O movimento de exaltação da beleza afro e de suas misturas é muito mais que moda, é identidade!

O povo brasileiro tem como principal característica não ter uma etnia visual muito definida, eu costumo dizer que brasileiro não tem cara, não tem um padrão físico o qual você olhe e com certeza diga que é do nosso país. Apesar disso ainda temos um preconceito muito enraizado que procura diminuir etnias que fazem parte e que são de grande importância para a miscigenação que carregamos hoje.

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As misturas africanas e indígenas ainda são encaradas de menor valor e o padrão de beleza imposto continua sendo a pele clara e o “cabelo bom”. Direcionando a discussão para esse último, tenho certeza que todo mundo já ouviu, quem sabe até falou, essa expressão como definição de que “cabelo bom” é cabelo liso, é cabelo “domado”.

Tenho visto nos últimos anos a volta da moda dos cachos, e mais do que uma onda de style do momento, tipo: O hit do verão é delineador colorido, dessa vez vejo uma tendência além do hairstyle, uma nova postura de questionamento e quebra dos padrões de beleza o qual estamos amarrados. São homens e mulheres assumindo seu cabelo natural também como forma de resistência, uma maneira de mostrar que o belo também está nas diferenças, e de que construir definições fechadas do que se encaixa ou não nesse conceito não é mais aceitável no mundo de hoje.

O assunto transição capilar, que é justamente o processo que se passa quando se deixa os alisamentos para assumir o seu cabelo natural, é cada vez mais discutido em blogs, grupos nas redes sociais e inclusive em eventos onde os temas abrangidos não são só a questão do cabelo ideal, mas do empoderamento do cabelo que se tem e de sentir orgulho de quem você é.

Todo esse movimento, além das questões sociais e pessoais foi de grande importância para abrir os olhos da indústria de cosméticos a repensar que o mercado tem que ser mais inclusivo, onde seja percebido que tem sim que haver produtos para esse público, mas também temos que enxergar  representatividade real na publicidade e no marketing.

” Se a beleza está nos olhos de quem vê, é certo que esse olhar é influenciado pelos padrões de quem observa . Afinal o que é beleza?

                                                                                                               Umberto Eco – História da beleza.

 

Mediante a todas essas transformações sociais que estamos passando, creio que está se iniciando um novo capítulo dessa história, onde a beleza seja cada vez mais encarada como algo individual e não um padrão imposto ao coletivo.faça-amor6

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