está por dentro dos principais acontecimentos que moldaram a nossa nação?

Terra a vista! O grito dado pela tripulação portuguesa, há mais de 500 anos, ao avistar as terras tupiniquins está aqui, não para dizer que nossa história começa nesse momento, mas para lembrar o quanto de coisa aconteceu na terra do pau-brasil antes de chegar o ano de 2019.

Além de definirem nossa língua oficial, os portugueses, junto as culturas indígena e africana, principalmente, têm grande influencia no que entendemos como povo brasileiro hoje.

Toda a história da nossa miscigenação não deve ser ignorada na análise do nosso ‘eu’, devemos conhecê-la além dos livros da escola, porque ao construírem o país, os povos que por aqui passaram, também nos construíram. Influenciando nossos gostos, nossa gastronomia, nossa cultura, nossas festas, nossa forma de entender e aproveitar a vida.

3. Você consegue compreender o sistema político que nos governa e o seu caminho ideológico?

Concordo que pelo momento crítico do Brasil, talvez seja um dos pontos mais difíceis de ser estudado, mas é necessário, principalmente agora que entendemos que ela nos afeta tanto.

Política é um ponto de extrema importância na análise de nossa vida. Por mais anarquista que alguém deseja ser, deve aceitar o fato de que atualmente todos somos governados por um sistema que enquadra nossa liberdade dentro do duo: direitos e deveres.

E para tanto, é preciso compreender o básico, tanto para questionar quanto para comparar com outras estruturas políticas que existem pelo mundo. Para começar, é importante ler sobre como o Brasil chegou à uma república federativa e os caminhos ideológicos que regem a política mundial, que afetam tanto a economia, como a sociedade, e nem sempre se resumem a dicotomia direita / esquerda. Nesse Teste de Coordenadas Políticas  é possível descobrir através de algumas perguntas qual é o seu caminho ideológico atual.

4. Você é inteirado sobre os atuais problemas sociais e sua relação com eles?

Vivemos em uma sociedade com preconceitos historicamente enraizados que nos afastam do sonho da igualdade social e do respeito à diversidade. Ignorar ou esconder esses problemas é não considerar o fato de que carregamos conosco os privilégios e os conceitos de um passado recente ou não.

Não cabe espaço para hipocrisia aqui. O preconceito está enraizado na cultura. O racismo, o machismo, a homofobia fazem parte de mim porque eu vivo e cresci influenciado por uma sociedade que é tudo isso.

Enxergar a raiz desses e outros preconceitos, assim como nossos privilégios, é uma atitude libertadora que nos aproxima da chance de assumir a nossa própria história, ao invés de deixarmos ser dirigidos por ideias do século passado. Nesse ponto, a dica é se calar um pouco e escutar mais os lados que se encontram em vulnerabilidade social, as minorias.

5.  Você saberia explicar basicamente como seu corpo funciona e as vantagens de um estilo de vida saudável?

O homem é um elemento químico e biológico doidamente complexo. E para funcionar conta com trilhões de células que trabalham nos diversos sistemas operacionais, tais como o respiratório, digestivo, nervoso, e tantos mais. Temos um universo próprio dentro de nós.

Não precisamos entender tudo minuciosamente, porque graças a Deus há pessoas capacitadas estudando cada parte dessa máquina. Porém, dependemos desse corpo para existir e contribuir para que ele trabalhe da melhor forma possível é questão de lógica e sobrevivência.

Deseja uma vida melhor? Cuide do seu corpo. Faça check-ups. Batalhe aos poucos e a cada dia mais por uma alimentação saudável e por um estilo de vida que deixe sua mais importante casa feliz. No começo pode ser chato inserir a saúde dentro de uma rotina sedentária, mas se você deseja de fato mudar, seu corpo não pode ficar para trás. Se for te ajudar, comece por essas 10 dicas. E não deixe de assistir o documentário Food Choice, disponível na Netflix, que revela como nossas escolhas alimentares impactam em nossa saúde e na saúde do planeta.

6. De onde vem e para aonde vai? Saberia dizer qual é a procedência e qual é o destino do que você consome?

Se eu abro a torneira e a água sempre vem, não é necessário que eu saiba qual rio que abastece minha vida. Se eu vou ao mercado e sempre tem carne disponível, pouco me importa de onde ela vem. Se deixo meu lixo na rua e no outro dia magicamente ele some, não preciso saber para aonde ele vai.

Desde que começamos a sistematizar tudo que necessitamos para viver, seja nosso alimento, nosso vestuário, ou os recursos naturais, nos tornamos ignorantes aos processos que sustentam nossas vidas. Essa tamanha abstenção tem dois principais impactos: na nossa saúde e na saúde do nosso planeta.

Desenvolver uma consciência sustentável sobre o que consumimos é papel de todo cidadão. Principalmente daquele que busca em 2019 ser mais dono do seu próprio nariz. Além do documentário sugerido no ponto anterior, assista esse vídeo também.

É absurdo e incoerente que com nosso estilo de vida estejamos destruindo as condições necessárias para que possamos viver.

7. Por fim, você compreende como funciona sua mente?

“É difícil aceitar que seja apenas nossa mente o que nos impede de atingir todo nosso potencial.”

Para 90% das promessas que fazemos na virada do ano, somos nós mesmos as principais barreiras para que consigamos cumpri-las. E toda essa dificuldade tem culpa no funcionamento de nossa mente que através de gatilhos nos encaixa em um comodismo resistente a qualquer alteração.

E como tudo na vida, para transformar isso, é preciso reconhecer e compreender. Compreender como funciona essa máquina e seus atalhos que inconscientemente influenciam em nossas preferências, escolhas e ações.

A psicanalise tá aí pra isso. Na internet há diversos textos que abordam o funcionamento de nossa mente. De início, eu destaco este do PapodeHomem, que enumera 5 vieses mentais que podem estar arruinando nossas tomadas de decisões, e como melhor lidar com eles.

Já é um bom começo para um recomeço.

“O crescimento pessoal nunca é fácil. Demanda trabalho duro e dedicação. Mas não deixe que seu futuro eu sofra em nome de conveniência cognitiva.”

Feliz 2019!

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Vício e a Cracolândia: A droga não é o problema

Há uns dias eu fui bombardeado, provavelmente você também, com vídeos sobre a ”limpeza” da Cracolândia (uma intitulação popular para uma região com usuários de droga e traficantes no centro de São Paulo), impulsionada pelo prefeito João Dória.

Como de costume, junto de qualquer noticia, principalmente politica, acontece um fenômeno muito comum, os ”textões”, o maior dos divisores de opiniões da internet, que todos estamos acostumado e participamos de alguma maneira.

Em um desses textões, uma pessoa me chamou atenção. Segundo ela, só é viciado quem quer, só usa droga quem quer e as consequências são uma só. Depois eu percebi que essa ”uma pessoa” são várias formando uma espécie de paradigma. Como paradigmas estão ai para serem quebrados e atualizados, decidi fazer esse textão.

Eu achei a ação desastrosa, mas, mais importante do que eu acho, são alguns dados que envolvem o título do texto que me influenciaram para chegar nessa conclusão. Como eu acredito que conhecimento deve ser cada vez mais compartilhado, resolvi escrever resumidamente sobre estes temas, que para mim, estão diretamente ligados e tudo com fonte, é claro!


Pra você, o que é Droga? É muito comum encontrar o termo sendo usado para classificar as substâncias ilícitas, porém, numa rápida pesquisa no site do Wikipédia , ele mesmo, aquele que faz todos os nossos trabalhos de escola/faculdade, encontramos por definição:

”Droga é toda e qualquer substância, natural ou sintética que, uma vez introduzida no organismo, modifica suas funções.”

Então, tenhamos em mente que são drogas, não apenas os remédios vendidos nas drogarias e farmácias, mas também as bebidas alcoólicas e os cigarros. Além do açúcar e do café. Sabendo disso,

Qual foi a última vez que você usou a sua droga? 

Agora que ficou claro, que basicamente somos todos usuários de alguma droga, saiba que existem níveis hierárquicos para usuários, estes são:

  • experimentador
  • usuário ocasional
  • habitual
  • dependente

O nível relevante para andamento desse texto é o dependente, quando a doença do vício toma controle do usuário.

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Definição de vício, pelo Aurélio;

”Defeito grave que torna uma pessoa ou coisa para certo fins ou funções. Conduta ou costume nocivo ou condenável. Prática irresistível de mau hábito, em especial de consumo de bebida alcoólica ou DROGA.”

Foi o professor psicólogo Bruce K. Alexander, que na década de 70, com sua pesquisa, chamou atenção para que as definições de vícios fossem atualizadas (voz do avast) Porém, antes de falar da pesquisa, vamos entender o que estava acontecendo na época.

O uso de drogas pesadas no século XX ocorria de forma natural, e as consequências eram poucas conhecidas. Para quem viu a série Narcos da Netflix, pôde acompanhar com alguns detalhes a disseminação da cocaína pelo EUA, ou o filme Platoon, que aborda o uso de drogas por soldados americanos na Guerra do Vietnã. Sem contar também os revolucionários movimentos da contracultura que teve início nos anos 60, mas ainda com muito força nos 70 que popularizaram o uso do LSD.

Todos esses acontecimentos tiveram de alguma forma influência na declaração do presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon em 71, mas isso tudo é conteúdo para outro texto, aqui é foco na pesquisa.


Voltando para a pesquisa

O problema do vício nas drogas era visto apenas como uma questão farmacológica, onde o dependente era (ainda é, a que tudo indica) visto como imoral e fraco de caráter. Mas o professor Bruce Alexander levantou um questionamento sobre os experimentos feitos em cobaias (ratos e macacos) para entender o efeito das drogas. As cobaias eram postas sozinhas em uma jaula/gaiola, era servido água uma pura e outra diluída com cocaína/heroína etc… no qual os animais sempre iam na água intoxicada e bebiam até a morte.

Para o professor qualquer ser vivo nessas condições de isolamento iria preferir a morte, então, ele fez uma especie de ratolândia, com mais ratos, brinquedos e afins. Agora, tentem adivinhar qual foi resultado. Os ratos preferiam a água pura e bebiam água intoxicada esporadicamente e nenhum deles morreu ou declarou sintomas de abstinência.

Conclusão, para o professor o que causava o vício na substância a ponto de deixar alguém dependente dela tem mais a ver com ambiente em que ela vive, do que a substância em si.

Eu sei que talvez você esteja pensando, ”essa experiência feita com ratos pode não servir para os humanos”, certo? Mas, para complementar o experimento, lembra que eu falei sobre uso de drogas no Vietnã? Então, algo parecido aconteceu. Vamos fazer uma analogia entre jaula e a ratolândia.

Para os soldados americanos, o Vietnã era a sua jaula, já que eles eram postos em situações em que eram forçados a matar ou tinham chances de morrer a qualquer momento, muitos deles recorriam à heroína e maconha que nessa situação, serviam como alívio para aquela jaula. A população americana, estava preocupada achando que quando os soldados voltassem, suas ruas seriam tomadas por ”zumbis” viciados.

Porém, o oposto aconteceu, ao saírem da jaula e voltarem para seus familiares e amigos, 95% dos soldados simplesmente pararam de usar as drogas, sem tratamentos.

Quando isolamos os dependentes químicos e os tratamos feitos ”zumbis”, nós estamos fazendo com que a nossa sociedade pareça mais com uma jaula do que uma ratolândia, e colocamos os dependentes numa situação muito pior, o fazendo se sentir culpado e se trancando dentro da jaula.

Quando a nossa sociedade parece mais com uma jaula é porque algo de errado está acontecendo com a forma como nos tratamos. Precisamos nos redescobrir e desfazer esse aspecto de jaula.

Lembrando que o vício pode ser em qualquer coisa: em checar o telefone sem parar, ponografia, apostas, refrigerante e crack.

”O oposto de vício não é sobriedade, o oposto de vício é conexão” 

”quem você chama de zumbi, a mãe chama de filho”.  

Precisamos nos conectar mais com as pessoas, quantas vezes você ficou mal e só de estar perto de quem gosta te fez melhorar ? quantas vezes saiu do trabalho ou da faculdade estressado com qualquer situação e quis tomar uma cerveja? Quantas vezes você quis um sorvete, chocolate por estar triste? Um pouco mais de empatia, talvez salve vidas.

CHOSE LIFE! 

Abaixo uma animação, em inglês mas com legenda explicando a pesquisa do professor e um vídeo que o Rafinha Bastos fez com humorista Márcio Américo que já foi viciado em crak e frequentou a cracolândia.

 

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ComportamentoReflexões

Como a educação voltada para o mercado de trabalho pode destruir sonhos

Aos 8 anos vivia jogando bola na rua, tinha esperança em ser jogador de futebol, mas todo mundo dizia que ficar na rua até tarde era coisa de gente que não queria estudar, vagabundo.

Aos 10 anos dizia para minha mãe que meu sonho era ser um grande arqueólogo, daqueles que descobriam fósseis e era amaldiçoado pelo Faraó do Egito, mas meu colégio só focava em matemática.

Aos 12 me apaixonei pelo skate, vivia pra lá e pra cá pulando paralelepípedos enquanto dava um jeito de arrumar peças para o carrinho e alguns tênis surrados, porque no fim das contas, skate não dava dinheiro.

Aos 14 conciliei alguns trabalhos de garçom para comprar peças, enquanto fazia aula de música na Faetec, estudava no colégio público e me esforçava para o vestibular, porque para todo mundo “estudar que dá dinheiro”.

Aos 16 tinha uma banda, amava música, fiquei por alguns anos tocando e fazendo um cachê, mas não era o suficiente, tinha que ir pra faculdade, porque ser formado que dá estabilidade.

Aos 18 anos tava na faculdade, tentando conciliar estudo com trabalho, difícil, mas a gente consegue. Só que depois de um tempo nos damos conta e vemos que já nos corrompemos ao mercado…

E deixamos mais de metade dos nossos sonhos para trás.

A verdade é que esse lance de conseguir fazer tudo que se sonha super novo é um esquema privilegiado. É a famosa briga do “fazer o que ama x sobreviver“. Isso para quem não tem uma boa condição financeira, que no caso é a maioria da sociedade.

E é essa maioria que sempre sofre esse tipo de frustração. Onde apesar de tentar ao máximo diminuir as chances de entrar num mercado que toma completamente seu tempo com trabalhos sem sentido e que nunca sonhou em fazer, acaba sendo carregado por esse caminho, já que a escolha sempre será sobrevivência.

A partir dai nossos sonhos são moldados, nosso objetivo de vida alterado e talvez a gente passe a maior parte do tempo trabalhando com o que não gosta e com o que nunca quisemos trabalhar.

E provavelmente a maior culpada disso pode ser a educação.

É claro, a educação da maneira que é vista hoje, aquela que valoriza a tecnificação, ou seja, a que visa como necessário somente o conhecimento técnico.

Essa educação é focada no sentido prático do mercado de trabalho, sendo assim, exclui qualquer outra possibilidade que fuja dos padrões capitalistas. Já dizia Caio Fernando, que o Brasil precisa de médicos, dentistas, engenheiros e advogados e não de escritores.

Isso é inserido em nós desde do nosso jardim de infância até o nosso ensino médio. Excluem totalmente nossa possibilidade de desenvolver nossas potencialidades, principalmente artísticas, com o objetivo de formar seres voltados para a demanda do mercado.

Resumindo: Tchau música, bem vindo escritório!

É uma técnica que exclui aos poucos a capacidade mais bonita de uma criança, a criatividade. A mente fértil dela é manipulada e moldada a um sistema metódico, desencorajando qualquer pensamento criativo infantil. Tornando assim um indivíduo perfeito para práticas de mercado de trabalho.

Aos poucos os sonhos vão sumindo e a famosas “preocupações de adulto” vão tomando seu lugar, nos tornando seres vazios, porém cheios de ocupações.

E aí, podemos concluir que a verdadeira educação é aquela que incentiva as nossas potencialidades?

Bem, pra mim isso vale não só para o sentido prático de felicidade, que é poder fazer o que se quer, mas também para o melhor desenvolvimento do ser humano.

Não existe problemas em seguir caminhos que sejam considerados “serviços do mercado”, como engenheiro ou médico. O problema está em excluir matérias que te ajudam a criar pensamentos críticos, como arte, filosofia e poesia.

Além do mais, a educação focada no mercado de trabalho pode fazer qualquer pessoa se frustar com a própria vida, por correr por objetivos que nunca foram delas. Faz com que ela volte para aquele caminho lá de cima,”fazer o que ama x sobreviver“.

Concluindo, a educação não deve criar robôs.

Não adianta de nada sermos seres humanos super bem qualificados e técnicos, mas pobres de vida e espírito. A vida é muito mais do que um diploma ou um título no seu mercado de trabalho.

Modelo educacional X necessidade Atual

A vida é feita de pluralidades e diferenças. Aprendemos com elas, construímos novas visões e somos capazes de ampliar nosso conceito de diversas maneiras. Isso é um dos principais frutos para evolução.

O mercado atual ainda tem trabalho um pouco esse sentido do mercado criativo, tentando unir os dois viés em um só, onde o trabalho pode complementar o lazer e principalmente os seus sonhos. Porém é um processo que deve ser alterado lá na raiz, afinal de contas, melhor previnir do que remediar, né?

Já dizia Einsten, “O que é um homem sem sonhos?”.

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5 motivos que fazem da tatuagem um ótimo remédio para a autoestima

Na maioria das vezes o padrão de beleza é capaz de nos destruir por dentro. A velha história de “você está acima do peso” pode fazer com que tenhamos vergonha do nosso corpo de imediato, de maneira que nos faça criar a necessidade de procurarmos maneiras de escondê-lo.

Levando em consideração que nossa forma de expressar nossa personalidade também tem um papel físico, podemos acabar distorcendo completamente a imagem da nossa individualidade por conta de padrões pré estabelecidos, seja evitando usar uma peça de roupa ou até mesmo não fazendo um determinado corte de cabelo que você gosta.

É aí que a tatuagem vem nos ajudar.

Ela pode não ser a solução instantânea para os problemas, mas temos que confessar, ajuda bastante para o processo de aceitação e de construção da nossa personalidade. Como? Transparecendo nosso interior, nos deixando mais seguro sobre quem somos e nos deixando mais à vontade com o nosso próprio corpo.

Separamos 5 motivos para deixar essa conclusão mais clara:

1 – Se tatuar é como se virar do avesso.

É como expor seu interior e deixar escrito quem é você. São desenhos capazes de aflorar mais seu “verdadeiro eu”, deixando mais clareza sobre sua personalidade e dando mais uma oportunidade de mostrar quem você realmente é (ou quem tenta ser? Reflexão).

2 – Seu corpo passa a ser uma obra de arte.

A tatuagem ajuda no processo de aceitação e te deixa mais à vontade com seu corpo, a ponto de abandonar qualquer tipo de vergonha relacionado a ele. Antes o corpo que era escondido por simplesmente não se encaixar no padrão, hoje pode ser exposto de maneira leve e com orgulho. Seu corpo, sua arte.

3 – O mercado cresce, você cresce e a arte cresce.

O estigma social da tatuagem vem mudando muito, antes era uma coisa de presidiário e criminalizada, hoje já não é mais visto dessa maneira. Tatuagem é arte. Ela além de fomentar diversos meios artísticos pode te envolver nisso, te tornando alguém mais sábio, que consome e ao mesmo distribui conteúdos interessantes.

4 – Te conecta a outras pessoas.

Além de ajudar no processo de aceitação, tatuar também ajuda na relação com as pessoas, sejam elas tatuadas ou não. Isso vai desde o interesse histórico que você carrega na pele ou até mesmo por estética. A arte proporciona isso e a curiosidade abre portas para diálogo. Sem contar o fato de a sua personalidade estar mais exposta e poder gerar outros tipos de interesses mais pessoais.

5 – Pode remover marcas que querem ser esquecidas, ou reformá-las.

Indo mais para o lado mais estético da coisa, a tatuagem também serve remover marcas que querem ser esquecidas ou florescidas. Como cobrir uma cicatriz, desaparecer com estrias, cobrir sinais e até mesmo ajudar em casos de vítimas do câncer de mama (não que seja necessário esconder estrias ou sinais, mas cada um tem responsabilidade sobre seu corpo e sua felicidade).

Bônus: ao mesmo tempo, não precise de remédios para sua autoestima.

Enquanto a tatuagem pode ser uma ótima ajuda, deixe a sua personalidade lhe guiar. Se não sentir que essa é sua praia, não se sinta pressionado por ninguém. Não ter tatuagens também é um sinal de personalidade e essa é uma das grandes belezas de ter uma opinião própria.

 

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ComportamentoReflexões

Seja um colecionador de experiências, não de coisas

Tenha um carro, uma casa nova, boas roupas, jóias, um relógio muito caro e muitos dígitos na sua conta. Misture tudo e estará pronta a receita para a felicidade. Será? Bem, é o que costumam nos dizer.

Comprar talvez seja o caminho mais fácil para a felicidade e provavelmente o mais ilusório, é como uma espécie de “atalho”. Levando em consideração que estamos sempre em busca da felicidade, fica claro o porque de sermos definidos como “a sociedade do consumo”.

O que ninguém diz é que a compra desenfreada é capaz de criar momentos de prazer instantâneos e momentâneos. Momentos esses que nosso cérebro ativa mecanismos químicos de recompensa, onde o fato de termos conseguido aquilo que desejávamos pode nos dar uma certa sensação de prazer, que por sinal tem um prazo muito curto, podendo acabar até mesmo antes de chegar a fatura do seu cartão.

A gente compra, se anima, se acostuma e fica triste de novo.

Já dizia o Dr. Thomas Gilovich, professor de psicologia na Universidade de Cornell, “Compramos coisas para ficarmos felizes, e isso funciona. Mas só por um tempo. As coisas novas são excitantes no início, mas então nos adaptamos a elas.”. E olha, ele vem estudando a questão do dinheiro e da felicidade há mais de duas décadas

Onde está o problema?

O problema é que a cultura do consumo nos leva a fazer isso repetidamente, tornando-se um ciclo vicioso.

Como eu disse, a felicidade que a compra transmite se dissipa rapidamente, tornando necessário o consumo constante para evitar a insatisfação.

É como comprar felicidades descartáveis.

Isso ocorre cada vez que digitamos a senha do cartão ou abrimos a carteira com alguma intenção de comprar coisas com valor material (digo valores tangíveis como roupa, móvel, celular, jóias, carro e por ai vai). Inclusive esse problema ganhou um nome, cunhado por dois psicólogos da Universidade Yale em 1971: a esteira hedonista (confira no vídeo).

De vez em quando essa busca por felicidade pode afetar até mesmo nossa dieta. Geralmente vem em conjunto com a velha frase “Eu mereço”, que na maioria das vezes vem antes de qualquer atitude que sabemos que não podemos tomar, mas a gente abre uma exceção por puro fracasso e descontrole. Que também afeta nosso planejamento financeiro.

Para completar, o bombardeio de publicidade no nosso “habitat natural” é constante. O que pode desencadear diversos descontroles financeiros que além de não colaborarem a longo prazo para nossa felicidade, podem prejudicar nossa saúde, levando a gente a ter o conhecido estresse financeiro.

Então, o que fazer para ser feliz? Eu voto na experiência.

De acordo com pesquisas feitas nos últimos anos, investir em experiências aumenta substancialmente as chances de levar uma vida mais feliz, mais plena de sentido e significado. Uma dessas pesquisas foi divulgada recentemente pela Universidade de Cornell, nos EUA. Liderado pelo pesquisador americano Thomas Gilovich, o estudo intitulado Uma vida maravilhosa.

O consumo de experiência, pode ser visto como uma felicidade duradoura.

Já que as experiências, sejam elas boas ou ruins, são capazes de criar sensações que podem ser lembradas e sentidas com maior intensidade, e a longo prazo.

Isso se dá a nossa capacidade de registrar esses momentos e poder compartilha-los, seja com fotos, vídeos ou até mesmo em conversas, tornam-se item de desejo e inspiração para outras pessoas, transformando o pós-compra tão importante quanto a compra. Sem levar em consideração toda a bagagem intangível que elas podem nos passar (seja com viagens, festivais, shows, festas, festivais ou até mesmo um salto de bung jump).

Um colecionador de experiência coleciona amigos, sentimentos, lugares, momentos, opiniões e é aberto a um mundo de oportunidades. Ele aprende a ampliar sua visão do que é o mundo e descobre que ser aberto a novas experiências pode preencher espaços que nenhuma peça de roupa é capaz de preencher.

Para colecionar experiências é bem simples, basta se livrar dessa falsa necessidade que nos prende a todo tempo e criar coragem de investir para conhecer aquilo que nunca foi visto ou feito por você. No final das contas sem dúvidas tudo isso vale mais que qualquer bem material.

Não existe coisa melhor no mundo do que viver, curtir e gozar a vida, que passa rápido e daqui não levaremos nada, a não ser toda a experiência e as amizades.

Charles Chaplin

Bem, eu não sei exatamente o que vamos levar da vida, mas sinceramente, eu concordo muito com Charles.

Concluindo, é melhor “comprar para viver” do que “viver para comprar”.

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A lição que o carnaval joga todo ano na tua cara

Muita gente já me perguntou qual era o motivo que fazia de mim o único ser que não se apaixonou pelo carnaval do meu estado. Juro que eu tentava pôr na mesa todos os fatos que geravam esse pouco interesse, mas eu brigava comigo mesmo sem uma resposta plausível.

Na época nada ainda me fazia sentido, mas depois de um tempo pude compreender. O problema era que eu não entendia o que era carnaval. Onde quero chegar é que, de alguns anos para cá eu consegui perceber o real motivo que faz do carnaval, O CARNAVAL.

Tirando alguns fatos como brigas, pessoas passando mal, assalto e abuso sexual, hoje eu aconselho a todas pessoas a se JOGAREM no carnaval e eu vou explicar o porquê.

Vamos falar de ex.

Tive uma namorada por volta dos meus 18 anos. Vamos chamá-la de Joana.

Eu e Joana sempre fomos ótimos amigos, e apesar de novos, tínhamos assuntos muito variados durante nosso convívio. Falávamos sobre muitas coisas, comida, música, religião, drogas, sexualidade, homossexualidade, esporte e tudo que vinha na telha.

Joana se sentia confortável comigo para revelar desejos como fumar maconha, atração pelo mesmo sexo, fantasias sexuais e etc., resumindo, assuntos que são tabus sociais.

Qualquer pessoa que tivesse uma conversa de 5 minutos com ela sobre assuntos “proibidos” poderia perceber uma vontade reprimida, que deixava claro a necessidade de ser um “personagem socialmente aceito” acompanhado pela frase “eu não quero falar sobre isso”.

Inclusive foi uma época difícil para a gente. Tentar conhecer a essência de alguém sem que ela se conheça, é praticamente impossível.

Até que depois de um tempo nos separamos e nos aproximamos em uma época de carnaval. Eu estava decidido a me jogar na folia e tentar conhecer o tal carnaval. Bem, foi ela que me ajudou a descobri o que é O CARNAVAL.

Foi uma semana onde Joana se sentiu confortável em fazer o que tinha vontade, sem culpa ou arrependimento…

Tive um estalo na minha cabeça instantâneo e consegui notar que ela havia abandonado o “personagem socialmente aceito”estava sendo quem ela sempre quis ser.

Bem, foi o momento que minha cabeça explodiu e notei alguns fatos bem importantes.

O carnaval nos dá o poder de ser quem somos e fazer o que queremos, e melhor, sem sermos julgados por isso.

Como percebi isso? Foi bem simples.

Olhei ao meu redor e vi pessoas fantasiadas, rindo por nada, cantando, conversando com estranhos e se divertindo como nunca.

Foi quando tudo ficou em silêncio e só ouvi a mim mesmo.

Compreendi que naquele momento você podia ser quem você quiser, uma heroína, um herói, uma mulher, um homem, uma abelha, uma privada, um policial, um Mickey, um homem das neves, enfim, não importava quem você era, o que importava era que ninguém ligava para isso.

No carnaval as pessoas ligam menos para quem você é, elas querem mesmo se divertir, independente de roupa, sexo, orientação sexual, gênero, raça…

Elas ficam mais abertas, mais dispostas a fazer amizades, conhecer pessoas novas, trocar ideias e tudo flui de uma maneira linda. É o lugar onde os rótulos somem, os preconceitos desabam e até mesmo o estresse desaparece, já que todos cantam no vagão apertado do metrô ao invés de reclamar da super lotação.

Consegui descobrir que o carnaval é muito mais que folia, é muito mais que música, é muito mais que dança, é muito mais que fantasia, o carnaval é ser o que você realmente é, é fazer o que quer e ser livre sem que ninguém te julgue.

Acho que todo mundo deveria ter uma dose de carnaval, porque foi isso que ajudou a Joana a se desprender de valores sociais e ser quem ela sempre quis ser. 

E porque todo dia não pode ser carnaval?

Desde então eu só consigo amar o carnaval e posso abraça-lo todos os dias se for necessário.

Até hoje me questiono “Porque todo dia não pode ser Carnaval?”. Não pelo sentido de bebida, de dança ou de folia, mas no sentido de podermos ser quem realmente somos sem sermos julgados (pensando bem, acho que não recusaria a bebida).

Não que eu queira ir para o trabalho vestido de super-homem com uma latinha de cerveja, mas queria poder sair pela rua sem medo de ser quem eu realmente sou, sem medo de um olhar torto e ainda ter a possibilidade de fazer mais amigos.

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Fotógrafo apaga smartphones de suas fotos para mostrar como estamos distantes uns dos outros

A tecnologia é uma fiel amiga do homem, aquela que facilita a vida de várias maneiras. Mas infelizmente isso não quer dizer que ela não vem acompanhada de problemas, e os smartphones são um ótimo exemplo disso.

Basta prestar atenção naquela típica frase que você já deve ter falado para um amigo: “Brother, larga o telefone, tá geral falando contigo”. Provavelmente não só falou, mas também já ouviu.

A verdade dói, mas é essencial.

É importante ser sincero consigo e assumir que o telefone apesar de bom, pode fazer com que perca diversos momentos. Reconhecer isso é uma grande evolução, já que provavelmente você fará o uso mais consciente.

Para as pessoas que não conseguem entender isso, bem, imagens valem mais do que palavras.

Inspirado nisso que o fotógrafo nova-iorquino, Eric Pickersgrill fez suas imagens. Pensando no conceito que o smartphone afasta as pessoas umas das outras, Eric teve uma ideia simples e genial que deixa isso bem claro. Ele removeu os smartphones dos usuários em suas fotos e mostrou como realmente perdemos tempo e momentos dando muita atenção para uma caixinha em nossas mãos.

Veja para crer. Depois, se conscientize e faça o uso correto do seu smartphone.

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Conclusões de um cara que saiu de casa e descobriu que ela na verdade nunca existiu

Há seis meses dessa publicação, eu dei um passo na vida que já sentia que precisava ter tomado há muito tempo: sair da casa dos pais.

Agora é hora de reavaliar os aprendizados e compartilhar com quem estuda fazer o mesmo 😉

Antes de mais nada…

Aqui cabe um esclarecimento para que não me entendam errado. Não, eu não tive uma infância traumática, sofrida ou da qual eu guarde rancores. Nada disso! No meu caso, sair da casa dos pais representava um último grito de independência que eu sentia precisar dar antes de me descobrir por inteiro… E deu certo!

Depois de mais de 23 anos vividos na pequena cidade de Nilópolis, terra de Neguinho da Beija-Flor, na Baixada Fluminense do estado do Rio de Janeiro, os ventos sopraram pra direção à qual eu já tentava há algum tempo fazê-los soprar, que era a cidade São Paulo.

Assim como grande parte dos que emigram de suas cidades para a capital econômica do Brasil, o trabalho me fez trocar a sensação térmica de quase 50º no Rio pelas tardes cinzentas e chuvosas da capital paulistana e eu não poderia estar mais grato por isso. Por isso, no clima de virada, novas etapas e resoluções de novo ano, eu decidi retribuir com alguns pequenos aprendizados que eu consegui tirar ao longo dos últimos seis meses.

1. Família faz falta.

Talvez seja a afirmativa mais óbvia que farei ao longo do texto, mas independente de brigas e rotinas, família faz realmente falta. Eu nunca fui um cara muito dependente emocionalmente da minha família e, na realidade, até me sinto um pouco culpado por essa minha “frieza” algumas vezes, mas existem momentos em que um abraço da mãe ou um berro do sobrinho sempre vão fazer falta.

Mas a saudade é um sentimento que vem em ondas. Se há dias em que você pensa em largar tudo e pegar um ônibus no meio da madrugada para chegar em casa pela manhã, há outros (e se você tiver sorte, como eu, a grande maioria deles) em que você sabe que poderia não estar vivendo aqueles momentos se não tivesse dado um passo pra longe do comodismo sob um teto de mãe.

2. Laços familiares vão além das famílias.

morticia-addams-familySe o parentesco é definido por sangue, o sentimento de família normalmente vai além disso.

Um dos meus maiores receios ao decidir me mudar para São Paulo era o possível sentimento de solidão. Eu já conhecia virtualmente algumas pessoas no trabalho, mas o medo de me limitar a contatos em um nível de “coleguismo de trabalho” era uma preocupação pessoal que eu queria contornar.

E apesar de hoje perceber que esse medo não era necessário, até porque tive bastante sorte nesse sentido mesmo no trabalho “normal”, esse medo acabou me gerando uma das experiências mais marcante nesse período: o Worldpackers.

Explicarei melhor sobre o projeto em breve, em um outro post, mas resumidamente é um projeto onde viajantes trabalham em albergues em troca de acomodação e, na maioria dos casos, alimentação.

E nos meus primeiros seis meses em São Paulo, eu acabei morando em dois hostels da cidade nesse meio tempo. Primeiro, o Okupe Hostel, no bairro dos Jardins, perto do metrô das Clínicas, onde eu fazia turnos que revezavam entre a recepção de madrugada e a noite no bar. E o Hostel Alice, um pequeno hostel com jeitinho de casa de vó no bairro da Vila Madalena, também perto do metrô, onde eu fazia turnos na recepção na madruga ou aos finais de semana durante o dia.

Os trabalhos, carga horária, etc variam entre os dois, mas uma coisa se repetiu em ambos: o clima de família.


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Os motivos de cada uma das pessoas dentro desses hostels variam. Alguns vieram por namorado(a)s, outros porque acharam que seria mais fácil ganhar a vida em São Paulo, outros simplesmente fugiam de suas vidas e precisavam de um tempo para pensar… Mas se os motivos não são iguais, a mentalidade das pessoas que se encontram nesses quartos coletivos é quase sempre muito similar. Você aprende que nem todos são iguais. Que nem todos precisam ser iguais. E que é deve de cada um fazer um pouquinho de esforço que seja para que tudo dê certo.

E sempre deu.

3. Pequenas vitórias ainda são vitórias.

Se pular de bungee-jumping é o tipo de momento marcante em uma viagem, quando se sai de casa, os pequenos feitos da rotina também se tornam grandes realizações.

Do primeiro macarrão com carne moída à primeira vez que você sabe em que estação fazer a baldeação do metrô sem olhar no mapa, tudo é motivo para comemoração de alguém que começa a aprender a se virar.

4. Você se sente sem uma casa, mas isso até que é bom!

Quando você sai de casa, voltar no seu antigo lar deixa de ser o mesmo que era quando você morava lá. Você deixou de ser um morador e passou a ser visita, e por mais que você ainda queira opinar até mesmo se uma parede da sala mudou no tom de bege, você sabe que não tem mais o direito moral de se meter naquilo.

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Você seguiu em frente e a vida ali também seguiu sem você. A sensação de pertencimento deixa de ser relacionada à um lugar e passa a ser a um momento.

E por que isso é bom?

Porque não sentir raízes presas a algum lugar ajuda a diminuir o grau de importância que você dá às coisas, afinal, elas raramente são permanentes. Você deixa de ser dependente ao seu cep e percebe que no final das contas, você precisa apenas de si mesmo.

5. Nem sempre tudo dá certo, mas com sorte (ou precaução), se resolve.

Estar sozinho em uma cidade desconhecida também tem dos seus perigos.

Seja tentar fazer miojo no microondas dentro de uma panela de alumínio ou ir a uma boate desconhecida só com cartão, sem celular e sem saber como voltar, algumas vezes as merdas não acontecem porque não eram para acontecer.

Admito não ser o melhor exemplo de cara precavido, mas no mundo ainda há muito mais pessoas boas do que ruins, cabe sempre a atenção às situações na qual você se mete, em especial por você ser o novato na área. Ser cuidadoso e evitar situações de perigo é o básico para tudo dar (e continuar dando) certo.

E essa dica eu mesmo preciso começar a seguir.

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6. Você aprende muito sobre si.

Estar embaixo da asa de alguém às vezes faz tudo parecer muito fácil.

Apesar de ser de uma família classe C de um município do subúrbio fluminense, a verdade é que a minha vida sempre foi de privilégios.

Para começar, nunca passei fome, sempre tive onde morar, não sofri abusos físicos nem emocionais durante toda a infância e adolescência, e nem nada do tipo. Por isso, sair de casa foi a verdadeira prova do que eu era capaz ou não fazer. Do quão autossuficiente eu realmente consigo ser.

Eu ainda tenho muito mais privilégios que boa parte da população tem. Alguns vieram de bandeja, outros eu corri atrás e assim segue-se a vida, mas o que importa disso é que a cada dia que passa em que você precisa se virar sozinho e se apoiar em si mesmo, mais você consegue se entender. O que te fere, o que te excita, o que te faz feliz…

É como começar uma jornada prazerosamente necessária, só que sem saber quanto tempo ela vai durar ou se algum dia ela tem fim. Mas ai são cenas dos próximos capítulos…

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ComportamentoReflexões

17 conselhos para começar 2017 com pé direito

Não conclui isso no bar, nem numa roda de amigos. Não foi num jantar em família ou num fim de semana jogando War. Esse texto não foi construído em uma discussão cara a cara, muito menos no meu quarto enquanto pensava sobre o que aprendi em 2016.

Esse texto foi elaborado a partir de uma troca de conselhos no meu facebook, é sério.

Compartilhei uma imagem que dizia “Me dê um conselho sobre o que você aprendeu em 2016 que te darei um conselho de volta”, e não é que deu muito certo? Afinal de contas, tem coisa mais gostosa do que usar os amigos do meu facebook para uma atividade que vai muito além de curtidas? Bem, para mim valeu muito a pena.

Foi um post onde pude refletir e repensar sobre diversas coisas aconteceram em 2016.Aí resolvi compartilhar meus pensamentos que estavam escondidos nos blocos de notas.

Tudo bem que não acredito que um número é capaz de fazer a diferença na nossa vida, mas a gente pode usar o novo como um incentivo, né? Afinal, sempre dizem que ano novo é ideal para mudanças.

Se você ler isso tudo até o final, existirá uma grande probabilidade que o ano de 2017 seja bem diferente do que o ano que passou. Diferente para melhor, é claro! 

Vamos aos conselhos:

1 – Você precisa apenas de si mesmo.

As pessoas que entram na sua vida são para somar, não para subtrair. Não se torne dependente delas, seja independente! A dependência além de causar percepções de impotência e dar a possibilidade de se decepcionar fácil com alguém, pode te prender a pessoas que sugam suas energias por completo. Seja o bastante para você antes de querer alguém para partilhar sua convivência. Ninguém além de você deve ser responsável por sua felicidade.

2 – Defina as prioridades da sua vida de forma coerente ao nível de autonomia com que você possa executá-las.

Você quer abraçar o mundo, solucionar o aquecimento global e até evitar a poluição dos rios, mas querer não é poder. Antes de mais nada é importante que resolva os problemas que realmente estão ao seu alcance, para depois pensar nos problemas maiores. Parece que não, mas as coisas pequenas são capazes de se transformar em grandes bolas de neve. Então antes de querer arrumar o mundo, arrume a sua casa, olhe para si mesmo e veja o que precisa ser ajustado em você e em coisas que estão ao seu alcance. Te garanto que depois disso seus objetivos estarão muito mais próximos.

3 – Às vezes você só não encontrou seu “lugar no mundo” ainda porque não teve coragem de sair do quarto para procurar.

De que adianta querer encontrar seu lugar se você ainda nem saiu do sofá. O comodismo é um problema e tanto, então largue o telefone e se permita descobrir as coisas que estão ao seu redor. Pare de inventar desculpas. Vá a um lugar novo, conheça pessoas novas e descubra novos paladares. Porque é impossível saber do que se gosta experimentando apenas uma opção de milhares. Quanto mais você sabe quem você é e o que quer, menos deixa se perturbar pelas coisas.

4 – A ideia de que gente do bem atrai gente do bem não é só uma ideia.

Se concentre um pouquinho mais nas coisas boas, mesmo em momentos de caos. Em seguida verá que as coisas boas começarão a se multiplicar. Até porque tudo tem seu lado positivo. Coisas boas se atraem, sendo assim, a possibilidade de estar cercado de pessoas boas e coisas boas só aumenta.

5 – Coisas ruins acontecem a todo tempo e com todos, e quanto mais você reagir mal a isso, mais as coisas ficarão péssimas.

Como eu disse ali em cima “tudo tem seu lado positivo”, sendo assim é muito importante focar nele para que as coisas boas voltem a acontecer. É tudo uma questão de ponto de vista, onde você deve reconhecer que até mesmo as coisas ruins podem trazer coisas boas. Basta ter uma visão alegre até mesmo sobre seus problemas, lidar bem com o que acontece com você torna tudo mais fácil de resistir. Tudo bem que não é tão simples como se diz, mas pode ter certeza que funciona muito bem.

6 – A felicidade torna tudo suportável.

“A felicidade é um estado de espírito. Se a sua mente ainda estiver num estado de confusão e agitação, os bens materiais não vão lhe proporcionar felicidade. Felicidade significa paz de espírito”, disse Dalai Lama. A felicidade não tem uma fórmula, mas só depende de você para que ela se torne constante e te ajude a enfrentar melhor os problemas. Até publicamos um texto sobre felicidade aqui, que são “As 15 coisas que você precisa abandonar pra ser feliz”, vale a pena conferir.

7 – Seja gentil com todos e melhore suas atitudes.

Aquela velha história do “Gentileza gera Gentileza”. Seus pensamentos e suas palavras são capazes de influenciar muitas coisas, então as use com muita consciência e sempre com pensamento no próximo. Basta tratar as situações e pessoas da maneira que gostaria de ser tratado. A mudança começa em si mesmo.

8 – Diga às pessoas o quanto as ama e o quanto elas são especiais para você.

Não deixe de mostrar o quanto elas são importantes, pode ser que daqui a uns minutos você não tenha mais esta oportunidade. A morte é sorrateira e inesperada, já até falamos sobre isso aqui “A morte inesperada mais uma vez nos dá um recado”.

9 – Converse sobre ideias, não sobre pessoas.

Quando notar que está falando sobre pessoas, pare imediatamente. Dialogar sobre a vida dos outros nada mais é que fofoca. Então desapegue desse hábito e tire proveito das pessoas que estão com você, antes que seja tarde demais. Troque opiniões, histórias, momentos ou qualquer coisa parecida. Garanto que vai tirar muita coisa construtiva dessa conversa. Sem alimentar a preocupação e especulação sobre a vida de terceiros.

10 – Cuidado com as expectativas que você deposita nas coisas e nas pessoas.

As expectativas que você gera sempre terão a possibilidade de te frustrar. Vale muito mais a pena se surpreender do que se decepcionar, então mantenha o controle dessa emoção. E se um dia confiar demais em alguém que não mereça sua confia, lembre-se sempre: o erro não é de quem confia, e sim de quem mente.

11 – Tentar ter controle de tudo que acontece à sua volta pode fazer com que não tenha controle de nada, aceite que você não pode resolver tudo e já terá resolvido um grande problemão.

Aproveitar os momentos e as oportunidades que surgem vale muito mais a pena do que forçar qualquer coisa. Então relaxe, respire, conte até dez e pense de novo. Depois é só deixar rolar e seguir seu coração que as coisas vão caminhar da melhor maneira possível. Deixe que tudo e todos sejam exatamente o que são e você verá como isso irá te fazer sentir-se melhor. Não se cobre tanto. Muitas vezes as pessoas vivem momentos ruins por uma auto cobrança um tanto quanto desnecessária. Sem levar em consideração que muita vezes o problema pode te trazer mais coisas positivas do que negativas.

12 – Não se desespere, se tiver que acontecer vai acontecer.

Não fique triste por algo que não seguiu como o planejado. Caminhe com calma e leveza. Siga os passos que te fazem feliz. Quando for o momento certo vai acontecer, muita vezes até melhor do que imaginava. Infelizmente você não tem controle de tudo, mas tem controle de suas escolhas. Então dê tempo ao tempo, faça as escolhas certas, que no final tudo vai dar certo. Muita vezes um não pode ser melhor que um sim.

13 – Quando estiver triste, fique um tempo sozinho, em silêncio e busque o real motivo. Depois se questione se esse motivo deveria ter tamanho poder sobre sua felicidade.

Problemas? Existem vários. Uns grandes e outros nem tão grandes assim. Por isso, antes de problematizar tanto as coisas, é importante refletir sobre a real importância dele e se ele realmente tem o poder interferir na sua felicidade. Já que muita gente dá valor a coisas que nem deveriam ter tanta atenção assim.

14 – Entenda que amigos vão e vem.

As pessoas mudam, e junto com elas os objetivos. Essas mudanças podem causar conflitos que afastam pessoas por completo, mas isso não é lá tão ruim. Permitir que as pessoas se vão e abrir portas para que novas entrem é importante para a construir uma identidade. É saudável para compreender quem você é e o que quer. Além de deixar claro quem realmente “a ti pertence”, porque no final quem deveria ficar, sempre volta.

15 – Reclamar não é a solução para nada.

Pare de reclamar tanto, da vida, das coisas… Seja lá o que for, reclamar não é a solução e na maioria das vezes é capaz de nos criar mais um problema. Então da próxima vez, esqueça sua habilidade de se queixar e use esse tempo para pensar na resolução do problema. Nesse e na maioria dos casos é melhor usar o cérebro do que as cordas vocais.

16 – Não “tolere” as diferenças, compreenda.

“A mais extrema forma da ignorância é quando você rejeita algo sobre o que você não sabe nada” Wayne Dyer. Pare de criticar coisas e pessoas que são diferentes de você. Não se pode rotular como esquisito algo que você não compreende. É importante abrir a mente e entender que existem diversas realidades e culturas completamente diferentes da sua.

17 – 2016 passou, foque em 2017.

O passado já foi, o futuro ainda vai chegar. Viva o agora, se concentre no agora. Aprenda com os erros, perdoe quando necessário e nunca deixe seu orgulho ser maior que sua felicidade. Olhe sempre para frente e aproveite tudo como se não houvesse o amanhã. E lembre-se sempre, o único representante dos seus sonhos na terra é ninguém além de você mesmo.


O Caras do Mundo deseja um feliz ano novo para todos vocês.

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ComportamentoCriatividadeReflexões

Skol surpreende ao estimular quebra de padrões nesse verão com novo comercial

O verão chegou torrando tudo e todos, e fugir para as praias é uma das poucas soluções encontradas para amenizar os quase 50º C diários. E com tanto calor, cresce o consumo desesperado de qualquer coisa gelada.

Nesse embalo infernal, as principais marcas de cerveja sempre preparam uma campanha especial para receber a tão querida estação. Com isso, a Skol esse ano, seguindo a vibe desconstruidora que tem seguido desde que começou a focar em um público mais jovem, lançou mais um comercial que foge do clichêzão das principais marcas de cerveja.

Ao invés de objetificar mulheres jovens saradas servindo cerveja enquanto trocam olhares com homens sarados, a Skol promove mais uma vez o respeito e a valorização da diversidade, estimulando a quebra de padrões e apresentando um verão que vem para todos e todas, independente do tipo físico, gênero, idade, cor e quantidade de cabelo.

Em tempos de intolerância escrachada, vale a pena assistir e compartilhar!

Vale lembrar que meses atrás a Skol também lacrou e surpreendeu com o comercial em apoio ao Dia do Orgulho LGBT, veja aqui. <3

 

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ComportamentoReflexõesViagens

12 fotos de antes e depois que revelam o que guerra fez a maior cidade da Síria

Em 19 de julho, 2012 começou confronto militar na maior cidade da Síria, Aleppo, como parte da guerra civil síria. Considerada como uma das cidades mais antigas habitadas do mundo, infelizmente se tornou um grande campo de batalha entre as forças governamentais e os militantes rebeldes.

A cidade está marcada pelos bombardeios russos e sírios, que mataram milhares de pessoas e forçaram centenas de milhares a evacuar a cidade. Os ataques foram classificados pela ONU como crimes de guerra pelo suposto uso de armamento sofisticado com efeitos devastadores em áreas urbanas. A batalha causou uma destruição catastrófica na cidade velha de Aleppo, considerada Patrimônio Mundial pela UNESCO.

As imagens abaixo servem para conscientizar a população sobre como a ganância de poder do ser humano e a falta de humanidade do mesmo pode causar estragos irreversíveis. Além de alertar a população sobre o que está acontecendo no país e deixar claro que a Síria necessita sim de nossa atenção.

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ComportamentoExperiênciasMúsicaReflexões

Mandume, novo clipe do Emicida não é sobre resistência

Na última segunda (5), Emicida lançou o clipe de Mandume, faixa do álbum “Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa“. O clipe conta com a participação de Drik Barbosa, Amiri, Rico Dalasam, Muzzike e Raphão Alaafin, e atende todas as expectativas da letra lacradora da canção que leva o nome de um ícone da resistência africana.

Vejaaa!

Não é sobre resistir.

O filme arrepia pela representatividade das ruas e pelo empoderamento das causas sociais. No entanto, mais do que resistência, o enredo reflete a virada social que vivemos e fortalece a ideia de ocupação.

A resistência fica para trás.

Ficou com Zumbi que ousou ser livre durante a escravidão, ficou com a minha avó que segue com sanidade psicológica depois de o machismo ter assassinado sua mãe, ficou com os viados que tiveram a ousadia de se assumir antes da OMS retirar a homossexualidade da lista de distúrbios mentais.

Estamos longe de estarmos socialmente seguros e a resistência sempre será necessária para que não haja regresso nos direitos conquistados com muita luta. Porém, já podemos encarar a resistência como uma etapa lindamente cumprida por nossos antepassados, uma etapa de um plano maior que agora avança de nível.

A parada agora é ocupar.

A cena da banca de jornal e os versos finais de Mel Duarte ilustram muito bem esse momento social em que as pautas ganham vozes e força suficiente para mais do que resistir à dura realidade, transformá-la. Seja nas bancas, nas redes ou nas ruas, seja por bem ou por mal, nós estamos ocupando.

E com isso, a casa grande pira.

O ressurgir, quase que das cinzas, da extrema-direita por todo o mundo revela que a opressão sentiu a perda de espaço e está contra atacando. Eles não gostaram nada nada de termos saído da cozinha, dos terreiros, dos armários, das fronteiras. “RESISTAM AI DE DENTRO!”, é o que eles ordenaram e não estamos escutando, porque graças a Oxalá, conquistamos voz, vez e autoridade suficiente para dizermos mais alto:

Late que eu tô passando.

Cabe ao conservadorismo então, assumir o papel da resistência agora. A resistência de valores hipócritas do século passado, a resistência de ideologias opressoras, a resistência do medo à diversidade, a resistência da ignorância cultural.

A bola não foi passada, foi empurrada, por meio de um papo bem reto a todos que insistem calar a igualdade.

Resistam se forem capazes.

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