Não podemos desconstruir barreiras edificando outras

Neste caótico mês de abril, duas cenas me chamaram bastante atenção e causaram um certo choque(!). A primeira foi a troca de insultos e o cuspe entre os parlamentares Jean Wyllys e Jair Bolsonaro, no plenário (veja BEM) da Câmara dos Deputados, durante a votação para aprovação do processo de impeachment. Outra foi a do ator José de Abreu, que cuspiu em um casal num restaurante de São Paulo, alegando “ter sido acusado por um casal (supostamente contra o atual governo) de defender o mandato de Dilma em troca de apoio da Lei Rouanet”, além de declarar que tal ato tenha sido em homenagem ao primeiro comentado aqui.

cuspe

Bom, não quero aqui tomar partido de nenhum dos atos mencionados, embora torno claro que não concordo com ambas atitudes. Mas quero compartilhar aqui uma reflexão: devemos mesmo responder ofensas com outras ofensas? Minha intenção aqui não é te convencer que minha opinião seja a correta, mas sim refletir sobre não combatermos a intolerância (seja qual for) usando as mesmas “armas” pelas quais somos atingidos.

Para criar uma reflexão mais diversa, me dediquei em conversar com alguns amigos com opiniões diferentes sobre os casos. Uns contra e outros a favor do cuspe.

Numa dessas conversas, recebi um link do #PdH (obrigado, jesus @henriqrochaa) sobre o conceito de “comunicação-não-violenta”, que baseia muito minha opinião. CNV, como é conhecido, é um processo de pesquisa contínua, liderada por Marshall Rosenberg, que apoia o estabelecimento de relações de parceria e cooperação (palavras tão violadas atualmente, infelizmente!), em que predomina a comunicação eficaz e com empatia. Ou seja, precisamos determinar nossas ações a base de valores comuns. Meu limite termina quando começa o limite de outrem.

cnv

Dito isto, comecei a pensar quão MAIS FELIZ seria nosso mundo se as pessoas fossem mais tolerantes, entendessem mais as razões dos outros, e não as suas apenas, e aplicassem mais a ideia de E M P A T I A no seu dia a dia. Obviamente, os casos mencionados no início deste texto foram extremos, mas se chegamos a este nível, é sinal de que atropelamos e ignoramos tudo o que aprendemos sobre respeito, diversidade, honra e, principalmente, empatia.

Em certas situações, é preciso retroceder para que se consiga avançar.

Portanto, há uma urgente necessidade de repensarmos nossas atitudes e as maneiras como reagimos às ofensas e agressões. Não faz sentido quebrar uma barreira construindo outra. Da mesma forma, não faz sentido combater a intolerância sendo intolerantes. Paciência, autocontrole, tolerância e, essencialmente, afeto(!) são grandes urgências em nossa sociedade.

abraço

Sigo acreditando numa sociedade com menos cuspes, mais abraços.

E você?

  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •