Destralhando-se

Declutter é um termo que vem sendo naturalizado no Brasil através de sites sobre estratégias de organização para facilitar o dia a dia das pessoas. Muitos casos demonstram uma associação direta entre o funcionamento da mente das pessoas e o modo como organizam os ambientes em que vivem.

Obviamente, não se deve enrijecer a ideia de que um ambiente desorganizado denota necessariamente pensamentos confusos ou disfunções cognitivas. Não é preciso aqui discutir individualidade e como a identidade se constrói continuamente. O ser humano não é receita de bolo.

Dito isto, pensemos nos casos em que a desorganização indica algum aspecto aparentemente improdutivo na mente do sujeito, como frustração, falta de perspectiva, procrastinação, dificuldade em planejar e executar, entre outros.

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Esclarecemos então, que declutter significa destralhar, desfazer-se do que é desnecessário.

Em geral, o que está quebrado não é utilizado ou traz lembranças desagradáveis e acaba servindo apenas para ocupar espaço. E com isso, num ciclo de autossabotagem, o indivíduo acaba dificultando a entrada de algo melhor em sua vida. Esse algo melhor tanto pode ser uma roupa que será efetivamente usada quanto uma nova lembrança que traga emoções positivas.

O sujeito em constante mutação pode, através do declutter, adquirir mais controle sobre sua vida e suas escolhas. Porque perceber que o que se tem é útil, está em bom estado e traz sensações agradáveis é saudável.

Rodear-se de coisas boas

Esse tipo de frase se encaixa nessa perspectiva. Na prática, é exatamente isso que tende acontecer. Ao livrar-se da tralha física, você acaba ajudando a livrar-se da tralha mental. Adquire-se espaço físico. Adquire-se espaço na mente para novos planos, novos desafios.

Estendendo a noção de declutter, podemos pensar no que não é material, concreto, mas que também só ocupa espaço, como emoções específicas e pensamentos disfuncionais. Rancor, mágoa e baixa autoestima são alguns exemplos do que pode passar pelo crivo desse processo.

Sempre é possível escolher a permanência de determinados aspectos em nossa vida, até mesmo em relação as pessoas. Algumas ficam, outras não. Nem sempre porque apresentam mais pontos negativos que positivos; simplesmente porque às vezes só estão em nossas vidas ocupando espaço.

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E é sempre bom lembrar, da mesma forma que uma pessoa pode ser tralha em nossas vidas, podemos ser tralha na vida de outras pessoas. Isso não faz dos outros, e nem de nós mesmxs, pessoas indignas ou inferiores.

Às vezes, o melhor é nos abrirmos para o novo para que possamos sempre progredir. Melhorar constantemente. Incessantemente. Livrar-se. Libertar o que já é desnecessário. Libertar-se a si mesmx.

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