"Yo no se donde soy , mi casa está en la frontera...y las fronteras se mueven como las banderas. " (Jorge Drexler, cantor uruguaio)

Moda sempre foi uma forma de expressar modificações na sociedade (sim, porque há uma diferença entre moda e estilo, moda tem a ver com massificação). E através dela, os estilistas sempre utilizaram de construções de imagens para contar histórias, ou transmitir a diversidade de culturas que tem mundo afora.

É verdade que o foco principal da moda atual é venda (houveram tempos em que não era bem assim), mas além disso, há outros objetivos que se busca através dela, como trazer a arte e maneiras diferentes de se comunicar para próximo do corpo, traduzindo um pouco de quem somos e de como vemos o que nos rodeia.

Com a globalização cada vez mais rápida, uma tendência que veio e já dura várias estações é a das multi etnias, que gera looks compostos, como uma bata africana, sobreposta com um casaco estilo navajo e um tênis à la rapper americano. Sem título-1

Diversidade total que nos levanta a questão:

Se assim como aprendemos a misturar estilos, será que aprendemos também a ter respeito e tolerância com a cultura alheia? Ou será que continuamos nos apropriando do que gostamos em outros povos, mas sem nenhum real interesse ou empatia?

Nessa segunda- feira, dia 25/04, Ronaldo Fraga apresentou na 41º edição do SPFW, uma coleção inspirada na situação dos refugiados pelo mundo. Situação essa, que existe há muito tempo e em muitos países, mas só visualizamos com maior importância quando ano passado milhares de sírios começaram a “invadir” as fronteiras da Europa, fugindo da guerra civil em seu país.

O estilista quis retratar essas pessoas, que na fuga carregam consigo apenas as coisas mais próximas: as roupas e as lembranças de sua gente. Apesar da forte influência africana na coleção, afinal o ponto de partida foi uma viagem à África, onde Ronaldo viveu por dois meses, nota-se uma mistura de outras etnias.

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Ah! E o mais legal de tudo, além das roupas que são lindas, é claro, é que Ronaldo Fraga convidou cinco imigrantes que agora vivem em terras brasileiras, para participarem no desfile como modelos.

O que resultou numa linda homenagem à força e esperança dessa gente, e crítica à intolerância, que mesmo após tanta proximidade pelas fronteiras, continua sendo o grande mal da humanidade.

Bom, quem ficou curioso para ver, tem aí o desfile na integra. É uma poesia aos olhos e aos ouvidos, porque a trilha também é incrível.

 

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