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ReflexõesSocial

Dia Internacional Contra a Discriminação Racial

@dazzle_jam

Hoje é o dia INTERNACIONAL CONTRA A DISCRIMINAÇÃO RACIAL.

Um dia para lembramos não só do Massacre de Sharpeville que deu origem ao dia de hoje, após a polícia sul-africana deter um protesto com rachadas de metralhadora, matando 69 pessoas e deixando 180 feridas em Johannesburgo, África do Sul.

Soa familiar? 

A Polícia sempre utilizando armas de fogo para deter protestos, deter luta de um povo que vive a margem de um sistema elitista e segregador.

Essa semana foi especialmente difícil para mim, tive que escutar na faculdade em que estudo que a escravização do povo preto, não aconteceu devido cor de pele e sim por classe e que inclusive poderia ter acontecido o contrário e os negros terem escravizados os brancos, eu ouvi isso de um PROFESSOR UNIVERSITÁRIO QUE SE IDENTIFICA NEGRO. Como se não bastasse, após eu discordar veemente sobre isso e expor a minha vivência junto a minha comunidade e explicar os motivos de cotas por exemplo, UMA ALUNA NEGRA levantou a mão e simplesmente disse que nós nos VITIMIZAMOS muito! 

Olha a problemática aqui, conseguem ver? 

Uma sala majoritariamente branca, em uma universidade majoritariamente branca, dois negros: um professor universitário e uma advogada, levantam a voz e presta um desserviço a humanidade em especial a população PRETA deste país. Isso é apenas um depoimento de 1 fuck dia de aula na IBMR

Daí eu escuto que deveria protocolar uma reclamação e fazer o professor ser demitido, o que não seria difícil, já que pago a faculdade e no auge do capitalismo eles atenderiam minha solicitação, para não gerar mais escândalo. Agora eu te pergunto: Qual a mudança que eu faria demitindo um professor negro? Já que em dois anos de academia, ele é o primeiro professor que se identifica negro nesta universidade?

Não é nossa obrigação EDUCAR PESSOAS BRANCAS, ensinar-lhes algo que eles deveriam saber ou buscar conhecer, já que não se apaga a história e muito menos as consequências dela. Citando Ângela Davis no livro Mulher, raça e Classe, a escravização mudou a estrutura familiar negra, afastou homens negros de seu papel de pai e colocou nas costas de mulheres negras a responsabilidade de serem FORTES E INABALÁVEIS, mas a verdade é que enquanto somos cobradas em relação a essa descaracterização de humanidade, nossa saúde mental fica fragilizada, nossas vidas ficam à mercê da branquitude, já que não avançamos como comunidade, afinal de contas eles conquistaram e dividiram nossas vidas para sempre, e ainda mantém a prepotência em nos dizer que ”FOMOS ESCRAVIZADOS POR NÃO TERMOS PODER AQUISITIVO”.

Se essa fala tivesse proximidade de alguma realidade, pessoas negras com este poder aquisitivo, não sofreriam racismo, essa é a lógica, porém isso está longe de acontecer. Exemplo disso é o próprio Balotelli, Maju Coutinho, Taís Araújo dentre tantos outros que já passaram por situações assustadoras de racismo.

Vocês docentes de universidades neste país precisam PARAR de afirmar que o Brasil não é racista, que meritocracia existe e que tudo depende de você, sem fazer recorte racial. Paremos de romantizar a escravidão como algo que aconteceu e ACABOU BEM! com a simples assinatura de uma mulher branca, colonizadora e perpetuar a escravidão e o silenciamento de nossos corpos até hoje.

O Brasil foi o último país a abolir a escravidão e os únicos que receberam “retratação” por isso, foram os senhores de escravos, por estarem perdendo um “patrimônio” e o nosso patrimônio? O que nosso povo até hoje recebeu de retratação por ser amordaçado, açoitado e silenciado?
Hoje dia 21 de Março de 2019 se perguntem, se realmente houve alguma mudança concreta na vida de milhares de famílias pretas neste país, se questionem se o seu RACISMO é problema nosso ou seu? E busque conhecimento para modificar a base deste país.

E para nós pretos, busquemos cuidar da nossa saúde emocional, pois aproximam-se tempos difíceis.

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Sayuri Hope

O autor Sayuri Hope

Mulher Feminista Preta em diáspora, 32 anos, paulista radicada no rio há seis anos, estilista, comunicadora, ativista e cantora nas horas vagas.
Tudo ao nosso redor se interliga e se move em um ritmo frenético, sou parte da cosmopolita e permeio suas artérias na subjetividade. Sendo uma insurgente desta mesma cosmópole, minha existência resiste em meio ao racismo estruturalmente enraizado, de um país completamente conivente com o silenciamento do meu corpo.
Ainda assim ativo, existo e resisto.

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