Ou melhor, jogue ele fora.

Sabe aquele objeto que algumas pessoas usam em cavalos pra que seu campo de visão fique limitado? Pois é, o antolho.

Às vezes eu tenho a impressão de que nós usamos um desses, imaginário. Já parou pra pensar que nós vivemos cercados de pessoas o tempo inteiro e nem sequer fazemos questão de saber quem são? Dentro dos ônibus, metrôs, shoppings ou qualquer outro lugar movimentado, nós sempre estamos rodeados de pessoas e agimos como se elas não estivessem lá. Parei pra me perguntar isso e acabei me lembrando das conversas que já tive com “estranhos”.

Uma vez conheci uma moça num voo e ficamos conversando sobre algumas coisas. Nada de muito importante, coisas comuns na verdade, sobre a vida dela, sobre o porquê dessa nossa viagem, sobre o possível frio que faria na cidade para qual estávamos indo e outras pequenas coisas.

Depois que me despedi daquela desconhecida, percebi que não havia perguntado o nome dela e então entendi que isso não faria diferença. Provavelmente não vamos nos ver novamente, mas isso não anula o fato de eu ter conhecido alguém, de ter compartilhado opiniões, ouvido histórias que são diferentes das minhas.

Eu conheci um outro ser porque me permiti conhecer. Depois de refletir sobre o ocorrido, abri a cabeça pra essa nova prática: ouvir histórias.

Escolhi tirar o meu antolho imaginário pra conhecer novas pessoas e assim abrir a mente para novas possibilidades, para aprender mais e com isso talvez ultrapassar barreiras internas que eu nem sei que existem.

desafio vocês aqui, agora, a tirarem seus antolhos e se permitirem. Puxe conversa com o padeiro, com o cobrador do ônibus, com a moça que está na sua frente na fila do banco ou com o morador de rua que dorme na praça perto da sua casa. Fale qualquer coisa, converse sobre qualquer tema. Fale sobre o calor que está fazendo, ou sobre o quão estressante é o trânsito. Dê bom dia a toda e qualquer pessoa que cruzar o seu caminho e sorria para os estranhos.

O primeiro passo para ouvir uma bela história pode ser um “oi”.

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