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Eurotrip CdM: 42 euros por dia durante 1 mês pela Europa Latina

ITÁLIA, ESPANHA E PORTUGAL EM 30 DIAS: NOSSA PRIMEIRA EUROTRIP

Após 4 mochilões pela América Latina, com 13 países na conta, eu e mais dois amigos, Vitor e Raphael, decidimos atravessar o Atlântico pela primeira vez e embarcar em um mochilão pela Europa, pela Europa Latina. \o/

Foram 30 dias, entre os meses de maio e junho, viajando pela Itália (apenas Roma), Espanha e Portugal. Um mês louco de perrengues, boas histórias e uma experiência até então sem igual para a gente.

E eu, como sempre, anoteei todooos os gastos e as principais dicas que facilitarão um monte para quem está planejando também sua primeira eurotrip. 

COMEÇANDO DO COMEÇO

Nesse texto completão, vamos passar pelos pontos mais importantes a respeito dessa viagem. E para iniciarmos o assunto, você já comprou sua passagem?

Após mapear os destinos e possíveis roteiros, comprar a passagem é o início de tudo, e, considerando que é Europa, isso se torna um ponto ainda mais essencial devido ao custo que pode passar de R$3mil a ida e volta. 

Por isso, depois de já ter uma noção para onde você quer ir, é importantíssimo ficar atento às promoções, como as que farão você pagar apenas R$1600 em um voo de ida e volta por Madrid, com escala de 3 dias em Roma. <3

Para te ajudar nessa tarefa vale cadastrar diversos alertas de alteração de preços em sites como o skyscanner. Se puder considerar datas e destinos flexíveis, economizar é certo.

QUANDO VIAJAR?

Depende muito pelo destino e estilo de viagem que você procura no continente. Maio, escolhido por nós, é o mês que antecede a principal temporada de viagens na Europa: as férias de verão, onde os preços de tudo ficam ainda mais salgados, inclusive das passagens. Nesse período é preciso reservar tudo com bastante antecedência.

Quanto ao clima, estava um frio primaveril digno de inverno carioca. Só conseguimos abandonar o casaco no finzinho da viagem, em Portugal, já estando mais próximo do verão. Mas foram raros os dias de chuva, e o sol nesse período vai embora lá pelas 21h da noite (graças ao horário de verão europeu <3).

Tirando os dias mais frios nas cidades mais frias, como ao norte da Espanha, amamos viajar durante a primavera. Já para quem está atrás do real inverno de neve europeu, vale conferir as cidades certas e viajar a partir do final de dezembro, onde, dependendo da cidade, o dia pode se tornar noite às 16h.

EUROPA LATINA

O velho continente reserva destinos, culturas, histórias para todos os gostos! Decidimos começar a desbravá-lo, nessa primeira eurotrip, pela sua região latina. Uma decisão motivada em parte pela forte relação que temos pela América Latina e em outra parte pelo custo desses países ser mais em conta do que boa parte da Europa. Tudo começou por Roma, a única cidade italiana que visitamos devido a felicidade de um stopover de 3 dias. Depois seguimos para Espanha, onde ficamos 2 semanas, depois Portugal, onde fiquei 1 semana com meus amigos e mais 1 semana sozinho.


ROTEIRO POR CIDADES

Roma – Madrid – Toledo – Oviedo – Ribadasella – Santillana del Mar – Bilbao – Barcelona – Valência – Granada – Sevilha – Albufeira – Lagos – Lisboa – Porto – Coimbra 

TRANSPORTE 

Além dos voos de ida e volta por Madrid, com stopover em Roma, nós só voamos de novo em uma low-cost de Bilbao a Barcelona que saiu por € 28. Todos demais trajetos entre as cidades foram feitos de ônibus e alguns de blablacar. Há algumas opções de trem também entre esses destinos, mas em maioria são mais caros, apesar de também mais rápidos. Só viajamos por ferrovia no bate-volta de Barcelona a Girona.

No norte da Espanha, na região das Astúrias, são poucas as opções diárias de ônibus entre as cidades, vale uma atenção extra se estiver com o roteiro apertado. No mais, foi tranquilo viajar de ônibus nesse mochilão. Um ponto muitooo importante a ser destacado também é de que as tarifas de ônibus na Europa funcionam meio como passagens de avião: os preços se alteram devido a procura e antecedência da compra. Comprar 1 semana antes, por exemplo, em um horário de saída não tão procurado, pode te fazer economizar até 30 euros do que comprando horas antes. 

Quanto aos deslocamentos dentro das cidades, utilizamos metrô, aplicativos de transporte e ônibus em alguns momentos, mas os pés foram os principais meios de viagem. Em cidades como Roma, por exemplo, se gosta de caminhar, é possível ir a todos os principais pontos turísticos à pé. 

ALIMENTAÇÃO

Comer bem foi o que menos fizemos nesse mochilão. Desfrutamos pouco da famosa culinária dos países pelos quais passamos. Comida de rua não é uma tradição da Europa e com preços bem salgados nos restaurantes (acima de R$40 um prato feito) optamos na grande maioria dos dias por fastfoods e mercados.

Mas o turismo gastronômico nas principais cidades da Europa é bem forte! Se o seu desejo é explorar a fundo esse quesito vale separar um dinheiro legal para isso e tempo também para pesquisar os melhores lugares.

PONTOS TURÍSTICOS

Com muitooos monumentos e pontos históricos importantes, há muito o que visitar no Velho Continente. A parte triste é que os mais famosos normalmente não são gratuitos.  E com a cotação alta do euro, como em todos os outros gastos, essa parte sairá cara se você quiser entrar em tudo. A dica é pesquisar bastante e ter uma ideia antecipada dos valores para facilitar a escolha de onde entrar ou não.

Em relação aos pagos, só visitamos alguns principais durante a viagem, como a Casa Batlló em Barcelona, como o Castelo de São Jorge em Lisboa, o Coliseu em Roma e a Capela Sistina no Vaticano, onde você pode comprar antecipado ou economizar alguns euros enfrentando uma fila de 2h e comprando na hora.

Mas não são todos pontos turísticos que contam com esse privilégio. Por não termos comprado antecipadamente, deixamos de visitar dois lugares que gostaríamos: a Catedral da Sagrada Família em Barcelona e a Alhambra em Granada. Então se o tempo na cidade é curto, acompanhe nos sites das atrações se vale a pena comprar antecipado, principalmente se estiver viajando próximo da alta temporada.

Uma outra dica, mais relacionada aos museus, é pesquisar se oferecem algum dia de entrada gratuita, além também de aproveitar o último horário de abertura, em que alguns liberam a entrada por conta do tempo curto para visitação. Para quem não faz questão de passar horas contemplando as obras, vale muitoo a pena. Fizemos isso no Museu del Prado e Museu de Reyna Sofia, em Madrid.

SEGURANÇA

Depois de alguns mochilões pela América Latina, sem qualquer grande problema em relação a segurança, este tema não nos preocupou na Europa. De todas as cidades pelas quais viajamos, somente Barcelona nos passou um poquito de insegurança em alguns momentos. Ao chegar na cidade espanhola, presenciamos um hóspede sendo expulso de um hostel com ajuda de policiais. E nas ruas do centro, muito movimentadas, alguns homens anunciando drogas aos turistas. De madrugada também é possível ver gente vendendo bebida alcoólica na encolha, algo que na rua é proibido após meia-noite.

Outros acontecimentos a serem destacados aconteceram em Portugal. Quando estávamos na rodoviária de Porto, uma mulher teve sua mochila furtada enquanto aguardava o ônibus. Já em uma boate em Lisboa, a festa foi encerrada antes da hora por policiais, por conta de uma briga em frente ao estabelecimento.

Tirando esses casos, foi tudo tranquilo em nossa passagem pelo velho continente. Mas é claro, não deixe de tomar os cuidados básico de um turista, como não deixar celular, dinheiro e carteira em bolsos frouxos, evitar áreas desertas do centro, ficar de olho nos pertences em lugares movimentados e todas as demais precauções compartilhadas por quem vive em cidade grande.

ALERTA PERRENGUE!

Na primeira semana da viagem, quebrei a tela do meu celular e tive que morrer em um dinheiro para consertar em Madrid. Sorte a minha que o conserto ficou no mesmo valor de um do Brasil. Também quebrei meus óculos em outro momento. Mas isso tudo foi pouco perto do que ainda estava por vir…

Um dos maiores medo de um viajante aconteceu comigo: PERDI MEU PASSAPORTE. Na verdade, perdi uma mochila com diversas coisas dentro, entre elas o passaporte.

O drama aconteceu em Lisboa, saindo de um hostel na correria de entrar em um carro para a rodoviária, de onde sairia nosso ônibus para Porto. Na pressa, ao colocar meu mochilão na mala, esqueci de pegar minha mochila menor que estava na calçada. Fui perceber chegando na rodoviária. Voltei correndo no mesmo carro mas a mochila não estava mais na calçada. E lá se foi um tênis, minha necessaire, algumas roupas, outras coisas e o passaporte.

Perdemos o ônibus e para não atrasar o rolê ainda mais, resolvi pegar o próximo para Porto e tentar resolver por lá. No outro dia, fui à uma delegacia para turistas, onde relatei o ocorrido. Uma espécie de BO foi aberto e fui informado de que qualquer notícia sobre minha mochila seria informado por email.

Logo depois fui ao consulado do Brasil para saber como eu poderia voltar ao meu país sem passaporte, já que eu estava na última semana da viagem. O local estava lotadooo de brasileiros resolvendo suas pendências em Portugal. Depois de umas 2h de espera, fui atendido por uma moça muito simpática que me deu como solução solicitar a emissão de uma ARB – Autorização de Retorno ao Brasil. Um documento no qual eu nunca tinha ouvido falar, mas que seria minha salvação, já que eu não tinha tempo e nem dinheiro para emitir outro passaporte em Portugal. 

A emissão da ARB é gratuita, mas é solicitado fotos 3×4, cópia de algum documento brasileiro e um cadastro feito pelo site do consulado. Pendências que resolvi no mesmo dia em uma loja no prédio ao lado.

Se houver grande urgência, a autorização fica pronta em menos de 24h, mas como eu ainda tinha alguns dias em Portugal, foi agendado para eu pegar 2 dias depois. Peguei, mas o perrengue ainda não tinha terminado. Horas depois de ter retirado, recebo uma mensagem de whatsapp de uma funcionária do consulado dizendo que a data de expiração do documento estava errada, estava anterior à minha data de retorno ao Brasil, detalhe que eu não tinha conferido.

Sorte que eu tinha decidido ir para Lisboa só no outro dia. Então deu tempo de voltar ao consulado para enfim retirar a ARB correta e ter como voltar ao meu país.

E a mochila com passaporte? Nunca mais tive notícias.

HOSPEDAGEM

O que seria de um mochilão sem os hostels? Tirando algumas poucas cidades, como Ribadesella na Espanha, onde só havia hotéis, nos hospedamos durante toda viagem em albergues.

Na maioria foi tranquilo encontrar e reservar poucos dias antes e até no mesmo dia em que estávamos na cidade, mas em alguns locais essa tática arriscada deu ruim e precisamos até nos hospedar na casa da irmã de uma atendente de um hostel em que fomos procurar vagas.

Durante a viagem, pegamos um período de muito movimento nas cidades turísticas, a Semana Santa, o que complicou achar hostel disponível em cima da hora. Então vale a pena ficar mais atento às reservas nestas datas festivas e nos fim de semana também.

CUSTOS GERAIS  

Chegamos na parte crítica.

Como já esperávamos, tendo feito só mochilões pela América Latina e Brasil, esse foi o que saiu mais caro. Em contrapartida, comparado às eurotrips que tivemos acesso aos custos, ele saiu beeem barato em vista de todo roteiro que fizemos.

Tirando a passagem de ida e volta, quitada antes da viagem, o custo total dos 29 dias viajados por mim ficou em €1,254.34, convertido para a cotação do euro de 4,7 que estava em vigor no período do mochilão, a trip custou R$5,895.40

O que significa que gastamos em média R$203 por dia.

Como nos deslocamos bastante, o quesito que mais gastamos foi em transporte, R$1,928, logo depois veio hospedagem, R$1,677 – em média R$58 por dia. Quanto à alimentação, lembrando que não comemos tão bem, gastei em média R$37 por dia, R$1,050 ao todo. 

Trazendo a média dos custos das trips pela América Latina, onde gastamos em média R$170 por dia, a eurotrip saiu R$30 mais cara por dia. 

RESUMO DOS PAÍSES

ITÁLIA

Infelizmente só pude conhecer Roma, uma cidade incríveeel. Sou péssimo em rankear coisas, mas se fosse obrigado a fazer um ranking de cidades desse mochilão, com certeza ela estaria no top3. Roma, considerada a cidade eterna, é absurdamente linda com fontes e ‘piazzas’ magníficas, e monumentos e ruínas grandiosas do Império Romano.

Caminhar durante 3 dias por suas ruas e becos foi viajar um pouco ao tempo em que a cidade dominava toda Europa. Tanto reconhecimento que ganha ainda mais potência com o Vaticano, símbolo religioso mundial e que conta com um acervo artístico e arquitetônico de maravillhar crentes e descrentes. Eu quero muitoo voltar a Itália.

ESPANHA

Depois de viajar a 12 países latino americanos de língua espanhola, estar na Espanha era um tanto familiar. Com suas 17 comunidades autônomas, algumas até línguas oficiais próprias, a Espanha é um país muitoo diverso. Sua capital, Madrid, é muito moderna e grande, principalmente se comparada a Roma. Viajamos também pelo norte do país a partir da região das Astúrias que, mesmo sendo bastante fria, me conquistou com a pequena cidade de Ribadasella, um balneário turístico maravilindo com estilo de vida tão calmo e gostoso. Perfeito para quando eu me aposentar hahha.

Passando rapidamente pela medieval Santillana del Mar, na região de Cantábria, seguimos até Bilbao, a capital do País Basco. Uma cidade moderna, bastante jovem e movimentada.

Mas é a partir de Barcelona, no sudeste do país, que um latinoamericano se sente cada vez mais em casa. Com muitas cidades com tradições árabes e ciganas, as regiões mais ao sul da Espanha carregam uma simplicidade familiar, com um povo bastante acolhedor, principalmente na comunidade autônoma de Andaluzia, com sua capital Sevilha, mais uma das cidades do top3 desse mochilão. 

PORTUGAL

Começamos a nos aventurar pelo sul do país, pela região de Algarve. Com suas mansões e praias paradisíacas, Algarve é um famoso destino de verão da Europa. Por ainda ser primavera, não encontramos as cidades tão cheias e nem conseguimos desfrutar dos 40º de temperatura que costuma fazer na estação mais quente.

Depois seguimos para linda e viva Lisboa, apesar do trauma de perder um passaporte na cidade, a capital de Portugal só me traz boas lembranças, principalmente pelos bate-volta à Sintra, Belém e a Cascais, que rendeu até um mergulho no mar no fim da viagem.

Porto e a cidade universitária de Coimbra também entraram no roteiro pelo país e só contribuíram ainda mais com a minha vontade de morar um tempo em Portugal e a viajar mais pelo Velho Continente.

E você? Quando fará sua eurotrip? 

SOBRE O AUTOR

De Caxias para o mundo, Alluan é mochileiro, publicitário, designer e um dos idealizadores do projeto Caras do Mundo – projeto digital e colaborativo que, através de multieditorias, tem a missão de abordar a cultura do Brasil e do mundo, impulsionando o conhecimento democrático, a troca de experiências e a valorização da diversidade. Você pode saber mais sobre suas viagens através do seu instagram: @alluanlucas e pelo site e Instagram do @carasdomundo.

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CulturaDicasModa

7 dicas vitais que você deve saber para se jogar com estilo no carnaval

Passa o réveillon e a gente só pensa no que???…Claro que é no CARNAVAL né amores.
giphy

Todo mundo sabe que no Brasil o ano só começa depois da

mais incrível festa popular que a gente respeita.

Pensando nisso, nós do CdM resolvemos dar uma mãozinha nas ideias de fantasias, para chegarmos em fevereiro todos trabalhados no visual carnavalesco.
giphy (1)

Primeira dica é:

1. procure looks confortáveis

que não te atrapalhem em meio a maratona da folia.
Até porque se você tiver hora pra chegar em casa, não é carnaval.         looks confortáveis

Lembre-se que

2. no carnaval menos não é mais,

e adereços de cabeça fazem toda a diferença,
mesmo que se percam durante os blocos da vida.
adereços de cabeça fazem diferença

Outra dica supeeeer importante,

3. brilho nunca é demais.

“Se não for pra brilhar, eu nem saio de casa!”
brilho nunca é demais

A liberdade é de todos,

4. boys não precisam ficar tímidos,

podem se jogar na brincadeira também.
Aproveitem que a heteronormatividade perde força nesse período do ano.
tem pros boys

Ahhh… e não esqueça que:

5. bom humor é fundamental

Só assim para aguentar a muvuca do metrô e o amigo dando PT todo dia.use do bom humor

Porque VOCÊ MERECE!

6. permita deixar que o clima de diversão e fantasia te leve,

Esqueça um pouco os problemas, esqueça um pouco a crise e aproveite.

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Para finalizar, desejamos que o seu carnaval seja uma festa de amor e alegria,
e na hora da curtição a gente lembre que

7. não devemos deixar a camisinha e nem o respeito ao próximo em casa

Então se joga Brasil afora que depois de quarta-feira de cinzas só tem folia no ano que vem!


P.S: se você quiser mais inspirações de fantasias dá uma olhada no Pinterest ou no site Rioetc que tem muita idéia bacana pra causar.

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ComportamentoCulturaReflexõesViagens

A lição que o carnaval joga todo ano na tua cara

Muita gente já me perguntou qual era o motivo que fazia de mim o único ser que não se apaixonou pelo carnaval do meu estado. Juro que eu tentava pôr na mesa todos os fatos que geravam esse pouco interesse, mas eu brigava comigo mesmo sem uma resposta plausível.

Na época nada ainda me fazia sentido, mas depois de um tempo pude compreender. O problema era que eu não entendia o que era carnaval. Onde quero chegar é que, de alguns anos para cá eu consegui perceber o real motivo que faz do carnaval, O CARNAVAL.

Tirando alguns fatos como brigas, pessoas passando mal, assalto e abuso sexual, hoje eu aconselho a todas pessoas a se JOGAREM no carnaval e eu vou explicar o porquê.

Vamos falar de ex.

Tive uma namorada por volta dos meus 18 anos. Vamos chamá-la de Joana.

Eu e Joana sempre fomos ótimos amigos, e apesar de novos, tínhamos assuntos muito variados durante nosso convívio. Falávamos sobre muitas coisas, comida, música, religião, drogas, sexualidade, homossexualidade, esporte e tudo que vinha na telha.

Joana se sentia confortável comigo para revelar desejos como fumar maconha, atração pelo mesmo sexo, fantasias sexuais e etc., resumindo, assuntos que são tabus sociais.

Qualquer pessoa que tivesse uma conversa de 5 minutos com ela sobre assuntos “proibidos” poderia perceber uma vontade reprimida, que deixava claro a necessidade de ser um “personagem socialmente aceito” acompanhado pela frase “eu não quero falar sobre isso”.

Inclusive foi uma época difícil para a gente. Tentar conhecer a essência de alguém sem que ela se conheça, é praticamente impossível.

Até que depois de um tempo nos separamos e nos aproximamos em uma época de carnaval. Eu estava decidido a me jogar na folia e tentar conhecer o tal carnaval. Bem, foi ela que me ajudou a descobri o que é O CARNAVAL.

Foi uma semana onde Joana se sentiu confortável em fazer o que tinha vontade, sem culpa ou arrependimento…

Tive um estalo na minha cabeça instantâneo e consegui notar que ela havia abandonado o “personagem socialmente aceito”estava sendo quem ela sempre quis ser.

Bem, foi o momento que minha cabeça explodiu e notei alguns fatos bem importantes.

O carnaval nos dá o poder de ser quem somos e fazer o que queremos, e melhor, sem sermos julgados por isso.

Como percebi isso? Foi bem simples.

Olhei ao meu redor e vi pessoas fantasiadas, rindo por nada, cantando, conversando com estranhos e se divertindo como nunca.

Foi quando tudo ficou em silêncio e só ouvi a mim mesmo.

Compreendi que naquele momento você podia ser quem você quiser, uma heroína, um herói, uma mulher, um homem, uma abelha, uma privada, um policial, um Mickey, um homem das neves, enfim, não importava quem você era, o que importava era que ninguém ligava para isso.

No carnaval as pessoas ligam menos para quem você é, elas querem mesmo se divertir, independente de roupa, sexo, orientação sexual, gênero, raça…

Elas ficam mais abertas, mais dispostas a fazer amizades, conhecer pessoas novas, trocar ideias e tudo flui de uma maneira linda. É o lugar onde os rótulos somem, os preconceitos desabam e até mesmo o estresse desaparece, já que todos cantam no vagão apertado do metrô ao invés de reclamar da super lotação.

Consegui descobrir que o carnaval é muito mais que folia, é muito mais que música, é muito mais que dança, é muito mais que fantasia, o carnaval é ser o que você realmente é, é fazer o que quer e ser livre sem que ninguém te julgue.

Acho que todo mundo deveria ter uma dose de carnaval, porque foi isso que ajudou a Joana a se desprender de valores sociais e ser quem ela sempre quis ser. 

E porque todo dia não pode ser carnaval?

Desde então eu só consigo amar o carnaval e posso abraça-lo todos os dias se for necessário.

Até hoje me questiono “Porque todo dia não pode ser Carnaval?”. Não pelo sentido de bebida, de dança ou de folia, mas no sentido de podermos ser quem realmente somos sem sermos julgados (pensando bem, acho que não recusaria a bebida).

Não que eu queira ir para o trabalho vestido de super-homem com uma latinha de cerveja, mas queria poder sair pela rua sem medo de ser quem eu realmente sou, sem medo de um olhar torto e ainda ter a possibilidade de fazer mais amigos.

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CulturaViagens

Festival anual no Nepal homenageia os cães por serem nossos amigos

Mais leal que qualquer ser humano, mais amoroso que qualquer dia dos namorados e mais família do que qualquer família. O melhor amigo do homem deveria ser homenageado em todos os lugares do mundo, mas como isso ainda não é real, nada mais justo que dar destaque ao festival do Nepal, que leva a homenagem aos cães muito a sério.

Durante o outono todos os Hindus celebram o Diwali, o festival das luzes, mas os praticantes do Nepal, especialmente, têm um dia do festival extremamente emocionante. Chamado de Kukur Tihar ou Khichã Pujã, o dia envolve comemorações voltadas aos melhores amigos do homem e à lealdade que eles nos têm.

Nas festividades, eles são alimentados com bastante comida, marcados com um pó avermelhado na testa como um sinal de sua santidade e ganham colares de flores.

Os hindus acreditam que os cães são mensageiros de Yamaraj, o deus da morte, e celebram a existência desses animais com muitas flores e alimentos.

As imagens são lindas. Enquanto você vê abaixo, vamos torcendo para que elas estimulem aos donos de cães fazerem isso ao redor do mundo.

 

 

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CulturaPolíticaReflexões

Gabriel García Márquez, Narcos e o Realismo Mágico

Recentemente li o livro “Notícia de um sequestro” do consagrado Gabriel García Márquez, autor de ficções como “Cem Anos de Solidão” e “Memória de Minhas Putas Tristes”. Mas esta obra em especial não se trata de uma história inventada e sim de uma grande reportagem sobre os sequestros de dez pessoas influentes ocorridos na era de Pablo Escobar, o famoso chefe do cartel de narcotraficantes de Medelín. O autor coletou relatos por quase três anos dos protagonistas que participaram do terror dos sequestros.gif

Eu também assisti, antes de ler o livro, a série Narcos, de José Padilha, que tem o mesmo contexto do tráfico na Colômbia, mas é contada através de um policial americano do DEA. O roteirista de Tropa de Elite, by the way, se diz fã de García e, inclusive, já fez uma alusão ao autor no primeiro episódio da série com “há uma razão para o realismo mágico ter surgido na Colômbia”. E é nesse ponto que eu quero chegar.

O realismo mágico é o interesse em mostrar o irreal ou estranho como algo cotidiano e comum. Ele surgiu em um dos períodos mais conturbados da América Latina, entre as décadas de 60 e 70, época na qual os países latino-americanos passavam por processos ditatoriais. A frase de García entra neste contexto, pois os ataques feitos pelos narcotraficantes na Colômbia eram extraordinários. Como diz José Padilha em entrevista à Carta Capital:

Essa inserção de elementos que, teoricamente, são irreais ou mágicos numa narrativa real sempre me interessou. E, para mim, isso é algo que existe na história e na política da América Latina em geral. Tem coisas que só acontecem aqui. A trajetória do Pablo Escobar, de fato, tem essa dimensão difícil de acreditar.(…)Se você imaginar que um narcotraficante contratou um grupo de esquerda – o M19 – para invadir o Palácio da Justiça, destruir provas contra ele, sequestrar juízes… é uma coisa de maluco!

Não vamos esquecer que Pablo Escobar explodiu uma aeronave e matou as 107 pessoas que estavam a bordo.

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Bom, o conceito de realismo mágico apareceu também, recentemente, na reportagem do jornal El País do dia 28 de abril criticando a decisão do governo venezuelano de instaurar uma semana de trabalho de dois dias, segunda e terça-feira, para os funcionários públicos com o objetivo de combater a escassez de energia. Leia na íntegra: http://brasil.elpais.com/brasil/2016/04/27/opinion/1461778834_588397.html

Pergunta: para você, a alusão ao realismo mágico se insere no Brasil atualmente?

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