Deixe a felicidade descartável de lado.

Tenha um carro, uma casa nova, boas roupas, jóias, um relógio muito caro e muitos dígitos na sua conta. Misture tudo e estará pronta a receita para a felicidade. Será? Bem, é o que costumam nos dizer.

Comprar talvez seja o caminho mais fácil para a felicidade e provavelmente o mais ilusório, é como uma espécie de “atalho”. Levando em consideração que estamos sempre em busca da felicidade, fica claro o porque de sermos definidos como “a sociedade do consumo”.

O que ninguém diz é que a compra desenfreada é capaz de criar momentos de prazer instantâneos e momentâneos. Momentos esses que nosso cérebro ativa mecanismos químicos de recompensa, onde o fato de termos conseguido aquilo que desejávamos pode nos dar uma certa sensação de prazer, que por sinal tem um prazo muito curto, podendo acabar até mesmo antes de chegar a fatura do seu cartão.

A gente compra, se anima, se acostuma e fica triste de novo.

Já dizia o Dr. Thomas Gilovich, professor de psicologia na Universidade de Cornell, “Compramos coisas para ficarmos felizes, e isso funciona. Mas só por um tempo. As coisas novas são excitantes no início, mas então nos adaptamos a elas.”. E olha, ele vem estudando a questão do dinheiro e da felicidade há mais de duas décadas

Onde está o problema?

O problema é que a cultura do consumo nos leva a fazer isso repetidamente, tornando-se um ciclo vicioso.

Como eu disse, a felicidade que a compra transmite se dissipa rapidamente, tornando necessário o consumo constante para evitar a insatisfação.

É como comprar felicidades descartáveis.

Isso ocorre cada vez que digitamos a senha do cartão ou abrimos a carteira com alguma intenção de comprar coisas com valor material (digo valores tangíveis como roupa, móvel, celular, jóias, carro e por ai vai). Inclusive esse problema ganhou um nome, cunhado por dois psicólogos da Universidade Yale em 1971: a esteira hedonista (confira no vídeo).

De vez em quando essa busca por felicidade pode afetar até mesmo nossa dieta. Geralmente vem em conjunto com a velha frase “Eu mereço”, que na maioria das vezes vem antes de qualquer atitude que sabemos que não podemos tomar, mas a gente abre uma exceção por puro fracasso e descontrole. Que também afeta nosso planejamento financeiro.

Para completar, o bombardeio de publicidade no nosso “habitat natural” é constante. O que pode desencadear diversos descontroles financeiros que além de não colaborarem a longo prazo para nossa felicidade, podem prejudicar nossa saúde, levando a gente a ter o conhecido estresse financeiro.

Então, o que fazer para ser feliz? Eu voto na experiência.

De acordo com pesquisas feitas nos últimos anos, investir em experiências aumenta substancialmente as chances de levar uma vida mais feliz, mais plena de sentido e significado. Uma dessas pesquisas foi divulgada recentemente pela Universidade de Cornell, nos EUA. Liderado pelo pesquisador americano Thomas Gilovich, o estudo intitulado Uma vida maravilhosa.

O consumo de experiência, pode ser visto como uma felicidade duradoura.

Já que as experiências, sejam elas boas ou ruins, são capazes de criar sensações que podem ser lembradas e sentidas com maior intensidade, e a longo prazo.

Isso se dá a nossa capacidade de registrar esses momentos e poder compartilha-los, seja com fotos, vídeos ou até mesmo em conversas, tornam-se item de desejo e inspiração para outras pessoas, transformando o pós-compra tão importante quanto a compra. Sem levar em consideração toda a bagagem intangível que elas podem nos passar (seja com viagens, festivais, shows, festas, festivais ou até mesmo um salto de bung jump).

Um colecionador de experiência coleciona amigos, sentimentos, lugares, momentos, opiniões e é aberto a um mundo de oportunidades. Ele aprende a ampliar sua visão do que é o mundo e descobre que ser aberto a novas experiências pode preencher espaços que nenhuma peça de roupa é capaz de preencher.

Para colecionar experiências é bem simples, basta se livrar dessa falsa necessidade que nos prende a todo tempo e criar coragem de investir para conhecer aquilo que nunca foi visto ou feito por você. No final das contas sem dúvidas tudo isso vale mais que qualquer bem material.

Não existe coisa melhor no mundo do que viver, curtir e gozar a vida, que passa rápido e daqui não levaremos nada, a não ser toda a experiência e as amizades.

Charles Chaplin

Bem, eu não sei exatamente o que vamos levar da vida, mas sinceramente, eu concordo muito com Charles.

Concluindo, é melhor “comprar para viver” do que “viver para comprar”.

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