Os impactos sociais e ambientais causados pela indústria da moda nos dias atuais

Essa semana mais uma “grande marca” de roupa veio a tona nos veículos de informação brasileiros, acusada de produzir suas peças através de trabalho escravo. Nos últimos tempos esse tipo de notícia infelizmente tem sido comum, seja nos grandes conglomerados de moda mundiais ou em marcas de médio porte.

Desde os anos 90 viemos num crescimento desacelerado de consumo, onde as lojas de fast fashion (moda rápida) ditam as tendências, que já deixaram de ser da estação, e passaram a ser a tendência do agora. E é essa pressa impaciente e até mesmo irresponsável de consumir que gera a necessidade de se produzir peças cada vez mais baratas e descartáveis.

o real preço das peças que você usa

Mas será que as roupas que usamos são mesmo descartáveis?

Você já por algum minuto parou para se perguntar o que é feito com aquela roupa que por algum motivo não te serve mais? E mesmo que você diga que fez doação para alguma entidade ou pessoa necessitada, saiba que ainda assim elas geram algum tipo de impacto que você desconhece. Um desconhecimento estimulado pela dificuldade de entendermos que vestir é consumir.

Como bem diz Lilyan Berlim, no livro “Moda e Sustentabilidade: uma reflexão necessária.”:

“A roupa está tão próxima ao nosso corpo que acabamos por não percebê-la enquanto produto. O que vestimos é parte de nós, por isso é mais frequente usarmos de sentimento e da moda para entendermos uma roupa do que racionalizarmos como produto.

Talvez seja por essa razão que, comparativamente à arquitetura e à produção de alimentos, a indústria têxtil e a área de moda tenham demorado tanto a despertar o interesse de pesquisadores e empresários quando se fala de sustentabilidade.”

Se nós avaliarmos a produção de uma roupa, que começa lá nas plantações de algodão, onde são usados altos índices de agrotóxicos, passa pela parte do tingimento e lavagens de tecidos, que além de utilizar uma enorme quantidade de água despeja produtos químicos em mares e rios, e chega até a parte da manufatura, que para obter lucros altíssimos dos empresários utiliza mão de obra escrava ou exploratória de pessoas de países subdesenvolvidos.

Se levarmos em conta todos esses fatores, podemos acreditar que realmente a indústria da moda é a segunda maior poluente do planeta (perdendo apenas para o setor petrolífero) e a que tem gerado graves danos sociais em países como Índia e China.

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Só no Brasil, apesar da queda de 8%, o setor têxtil faturou R$ 121 bilhões no ano passado (dados da Abit – Associação Brasileira da Indústria Têxtil). E com um crescimento previsto de 4% até final de 2016, fica difícil pensar que um setor que mesmo na crise gera tanto lucro, precise de mudanças tão urgentes.

Mas há esperança

Pesquisas no ramo têxtil pela descoberta de produções de novas fibras e fios à partir de materiais recicláveis, desenvolvimento de novas maneiras de se utilizar e tratar a água necessária nos processos industriais, e inclusive novas maneiras de se pensar produtividade e bem estar das pessoas, revelam que algumas mudanças começam a ser feitas.

Mas isso ainda não é o bastante, nós como parte da sociedade temos a obrigação de repensar nossos hábitos de consumo e exigir que as empresas estejam verdadeiramente preocupadas e contribuindo para um mundo melhor.

A quem interessar mais sobre o assunto, eu indico o documentário The true cost que questiona os custos reais da indústria da moda no mundo. Deixo o link aqui embaixo.

 

E para quem quer fiscalizar de perto, sugiro também baixar o aplicativo Moda Livre, criado pelo coletivo Repórter Brasil. O app está disponível nas plataformas de Android e IOS, e disponibiliza dados das principais marcas do mercado referentes às medidas contra a mão de obra escrava. Afinal, quanto mais informação tivermos sobre os produtos que compramos, mais nos aproximamos de um consumo consciente.

E vale sempre lembrar que grandes mudanças começam a partir de pequenos atos que juntamente com respeito e determinação possam em um futuro próximo gerar novas consciências coletivas.

 

 

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