Um projeto sobre o leve jeito de levar a vida

Olá! Nessa segunda matéria da coluna Caras Que Inspiram, conversamos com o Daniel Duarte, ou apenas Dan como gosta de ser chamado, idealizador de um projeto que através de ilustrações apaixonantes, espalha lindas mensagens pelas redes sociais.

Quem é ele?

Dan é um ilustrador carioca e criou há 2 anos o Siga os Balões, que hoje conta com mais de 100 mil seguidores no facebook. Tímido e otimista, viu na arte uma forma de se expressar e revelar aquela parte boa que temos para o mundo.

As mensagens do Siga, além de ajudá-lo a realizar alguns sonhos e colecionar muitos outros, ajudam diariamente milhares de brasileiros. E com seu lindo trabalho, Dan prova mais uma vez que parte do sentido da própria vida é contribuir no sentido de outras vidas.

Leia essa entrevista recheada de balões e tente não se emocionar com as respostas do jovem artista.

1. Como surgiu a ideia e por que seguir balões?

O Siga surgiu numa fase pouco instável da minha vida, e quando digo isso, quero dizer há dois anos atrás. Já escrevia desde o colégio, e como não falava com ninguém sobre a minha vida pessoal, registrava não só meus sentimentos, mas o modo como via a vida no papel.

Em 2014, enquanto trabalhava, rabisquei alguns prédios num papel e uma cliente ficou me observando e logo disse que precisava mostrar meu trabalho para outras pessoas. Pôr na internet. No começo eu achei bobeira, mas ela insistiu e alguns ajustes e dias após o ocorrido, a página foi pro ar.

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Siga os Balões foi o nome por um ocorrido dentro da loja, e ele reflete muito do que faço, gosto das coisas leves. Tanto na arte, quanto na vida. Acho que as emoções são assim, uma hora estamos flutuando, e de repente não. Pra mim, essa é a verdadeira razão do nome Siga os Balões.

2. Como você chega às mensagens?

Eu vivo cada momento da minha vida, seja ele uma ida de ônibus ao centro da cidade ou uma tarde tomando café no meu quarto. Sempre fui muito perceptivo aos detalhes, então qualquer acontecimento já é motivo para escrever.

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As frases vêm em estalos, digo, se eu sentar e ficar rascunhando, não aparece. Geralmente anoto tudo, seja no bloco de notas ou se tiver algum papel, depois dou sentido as ideias para que elas sejam entendidas.

3. Você já recebeu algum contato ou depoimento de pessoas que tenham sido impactadas pela sua arte?

Sempre recebo muito carinho por todos os lados. Cada comentário nas redes sociais, mesmo que seja um coraçãozinho de emoticon, já é motivo de alegria. Saber que no meio de tudo, alguém parou pra ler e tirou um tempo pra comentar sobre, já me faz sentir abraçado. De alguma forma, minha mensagem chegou a essa pessoa.

Pelo email, recebo muitos pedidos de conselhos e histórias maravilhosas. Um dos últimos, uma moça que está passando por uma quimioterapia, disse que em casa e principalmente quando está no hospital nos dias de exame, abre as redes sociais e vai acompanhando os textos e mensagens e tudo passa mais rápido e se torna menos doloroso.

Eu não me lembro de ter ficado tão emocionado antes na vida, quanto eu fiquei depois de ler esse email. Sou cada dia mais grato pelo que faço, isso nem preciso afirmar.

4. Você acha difícil promover mensagens tão otimistas em um cenário em que tristes notícias parecem ter muito mais audiência?

De dois anos pra cá, minha voz na página mudou bastante. Sou bem mais pé no chão nessa questão.

A internet foi feita para facilitar e levar informações a todos, mas ai começou o desfile de ódio e já fui muito impactado com isso, até parar de seguir certos conteúdos, sair de círculos e abandonar grupos.

As pessoas começarão brigas e discussões, o ódio gratuito e todo o restante estará ali, e vai de você continuar absorvendo todo o lixo que a internet pode oferecer. A escolha está a um clique de distância.

Sei que guerras acontecem o tempo todo, pessoas passam fome e governos tratam seu povo de maneira indigna.

Eu mudo o que eu posso com minhas atitudes e espalho o máximo de amor que possuo para aquilo que não tenho controle. O cenário pode não estar favorável, mas isso não significa que precisamos contribuir para que isso fique pior, certo?!

5. O que você gostaria que fosse diferente no mundo?

Sei que não posso mudar tudo, como disse anteriormente, mas gostaria de ter o dom do “olhe para dentro de si”.

Eu vejo gente na minha nas minhas redes falando sobre amor e respeito, mas vejo as mesmas pessoas cometerem atos de discriminação e outros absurdos fora do mundo online.

Isso é um grande problema, as pessoas não agem como pregam. Elas não seguem o que obrigam as pessoas a serem. Quando você não concorda com algo em relação a alguém, reserve-se. Se tem um sentimento ruim e não consegue controlar, se afaste. Não imponha um caminho que você não trilha.

Eu gostaria que as pessoas fossem mais reais, mais transparentes com elas próprias antes de quererem ser algo para alguém.

Afinal, elas criam o mundo e o ambiente em que vivem, e tudo que vejo é um mundo repleto de falsos moralistas e mentiras vergonhosas. Isso eu realmente queria mudar, mas infelizmente não posso.

6. Você acredita que a arte possa conscientizar?

Esse também é um dos papéis da arte. Ela nos dá um olhar diferente e nos faz descobrir coisas que não conhecíamos.

Nos permite olhar para algo e ter diversas reações, sejam elas altas gargalhadas ou total espanto. Ela nos faz sentir e captar outras sensações que às vezes desconhecemos. Ao contrário disso, é só música. Só mais um rabisco, só mais um texto, só mais alguma coisa.gotamaor

7. Compartilhe algo que você tenha aprendido sobre o mundo e acha importante que outras pessoas saibam.

Depois de algum tempo nisso, eu tive o prazer de conhecer algumas pessoas que se tornaram únicas na minha vida. Presenciar coisas e ir para lugares que nunca pensei em ir.

mundoafora

Aprendi que a vida não é só a lágrima que cai por um problema, e nem a balada no sábado. Choramos por tão pouco e nos entregamos por nada.

É tudo muito diferente pra mim do que anos atrás, não porque coisas extraordinárias acontecem comigo a todo tempo, mas porque compreendi que a vida ultrapassa a esquina na rua da minha casa. Somos ilimitados e deveríamos usar esse nosso poder especial enquanto estamos por aqui.

 

Tenho andado olhando tudo duas vezes. Esticado o pescoço pra não perder o ônibus depois do trabalho, e checado se o provável amor da minha vida também estaria me olhando no trem. É que sabe, quando a inocência vai embora, a gente precisa se manter firme em meio aos contrastes da vida. Sempre ouvi que até os piores dias, guardam algo de bom, bem no finalzinho, como lição. Basicamente, é aquele chocolate que fica em cima da geladeira pra depois do almoço. Não é lá grandes coisas, mas já é algo. Levantar depois de um tombo sempre é algo. Sorrir em meio a uma catástrofe é algo. Catar os cacos de nós mesmos, de alguma forma, é algo. Viver é aprender a olhar tudo com dois pontos de vistas. É olhar pro céu quando o concreto queima seus pés, e se lembrar que até nesses dias, Deus não comete erros. Tenho estado nessa onda de não desistir fácil e ser difícil para o que realmente vai contra quem eu sou. Me mantido coberto da mania de botar fé em gente, na vida, mas principalmente em mim. Acreditado que no divã de um psicólogo, talvez saísse um bom amigo. Que nas noitadas por aí, como tanta mente vazia, eu encontrasse alguém que eu teria prazer em conhecer. Que nas porradas da vida, eu me torna-se um bom lutador – ou ao menos, aprendesse a dar alguns golpes de defesa. Tenho tido a particularidade de ser a minha sala de estar, ser o dono das minhas soluções. Ser meu farol. Tido razões para acreditar que a vida será paraiso, se aprender a reclamar menos e ter mais o riso pronto pra enfrentar meus monstros da madrugada. Procurado enxergar o lado bom das pequenas coisas e das não tão boas. A partir de agora, é ver a vida em diferentes pontos de vista. E ser feliz em todos eles. Texto: @eudanielduartte

Uma foto publicada por Daniel Duarte (@sigaosbaloes) em

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