Recentemente li o livro “Notícia de um sequestro” do consagrado Gabriel García Márquez, autor de ficções como “Cem Anos de Solidão” e “Memória de Minhas Putas Tristes”. Mas esta obra em especial não se trata de uma história inventada e sim de uma grande reportagem sobre os sequestros de dez pessoas influentes ocorridos na era de Pablo Escobar, o famoso chefe do cartel de narcotraficantes de Medelín. O autor coletou relatos por quase três anos dos protagonistas que participaram do terror dos sequestros.gif

Eu também assisti, antes de ler o livro, a série Narcos, de José Padilha, que tem o mesmo contexto do tráfico na Colômbia, mas é contada através de um policial americano do DEA. O roteirista de Tropa de Elite, by the way, se diz fã de García e, inclusive, já fez uma alusão ao autor no primeiro episódio da série com “há uma razão para o realismo mágico ter surgido na Colômbia”. E é nesse ponto que eu quero chegar.

O realismo mágico é o interesse em mostrar o irreal ou estranho como algo cotidiano e comum. Ele surgiu em um dos períodos mais conturbados da América Latina, entre as décadas de 60 e 70, época na qual os países latino-americanos passavam por processos ditatoriais. A frase de García entra neste contexto, pois os ataques feitos pelos narcotraficantes na Colômbia eram extraordinários. Como diz José Padilha em entrevista à Carta Capital:

Essa inserção de elementos que, teoricamente, são irreais ou mágicos numa narrativa real sempre me interessou. E, para mim, isso é algo que existe na história e na política da América Latina em geral. Tem coisas que só acontecem aqui. A trajetória do Pablo Escobar, de fato, tem essa dimensão difícil de acreditar.(…)Se você imaginar que um narcotraficante contratou um grupo de esquerda – o M19 – para invadir o Palácio da Justiça, destruir provas contra ele, sequestrar juízes… é uma coisa de maluco!

Não vamos esquecer que Pablo Escobar explodiu uma aeronave e matou as 107 pessoas que estavam a bordo.

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Bom, o conceito de realismo mágico apareceu também, recentemente, na reportagem do jornal El País do dia 28 de abril criticando a decisão do governo venezuelano de instaurar uma semana de trabalho de dois dias, segunda e terça-feira, para os funcionários públicos com o objetivo de combater a escassez de energia. Leia na íntegra: http://brasil.elpais.com/brasil/2016/04/27/opinion/1461778834_588397.html

Pergunta: para você, a alusão ao realismo mágico se insere no Brasil atualmente?

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