Indo além da nossa bolha.

Há alguns dias estive refletindo sobre como adquirimos nosso gosto musical e até onde uma música pode ser classificada superficialmente como ruim ou boa (ou se essa deve ser realmente a forma de classificação).Não foi necessário muito tempo de reflexão para perceber que as pessoas mais tolerantes ao meu redor, também eram as mais ecléticas no que diz respeito à música. E foi seguindo essa linha de raciocínio que ficou claro pra mim que nosso “gosto musical” é, nada mais e nada menos, que uma opinião que reflete todo o contexto social e cultural onde estamos envolvidos.

Do que eu to falando? Resumidamente, minha conclusão é de que os locais que frequentamos, as pessoas com quem vivemos e até mesmo filmes e séries que assistimos, são responsáveis por moldar tudo aquilo que achamos daquilo que ouvimos. Tudo pode influenciar! Desde o relacionamento com os pais, amigos, amorosos, shows e festivais, etc. São essas experiências que detêm toda nossa linha de influências culturais que resultam nesse “achismo” denominado gosto.

Como escutar algo novo se nem ao meu redor ela se encontra? Para isso é necessário quebrar algumas barreiras.

Dito isso, precisamos ser mais abertos ao novo! Afinal, é sendo mais tolerante diante de outras culturas musicais que conseguimos perceber a quantidade de coisa muito boa que existe por ai, mas na maioria das vezes não estivemos abertos a escutar.

Vamos combinar, temos que ir muito mais além da nossa bolha para, de fato, descobrirmos
nossos gostos.

Me pegando como exemplo, antes de começar a sair para festas com os amigos, minha família sempre teve influências musicais com base no Rock e na MPB, consequentemente, essa sempre foi minha classificação de “música boa”. Mas ao conviver com novas amizades, aos poucos meus gostos foram mudando. Se poucos ouviam o que eu classificava como “música boa” ou taxavam como “música de maluco” (coisa com a qual nunca me importei com e sempre dei risadas), eu me permiti conhecer o novo e me adaptei.

(Sobre amplitude e a diversidade das músicas, vale a pena dar uma conferida no texto do Raphael Bueno ” Tchau, Preconceito Musical ”)

Mas a verdade é que a música é feita para momentos e existem de todos os tipos, como aquela que é perfeita para ouvir em um show, ou aquelas que botam a galera para “bater cabelo” nas festas ou algumas para o momento deprê dentro de casa. Provas disso são propostas de sucesso como o Spotify ou o Superplayer, que oferecem diversas opções de playlists para se enquandrar nas mais distintas situações, que vão desde o tradicional “Almoço em família” até aquele feliz momento em que você está “Se maquiando para balada” 😉

No resumo dessa “Ópera”, comecei a gostar de Funk, Rap e até Pagode. Passei a me divertir mais com as pessoas, e fui percebendo que todos nós temos algo a oferecer. E assim como ninguém é melhor que ninguém, músicas não foram feitas para que uma seja melhor que a outra, mas sim para ser a trilha sonora ideal para o seu momento. Para a sua cara!

E você? Tem uma visão diferente sobre como formamos nosso gosto musical ? Algo acrescentar? Fique a vontade para questionar e comentar. Importante ressaltar que essa ideia é meu ponto de vista e que nada disso é absoluto, como diz nosso amigo Raul Seixas em um dos seus mais famosos versos…

“Eu prefiro ser, essa metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”.

Se o mestre disse, está dito!

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