Já sentiu que não era bom em nada, porque tudo o que te ensinaram que precisa ser bom é em ganhar dinheiro?

Aos 8 anos vivia jogando bola na rua, tinha esperança em ser jogador de futebol, mas todo mundo dizia que ficar na rua até tarde era coisa de gente que não queria estudar, vagabundo.

Aos 10 anos dizia para minha mãe que meu sonho era ser um grande arqueólogo, daqueles que descobriam fósseis e era amaldiçoado pelo Faraó do Egito, mas meu colégio só focava em matemática.

Aos 12 me apaixonei pelo skate, vivia pra lá e pra cá pulando paralelepípedos enquanto dava um jeito de arrumar peças para o carrinho e alguns tênis surrados, porque no fim das contas, skate não dava dinheiro.

Aos 14 conciliei alguns trabalhos de garçom para comprar peças, enquanto fazia aula de música na Faetec, estudava no colégio público e me esforçava para o vestibular, porque para todo mundo “estudar que dá dinheiro”.

Aos 16 tinha uma banda, amava música, fiquei por alguns anos tocando e fazendo um cachê, mas não era o suficiente, tinha que ir pra faculdade, porque ser formado que dá estabilidade.

Aos 18 anos tava na faculdade, tentando conciliar estudo com trabalho, difícil, mas a gente consegue. Só que depois de um tempo nos damos conta e vemos que já nos corrompemos ao mercado…

E deixamos mais de metade dos nossos sonhos para trás.

A verdade é que esse lance de conseguir fazer tudo que se sonha super novo é um esquema privilegiado. É a famosa briga do “fazer o que ama x sobreviver“. Isso para quem não tem uma boa condição financeira, que no caso é a maioria da sociedade.

E é essa maioria que sempre sofre esse tipo de frustração. Onde apesar de tentar ao máximo diminuir as chances de entrar num mercado que toma completamente seu tempo com trabalhos sem sentido e que nunca sonhou em fazer, acaba sendo carregado por esse caminho, já que a escolha sempre será sobrevivência.

A partir dai nossos sonhos são moldados, nosso objetivo de vida alterado e talvez a gente passe a maior parte do tempo trabalhando com o que não gosta e com o que nunca quisemos trabalhar.

E provavelmente a maior culpada disso pode ser a educação.

É claro, a educação da maneira que é vista hoje, aquela que valoriza a tecnificação, ou seja, a que visa como necessário somente o conhecimento técnico.

Essa educação é focada no sentido prático do mercado de trabalho, sendo assim, exclui qualquer outra possibilidade que fuja dos padrões capitalistas. Já dizia Caio Fernando, que o Brasil precisa de médicos, dentistas, engenheiros e advogados e não de escritores.

Isso é inserido em nós desde do nosso jardim de infância até o nosso ensino médio. Excluem totalmente nossa possibilidade de desenvolver nossas potencialidades, principalmente artísticas, com o objetivo de formar seres voltados para a demanda do mercado.

Resumindo: Tchau música, bem vindo escritório!

É uma técnica que exclui aos poucos a capacidade mais bonita de uma criança, a criatividade. A mente fértil dela é manipulada e moldada a um sistema metódico, desencorajando qualquer pensamento criativo infantil. Tornando assim um indivíduo perfeito para práticas de mercado de trabalho.

Aos poucos os sonhos vão sumindo e a famosas “preocupações de adulto” vão tomando seu lugar, nos tornando seres vazios, porém cheios de ocupações.

E aí, podemos concluir que a verdadeira educação é aquela que incentiva as nossas potencialidades?

Bem, pra mim isso vale não só para o sentido prático de felicidade, que é poder fazer o que se quer, mas também para o melhor desenvolvimento do ser humano.

Não existe problemas em seguir caminhos que sejam considerados “serviços do mercado”, como engenheiro ou médico. O problema está em excluir matérias que te ajudam a criar pensamentos críticos, como arte, filosofia e poesia.

Além do mais, a educação focada no mercado de trabalho pode fazer qualquer pessoa se frustar com a própria vida, por correr por objetivos que nunca foram delas. Faz com que ela volte para aquele caminho lá de cima,”fazer o que ama x sobreviver“.

Concluindo, a educação não deve criar robôs.

Não adianta de nada sermos seres humanos super bem qualificados e técnicos, mas pobres de vida e espírito. A vida é muito mais do que um diploma ou um título no seu mercado de trabalho.

Modelo educacional X necessidade Atual

A vida é feita de pluralidades e diferenças. Aprendemos com elas, construímos novas visões e somos capazes de ampliar nosso conceito de diversas maneiras. Isso é um dos principais frutos para evolução.

O mercado atual ainda tem trabalho um pouco esse sentido do mercado criativo, tentando unir os dois viés em um só, onde o trabalho pode complementar o lazer e principalmente os seus sonhos. Porém é um processo que deve ser alterado lá na raiz, afinal de contas, melhor previnir do que remediar, né?

Já dizia Einsten, “O que é um homem sem sonhos?”.

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