Deram mole e nós chegamos

Na última segunda (5), Emicida lançou o clipe de Mandume, faixa do álbum “Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa“. O clipe conta com a participação de Drik Barbosa, Amiri, Rico Dalasam, Muzzike e Raphão Alaafin, e atende todas as expectativas da letra lacradora da canção que leva o nome de um ícone da resistência africana.

Vejaaa!

Não é sobre resistir.

O filme arrepia pela representatividade das ruas e pelo empoderamento das causas sociais. No entanto, mais do que resistência, o enredo reflete a virada social que vivemos e fortalece a ideia de ocupação.

A resistência fica para trás.

Ficou com Zumbi que ousou ser livre durante a escravidão, ficou com a minha avó que segue com sanidade psicológica depois de o machismo ter assassinado sua mãe, ficou com os viados que tiveram a ousadia de se assumir antes da OMS retirar a homossexualidade da lista de distúrbios mentais.

Estamos longe de estarmos socialmente seguros e a resistência sempre será necessária para que não haja regresso nos direitos conquistados com muita luta. Porém, já podemos encarar a resistência como uma etapa lindamente cumprida por nossos antepassados, uma etapa de um plano maior que agora avança de nível.

A parada agora é ocupar.

A cena da banca de jornal e os versos finais de Mel Duarte ilustram muito bem esse momento social em que as pautas ganham vozes e força suficiente para mais do que resistir à dura realidade, transformá-la. Seja nas bancas, nas redes ou nas ruas, seja por bem ou por mal, nós estamos ocupando.

E com isso, a casa grande pira.

O ressurgir, quase que das cinzas, da extrema-direita por todo o mundo revela que a opressão sentiu a perda de espaço e está contra atacando. Eles não gostaram nada nada de termos saído da cozinha, dos terreiros, dos armários, das fronteiras. “RESISTAM AI DE DENTRO!”, é o que eles ordenaram e não estamos escutando, porque graças a Oxalá, conquistamos voz, vez e autoridade suficiente para dizermos mais alto:

Late que eu tô passando.

Cabe ao conservadorismo então, assumir o papel da resistência agora. A resistência de valores hipócritas do século passado, a resistência de ideologias opressoras, a resistência do medo à diversidade, a resistência da ignorância cultural.

A bola não foi passada, foi empurrada, por meio de um papo bem reto a todos que insistem calar a igualdade.

Resistam se forem capazes.

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