Fechar

Social

CiênciaComportamentoPolíticaReflexõesSocialSustentabilidade

Do Big Bang à sua alma! 7 questões a serem respondidas por quem deseja viver melhor em 2019

2019 já chegou com tudo e junto com ele chegou mais uma das 365 oportunidades de mudar a si mesmo durante o ano. Porém, antes de desejarmos transformar algo em nós, precisamos entender os fatores que influenciam no que somos hoje.

Estamos tão acostumados a ser quem somos que dedicamos muito pouco tempo para o auto-questionamento e para a análise de nossos sentimentos e ações. Um erro que nos aproxima cada vez mais da triste afirmação de Gabriela:

“Eu nasci assim, vou morrer assim.”

Acreditar nessa inverdade é afastar qualquer possibilidade de controlar nossas transformações, porque elas sempre existirão, quer Gabriela queira ou não.

E para compreendê-las, é necessário reconhecer que somos muitos dentro de nós, e que tudo a nossa volta tem grande parcela no que ironicamente chamamos de identidade.

1. Você sabe o que rolou no universo até chegar a nossa espécie humana?

“Somos todos poeira de estrelas”

A famosa frase do incrível astrônomo Carl Sagan inicia nossa reflexão para nos lembrar do quanto somos poucos diante da dimensão de tudo que somos parte.

Antes mesmo de sairmos da barriga de nossas mães, o nosso ‘eu’ já foi moldado por uma condição genética que caminhou até nossos pais desde do Big Bang e que influencia na nossa forma física e biológica. Presos aos nossos problemas diários, ignoramos o fato libertador de que somos:

  • apenas 1 dentre as milhares de espécies
  • que vivem em 1 dos planetas
  • de 1 sistema solar
  • que pertence a 1 das bilhões de galáxias
  • que existem em um universo,
  • até então, sem limites.

Existe uma série incrível, chamada Cosmos, apresentada pelo físico Neil deGrasse Tyson, que explica em alguns capítulos instigantes como o Big Bang deu origem ao universo, fazendo surgir RECENTEMENTE! a nossa raça humana. Está disponível no Netflix e para começar a mudar sua vida, você precisa assistir!

2. Você está por dentro dos principais acontecimentos que moldaram a nossa nação?

Terra a vista! O grito dado pela tripulação portuguesa, há mais de 500 anos, ao avistar as terras tupiniquins está aqui, não para dizer que nossa história começa nesse momento, mas para lembrar o quanto de coisa aconteceu na terra do pau-brasil antes de chegar o ano de 2019.

Além de definirem nossa língua oficial, os portugueses, junto as culturas indígena e africana, principalmente, têm grande influencia no que entendemos como povo brasileiro hoje.

Toda a história da nossa miscigenação não deve ser ignorada na análise do nosso ‘eu’, devemos conhecê-la além dos livros da escola, porque ao construírem o país, os povos que por aqui passaram, também nos construíram. Influenciando nossos gostos, nossa gastronomia, nossa cultura, nossas festas, nossa forma de entender e aproveitar a vida.

3. Você consegue compreender o sistema político que nos governa e o seu caminho ideológico?

Concordo que pelo momento crítico do Brasil, talvez seja um dos pontos mais difíceis de ser estudado, mas é necessário, principalmente agora que entendemos que ela nos afeta tanto.

Política é um ponto de extrema importância na análise de nossa vida. Por mais anarquista que alguém deseja ser, deve aceitar o fato de que atualmente todos somos governados por um sistema que enquadra nossa liberdade dentro do duo: direitos e deveres.

E para tanto, é preciso compreender o básico, tanto para questionar quanto para comparar com outras estruturas políticas que existem pelo mundo. Para começar, é importante ler sobre como o Brasil chegou à uma república federativa e os caminhos ideológicos que regem a política mundial, que afetam tanto a economia, como a sociedade, e nem sempre se resumem a dicotomia direita / esquerda. Nesse Teste de Coordenadas Políticas  é possível descobrir através de algumas perguntas qual é o seu caminho ideológico atual.

4. Você é inteirado sobre os atuais problemas sociais e sua relação com eles?

Vivemos em uma sociedade com preconceitos historicamente enraizados que nos afastam do sonho da igualdade social e do respeito à diversidade. Ignorar ou esconder esses problemas é não considerar o fato de que carregamos conosco os privilégios e os conceitos de um passado recente ou não.

Não cabe espaço para hipocrisia aqui. O preconceito está enraizado na cultura. O racismo, o machismo, a homofobia fazem parte de mim porque eu vivo e cresci influenciado por uma sociedade que é tudo isso.

Enxergar a raiz desses e outros preconceitos, assim como nossos privilégios, é uma atitude libertadora que nos aproxima da chance de assumir a nossa própria história, ao invés de deixarmos ser dirigidos por ideias do século passado. Nesse ponto, a dica é se calar um pouco e escutar mais os lados que se encontram em vulnerabilidade social, as minorias.

5.  Você saberia explicar basicamente como seu corpo funciona e as vantagens de um estilo de vida saudável?

O homem é um elemento químico e biológico doidamente complexo. E para funcionar conta com trilhões de células que trabalham nos diversos sistemas operacionais, tais como o respiratório, digestivo, nervoso, e tantos mais. Temos um universo próprio dentro de nós.

Não precisamos entender tudo minuciosamente, porque graças a Deus há pessoas capacitadas estudando cada parte dessa máquina. Porém, dependemos desse corpo para existir e contribuir para que ele trabalhe da melhor forma possível é questão de lógica e sobrevivência.

Deseja uma vida melhor? Cuide do seu corpo. Faça check-ups. Batalhe aos poucos e a cada dia mais por uma alimentação saudável e por um estilo de vida que deixe sua mais importante casa feliz. No começo pode ser chato inserir a saúde dentro de uma rotina sedentária, mas se você deseja de fato mudar, seu corpo não pode ficar para trás. Se for te ajudar, comece por essas 10 dicas. E não deixe de assistir o documentário Food Choice, disponível na Netflix, que revela como nossas escolhas alimentares impactam em nossa saúde e na saúde do planeta.

6. De onde vem e para aonde vai? Saberia dizer qual é a procedência e qual é o destino do que você consome?

Se eu abro a torneira e a água sempre vem, não é necessário que eu saiba qual rio que abastece minha vida. Se eu vou ao mercado e sempre tem carne disponível, pouco me importa de onde ela vem. Se deixo meu lixo na rua e no outro dia magicamente ele some, não preciso saber para aonde ele vai.

Desde que começamos a sistematizar tudo que necessitamos para viver, seja nosso alimento, nosso vestuário, ou os recursos naturais, nos tornamos ignorantes aos processos que sustentam nossas vidas. Essa tamanha abstenção tem dois principais impactos: na nossa saúde e na saúde do nosso planeta.

Desenvolver uma consciência sustentável sobre o que consumimos é papel de todo cidadão. Principalmente daquele que busca em 2019 ser mais dono do seu próprio nariz. Além do documentário sugerido no ponto anterior, assista esse vídeo também.

É absurdo e incoerente que com nosso estilo de vida estejamos destruindo as condições necessárias para que possamos viver.

7. Por fim, você compreende como funciona sua mente?

“É difícil aceitar que seja apenas nossa mente o que nos impede de atingir todo nosso potencial.”

Para 90% das promessas que fazemos na virada do ano, somos nós mesmos as principais barreiras para que consigamos cumpri-las. E toda essa dificuldade tem culpa no funcionamento de nossa mente que através de gatilhos nos encaixa em um comodismo resistente a qualquer alteração.

E como tudo na vida, para transformar isso, é preciso reconhecer e compreender. Compreender como funciona essa máquina e seus atalhos que inconscientemente influenciam em nossas preferências, escolhas e ações.

A psicanalise tá aí pra isso. Na internet há diversos textos que abordam o funcionamento de nossa mente. De início, eu destaco este do PapodeHomem, que enumera 5 vieses mentais que podem estar arruinando nossas tomadas de decisões, e como melhor lidar com eles.

Já é um bom começo para um recomeço.

“O crescimento pessoal nunca é fácil. Demanda trabalho duro e dedicação. Mas não deixe que seu futuro eu sofra em nome de conveniência cognitiva.”

Feliz 2019!

Continue lendo
CiênciaPolíticaReflexõesSocial

Vício e a Cracolândia: A droga não é o problema

Há uns dias eu fui bombardeado, provavelmente você também, com vídeos sobre a ”limpeza” da Cracolândia (uma intitulação popular para uma região com usuários de droga e traficantes no centro de São Paulo), impulsionada pelo prefeito João Dória.

Como de costume, junto de qualquer noticia, principalmente politica, acontece um fenômeno muito comum, os ”textões”, o maior dos divisores de opiniões da internet, que todos estamos acostumado e participamos de alguma maneira.

Em um desses textões, uma pessoa me chamou atenção. Segundo ela, só é viciado quem quer, só usa droga quem quer e as consequências são uma só. Depois eu percebi que essa ”uma pessoa” são várias formando uma espécie de paradigma. Como paradigmas estão ai para serem quebrados e atualizados, decidi fazer esse textão.

Eu achei a ação desastrosa, mas, mais importante do que eu acho, são alguns dados que envolvem o título do texto que me influenciaram para chegar nessa conclusão. Como eu acredito que conhecimento deve ser cada vez mais compartilhado, resolvi escrever resumidamente sobre estes temas, que para mim, estão diretamente ligados e tudo com fonte, é claro!


Pra você, o que é Droga? É muito comum encontrar o termo sendo usado para classificar as substâncias ilícitas, porém, numa rápida pesquisa no site do Wikipédia , ele mesmo, aquele que faz todos os nossos trabalhos de escola/faculdade, encontramos por definição:

”Droga é toda e qualquer substância, natural ou sintética que, uma vez introduzida no organismo, modifica suas funções.”

Então, tenhamos em mente que são drogas, não apenas os remédios vendidos nas drogarias e farmácias, mas também as bebidas alcoólicas e os cigarros. Além do açúcar e do café. Sabendo disso,

Qual foi a última vez que você usou a sua droga? 

Agora que ficou claro, que basicamente somos todos usuários de alguma droga, saiba que existem níveis hierárquicos para usuários, estes são:

  • experimentador
  • usuário ocasional
  • habitual
  • dependente

O nível relevante para andamento desse texto é o dependente, quando a doença do vício toma controle do usuário.

17740991_1386216211401370_419626476_n


Definição de vício, pelo Aurélio;

”Defeito grave que torna uma pessoa ou coisa para certo fins ou funções. Conduta ou costume nocivo ou condenável. Prática irresistível de mau hábito, em especial de consumo de bebida alcoólica ou DROGA.”

Foi o professor psicólogo Bruce K. Alexander, que na década de 70, com sua pesquisa, chamou atenção para que as definições de vícios fossem atualizadas (voz do avast) Porém, antes de falar da pesquisa, vamos entender o que estava acontecendo na época.

O uso de drogas pesadas no século XX ocorria de forma natural, e as consequências eram poucas conhecidas. Para quem viu a série Narcos da Netflix, pôde acompanhar com alguns detalhes a disseminação da cocaína pelo EUA, ou o filme Platoon, que aborda o uso de drogas por soldados americanos na Guerra do Vietnã. Sem contar também os revolucionários movimentos da contracultura que teve início nos anos 60, mas ainda com muito força nos 70 que popularizaram o uso do LSD.

Todos esses acontecimentos tiveram de alguma forma influência na declaração do presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon em 71, mas isso tudo é conteúdo para outro texto, aqui é foco na pesquisa.


Voltando para a pesquisa

O problema do vício nas drogas era visto apenas como uma questão farmacológica, onde o dependente era (ainda é, a que tudo indica) visto como imoral e fraco de caráter. Mas o professor Bruce Alexander levantou um questionamento sobre os experimentos feitos em cobaias (ratos e macacos) para entender o efeito das drogas. As cobaias eram postas sozinhas em uma jaula/gaiola, era servido água uma pura e outra diluída com cocaína/heroína etc… no qual os animais sempre iam na água intoxicada e bebiam até a morte.

Para o professor qualquer ser vivo nessas condições de isolamento iria preferir a morte, então, ele fez uma especie de ratolândia, com mais ratos, brinquedos e afins. Agora, tentem adivinhar qual foi resultado. Os ratos preferiam a água pura e bebiam água intoxicada esporadicamente e nenhum deles morreu ou declarou sintomas de abstinência.

Conclusão, para o professor o que causava o vício na substância a ponto de deixar alguém dependente dela tem mais a ver com ambiente em que ela vive, do que a substância em si.

Eu sei que talvez você esteja pensando, ”essa experiência feita com ratos pode não servir para os humanos”, certo? Mas, para complementar o experimento, lembra que eu falei sobre uso de drogas no Vietnã? Então, algo parecido aconteceu. Vamos fazer uma analogia entre jaula e a ratolândia.

Para os soldados americanos, o Vietnã era a sua jaula, já que eles eram postos em situações em que eram forçados a matar ou tinham chances de morrer a qualquer momento, muitos deles recorriam à heroína e maconha que nessa situação, serviam como alívio para aquela jaula. A população americana, estava preocupada achando que quando os soldados voltassem, suas ruas seriam tomadas por ”zumbis” viciados.

Porém, o oposto aconteceu, ao saírem da jaula e voltarem para seus familiares e amigos, 95% dos soldados simplesmente pararam de usar as drogas, sem tratamentos.

Quando isolamos os dependentes químicos e os tratamos feitos ”zumbis”, nós estamos fazendo com que a nossa sociedade pareça mais com uma jaula do que uma ratolândia, e colocamos os dependentes numa situação muito pior, o fazendo se sentir culpado e se trancando dentro da jaula.

Quando a nossa sociedade parece mais com uma jaula é porque algo de errado está acontecendo com a forma como nos tratamos. Precisamos nos redescobrir e desfazer esse aspecto de jaula.

Lembrando que o vício pode ser em qualquer coisa: em checar o telefone sem parar, ponografia, apostas, refrigerante e crack.

”O oposto de vício não é sobriedade, o oposto de vício é conexão” 

”quem você chama de zumbi, a mãe chama de filho”.  

Precisamos nos conectar mais com as pessoas, quantas vezes você ficou mal e só de estar perto de quem gosta te fez melhorar ? quantas vezes saiu do trabalho ou da faculdade estressado com qualquer situação e quis tomar uma cerveja? Quantas vezes você quis um sorvete, chocolate por estar triste? Um pouco mais de empatia, talvez salve vidas.

CHOSE LIFE! 

Abaixo uma animação, em inglês mas com legenda explicando a pesquisa do professor e um vídeo que o Rafinha Bastos fez com humorista Márcio Américo que já foi viciado em crak e frequentou a cracolândia.

 

Continue lendo
Cinema e tvComportamentoExperiênciasReflexõesSocial

Como Miss Simpatia me fez refletir sobre Individualismo

Eu estava me questionado filosoficamente vendo Miss Simpatia. Sim, aquele filme que passa todo domingo na TNT. E não, esse texto não será uma crítica ao filme e sim uma simples cena que me fez pensar. Cena esta que as misses respondem a pergunta que faz parte da avaliação do concurso: “Qual seu maior sonho?”.

E satiricamente todas respondem: “A paz mundial.”.

Acabei parando pra refletir sobre essa utopia que todos desejam, mas poucos a questionam e tampouco agem.

Primeiro partimos do óbvio.

O mundo é grande (muito grande) e que somos pequenos quanto indivíduos, porém, somos grandes unidos. O que nos leva a segunda parte, a que impede a constatação da primeira:

Somos muito individualistas!

Conclusão, o câncer do mundo é o individualismo e a solução é falha quando a tornamos um paradoxo: as pessoas só conseguem se colocar no lugar do outro quando já passaram pela mesma situação. Se colocar no lugar não é dar conselho, não precisa viver para saber.

Ou seja, é até muito comum pessoas intolerantes, de mente fechada ou pessoas insensíveis não conseguirem entender, ajudar ou aceitar problemas simplesmente por não fazerem parte da sua realidade. Isso pode ser até plausível e comum, mas não deveria ser o normal. O erro está quando a “nossa realidade” se trata somente do que acontece na nossa vida particular e não na nossa vida social. Se convivemos com minorias, e se elas estão sendo inseridas… Porque afagar essa força? Porque torná-la não importante só porque você não faz parte?

A cegueira e o veneno do individualismo não se trata só de lutas, um mendigo, uma pessoa doente, uma velhinha que puxa papo do nada sobre o tempo… Um simples retorno de gestos sinceros podem mudar o dia de uma pessoa.

Coisas simples marcam, como um dia em que estava no ponto de ônibus às 6h da manhã e uma senhora me disse para não ficar triste, mas eu só estava com sono. Ela se moveu e me comoveu. Nem me lembro do rosto dela, mas sempre vou lembrar daquela atitude.

Quantos dias podemos salvar um dos outros sem sermos nada um pro outro?

Se o individualismo é o câncer do mundo, uma simples troca de energia pode ser a cura.

Continue lendo
MúsicaReflexõesSocial

Após polêmica, Braza decide reeditar o clipe “Embrasa”

Mostrando estarem atentos não apenas aos elogios, mas também às críticas, a banda carioca BRAZA, compostas por ex-integrantes do Forfun (Danilo Cutrim, Vitor Isensee e Nícolas Chris), deu um passo atrás e decidiu reeditar e lançar novamente o clipe da musica “Embrasa”.

Com letras fortes e influências rítmicas encontradas no rock, reggae, rap e no dub, a música “Embrasa” apresenta essa pegada musical da banda e tem como tema a batalha do trabalhador brasileiro que, depois de todo esforço cotidiano, quer ir para maracangalha, bailar depois da batalha.

A polêmica que levou a banda a reeditar o clipe ocorreu devido a uma cena em que uma atriz aparece ”rebolando” sensualmente. A cena tinha o objetivo de criticar padrões de beleza culturalmente impostos em nossa sociedade, mas a cena também poderia ser mal interpretada como objetificação da mulher. Ninguém melhor que a própria banda para esclarecer e reconhecer o deslize, segue a nota de esclarecimento lançada página oficial da banda no Facebook.

“Após refletir bastante, resolvemos reeditar o clipe de Embrasa.

Usamos as cenas em que uma atriz rebola sua “bunda” como uma tentativa de provocar, e mostrar um outro padrão de beleza, diferente do ditado nas grandes plataformas midiáticas.

Porém, nesse caminho, esbarramos em outra questão importante: a opressão da mulher na sociedade, e a história sistêmica da exploração do seu corpo.

Apesar da intenção inicial ser diversificar, propondo outro padrão de belo, acreditamos que a forma não foi a mais adequada, e corrobora, independente da intenção, com a objetificação da mulher.

Coletamos muitas opiniões, debatemos, e chegamos a essa conclusão.

Não vemos problemas em reconhecer um equívoco, voltar atrás e mudar de idéia. Nem em “perder” os “views” que o clipe já tinha.

Acreditamos que esse não é o “certo”, mas o melhor a se fazer, de acordo com o que pensamos e sentimos neste momento.

Aproveitamos a situação para abrir aqui um debate, afim de que vocês também expressem seus pontos de vista livremente, emitam suas opiniões sobre a cena, a função social da arte, o padrão de beleza vigente, e a exploração do corpo da mulher na sociedade brasileira e mundial.

Salve a mulher, e abaixo a ditadura do “belo”.”

Esclarecimento feito, a banda não apenas reconheceu o equívoco da mensagem como também decidiu corrigi-la. Atitudes como essa não podem passar despercebidas. É importante ouvirmos opiniões diferentes das nossas. Ao expor uma mensagem, por mais inocente ou positiva que seja nossa intenção, precisamos estar atentos e abertos às críticas. Vivemos em sociedade, somos todos sócios, por isso, meus sinceros parabéns para os rapazes da BRAZA em reconhecer e promover o debate, agora segue o baile.

Tem uma opinião sobre isso ou quer acompanhar o diálogo aberto? Clique aqui para acessar a postagem original.

Veja abaixo o clipe reeditado:

Continue lendo
PolíticaReflexõesSocial

WASTED BLOOD – Preconceito que desperdiça vidas

“O Brasil desperdiça mais de um caminhão cheio de sangue todo dia por puro (recheado, eu diria!) preconceito”. Assim, centenas de pessoas têm sido impactadas por esta frase estampada num caminhão cheio de bolsas de sangue (de mentira, claro), que circula pela cidade de São Paulo promovendo a campanha internacional “Wasted Blood” (“sangue desperdiçado”, em tradução livre), criada pela Agência África em parceria com a All Out, um movimento global de defesa de direitos da comunidade LGBT.

Caminhão Wasted Blood

A ação é uma crítica à proibição brasileira, estabelecida pelo Ministério da Saúde através da Portaria Nº 2.712, de que homens gays que se relacionam sexualmente com outros homens são inaptos de doar sangue pelo período de 12 meses após a última relação. Veja o que diz a portaria:

Art. 64. Considerar-se-á inapto temporário por 12 (doze) meses o candidato que tenha sido exposto a qualquer uma das situações abaixo:

 

  • I – que tenha feito sexo em troca de dinheiro ou de drogas ou seus respectivos parceiros sexuais;
  • II – que tenha feito sexo com um ou mais parceiros ocasionais ou desconhecidos ou seus respectivos parceiros sexuais;
  • III – que tenha sido vítima de violência sexual ou seus respectivos parceiros sexuais;
  • IV – homens que tiveram relações sexuais com outros homens e/ou as parceiras sexuais destes;
  • V – que tenha tido relação sexual com pessoa portadora de infecção pelo HIV, hepatite B, hepatite C ou outra infecção de transmissão sexual e sanguínea;

 

Segundo o MS, os critérios para a seleção de doadores de sangue estão baseados na proteção dos receptores. Curioso é um fato relatado no vídeo institucional da campanha, onde um homem, declaradamente gay, diz não ter sido autorizado para doar sangue para a mãe, que estava internada numa UTI, mesmo tendo uma relação estável, monogâmica, há mais de 10 anos. Outro que me chamou bastante atenção diz que “a Organização Mundial da Saúde considerava o homossexual como um grupo de risco”. Assista ao vídeo:

O mais irônico disso tudo foi ter tomado conhecimento da última campanha criada pelo Ministério da Saúde, lançada em 2015, com o título “Doar sangue é compartilhar vida”. Então, por que um filho não pode compartilhar vida com a mãe só por ser gay? Tá certo que quando tratamos da saúde, todo cuidado nunca será suficiente. Mas, o que devemos questionar, principalmente, é o fato dos sangues coletados por doadores homens gays não passarem ao menos pelos testes obrigatórios, como qualquer outro.

“Se todo sangue doado, seja de quem for, passa por uma série de testes OBRIGATÓRIOS, por que homens, gays e bissexuais são proibidos de doar?

(Álvaro Rodrigues, Vice Presidente da África)

Caminhão Wasted Blood

Com o slogan “milhões de litros de sangue desperdiçados por puro preconceito”, a campanha “busca mostrar que, ao não reconsiderar essa proibição, o Brasil impede o diálogo, reforça estereótipos e joga fora litros de sangue que poderiam salvar vidas”, segundo comentário de Leandro Ramos, diretor da All Out.

Além do caminhão, outra ação é uma fila virtual de doadores homens gays e bissexuais no site da campanha (www.wastedblood.com.br). Infelizmente, é uma fila de espera simbólica, mas que mostra em números expressivos a quantidade de pessoas interessadas em contribuir, mas impossibilitados de salvar vidas. Até o momento desta publicação já são:

Dados Wasted Blood

Enquanto vivermos numa sociedade cheia de preconceitos, milhões de vidas serão perdidas, seja por esta medida da doação de sangue, seja pelos ataques homofóbicos diários. PRECISAMOS RESPEITAR (E VALORIZAR!) A DIFERENÇA. Não me refiro apenas aos desafios enfrentados pela comunidade LGBT. Precisamos falar também dos negros e negras, das mulheres, dos pobres, dos deficientes físicos. Precisamos EXTERMINAR do nosso cotidiano este preconceito que só arruína nossa integridade, como meros seres humanos que somos. Por mais clichê que pareça, ser diferente é normal.

“O preconceito não pode existir. Principalmente quando a vida de tanta gente está em jogo”, afirmou a cantora Claudia Leitte (@claudialeitte), madrinha da campanha, em sua conta no Instagram.

Então, ao invés de continuar fortalecendo as barreiras dos preconceitos, que tal sermos os (as) valentes que valorizam a diversidade?

Continue lendo
ComportamentoCriatividadeInovaçãoReflexõesSocial

Avon + Pabllo Vittar | Oportunismo ou Representatividade?

A real é o que mundo já mudou, só fica pra trás quem quer.

Enquanto as pessoas ainda insistem em preconceitos, a Natura já apoiou campanha a favor da diversidade, e seu resultado foi ótimo. Já a C&A tentou o mesmo, mas com movimento sem gênero, que de sem gênero não tinha nada.

Ihhhhhhhhhhhhhh deu ruim!!!

Discutir temas que envolvem preconceito, feminismo e movimentos parentes, é um tanto quanto perigoso para uma marca, apesar de que, feito da forma certa, gera um resultado e tanto. Sem falar do fato de cairmos na linha tênue entre ética e moral. Eu sempre me questiono, “até que ponto é interessante uma marca se aproveitar de um movimento social em busca de resultados financeiros?”, daí surge a dúvida.

Esse tipo de conceito é chamado de “Marketing para Causas Sociais”, é basicamente quando uma empresa detém de um conteúdo social, em busca de retorno financeiro.

A maioria consegue obter resultados ótimos, e ainda assim, fazer o bem. Porém a prática continua sendo considerada como um processo insustentável, já que o trabalho só visa um retorno, lucros. Mas também vale a reflexão, já que são elas que detêm boa parte de nossa estrutura cultural e de nossas linhas de influencias. Então basicamente, são elas que ditam as regras.

E já que dominam toda essa mídia, porque não tentar trabalhar com um sistema sustentável. Que busque não só evolução financeira, mas também social?

A verdade é que penso assim, por conta de  já ter sido influenciado por campanhas semelhantes.

Um modelo claro disso é uma campanha da Always, que se chama “like a girl”. Ela questiona o uso do termo, e faz uma reflexão entre a diferença de percepção de crianças e de adultos. Com o vídeo é possível perceber que os adultos tendem a enxergar que fazer qualquer coisa “like a girl” é considerado como uma fraqueza ou dependência. A campanha consegue deixar claro que todo esse questionamento sobre o termo, tem sim um fundamento e precisa ser reformulado. Aliás, eu fui umas das pessoas que se questionou. Segue o vídeo:

 

E agora foi a vez da Avon, ela quis mostrar sua representatividade e decidiu escolher a drag queen Pabllo Vittar para participar da sua nova campanha, “Louca Por Cores”. Até o momento foi divulgado apenas um GIF da cantora posando com um batom da marca, se liga:

 

Ainda no facebook, Pabllo comemorou a iniciativa:

“Muito feliz por fazer parte da nova campanha da Avon! Parabéns pela iniciativa e pela representatividade.”

E em resposta a Avon agradeceu o apoio de todos os consumidores:

“O mundo tá evoluindo e é importante a gente crescer com ele. Claro que assim como todo mundo, temos muito a desconstruir, mas esse já é o primeiro passo em direção a um mundo mais justo!”

É nesse momento que temos que refletir sobre a importância desses tipos de campanha. Você acredita que isso vai gerar resultado para empresa e para movimento social?

Na verdade, é só a gente ler os comentários:

screen-12.06.29[27.04.2016] screen-12.06.39[27.04.2016] screen-12.06.58[27.04.2016]

Eu acredito que ela pode ter acertado em cheio.

Afinal, hoje o certo não é ser branco, negro, loiro, moreno, mulher, homem, baixo, alto, transsexual ou homossexual. Hoje o certo é ser, ser o que você é e respeitar o que os outros são, apenas isso. E o que falta é a representatividade.

É ai que a Avon acerta, ela deixa de ser oportunista para se tornar influenciadora. Ela nos ensina a ver o outro lado da moeda, a enxergar o quanto é importante pra minoria ter uma representatividade, o quanto é importante poder ter alguém com quem se espelhar e se identificar. É mostrar que devemos entender mais um pouquinho sobre as dificuldades que todas essas pessoas passam e fazer o máximo para apresentar as soluções.

Esquecendo a questão de ser sustentável, se a proposta da campanha nos faz refletir podemos lhe dar um ponto na questão social? O que acham? Eu acho que sim.

Enfim, de qualquer forma, essas pessoas merecem e devem ter espaço!

Está ai. Parabéns a Avon. Ganhou personalidade, visualização, fãs e um papel nesse movimento social.

Continue lendo
ExperiênciasMúsicaReflexõesSocial

A Música resumida ao Social e Cultural

Há alguns dias estive refletindo sobre como adquirimos nosso gosto musical e até onde uma música pode ser classificada superficialmente como ruim ou boa (ou se essa deve ser realmente a forma de classificação).Não foi necessário muito tempo de reflexão para perceber que as pessoas mais tolerantes ao meu redor, também eram as mais ecléticas no que diz respeito à música. E foi seguindo essa linha de raciocínio que ficou claro pra mim que nosso “gosto musical” é, nada mais e nada menos, que uma opinião que reflete todo o contexto social e cultural onde estamos envolvidos.

Do que eu to falando? Resumidamente, minha conclusão é de que os locais que frequentamos, as pessoas com quem vivemos e até mesmo filmes e séries que assistimos, são responsáveis por moldar tudo aquilo que achamos daquilo que ouvimos. Tudo pode influenciar! Desde o relacionamento com os pais, amigos, amorosos, shows e festivais, etc. São essas experiências que detêm toda nossa linha de influências culturais que resultam nesse “achismo” denominado gosto.

Como escutar algo novo se nem ao meu redor ela se encontra? Para isso é necessário quebrar algumas barreiras.

Dito isso, precisamos ser mais abertos ao novo! Afinal, é sendo mais tolerante diante de outras culturas musicais que conseguimos perceber a quantidade de coisa muito boa que existe por ai, mas na maioria das vezes não estivemos abertos a escutar.

Vamos combinar, temos que ir muito mais além da nossa bolha para, de fato, descobrirmos
nossos gostos.

Me pegando como exemplo, antes de começar a sair para festas com os amigos, minha família sempre teve influências musicais com base no Rock e na MPB, consequentemente, essa sempre foi minha classificação de “música boa”. Mas ao conviver com novas amizades, aos poucos meus gostos foram mudando. Se poucos ouviam o que eu classificava como “música boa” ou taxavam como “música de maluco” (coisa com a qual nunca me importei com e sempre dei risadas), eu me permiti conhecer o novo e me adaptei.

(Sobre amplitude e a diversidade das músicas, vale a pena dar uma conferida no texto do Raphael Bueno ” Tchau, Preconceito Musical ”)

Mas a verdade é que a música é feita para momentos e existem de todos os tipos, como aquela que é perfeita para ouvir em um show, ou aquelas que botam a galera para “bater cabelo” nas festas ou algumas para o momento deprê dentro de casa. Provas disso são propostas de sucesso como o Spotify ou o Superplayer, que oferecem diversas opções de playlists para se enquandrar nas mais distintas situações, que vão desde o tradicional “Almoço em família” até aquele feliz momento em que você está “Se maquiando para balada” 😉

No resumo dessa “Ópera”, comecei a gostar de Funk, Rap e até Pagode. Passei a me divertir mais com as pessoas, e fui percebendo que todos nós temos algo a oferecer. E assim como ninguém é melhor que ninguém, músicas não foram feitas para que uma seja melhor que a outra, mas sim para ser a trilha sonora ideal para o seu momento. Para a sua cara!

E você? Tem uma visão diferente sobre como formamos nosso gosto musical ? Algo acrescentar? Fique a vontade para questionar e comentar. Importante ressaltar que essa ideia é meu ponto de vista e que nada disso é absoluto, como diz nosso amigo Raul Seixas em um dos seus mais famosos versos…

“Eu prefiro ser, essa metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”.

Se o mestre disse, está dito!

Continue lendo