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Valparaíso e Viña del Mar, Chile: Um city tour pelas princesinhas do Pacífico e a última agitada noite do mochilão

Acordamos e tomamos o desayuno que o hostel oferecia incluso na diária. Um café da manhã delicioso com pães, geleias e chocolate. Na mesa estavam também algumas viajantes, entre elas a brasileira Débora e a holandesa Inge, que já havia morado no Brasil, falava bem português e para meu espanto, tinha participado de um projeto social e acadêmico na Favela do Lixão em Caxias, minha cidade. “O mundo é pequeno pra carajos”

Depois de barrigas cheias e a promessa de sairmos a noite com nossas novas amigas, partimos para o que havíamos planejado para o dia: conhecer Valparaíso e Viña del Mar, as duas cidades que beiram o Oceano Pacífico e formam a parte litorânea mais famosa do Chile.

Seguindo as informações que pegamos no hostel, fomos caminhando ao centro até uma casa de câmbio para trocar alguns reais e pegar o metrô da linha vermelha até o terminal em que saia os ônibus para os nossos destinos.

Depois de moedas trocadas, pegamos o metro na estação La Moneda, próxima do Palacio de La Moneda, um dos pontos turísticos do centro histórico de Santiago.

Descendo na estação Pajaritos, compramos fini em uma loja só de fini e pegamos o ônibus até Valparaíso no terminal. Há mais de uma companhia que faz essa viagem e os buses costumam sair em intervalos de 15min a 30min.

Comprando também a passagem de volta, que não vem com um horário prévio, ganha-se um desconto. Pagamos 5.500 soles nas duas. Eles entregam um bilhete rodoviário com validade para o próprio dia e informam que ao fim do passeio devemos procurar o guichê da empresa de ônibus para confirmar a volta no próximo ônibus.

A viagem dura quase umas 2h e passa por uma região muito linda do Chile.

Valparaíso

Chegamos no terminal de Valparaíso por volta de 12h, fomos procurar informações sobre a cidade e acabamos dentro de uma agência do próprio terminal. A agente nos ofereceu um mapa de Valparaíso e nos apresentou a opção do city tour defendendo que pelo tempo curto seria a melhor opção para conhecermos as duas cidades.

Ficamos meios resistentes a esse tour, por conta do preço que achamos alto e principalmente porque queríamos conhecer as cidades por conta própria, mas no final aceitamos para desgosto do Vitor que permanecia contra. Com desconto, fechamos ele por 13.000 pesos por cada um.

A van que nos levaria ao ônibus sairia em 1h, então tivemos um tempo para almoçar em um self service que ficava próximo ao terminal e dar uma volta pelas ruas próximas.

Sente o Tour

De van, fomos levados junto com outros turistas até a La Sebastiana, a casa de Pablo Neruda em Valparaíso, onde estava parado o ônibus do city tour e onde descobríamos que o tour já havia começado e já tinha passado por alguns pontos do centro da cidade.

A arquitetura da casa é linda e ainda tem uma sacada com vista para o porto de Valparaíso. Confesso que, apesar de sua importância, eu não sabia muito sobre Pablo Neruda e continuei sem saber porque a visita foi bem rápida.

Nossa segunda parada foi no Ascensor Cerro Concepcion, um antigo e histórico elevador/bondinho de madeira usado para chegar até a parte alta da cidade. A subida é bem íngreme e me fez lembrar o bondinho para chegar o Cristo Redentor. Lá em cima tivemos uma visão bem completa da cidade.

Valparaíso, Valpo para os mais íntimos, é uma cidade portuária que surpreende pelos seus morros (cerros) de casas antigas e coloridas, tem uma arquitetura linda e também é famosa pela gastronomia e pela arte urbana, como o grafiti. Não tivemos tempo de ir muito além de onde o elevador nos deixou.

De volta ao ônibus, seguimos pela Av. España que beira o Pacífico e que liga Valpo a Viña del Mar. De dentro do bus, notamos uma linha de metrô que também margeia o oceano e une as duas cidades.

Viña del Mar

Em Viña, nossa primeira parada foi no Relógio de Flores (Reloj de Flores), um dos símbolos da cidade. O Relógio fica em frente a uma praça, onde no centro está uma escultura de um globo terrestre.

Depois de algumas fotos, seguimos para o Club Union Arabe, um edifício que parecia um castelo, onde fomos convidados a comer em um restaurante que ficava ali. O lugar claramente estava fora de nossos orçamentos, e sabendo o horário de partida do ônibus, resolvemos dar uma volta pela orla.

E pela primeira vez nos sentimos mais livres naquele tour, do jeito que preferimos.

Andando um pouco, vimos um outro castelinho, o Castillo Wulff, que segundo a plaquinha, sua construção data de 1900 e era a antiga residência de um rico alemão e hoje pelo que parecia, se tornou um museu. Estava fechado, mas o lindo de ser ver mesmo era a vista do castelo com o oceano pacífico ao fundo.

Caminhamos mais um pouco, vimos outros belos edifícios e chegamos a um canal que levava ao centro da cidade. O lugar era todo rodeado com muitas flores. Seguimos andando e procurando algum local para comer algo. Entre as lindas ruas da cidade paramos em um Café onde comemos torta de limão.

De volta ao local que estava o ônibus, fomos presenteados com um pôr do sol no Pacífico:

A próxima parada foi na praia, já começava a anoitecer. Só tivemos tempo de molharmos os pezitos na água fria pra carajos e contemplarmos um pouco aquele momento, cercados pelos muitos prédios e casas de temporada que ficam lotadas pela elite de Santiago nos verões.

Viña del Mar que no começo era terra de vinícolas, como sugere seu nome, hoje é o balneário mais importante do Chile e famosa também pelos seus jardins.

foto nublada como o céu

Para fechar o city tour seguimos até o Museu Fonck dedicado à Ilha de Páscoa. Ele não estava aberto, mas a atração principal fica no jardim, um Moai original, a escultura típica da Ilha de Páscoa. Antes de chegar a ele também passamos de ônibus pelo Casino Municipal de Viña del Mar.

Junto ao Moia, tiramos uma das fotos mais fofas da viagem e depois fomos rindo dentro do ônibus pelo tour à la pacote CVC que fizemos. Quando chegamos ao terminal de Viña del Mar, confirmamos o nosso ônibus e aguardamos sua saída comendo um churrasquinho na rua e Mc Flurry no shopping do terminal.

Depois de um longo atraso sem explicações do ônibus, conseguimos sair de Viña e voltar a Santiago.

De volta a Santiago

Antes de ir para o hostel, compramos macarrão para jantarmos e algumas bebidas para já ir aquecendo. Quando chegamos, estava acontecendo um pequeno evento com vinho e churrasco com um pessoal de fora.

Depois de saciados com um macarrão e atum, nos arrumamos e nos preparamos para sair com a Débora e a Inge em nossa última noite do mochilão. O pessoal do vinho estava saindo também para uma boate na qual prometemos passar depois.

Partiu Bellavista

Pelas ruas de Santiago fomos bebendo, rindo e conversando até o bairro Bellavista. Era quarta-feira e as ruas do bairro boêmio estavam mais cheias que nos dias anteriores. Paramos rapidamente em um dos bares para comprar um excêntrico e tradicional drink do Chile, o Terremoto, uma bebida que vem em um copão e leva vinho branco e sorvete, sim, SORVETE.

Ficamos ainda mais tortos e fomos em direção a boate na qual o bonde do vinho do hostel tinha ido. Com os copos ainda nas mãos, perguntamos quanto estava a entrada. O segurança informou que não poderíamos entrar porque estávamos bebendo. Dissemos que acabaríamos de beber antes de entrar e ele disse que mesmo assim não poderia liberar porque não se pode entrar lá se tiver bebido antes. E pra completar nos disse que não deveríamos nem estar bebendo na rua, já que isso é proibido no Chile.

Boate 1

Ficamos boladex e perguntamos duas meninas que passavam por ali se tudo o que ele estava dizendo procedia. Elas disseram que sim, mas para o nosso consolo, nos levaram até uma outra boate. E estando sem copos nas mãos, conseguimos entrar. A entrada na boate era de graça para as mulheres e 5.000 pesos para os homens com direito a uma bebida. Não estava tão cheia mas quem estava lá parecia muito animado ao som de pop e reggaeton.

Boate 2 – o retorno

Depois de rebolar muito os cuzcuz e beber o que tínhamos direito, decidimos tentar entrar na outra boate novamente. E conseguimos. O segurança era outro, ou, com mais álcool na veia, nós que éramos outros e ele não percebeu. Só sei que entramos bêbados na boate que horas antes não queria nos deixar entrar porque estávamos bebendo. #chupa

A festa era de salsa e o público parecia um pouco mais velho do que da festa anterior. Encontramos o bonde do vinho, socializamos um pouco e bailamos bastante até altas horas.

O pessoal do hostel foi indo embora e as meninas também acompanhas pelo Vitor. Só sobrou eu e Raphael. Saindo dali, comemos no Mc Donalds e seguimos pela madrugada fria em direção às nossas camas.

Festa estranha, gente esquisita

Quase chegando na rua do hostel, passamos por uma casa de esquina toda fechada onde estava tocando música eletrônica, e motivados eu não sei pelo o quê, resolvemos bater na porta. Um jovem atendeu dizendo que pensava ser a polícia e disse que era uma after secreta, ou pelo menos foi tudo isso que entendemos. Ele cobrou algum valor para entrarmos, depois sorriu e disse que poderíamos entrar de graça.

O lugar era uma casa vazia, nos cômodos apenas alguns sofás com pessoas sentadas. No espaço principal havia um DJ e sua pick-up tocando música enquanto o pessoal dançava. Curtimos um pouco o clima e depois de duas conversas esquisitas com pessoas estranhas fomos enfim para o hostel onde pudemos rir e descansar de um dia cansativo e uma noite doida.

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BolíviaMochilõesRelatosViagens

Salar de Uyuni, Bolívia: Do cemitério de trens ao hotel de sal, o 1º dia no maior salar do mundo

Chegamos bem cedo em Uyuni, antes do Sol, depois de uma longa, escura e muito fria viagem por regiões desertas que havia começado em La Paz na noite anterior. Ao descermos do autobus, as senhorinhas das agências já nos aguardavam, oferecendo os tours em meio a escuridão. Mal havíamos descido do ônibus e Vitor já negociava com uma delas que cedeu ao preço que queríamos com o combinado de não falarmos esse valor para os outros turistas.

Fechamos com a agência Sumaj Jallpha por Bs642 para cada, cerca de R$290.

O tour de 3 dias e 2 noites é o clássico em todas agências que pouco diferem uma da outra. Ele também pode ser fechado em La Paz ou no Atacama, para que vem de lá, poréeem, é muito mais em conta fechar diretamente em Uyuni.

Com tudo acertado, entramos os três na pickup que nos levou até o escritório da agência. E lá permanecemos agradecendo o sistema de calefação enquanto amanhecia o dia.

A rua da agência

Depois do sol a vista, como iriamos pagar o tour no cartão, fomos levados até uma outra agência na praça central da cidade. Raphael estava com dor de barriga devido ao dia anterior e aproveitou para ir no banheiro em um restaurante. Depois tomamos um delicioso café da manhã em um outro restaurante, chamado Boca Grande, e voltamos à agência enquanto a cidade, que não parecia ir muito além daquela praça, terminava de acordar.

Na agência, depois de conhecermos nosso guia/motorista e também os 3 viajantes que nos acompanhariam no tour: um casal de brasileiros e um europeu, partimos em direção ao deserto. Nossos mochilões foram em cima do carro e em nossos colos somente a mochila/bolsa de ataque.

Cemitério de Trens

Ainda próximo da cidade e já começando a se maravilhar com a dimensão branca do deserto de sal, chegamos em nossa primeira parada, o Cemitério de Trens.

Um lugar com diversas carcaças de trens que no meio de um cenário surreal, se tornam mais surreais ainda. As velhas locomotivas são o que restou de uma grande ferrovia boliviana que, durante o século XIX, transportou minerais extraídos da região até o porto da cidade de Antofagasta, que hoje pertence ao Chile. Com a crise de 1929, a escassez de minérios e a perda do litoral para o Chile, os trens foram sendo desativados e a ferrovia boliviana padeceu ali, em meio ao Salar.

O cenário rende várias fotos incríveis além de uma reflexão sobre a vida, ilustrada por uma poética frase em espanhol escrita em um dos trens:

“ASI ES LA VIDA”

Depois de muitas fotos, rumamos para um pequeno povoado, o Vilarejo de Colchani, onde podia se comprar, além de muito artesanato, biscoitos e papel higiênico para quem não havia se preparado. Tirando algumas peças feitas de sal, o artesanato não difere muito das que encontramos em La Paz e nas cidades do Peru, até porque são países também influenciados por uma mesma cultura.

Após algumas compras, seguimos viajando no sal até o local em que almoçaríamos. Antes disso, ainda paramos para ver alguns dos ojos del salar, locais no deserto em que se brota água através de estranhas borbulhas.

Hotel de Sal

E cheios de fome, chegamos ao famoso Hotel de Sal. Desativado por conta das diversas dificuldades de se manter um hotel no meio de um deserto, hoje ele serve apenas para que os tours possam preparar as quentinhas trazidas e servir em suas grandes mesa de sal, a propósito, tudo é de sal por ali.

Perto do Hotel também existe um grande monumento ao Rally Dakar, a mais longa competição de rali que inclui o deserto em suas provas. Há um espaço cheio de bandeiras também que eu imagino que sejam de países que competem no Rally.

Depois do almoço com nossa equipe, o bonde do nosso tour, tivemos um tempinho para tirar as tradicionais fotos em perspectiva e se maravilhar ainda mais com a imensidão desse puta deserto de sal!

 

Para efeitos de surrealidade, o Salar de Uyuni  é a maior planície de sal do mundo, com 10.582 quilômetros quadrados. É resultado de transformações entre diversos lagos pré-históricos. Coberto por alguns metros de uma crosta de sal, o Salar tem um nivelamento extraordinário e contém em sua profundidade até 70% das reservas mundiais de lítio, recurso ambicionado e que está no processo de ser extraído.

Voltando a 4×4, viajamos por mais algum tempo babando pela imensidão branca até chegarmos em nossa próxima parada:

Isla Incahuasi

Uma ilha de pedras no meio do salar que abriga gigantes e milenares cactos que superam até os 10m de altura! A entrada na Isla não é incluída nos pacotes oferecidos pelas agências, e custava 30 Bs. Resolvemos não pagar e subir apenas até onde nos era permitido. Aproveitamos para ir no banheiro também, apesar de descobrirmos depois que só era permitido para quem tinha pago a entrada. Paciência.

Nesse momento do tour tivemos um tempo bem grande para tirar mais fotos e explorar mais o Salar, caminhando pelos hexágonos formados no chão, tacando pedras de sal uns nos outros e é claro, lambendo o chão pra ver se é mesmo salgado. Já adianto que não é tão salgado quanto o sal depois de refinado.

Vitor resolveu mergulhar no sal. Saiu ralado depois

Caída del sol

De volta a nossa 4×4, o sol começava a ir embora, dando lugar a um frio do caralho e a uma sensação térmica à la socorro que nos fazia questionar o porquê de termos decidido ir a esse lugar quase no inverno. Depois de um tempo se enfiando ainda mais no deserto, nosso motorista para o carro para que possamos assistir o pôr do sol.

E que por do sol.. PQP!!

Depois de agradecer muito a Deus, a vida e a Pacha Mama por aquele momento, voltamos ao carro e seguimos em direção ao alojamento em que passaríamos a noite.

Buenas noches

Com a noite já se fazendo presente, chegamos ao nosso hotelzinho.

O lugar era bem apresentável, todo feito de sal, como tudo naquele deserto. Nosso guia/motorista nos alocou em um dos quartos de 3 camas e tivemos alguns minutos para relaxar antes da janta.

De entrada, tomamos uma sopa e depois um prato de frango assado delicioso. Depois de satisfeitos, para quem deseja enfrentar o frio, há um chuveiro de água quente à gás em que é cobrado 10Bs; Optei por tomar banho e me surpreendi com água fervendo. Havia outra saída de água gelada para ir regulando a temperatura, mas quando eu abria gelava tudo, então preferi de pulos em pulos tomar banho na água fervendo.

No salão do hotel/alojamento havia alguns jovens de outras agências jogando algum jogo que parecia muito engraçado. Eu, cansado e com frio, fui pro quarto, onde já estavam Vitor e Raphael.

E assim, no meio do maior deserto de sal do mundo, cercado por paredes de sal, dormimos agradecendo pelo colchão ser de mola e espuma.

 

 

 

 

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