A quem devemos salvar, afinal?

Dia 22 de Abril foi celebrado o Dia da Terra, os doodles do Google ou a mensagem colorida do Facebook devem ter te avisado e despertado em você, por alguns fofos segundos, a consciência ambiental.

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Campo e elefante: um dos cincos doodles do Dia da Terra

Aquela consciência que nos permite lembrar que vivemos em um sistema interconectado e que todas nossas ações, ou até mesmo a ausência de ações, interfere direta e indiretamente no meio em que vivemos.
“Tudo que vai, volta”, “você recebe aquilo que dá”, “o mundo dá voltas”.

Escolha você qual expressão usar. A verdade é que o discurso sustentável já caiu na mesma vulgaridade desses ditos populares. Pois apesar dos diversos dias especiais e internacionais dedicados a nos implorar que enxerguemos a dimensão coletiva de nossa existência, como o Dia da Terra, ainda é difícil competir com os demais dias, em que o sistema social vigente defende que o ‘desenvolvimento’ deve ser medido através da capacidade de se consumir mais e mais.

Ignorando até mesmo o fato de que a cada ano atingimos mais rápido o Overshoot Day, o Dia de Sobrecarga da Terra, que representa a data em que ultrapassamos o nível sustentável do planeta conseguir repor o que consumimos em um ano, a biocapacidade.

O que nos leva pensar: Coitado do planeta, ele não merece isso.

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Não, amigo! O planeta não tem sofrido. Ele não é aquele funcionário que trabalha além do horário porque o chefe pediu mais relatórios em cima da hora. Não existe relacionamento abusivo entre nós e ele. Se queremos mais e ele não pode dar, ele alerta que não pode e simplesmente não dá.

Ele se entende por gente há mais de 4,6 bilhões de anos, está maduro e desapegado o suficiente para cogitar em se preocupar com uma espécie que surgiu há 200 mil anos.

Com tanta experiência, ele já compreendeu o sentido de sua existência e qual é a sua função no universo, questões por quais ainda discutimos e brigamos entre nós. Ele já sabe inclusive que vai morrer daqui alguns bilhões de anos pelas mãos daquele que lhe deu a vida, o Sol. Não será pelas nossas.

E é com toda essa certeza e calma do mundo que ele nos confronta com a terrível verdade:

“Não é por mim que vocês precisam desenvolver a consciência ambiental, eu ainda estarei aqui se vocês se destruírem. Então é por vocês mesmos. É pela salvação de sua espécie e de todas as outras espécies que têm a sorte, ou azar, de me dividir no mesmo período de tempo que vocês. É pela biodiversidade atual. É pelo o que vocês construíram em cima de mim. É por toda cultura e história de vocês. É pela sua família, pelo aniversário da sua netinha. Pela pizza de calabresa. Pelo pavê de pêssego. Pela Carreta Furacão. É por vocês, não é por mim! Acordem!”

Ôxi menino! Despertemos então para essa louca constatação, e talvez assim, comecemos a encontrar a motivação que faltava para enxergamos as consequências já presentes do consumo inconsciente, da cultura do descarte, da poluição e de tantos outros males.

Pois ainda é hora, só não sei até quando será, de assumirmos com compromisso alguns dos diversos discursos sustentáveis já propostos. E quem sabe dessa forma, a Terra deixe de ser durona, no sentido metafórico pf, e passe a cogitar que possamos ser a melhor espécie que já passou por aqui. <3

 


Vem junto!

O projeto CdM quer através dessa editoria, dar voz à projetos que contribuem para um mundo mais sustentável, que reconheçam e conscientizem sobre a necessidade de ser desenvolver uma nova cultura de relação com a natureza, com o mundo.

Defendemos o respeito à diversidade, e compreendemos que para que ela exista, temos antes que respeitar o que é comum a todos, nossa casa, nosso planeta e sua biodiversidade.

Se você tem algum projeto nesse sentido e deseja contribuir para essa editoria, entre em contato, a missão é coletiva!

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