Não sei o que é mais desperdício, perder tempo vendo mensagem de bom dia no grupo da família ou deixar de ouvir um álbum do seu artista favorito

Acordamos ao lado de telefone e já recebemos um milhão de atualizações. São conversas com amigos, notícias do dia, coisas fofas, coisas engraçadas, memes, músicas, tragédia, felicidade, textão, desabafos, fotos (respira um pouco…), publicidade, vídeos, tirinhas, reportagens, enfim, conteúdo de todas as formas e maneiras.

Inclusive é muito difícil organizar tudo isso, juro que me perco em tudo que quero ler, saber e guardar. Seja lá a forma, estou sempre tentando me achar e me organizar no meio dessa tonelada de informações. Muitas desaparecem e muitas eu guardo pra sempre. Tento usar o máximo de ferramentas que me permitem deixar isso acessível da melhor forma, seja bloco de notas, links salvos no face, o importante é eu conseguir acessar um dia.

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Meu bloco de notas, pra deixar claro pra vocês que é tanta informação que nem eu sei o que é o que.

E isso também vale pra quando falamos de música. É tanta coisa nova pra escutar que continuo me perdendo (inclusive quero deixar meus votos de felicidade ao Spotify, que facilitou e muito minha vida). Ainda mais agora com essa moda de lançamento de Singles e EP’s, deixa tudo muito jogado no ar, sabe?

Fico até feliz quando algum artista lança um álbum completo, como foi o caso do Kendrick lamar, com ”To Pimp A Butterfly” ou Alt-J, com “This is All Yours”. É legal quando vemos que o artista tem o prazer de criar um trabalho amplo e não ir jogando faixas aleatórias por ai. Não que seja uma forma ruim de trabalhar, mas eu particularmente gosto de ouvir as músicas e conseguir explorar todo o trabalho do artista de acordo com o momento atual dele.

É como acompanhar toda mudança e amadurecimento do artista. É entender todos seus estados e ter uma compreensão mais ampla sobre sua arte.

Como a evolução da tecnologia teve papel nisso

Na minha base de pensamento, acredito que um dos motivos disso tudo é o excesso de informação com a evolução da internet.

Nas décadas de 40 e 80, por exemplo, não tínhamos tanto acesso a informação. Era rádio, TV e jornal apenas. Isso sem contar que não existia a possibilidade de guardar milhares de músicas em um iPod de 10cm. Existiam vinis e CD’s. Tínhamos que ter a paciência e cuidado, inserir eles no toca discos, dar play, para ai sim podermos descobrir o que gostávamos do artista e o que ele queria passar com sua arte.

Involuntariamente era um estudo, éramos “obrigado” a ouvir tudo aquilo. Sem contar o cuidado que se tinha com cada vinil ou CD, era um bem precioso e que exigia um grande cuidado. Ou seja, o valor existia até na parte material da música.

Já hoje, escutamos todo tipo de música, a todo instante. É literalmente uma surra musical.

Caímos num ponto que podemos perceber que não é só uma atitude comercial do tipo “Vou fazer essa música chiclete pra colar, gerar lucro e é isso”, é uma questão cultural também, onde toda nossa forma de ver a música e outras artes continua mudando. É claro que não há apenas o que reclamar, aliás, hoje temos fácil acesso a uma diversidade que não tínhamos. Porém, devido ao excesso, o senso crítico cai um pouco e a paixão por cada álbum deixa de existir.

Não dedicamos nosso tempo pra entender como funciona cada músico e cada momento que tenta ser refletido nos álbuns.

Hoje são pouquíssimas as pessoas que tem a paciência de estudar um artista, ou escutar tudo o que ele tem para mostrar, afinal, uma música não diz sobre o trabalho de um cara que faz 20, concorda?

Eu, por exemplo, passei a ter o hábito de escutar tudo o que for possível de um artista, mesmo que eu tenha acabado de conhecê-lo. Acho que dessa forma, posso ter um senso crítico maior sobre toda sua obra.

Não que você não possa gostar de uma música apenas, mas acho que temos que ser mais amplos e poder entender melhor o que cada músico quer passar com sua arte. Ignorar esse trabalho é ter uma visão limitada, é como você ter uma mesa de docinho de festas, disponível na sua frente e só pegar o brigadeiro, ao invés de se lambuzar com toda quantidade de doces.

E o melhor de tudo, música não engorda.

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