Psicodelia é a palavra chave da banda que completa 50 anos em 2016

O grupo originalmente formado por Rita Lee, Arnaldo Baptista e Sérgio Dias, além de ter feito parte do movimento tropicalista, marcou o Brasil com sua música vanguardista e original.

Discos com cores misturadas e vivas, guitarras alucinantes e sonoridades distintas, são algumas das características dos Mutantes. A banda, de 1966, criou uma melodia brasileira com influências do som que estava bombando no exterior.

Front

Contracultura

O rock psicodélico surgiu na metade da década de 60. Este período foi marcado pela radicalização dos movimentos jovens que agiam contra a cultura, ou seja, se conduziam de forma contrária aos valores estabelecidos pela sociedade. Além disso, surgia uma nova experimentação de vida, de culto à paz e de misticismo e uso de drogas. Todos esses traços são facilmente encontrados tanto nas melodias como nas letras.

No contexto mundial, podemos dizer que há dois berços do rock psicodélico: Londres, de forma mais contida, e Califórnia, com uma música um pouco mais descontrolada e improvisada. No lado inglês, a primeira fase do Pink Floyd marcou o rock psicodélico com um dos fundadores da banda, Syd Barrett. Ele fazia um consumo excessivo de LSD e morreu em 2006, diagnosticado com esquizofrenia. No chão americano, Grateful Dead ficou famosa pelas músicas de meia hora e por dedicar metade de um LP para a improvisação de solos de guitarra.

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Uma das bandas que também foi por esse caminho, foi The Beatles que, em sua primeira fase, criava músicas mais bobinhas e românticas como “I want to hold your hand”, de 1963. No auge da psicodelia, lançaram em 1967, “Lucy in the Sky with Diamonds”, acrônimo para LSD.

De acordo com Paulo César Araújo, professor de MPB da PUC-Rio, os Beatles foram uma das maiores inspirações para os Mutantes:

“Os Beatles estavam na fase psicodélica com discos inventivos, de experimentação de sons, uso de guitarras distorcidas. Isso somado à criatividade dos Mutantes, foi um sucesso. A Tropicália foi essa junção de música erudita com a música pop mais inventiva”. – Os Mutantes ao lado de Gilberto Gil, Caetano Veloso e outros cantores lutavam, através do movimento tropicalista, pela incorporação da cultura jovem mundial, ou seja, o uso da guitarra elétrica e de elementos psicodélicos no som.

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Resistência

Mesmo com músicas criativas e letras que excitavam a imaginação, a banda não recebeu o apoio de uma parte do público brasileiro. E foi no festival de Música Popular Brasileira de 1967 que Os Mutantes viram o “apartheid”, como diz Paulo César, em relação às opiniões dos brasileiros sobre a importação dos recursos sonoros:

“Uma parte do público mais engajada em relação a protesto, mais nacionalista que defendia o samba, reagiu contra isso, porque via nessa linguagem do rock uma entrega ao imperialismo. O rock nesse contexto não tinha prestígio, era visto como uma música imperialista que vinha para dominar a música brasileira. Qualquer artista que se alienava a essa cultura pop era taxado de alienado, de alienígena”.

Porém, mesmo com toda resistência, o movimento psicodélico dos anos 60 deixou seu legado no rock nacional, tornando Os Mutantes um dos principais grupos do rock brasileiro e nos fazendo parar e pensar. Às vezes não fazia sentido algum, às vezes fazia. Depende do ouvinte. Como diz a música dos Mutantes, “Balada dos Loucos”:

“Eu juro que é melhor não ser o normal”

 

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