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Valparaíso e Viña del Mar, Chile: Um city tour pelas princesinhas do Pacífico e a última agitada noite do mochilão

Acordamos e tomamos o desayuno que o hostel oferecia incluso na diária. Um café da manhã delicioso com pães, geleias e chocolate. Na mesa estavam também algumas viajantes, entre elas a brasileira Débora e a holandesa Inge, que já havia morado no Brasil, falava bem português e para meu espanto, tinha participado de um projeto social e acadêmico na Favela do Lixão em Caxias, minha cidade. “O mundo é pequeno pra carajos”

Depois de barrigas cheias e a promessa de sairmos a noite com nossas novas amigas, partimos para o que havíamos planejado para o dia: conhecer Valparaíso e Viña del Mar, as duas cidades que beiram o Oceano Pacífico e formam a parte litorânea mais famosa do Chile.

Seguindo as informações que pegamos no hostel, fomos caminhando ao centro até uma casa de câmbio para trocar alguns reais e pegar o metrô da linha vermelha até o terminal em que saia os ônibus para os nossos destinos.

Depois de moedas trocadas, pegamos o metro na estação La Moneda, próxima do Palacio de La Moneda, um dos pontos turísticos do centro histórico de Santiago.

Descendo na estação Pajaritos, compramos fini em uma loja só de fini e pegamos o ônibus até Valparaíso no terminal. Há mais de uma companhia que faz essa viagem e os buses costumam sair em intervalos de 15min a 30min.

Comprando também a passagem de volta, que não vem com um horário prévio, ganha-se um desconto. Pagamos 5.500 soles nas duas. Eles entregam um bilhete rodoviário com validade para o próprio dia e informam que ao fim do passeio devemos procurar o guichê da empresa de ônibus para confirmar a volta no próximo ônibus.

A viagem dura quase umas 2h e passa por uma região muito linda do Chile.

Valparaíso

Chegamos no terminal de Valparaíso por volta de 12h, fomos procurar informações sobre a cidade e acabamos dentro de uma agência do próprio terminal. A agente nos ofereceu um mapa de Valparaíso e nos apresentou a opção do city tour defendendo que pelo tempo curto seria a melhor opção para conhecermos as duas cidades.

Ficamos meios resistentes a esse tour, por conta do preço que achamos alto e principalmente porque queríamos conhecer as cidades por conta própria, mas no final aceitamos para desgosto do Vitor que permanecia contra. Com desconto, fechamos ele por 13.000 pesos por cada um.

A van que nos levaria ao ônibus sairia em 1h, então tivemos um tempo para almoçar em um self service que ficava próximo ao terminal e dar uma volta pelas ruas próximas.

Sente o Tour

De van, fomos levados junto com outros turistas até a La Sebastiana, a casa de Pablo Neruda em Valparaíso, onde estava parado o ônibus do city tour e onde descobríamos que o tour já havia começado e já tinha passado por alguns pontos do centro da cidade.

A arquitetura da casa é linda e ainda tem uma sacada com vista para o porto de Valparaíso. Confesso que, apesar de sua importância, eu não sabia muito sobre Pablo Neruda e continuei sem saber porque a visita foi bem rápida.

Nossa segunda parada foi no Ascensor Cerro Concepcion, um antigo e histórico elevador/bondinho de madeira usado para chegar até a parte alta da cidade. A subida é bem íngreme e me fez lembrar o bondinho para chegar o Cristo Redentor. Lá em cima tivemos uma visão bem completa da cidade.

Valparaíso, Valpo para os mais íntimos, é uma cidade portuária que surpreende pelos seus morros (cerros) de casas antigas e coloridas, tem uma arquitetura linda e também é famosa pela gastronomia e pela arte urbana, como o grafiti. Não tivemos tempo de ir muito além de onde o elevador nos deixou.

De volta ao ônibus, seguimos pela Av. España que beira o Pacífico e que liga Valpo a Viña del Mar. De dentro do bus, notamos uma linha de metrô que também margeia o oceano e une as duas cidades.

Viña del Mar

Em Viña, nossa primeira parada foi no Relógio de Flores (Reloj de Flores), um dos símbolos da cidade. O Relógio fica em frente a uma praça, onde no centro está uma escultura de um globo terrestre.

Depois de algumas fotos, seguimos para o Club Union Arabe, um edifício que parecia um castelo, onde fomos convidados a comer em um restaurante que ficava ali. O lugar claramente estava fora de nossos orçamentos, e sabendo o horário de partida do ônibus, resolvemos dar uma volta pela orla.

E pela primeira vez nos sentimos mais livres naquele tour, do jeito que preferimos.

Andando um pouco, vimos um outro castelinho, o Castillo Wulff, que segundo a plaquinha, sua construção data de 1900 e era a antiga residência de um rico alemão e hoje pelo que parecia, se tornou um museu. Estava fechado, mas o lindo de ser ver mesmo era a vista do castelo com o oceano pacífico ao fundo.

Caminhamos mais um pouco, vimos outros belos edifícios e chegamos a um canal que levava ao centro da cidade. O lugar era todo rodeado com muitas flores. Seguimos andando e procurando algum local para comer algo. Entre as lindas ruas da cidade paramos em um Café onde comemos torta de limão.

De volta ao local que estava o ônibus, fomos presenteados com um pôr do sol no Pacífico:

A próxima parada foi na praia, já começava a anoitecer. Só tivemos tempo de molharmos os pezitos na água fria pra carajos e contemplarmos um pouco aquele momento, cercados pelos muitos prédios e casas de temporada que ficam lotadas pela elite de Santiago nos verões.

Viña del Mar que no começo era terra de vinícolas, como sugere seu nome, hoje é o balneário mais importante do Chile e famosa também pelos seus jardins.

foto nublada como o céu

Para fechar o city tour seguimos até o Museu Fonck dedicado à Ilha de Páscoa. Ele não estava aberto, mas a atração principal fica no jardim, um Moai original, a escultura típica da Ilha de Páscoa. Antes de chegar a ele também passamos de ônibus pelo Casino Municipal de Viña del Mar.

Junto ao Moia, tiramos uma das fotos mais fofas da viagem e depois fomos rindo dentro do ônibus pelo tour à la pacote CVC que fizemos. Quando chegamos ao terminal de Viña del Mar, confirmamos o nosso ônibus e aguardamos sua saída comendo um churrasquinho na rua e Mc Flurry no shopping do terminal.

Depois de um longo atraso sem explicações do ônibus, conseguimos sair de Viña e voltar a Santiago.

De volta a Santiago

Antes de ir para o hostel, compramos macarrão para jantarmos e algumas bebidas para já ir aquecendo. Quando chegamos, estava acontecendo um pequeno evento com vinho e churrasco com um pessoal de fora.

Depois de saciados com um macarrão e atum, nos arrumamos e nos preparamos para sair com a Débora e a Inge em nossa última noite do mochilão. O pessoal do vinho estava saindo também para uma boate na qual prometemos passar depois.

Partiu Bellavista

Pelas ruas de Santiago fomos bebendo, rindo e conversando até o bairro Bellavista. Era quarta-feira e as ruas do bairro boêmio estavam mais cheias que nos dias anteriores. Paramos rapidamente em um dos bares para comprar um excêntrico e tradicional drink do Chile, o Terremoto, uma bebida que vem em um copão e leva vinho branco e sorvete, sim, SORVETE.

Ficamos ainda mais tortos e fomos em direção a boate na qual o bonde do vinho do hostel tinha ido. Com os copos ainda nas mãos, perguntamos quanto estava a entrada. O segurança informou que não poderíamos entrar porque estávamos bebendo. Dissemos que acabaríamos de beber antes de entrar e ele disse que mesmo assim não poderia liberar porque não se pode entrar lá se tiver bebido antes. E pra completar nos disse que não deveríamos nem estar bebendo na rua, já que isso é proibido no Chile.

Boate 1

Ficamos boladex e perguntamos duas meninas que passavam por ali se tudo o que ele estava dizendo procedia. Elas disseram que sim, mas para o nosso consolo, nos levaram até uma outra boate. E estando sem copos nas mãos, conseguimos entrar. A entrada na boate era de graça para as mulheres e 5.000 pesos para os homens com direito a uma bebida. Não estava tão cheia mas quem estava lá parecia muito animado ao som de pop e reggaeton.

Boate 2 – o retorno

Depois de rebolar muito os cuzcuz e beber o que tínhamos direito, decidimos tentar entrar na outra boate novamente. E conseguimos. O segurança era outro, ou, com mais álcool na veia, nós que éramos outros e ele não percebeu. Só sei que entramos bêbados na boate que horas antes não queria nos deixar entrar porque estávamos bebendo. #chupa

A festa era de salsa e o público parecia um pouco mais velho do que da festa anterior. Encontramos o bonde do vinho, socializamos um pouco e bailamos bastante até altas horas.

O pessoal do hostel foi indo embora e as meninas também acompanhas pelo Vitor. Só sobrou eu e Raphael. Saindo dali, comemos no Mc Donalds e seguimos pela madrugada fria em direção às nossas camas.

Festa estranha, gente esquisita

Quase chegando na rua do hostel, passamos por uma casa de esquina toda fechada onde estava tocando música eletrônica, e motivados eu não sei pelo o quê, resolvemos bater na porta. Um jovem atendeu dizendo que pensava ser a polícia e disse que era uma after secreta, ou pelo menos foi tudo isso que entendemos. Ele cobrou algum valor para entrarmos, depois sorriu e disse que poderíamos entrar de graça.

O lugar era uma casa vazia, nos cômodos apenas alguns sofás com pessoas sentadas. No espaço principal havia um DJ e sua pick-up tocando música enquanto o pessoal dançava. Curtimos um pouco o clima e depois de duas conversas esquisitas com pessoas estranhas fomos enfim para o hostel onde pudemos rir e descansar de um dia cansativo e uma noite doida.

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Santiago, Chile: Enfim, capital. Após 24h viajando de ônibus chegamos a fria Santiago.

O dia começou dentro do ônibus, ainda na viagem que partiu do Atacama no dia anterior. Tomamos o café da manhã oferecido pela própria companhia, o que é algo bastante comum também no Peru e na Bolívia. Há quase sempre um/uma espécie de aeromoço(a) que nas viagens longas, nos horários tradicionais, servem as refeições. O que adoramos saber, até porque, mesmo com essa regalia, as passagens, principalmente do Peru e Bolívia, continuam sendo mais em conta do que viajar de ônibus no Brasil.

De volta a cidades grandes!

Chegamos em Santiago por volta das 15h e almoçamos no próprio terminal rodoviário, comendo no Burger King e KFC. Logo depois pegamos o metrô até a estação Santa Isabel da linha verde, estação mais próxima do Ventana Sur Hostel, local no qual havíamos reservado.

O hostel fica no bairro Providencia, um bairro nobre de Santiago que fica ao lado do bairro boêmio de Bella Vista. A estrutura é muito boa e diferente dos hosteis festivos que havíamos passado, esse tinha um clima mais calmo e caseiro. Pagamos 8.500 pesos por cada diária.

Depois de acomodados e descansados de uma viagem de 24h presos em um ônibus, resolvemos sair e conhecer a tal Lapa de Santiago. No caminho, andando a pé pela fria capital, paramos em um supermercado para comprar bebida e fomos bebendo pela rua.

Que Bella Vista

Chegando ao bairro, comemos um cachorro-quente no Charly Dog, um fast food só de cachorro-quente. Depois da barriga cheia, seguimos pela Pío Novo, uma das principais calles do bairro que conta com diversos restaurante, bares e boates. Como era de se esperar de um bairro boêmio, havia muitas mesas na calçada e muita gente conversando e bebendo.

Ainda na calle Pío Novo, conhecemos o Patio Bellavista, um complexo/galeria com uma arquitetura linda, obras de arte, música ao vivo e com vários restaurantes chiques e visivelmente caros. No centro do complexo estava acontecendo algum evento de vinho com diversos barris e pessoas topzeras bebendo em volta. O espaço é muito lindo e vale a pena conhecer mesmo que você saia sem gastar com nada, como fizemos.

Ao sair do Patio, sentamos e em um dos bares pela rua e pedimos nossas bebidas, Vitor e Raphael, cerveja, eu, um mango sour. Depois de alguma conversa, uma dupla de amigos chinelos que estavam na mesa ao lado e já um pouco alterados, nos convidaram para se juntar a eles.

Disseram que eu parecia o Neymar e resolveram tirar uma foto. Não tem muito negro em Santiago.

Os caras eram uns playboys de Santiago e um tanto estranhos com uns papos bêbados em espanhol, mas a situação foi até engraçada e ainda rendeu uma confusãozinha quando um outro bêbado chegou querendo arrumar assunto.

Depois de muito tontos, os amigos foram embora. Vitor, disse que estava cansado e resolveu voltar para o hostel quando eu e Raphael resolvemos entrar em uma boate perto do bar. Era segunda-feira e o lugar estava super vazio, com apenas alguns casais dançando horrorosamente ao som de alguma música latina.

O valor da entrada dava direito a um copo de cerveja. Eu dei o meu ao Raphael e um outro jovem turista asiático que entrou e rapidamente saiu também deu o copo dele. Raphael nem havia bebido os três quando resolvemos ir embora também.

Bêbados pelas ruas de Santiago, Raphael ainda puxou assunto com uma menina que andava sozinha pela rua. Ela também não era dali e estava voltando para casa de um amigo. Acompanhamos ela até o prédio e seguimos cansados e tontos até nossas camas no hostel.

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Atacama, Chile: Geysers del Tatio, Pukará de Quitor e a traição da lua

Segura a marimba que, diferente de ontem, esse dia foi longooo para carajos!

Acordamos antes do sol e antes do mundo saber o que é calor, para irmos ao nosso 3º tour no Atacama: Geysers El Tatio + Vado Putana + Povoado de Machuca, fechado juntamente com os outros, no primeiro dia.

A van da agência nos pegou ainda de madrugada para que chegássemos ao geysers antes do sol nascer. A viagem dura cerca de 2h, saindo da altitude de 2.400m de San Pedro, até 4.300m do campo geotérmico del Tatio. Por isso não é um tour recomendado para quem ainda não está bem aclimatado. Para nós que já tínhamos sofrido no Canion del Colca, Peru, e no Chalcataya, Bolívia, já estávamos mais do que aclimatados e a altitude nem foi notada.

Por outro lado, ao chegarmos no campo e sairmos da van antes do sol sair para o mundo, a temperatura abaixo de zero estava de matar. Fazia muito frio e um vento safado ainda lascava com tudo. Nem todas as camadas de roupa estavam dando conta. Sorte a nossa que havia ali um espetáculo da natureza para contrapor todas essas condições.

Os geysers começando a entrarem em ação

Geysers del Tatio

Geyser é um tipo de vulcanismo, onde uma nascente termal entra em erupção periodicamente, lançando uma coluna de água quente e vapor de ar. Em nosso tour pelo Uyuni já havíamos tido contato com esse fenômeno, mas de fato, os de El Tatio são sem comparações. Além da tamanha diversidade presente nesse campo geotérmico, a altura que os vapores de água atingem é muito maior.

E tudo fica ainda mais lindo com o nascer do sol que deixa o cenário ainda mais “pqpp q lugar é esse??” Depois de uma breve história e alguns avisos de segurança de nosso guia, que inclui o relato de um garoto que morreu por cair acidentalmente em um dos geysers, ficamos livres para tirar fotos, atentos às pedras coloridas que sinalizam a distância permitida.

Após o nascer do sol, as atividades começam a murchar e as águas a se conterem em seus subterrâneos. Somos convidados então para um café da manhã, com leite e café quente, e sanduíches.

Depois seguimos para uma piscina termal, onde é possível tomar um banho quente. O frio havia amenizado UM POUCO por conta do sol, mas como eu já havia experimentado as águas termais em Uyuni, resolvi permanecer em minhas camadas de roupa. Vitor e Raphael enfrentaram o frio e entraram.

Vado Putana

De volta a van, realizamos uma parada para ver a beleza da região do Vado Putana com seu Rio La Putana. Nesse momento caminhamos um pouco e tivemos algum tempo para tirar fotos enquanto nosso guia falava da importância dos rios para preservação do ecossistema em meio ao deserto mais árido do mundo.

Povoado Machuca

Ainda no caminho de volta a San Pedro, visitamos o Pueblo de Machuca, uma vila bem root com apenas uma rua central de terra. Tem em torno de umas 20 casas e uma das igrejinhas mais antigas do Chile.

Em cima de todas as casas tem uma cruz, que hoje representa proteção espiritual, mas na época da colonização era para evitar o risco dos cristãos espanhóis tacarem fogo na casa. A pausa no povoado serve também para comer alguns dos lanches preparados pelos nativos, como empanada de queijo de cabra e churrasco de lhama.

Raphael e Vitor se deliciaram com alguma coisa enquanto eu subi o morrinho da igreja para tirar algumas fotos.

No caminho de volta, o deserto e suas paisagens, agora visíveis, eram de deixar qualquer um maravilhado. <3

Chegamos em San Pedro por volta das 14h e logo saímos para almoçar em um dos agradáveis restaurantes da cidade com um preço não tão salgado, se chamava Sol e Cor. O lugar oferecia feijoada no cardápio, mas segundo um dos garçons, que era brasileiro, havia acabado. Comemos outro prato então com a tradicional sopa de entrada e ainda bebemos, Vitor e Raphael, cerveja, e eu, um pisco sour, o tradicional drink de Peru-Chile.

Quando voltamos do almoço, Vitor e Raphael resolveram ficar descansando no hostel, eu, meio animado ainda pelo pisco, e motivado pela regra de que descansar só no túmulo, juntei minhas moedinhas e aluguei uma bike no hostel.

Era nosso último dia no Atacama e eu não gastaria minha tarde deitado numa cama do hostel mexendo no celular /indireta. O hostel oferecia uma mapinha com os principais pontos do Atacama que é possível chegar pedalando e seguindo a dica do staff decidi ir até Pukará de Quitor.

Pukará de Quitor

Pukará de Quitor foi uma fortaleza pré-inca toda de pedra, construída pelos índios atacameños para se defenderem de invasões, inclusive dos incas e posteriormente dos espanhóis.

O sítio arqueológico fica a 3 km de San Pedro e a viagem de bike durou cerca de 30 deliciosos minutos. Eu amo andar de bicicleta e sentir o vento do deserto na cara foi libertador. Combinado também pelo fato de estar sozinho, sem nenhum guia e sem meus amigos, esse momento da viagem foi especial. Foi bom estar sozinho, mesmo me perdendo em algumas partes.

Uma das melhores formas de se conhecer um lugar.

Uma publicação compartilhada por Alluan Lucas ♑ (@alluanlucas) em

O caminho é de terra e há momentos em que é preciso atravessar com a bicicleta um riacho que te acompanha pelo percurso todo. Aproveitei inclusive para beber água nele, já que não tinha levado garrafinha e ainda estava sem um tustão. Estar de chinelo ajudou nesse momento molhado.

Chegando a Pukara, é possível pagar cerca de R$15 para conhecer um pequeno museu e subir o sítio arqueológico por algumas trilhas, ou se pode seguir um pouco mais adiante e pagar cerca de R$0 para ver algumas ruínas da parte externa do sítio. Por questões de não estar com dinheiro, escolhi a segunda opção.

Um rosto gigante talhado na pedra guarda uma das entradas da fortaleza

As ruínas de Pukara não estão tão bem preservadas mas o que restou do trabalho talentoso nas pedras junto ao cenário do Atacama ainda são de surpreender qualquer um. Subi as pedras e fiquei por ali pensando na vida e em tantas outras coisas até o sol começar a se pôr.

Minha sombra sobre a pedra e o gigante Vulcão Licanbur lá no fundo

No caminho de volta resolvi voltar pelo outro lado do rio e me perdi em um momento também, mas graças a Pacha Mama, quando o sol se pôs eu já estava de volta a San Pedro.

Tendo algum tempo ainda com a bike, dei umas voltas pela cidade e suas ruas de pedra e então voltei ao hostel ansioso para o Tour Astronômico que faríamos naquela noite.

Tour Astronômico

Em nosso planejamento, não estaríamos mais no Atacama nessa noite, e sim dentro do ônibus em uma viagem de 24h rumo a Santiago.  Porém, havia um tour a ser feito, indispensável para nós, mas principalmente para mim.

Quem me conhece sabe que sou apaixonado por céus estrelados e desde o momento que eu sabia que iria para o Atacama eu sonhava com o tour astronômico do lugar tido como o mais ideal do mundo para se admirar o céu.

Porém, contra todo esse sonho, havia uma lua, uma caralha de Lua cheia. Na noite anterior havíamos pesquisados o valor do tour, inclusive na agência mais topzera, Space, que nos informou que não realizaria o tour por conta do período de lua cheia. Outras também disseram o mesmo, dizendo que talvez no outro dia as condições estivessem melhores.

Ficamos mais uma noite no Atacama por conta disso e quando partimos com a van para o local com os telescópios de uma das poucas agências que estavam realizando o tour naquela outra noite, a lua cheia já estava no céu pronta para nos fuder e ofuscar todas as estrelas com sua luz recalcada.

Enquanto dois guias explicavam em espanhol, sinalizando com um potente laser algumas estrelas e constelações, nós e mais alguns outros turistas, entre eles dois casais de brasileiros, nos dividíamos entre os dois telescópios para ver o céu.

Foi uma experiência incrível, o céu estava lindo de estrela se comparado às nossas cidades grandes, pudemos ver alguns conglomerados, alguns planetas, como saturno e seus anéis, mas no final, quem roubou a cena mesmo e estragou a possibilidade de a noite ser ainda mais foda, foi ela, a viada da lua.

Tiramos algumas fotos dela pelo visor do telescópio e depois fomos convidados a entrar e tomar um chocolate quente com biscoitinhos. Com o tour lunar encerrado, voltamos para San Pedro e descansamos, metade felizes, metade decepcionados e eu completamente puto com a lua e certo de que voltaria ao Atacama uma outra vez.

E com toda certeza, não seria em noites de lua cheia.

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Atacama, Chile: Laguna Cejar e Tebinquiche, Ojos del Salar e um pôr do sol a pisco sour

Depois de um dia anterior agitado, acordando cedo na Bolívia e já chegando ao Atacama fazendo tour, dormimos por quase toda manhã, até porque o tour desse dia só sairia à tarde.

Quando acordamos, tomamos um café no próprio hostel com o pão e chocolate que havíamos comprado no dia anterior. Depois compramos alguns biscoitos para o tour e cambiamos alguns reais para pagar a entrada das Lagunas, 17.000 pesos, valor que é cobrado além do já fechado com as agências.

Verificamos também em alguns lugares o tour astronômico que é realizado a noite e que por conta da lua cheia cheia e um céu meio nublado, não estava certo de acontecer na maioria das agências. Fato esse que nos fez ficar mais uma noite no Atacama, além do previsto.

Voltando ao hostel e depois de tudo pronto, partimos para o nosso 2º tour no deserto mais árido do mundo: Lagunas Cejar + Ojos de Salar + Laguna Tebinquiche.

Lagunas Cejar

A primeira parada foi na extremamente salgada Laguna Cejar, a lagoa mais salgada que o Mar Morto, onde já não é mais possível entrar devido aos riscos que tanto sal proporciona, como cortes.

O prometido banho pelo tour pode ser feito na laguna ao lado da Cejar, que apesar da menor concentração de sal, ainda tem sal pra carajos e te permite boiar. Há no lugar um espaço para trocar de roupas e chuveiros para tirar todo sal depois do banho. Aliás, a estrutura dos pontos turísticos do Atacama é muito boa.

Nós mal entramos na lagoa, eu só molhei minhas pernas o que já foi suficiente para arder tudo em meu corpo. É recomendado não mergulhar e evitar contato com os olhos e os lábios, principalmente se estiverem rachados. Os meus estavam.

Ojos del Salar

A segunda parada do tour é no Ojos del Salar. Duas crateras que formaram dois fundos lagos de água doce no Atacama. Olhando de cima, eles parecem de fato, dois olhos. A vista é sensacional, e em um dos lagos é permitido enfrentar o frio, o medo da água escura e mergulhar.

Laguna Tebinquiche

A última parada é na também salgada e congelada Laguna Tebinquiche. Nela, apenas é permitido caminhar ao redor e observar a imensidão de sal que cobre a região.

O momento especial fica com o snack time para apreciar o pôr do sol, oferecido pela agência. Comemos biscoitos, e brindamos e bebemos pisco sour com os demais participantes do tour, o que incluía um casal de brasileiros.

Foi lindo demais, eu que já amo um pôr do sol, fiquei ainda mais feliz ao assisti-lo contrastado com a Cordilheira dos Andes, que parecia mudar de cor a cada descidinha do sol. Pra completar minha felicidade, estava bebendo o drink mais tradicional do Chile, que também passei a amar.

Na volta do tour, assistir o deserto se tornar noite pela janela da van também foi outro ponto alto do dia, ainda mais por eu já estar alto por conta do pisco.

De volta a San Pedro, compramos cup noodles no mercado e um refrigerante estranho e bem vermelho chamado Bilz para jantarmos.

Foi uma deliciosa refeição.

E um delicioso dia.

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