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Do Big Bang à sua alma! 7 questões a serem respondidas por quem deseja viver melhor em 2019

2019 já chegou com tudo e junto com ele chegou mais uma das 365 oportunidades de mudar a si mesmo durante o ano. Porém, antes de desejarmos transformar algo em nós, precisamos entender os fatores que influenciam no que somos hoje.

Estamos tão acostumados a ser quem somos que dedicamos muito pouco tempo para o auto-questionamento e para a análise de nossos sentimentos e ações. Um erro que nos aproxima cada vez mais da triste afirmação de Gabriela:

“Eu nasci assim, vou morrer assim.”

Acreditar nessa inverdade é afastar qualquer possibilidade de controlar nossas transformações, porque elas sempre existirão, quer Gabriela queira ou não.

E para compreendê-las, é necessário reconhecer que somos muitos dentro de nós, e que tudo a nossa volta tem grande parcela no que ironicamente chamamos de identidade.

1. Você sabe o que rolou no universo até chegar a nossa espécie humana?

“Somos todos poeira de estrelas”

A famosa frase do incrível astrônomo Carl Sagan inicia nossa reflexão para nos lembrar do quanto somos poucos diante da dimensão de tudo que somos parte.

Antes mesmo de sairmos da barriga de nossas mães, o nosso ‘eu’ já foi moldado por uma condição genética que caminhou até nossos pais desde do Big Bang e que influencia na nossa forma física e biológica. Presos aos nossos problemas diários, ignoramos o fato libertador de que somos:

  • apenas 1 dentre as milhares de espécies
  • que vivem em 1 dos planetas
  • de 1 sistema solar
  • que pertence a 1 das bilhões de galáxias
  • que existem em um universo,
  • até então, sem limites.

Existe uma série incrível, chamada Cosmos, apresentada pelo físico Neil deGrasse Tyson, que explica em alguns capítulos instigantes como o Big Bang deu origem ao universo, fazendo surgir RECENTEMENTE! a nossa raça humana. Está disponível no Netflix e para começar a mudar sua vida, você precisa assistir!

2. Você está por dentro dos principais acontecimentos que moldaram a nossa nação?

Terra a vista! O grito dado pela tripulação portuguesa, há mais de 500 anos, ao avistar as terras tupiniquins está aqui, não para dizer que nossa história começa nesse momento, mas para lembrar o quanto de coisa aconteceu na terra do pau-brasil antes de chegar o ano de 2019.

Além de definirem nossa língua oficial, os portugueses, junto as culturas indígena e africana, principalmente, têm grande influencia no que entendemos como povo brasileiro hoje.

Toda a história da nossa miscigenação não deve ser ignorada na análise do nosso ‘eu’, devemos conhecê-la além dos livros da escola, porque ao construírem o país, os povos que por aqui passaram, também nos construíram. Influenciando nossos gostos, nossa gastronomia, nossa cultura, nossas festas, nossa forma de entender e aproveitar a vida.

3. Você consegue compreender o sistema político que nos governa e o seu caminho ideológico?

Concordo que pelo momento crítico do Brasil, talvez seja um dos pontos mais difíceis de ser estudado, mas é necessário, principalmente agora que entendemos que ela nos afeta tanto.

Política é um ponto de extrema importância na análise de nossa vida. Por mais anarquista que alguém deseja ser, deve aceitar o fato de que atualmente todos somos governados por um sistema que enquadra nossa liberdade dentro do duo: direitos e deveres.

E para tanto, é preciso compreender o básico, tanto para questionar quanto para comparar com outras estruturas políticas que existem pelo mundo. Para começar, é importante ler sobre como o Brasil chegou à uma república federativa e os caminhos ideológicos que regem a política mundial, que afetam tanto a economia, como a sociedade, e nem sempre se resumem a dicotomia direita / esquerda. Nesse Teste de Coordenadas Políticas  é possível descobrir através de algumas perguntas qual é o seu caminho ideológico atual.

4. Você é inteirado sobre os atuais problemas sociais e sua relação com eles?

Vivemos em uma sociedade com preconceitos historicamente enraizados que nos afastam do sonho da igualdade social e do respeito à diversidade. Ignorar ou esconder esses problemas é não considerar o fato de que carregamos conosco os privilégios e os conceitos de um passado recente ou não.

Não cabe espaço para hipocrisia aqui. O preconceito está enraizado na cultura. O racismo, o machismo, a homofobia fazem parte de mim porque eu vivo e cresci influenciado por uma sociedade que é tudo isso.

Enxergar a raiz desses e outros preconceitos, assim como nossos privilégios, é uma atitude libertadora que nos aproxima da chance de assumir a nossa própria história, ao invés de deixarmos ser dirigidos por ideias do século passado. Nesse ponto, a dica é se calar um pouco e escutar mais os lados que se encontram em vulnerabilidade social, as minorias.

5.  Você saberia explicar basicamente como seu corpo funciona e as vantagens de um estilo de vida saudável?

O homem é um elemento químico e biológico doidamente complexo. E para funcionar conta com trilhões de células que trabalham nos diversos sistemas operacionais, tais como o respiratório, digestivo, nervoso, e tantos mais. Temos um universo próprio dentro de nós.

Não precisamos entender tudo minuciosamente, porque graças a Deus há pessoas capacitadas estudando cada parte dessa máquina. Porém, dependemos desse corpo para existir e contribuir para que ele trabalhe da melhor forma possível é questão de lógica e sobrevivência.

Deseja uma vida melhor? Cuide do seu corpo. Faça check-ups. Batalhe aos poucos e a cada dia mais por uma alimentação saudável e por um estilo de vida que deixe sua mais importante casa feliz. No começo pode ser chato inserir a saúde dentro de uma rotina sedentária, mas se você deseja de fato mudar, seu corpo não pode ficar para trás. Se for te ajudar, comece por essas 10 dicas. E não deixe de assistir o documentário Food Choice, disponível na Netflix, que revela como nossas escolhas alimentares impactam em nossa saúde e na saúde do planeta.

6. De onde vem e para aonde vai? Saberia dizer qual é a procedência e qual é o destino do que você consome?

Se eu abro a torneira e a água sempre vem, não é necessário que eu saiba qual rio que abastece minha vida. Se eu vou ao mercado e sempre tem carne disponível, pouco me importa de onde ela vem. Se deixo meu lixo na rua e no outro dia magicamente ele some, não preciso saber para aonde ele vai.

Desde que começamos a sistematizar tudo que necessitamos para viver, seja nosso alimento, nosso vestuário, ou os recursos naturais, nos tornamos ignorantes aos processos que sustentam nossas vidas. Essa tamanha abstenção tem dois principais impactos: na nossa saúde e na saúde do nosso planeta.

Desenvolver uma consciência sustentável sobre o que consumimos é papel de todo cidadão. Principalmente daquele que busca em 2019 ser mais dono do seu próprio nariz. Além do documentário sugerido no ponto anterior, assista esse vídeo também.

É absurdo e incoerente que com nosso estilo de vida estejamos destruindo as condições necessárias para que possamos viver.

7. Por fim, você compreende como funciona sua mente?

“É difícil aceitar que seja apenas nossa mente o que nos impede de atingir todo nosso potencial.”

Para 90% das promessas que fazemos na virada do ano, somos nós mesmos as principais barreiras para que consigamos cumpri-las. E toda essa dificuldade tem culpa no funcionamento de nossa mente que através de gatilhos nos encaixa em um comodismo resistente a qualquer alteração.

E como tudo na vida, para transformar isso, é preciso reconhecer e compreender. Compreender como funciona essa máquina e seus atalhos que inconscientemente influenciam em nossas preferências, escolhas e ações.

A psicanalise tá aí pra isso. Na internet há diversos textos que abordam o funcionamento de nossa mente. De início, eu destaco este do PapodeHomem, que enumera 5 vieses mentais que podem estar arruinando nossas tomadas de decisões, e como melhor lidar com eles.

Já é um bom começo para um recomeço.

“O crescimento pessoal nunca é fácil. Demanda trabalho duro e dedicação. Mas não deixe que seu futuro eu sofra em nome de conveniência cognitiva.”

Feliz 2019!

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Vício e a Cracolândia: A droga não é o problema

Há uns dias eu fui bombardeado, provavelmente você também, com vídeos sobre a ”limpeza” da Cracolândia (uma intitulação popular para uma região com usuários de droga e traficantes no centro de São Paulo), impulsionada pelo prefeito João Dória.

Como de costume, junto de qualquer noticia, principalmente politica, acontece um fenômeno muito comum, os ”textões”, o maior dos divisores de opiniões da internet, que todos estamos acostumado e participamos de alguma maneira.

Em um desses textões, uma pessoa me chamou atenção. Segundo ela, só é viciado quem quer, só usa droga quem quer e as consequências são uma só. Depois eu percebi que essa ”uma pessoa” são várias formando uma espécie de paradigma. Como paradigmas estão ai para serem quebrados e atualizados, decidi fazer esse textão.

Eu achei a ação desastrosa, mas, mais importante do que eu acho, são alguns dados que envolvem o título do texto que me influenciaram para chegar nessa conclusão. Como eu acredito que conhecimento deve ser cada vez mais compartilhado, resolvi escrever resumidamente sobre estes temas, que para mim, estão diretamente ligados e tudo com fonte, é claro!


Pra você, o que é Droga? É muito comum encontrar o termo sendo usado para classificar as substâncias ilícitas, porém, numa rápida pesquisa no site do Wikipédia , ele mesmo, aquele que faz todos os nossos trabalhos de escola/faculdade, encontramos por definição:

”Droga é toda e qualquer substância, natural ou sintética que, uma vez introduzida no organismo, modifica suas funções.”

Então, tenhamos em mente que são drogas, não apenas os remédios vendidos nas drogarias e farmácias, mas também as bebidas alcoólicas e os cigarros. Além do açúcar e do café. Sabendo disso,

Qual foi a última vez que você usou a sua droga? 

Agora que ficou claro, que basicamente somos todos usuários de alguma droga, saiba que existem níveis hierárquicos para usuários, estes são:

  • experimentador
  • usuário ocasional
  • habitual
  • dependente

O nível relevante para andamento desse texto é o dependente, quando a doença do vício toma controle do usuário.

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Definição de vício, pelo Aurélio;

”Defeito grave que torna uma pessoa ou coisa para certo fins ou funções. Conduta ou costume nocivo ou condenável. Prática irresistível de mau hábito, em especial de consumo de bebida alcoólica ou DROGA.”

Foi o professor psicólogo Bruce K. Alexander, que na década de 70, com sua pesquisa, chamou atenção para que as definições de vícios fossem atualizadas (voz do avast) Porém, antes de falar da pesquisa, vamos entender o que estava acontecendo na época.

O uso de drogas pesadas no século XX ocorria de forma natural, e as consequências eram poucas conhecidas. Para quem viu a série Narcos da Netflix, pôde acompanhar com alguns detalhes a disseminação da cocaína pelo EUA, ou o filme Platoon, que aborda o uso de drogas por soldados americanos na Guerra do Vietnã. Sem contar também os revolucionários movimentos da contracultura que teve início nos anos 60, mas ainda com muito força nos 70 que popularizaram o uso do LSD.

Todos esses acontecimentos tiveram de alguma forma influência na declaração do presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon em 71, mas isso tudo é conteúdo para outro texto, aqui é foco na pesquisa.


Voltando para a pesquisa

O problema do vício nas drogas era visto apenas como uma questão farmacológica, onde o dependente era (ainda é, a que tudo indica) visto como imoral e fraco de caráter. Mas o professor Bruce Alexander levantou um questionamento sobre os experimentos feitos em cobaias (ratos e macacos) para entender o efeito das drogas. As cobaias eram postas sozinhas em uma jaula/gaiola, era servido água uma pura e outra diluída com cocaína/heroína etc… no qual os animais sempre iam na água intoxicada e bebiam até a morte.

Para o professor qualquer ser vivo nessas condições de isolamento iria preferir a morte, então, ele fez uma especie de ratolândia, com mais ratos, brinquedos e afins. Agora, tentem adivinhar qual foi resultado. Os ratos preferiam a água pura e bebiam água intoxicada esporadicamente e nenhum deles morreu ou declarou sintomas de abstinência.

Conclusão, para o professor o que causava o vício na substância a ponto de deixar alguém dependente dela tem mais a ver com ambiente em que ela vive, do que a substância em si.

Eu sei que talvez você esteja pensando, ”essa experiência feita com ratos pode não servir para os humanos”, certo? Mas, para complementar o experimento, lembra que eu falei sobre uso de drogas no Vietnã? Então, algo parecido aconteceu. Vamos fazer uma analogia entre jaula e a ratolândia.

Para os soldados americanos, o Vietnã era a sua jaula, já que eles eram postos em situações em que eram forçados a matar ou tinham chances de morrer a qualquer momento, muitos deles recorriam à heroína e maconha que nessa situação, serviam como alívio para aquela jaula. A população americana, estava preocupada achando que quando os soldados voltassem, suas ruas seriam tomadas por ”zumbis” viciados.

Porém, o oposto aconteceu, ao saírem da jaula e voltarem para seus familiares e amigos, 95% dos soldados simplesmente pararam de usar as drogas, sem tratamentos.

Quando isolamos os dependentes químicos e os tratamos feitos ”zumbis”, nós estamos fazendo com que a nossa sociedade pareça mais com uma jaula do que uma ratolândia, e colocamos os dependentes numa situação muito pior, o fazendo se sentir culpado e se trancando dentro da jaula.

Quando a nossa sociedade parece mais com uma jaula é porque algo de errado está acontecendo com a forma como nos tratamos. Precisamos nos redescobrir e desfazer esse aspecto de jaula.

Lembrando que o vício pode ser em qualquer coisa: em checar o telefone sem parar, ponografia, apostas, refrigerante e crack.

”O oposto de vício não é sobriedade, o oposto de vício é conexão” 

”quem você chama de zumbi, a mãe chama de filho”.  

Precisamos nos conectar mais com as pessoas, quantas vezes você ficou mal e só de estar perto de quem gosta te fez melhorar ? quantas vezes saiu do trabalho ou da faculdade estressado com qualquer situação e quis tomar uma cerveja? Quantas vezes você quis um sorvete, chocolate por estar triste? Um pouco mais de empatia, talvez salve vidas.

CHOSE LIFE! 

Abaixo uma animação, em inglês mas com legenda explicando a pesquisa do professor e um vídeo que o Rafinha Bastos fez com humorista Márcio Américo que já foi viciado em crak e frequentou a cracolândia.

 

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A grandeza de sermos poeira cósmica

Quando criança, lembro de ficar olhando admirado para o céu e me imaginando nas estrelas. Desde então, cresci um tanto e a reflexão/paixão pelo céu também só aumentaram, e já sou conhecido entre amigos por aquele que tende a chorar quando vê um céu estrelado.

Hoje, olho para cima e além de me imaginar entre as estrelas, utilizo o universo para lembrar-me o quão merda pequeno eu sou, uma poeira no espaço. É um processo que ajuda bastante no tratamento do narcisismo de meus problemas e dramas diários. Admirar as estrelas, para mim, é escutar o universo dizendo: “Ei meu chapa, olha o meu tamanho, tem coisa pra caralho aqui fora, e você preocupado com a cebola do seu sanduíche? O mundo realmente não gira em torno de você”.
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Porém, infelizmente, com as luzes da cidade tão perto, fica difícil enxergar e dar a devida atenção as luzes do universo. O mundo e o sistema que criamos aqui embaixo nos cegam de tal forma que só olhamos para o céu para ver se vai chover ou não.

Ficamos tão presos as nossas rotinas e a vida corrida que esquecemos que a existência vai muito além do que se passa em um pedaço de pedra que passeia pelo espaço. Só enxergamos até aonde a luz do nosso poste alcança. E os problemas sempre parecem grandes com a luz tão próxima a eles. Mas não são. Mas não somos.

Li outro dia um texto no Update or Die que reforça esse pensamento e recorda da importância do entendimento da ciência para o crescimento pessoal. E cita uma frase de Carl Sagan, cientista norte-americano, grande divulgador da ciência, que sabia como ninguém relacionar conceitos científicos à reflexões humanas:

“A Terra é um palco muito pequeno em uma imensa arena cósmica. Nela todos que você ama, todos que você conhece, todos que você já ouviu falar, todo ser humano que já existiu, viveram suas vidas. Milhares de religiões, ideologias e doutrinas econômicas, cada professor de moral, cada político corrupto, cada herói e covarde, cada criador e destruidor de civilização, todos os santos e pecadores da história de nossa espécie. Pensem nos rios de sangue derramados por todos os generais e imperadores para que na glória do triunfo, pudessem ser os senhores momentâneos de uma fração de um ponto.”

Enxergar, por ironia, a dimensão de sermos poeiras no tempo-espaço, de sermos partes de frações de um ponto, além de colocar no chão qualquer tipo de problema pessoal, também pode nos leva a questionar porque somos tão guiados por conceitos temporais, históricos e geográficos.

É indiscutível que todos precisamos de metas temporais para viver, mas se a felicidade, nosso objetivo de vida, não vai além de conceitos com data de validade, nós apenas estamos correndo atrás de pequenas alegrias.

Viver vai muito além disso. A real felicidade é atemporal. É liberta de limites físicos e culturais. Olhe para o céu quando duvidar disso. Quando estiver tão preso a problemas mundanos, sinta a grandeza da imensidão sussurrando para você:

Deixe de ser um merda e se encontre: no infinito e além.

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