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Skol surpreende ao estimular quebra de padrões nesse verão com novo comercial

O verão chegou torrando tudo e todos, e fugir para as praias é uma das poucas soluções encontradas para amenizar os quase 50º C diários. E com tanto calor, cresce o consumo desesperado de qualquer coisa gelada.

Nesse embalo infernal, as principais marcas de cerveja sempre preparam uma campanha especial para receber a tão querida estação. Com isso, a Skol esse ano, seguindo a vibe desconstruidora que tem seguido desde que começou a focar em um público mais jovem, lançou mais um comercial que foge do clichêzão das principais marcas de cerveja.

Ao invés de objetificar mulheres jovens saradas servindo cerveja enquanto trocam olhares com homens sarados, a Skol promove mais uma vez o respeito e a valorização da diversidade, estimulando a quebra de padrões e apresentando um verão que vem para todos e todas, independente do tipo físico, gênero, idade, cor e quantidade de cabelo.

Em tempos de intolerância escrachada, vale a pena assistir e compartilhar!

Vale lembrar que meses atrás a Skol também lacrou e surpreendeu com o comercial em apoio ao Dia do Orgulho LGBT, veja aqui. <3

 

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Mandume, novo clipe do Emicida não é sobre resistência

Na última segunda (5), Emicida lançou o clipe de Mandume, faixa do álbum “Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa“. O clipe conta com a participação de Drik Barbosa, Amiri, Rico Dalasam, Muzzike e Raphão Alaafin, e atende todas as expectativas da letra lacradora da canção que leva o nome de um ícone da resistência africana.

Vejaaa!

Não é sobre resistir.

O filme arrepia pela representatividade das ruas e pelo empoderamento das causas sociais. No entanto, mais do que resistência, o enredo reflete a virada social que vivemos e fortalece a ideia de ocupação.

A resistência fica para trás.

Ficou com Zumbi que ousou ser livre durante a escravidão, ficou com a minha avó que segue com sanidade psicológica depois de o machismo ter assassinado sua mãe, ficou com os viados que tiveram a ousadia de se assumir antes da OMS retirar a homossexualidade da lista de distúrbios mentais.

Estamos longe de estarmos socialmente seguros e a resistência sempre será necessária para que não haja regresso nos direitos conquistados com muita luta. Porém, já podemos encarar a resistência como uma etapa lindamente cumprida por nossos antepassados, uma etapa de um plano maior que agora avança de nível.

A parada agora é ocupar.

A cena da banca de jornal e os versos finais de Mel Duarte ilustram muito bem esse momento social em que as pautas ganham vozes e força suficiente para mais do que resistir à dura realidade, transformá-la. Seja nas bancas, nas redes ou nas ruas, seja por bem ou por mal, nós estamos ocupando.

E com isso, a casa grande pira.

O ressurgir, quase que das cinzas, da extrema-direita por todo o mundo revela que a opressão sentiu a perda de espaço e está contra atacando. Eles não gostaram nada nada de termos saído da cozinha, dos terreiros, dos armários, das fronteiras. “RESISTAM AI DE DENTRO!”, é o que eles ordenaram e não estamos escutando, porque graças a Oxalá, conquistamos voz, vez e autoridade suficiente para dizermos mais alto:

Late que eu tô passando.

Cabe ao conservadorismo então, assumir o papel da resistência agora. A resistência de valores hipócritas do século passado, a resistência de ideologias opressoras, a resistência do medo à diversidade, a resistência da ignorância cultural.

A bola não foi passada, foi empurrada, por meio de um papo bem reto a todos que insistem calar a igualdade.

Resistam se forem capazes.

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Do sofá ao paraíso: 7 frases do Papa Chico para baixar o espírito olímpico da diversidade

Uma semana apenas separou o fim da Jornada Mundial da Juventude, que aconteceu em Cracóvia, na Polônia, e o início da Olimpíada 2016, no Rio de Janeiro. E além do ano, a proximidade de datas nos revelou outras grandes semelhanças entre os eventos.

Assim como a JMJ, a olimpíada recebeu pessoas de todos os 5 continentes do mundo, e se já não bastasse o tradicional espírito de respeito e celebração das diferenças por trás do maior evento esportivo do mundo, a olimpíada do Rio, como todos vimos, resolveu abordar esses temas de maneira ainda mais incisiva, principalmente em sua abertura. Provando que sobre respeito a diversidade, nós, brasileiros, entendemos bastante.

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E por coincidência ou real necessidade, a valorização das diferenças culturais também foi um tema abordado em Cracóvia. Entre algumas declarações, Papa Francisco pediu que façamos “download do melhor link de todos, o do coração que vê e transmite bondade sem ficar cansado”.

Abaixo seguem outras 7 frases do papa que nos revelam um um método de encontro ao espírito olímpico, de fraternidade, de comunhão entre os povos, entre as diferenças.

1. “Vocês são capazes de sonhar?”

Como já fez em outros momentos, em uma de suas falas na jornada, o papa se inspirou em um dos discursos mais famosos sobre tolerância e igualdade: I have a dream, Eu tenho um sonho, de Martin Luther King, para dizer aos jovens do mundo todo que é preciso sonhar.

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Fugindo da interpretação clichê da frase, o pedido de Francisco, dentro do contexto que foi dito, é direcionado a necessidade de termos metas e objetivos maiores na vida, o ‘pensar grande’, acreditar sim em uma utopia.

A queda da cega procura pela estabilidade econômica e social, que ficou há algumas gerações atrás, como toda mudança, trouxe benefícios e malefícios para as novas gerações. Nos libertamos de alguns conceitos e metas impostas e já não vemos mais a necessidade de nos rotular em diversos aspectos (ainda bem!), a crescente ideia da slash generation representa um pouco isso.

Porém, com tanta flexibilidade conquistada, nos aproximamos do conceito de mundo líquido de Bauman, onde as relações são mais fluídas e menos compromissadas, e nossas ideologias, nossos sonhos se tornam transitórios e se desmancham com facilidade. E devido a isso, perdemos cada vez mais a capacidade e o interesse de ter grandes sonhos, de ter metas na vida e de assumir compromissos longos, tanto para nós mesmos, quanto para o mundo.

2. “Não vegetem no sofá da vida”

Seguindo o raciocínio, nessa segunda frase-pedido Chico crítica o comodismo e alerta sobre a necessidade de nos incomodarmos e de nos assumirmos como protagonistas da nossa própria história.

Analisando de forma literal, com os benefícios tecnológicos, realizamos muitas tarefas sem levantarmos do sofá. É possível até postar um #textão no facebook, assinar uma petição online e acreditar no “já estou fazendo minha parte”.

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É claro que com o empoderamento social, principalmente jovem, conquistado através das redes, podemos revelar e contribuir muito mais com causas e problemas que estavam ocultos à sociedade. Porém, o que não podemos achar é que o ativismo de sofá, uma ação apenas online, seja a nossa contribuição suficiente para o mundo real em que sonhamos.

Até porque, interpretando de forma mais subjetiva, ficar preso ao sofá da vida é customizar nossa felicidade, nosso “sofá-felicidade”, como classificou o papa. Na vida virtual, por exemplo, nosso feed nos mostra as coisas que curtimos e interagimos mais, tática inteligente que nos acomoda aprisiona em uma realidade só nossa, onde por vezes não há problemas sociais e não há necessidade de alguma ação transformadora. O sofá-feed cala nosso protagonismo, desestimula o senso crítico e cria uma ilusória felicidade ou uma falsa busca por ela.

Levante-se já.

3. “se envolvam” com a realidade, com “a dor” e com as “guerras”, tanto externas quanto íntimas

Deixem de lado a crescente fragilidade no relacionamento com o próximo, deixem de lado o sofá e “se envolvam”. O papa conjuga os conselhos na 3ª pessoa do plural, porque ele fala para todos, suas declarações, mais do que propostas pessoais, são propostas sociais. E nessa frase fica ainda mais claro seu desejo.

Os dois pontos citados anteriormente revelam barreiras para o envolvimento com a realidade social, com a ideia de comunidade. Estar cada vez mais em rede, não é estar em comunidade, porque citando Bauman, mais uma vez:

“A diferença entre a comunidade e a rede é que você pertence à comunidade, mas a rede pertence a você.”

A rede sempre será sua realidade customizada enquanto a comunidade não. E ir de encontro a ela, é ir de encontro a dor e as guerras que estavam indiferentes a você. Nesse momento pós-sofá, pós-comodismo, devemos nos conectar com a realidade, com o próximo, por meio da empatia.

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O poder da empatia — Brené Brown

Vale destacar também, nossas guerras íntimas, citadas pelo papa e muitas vezes ignoradas pela falta de intimidade com nós mesmos.

4. “É lindo, e me conforta o coração vê-los tão revoltosos”

A melhor frase para mim! Imagino minha mãe dizendo “Que lindo, que orgulho é te ver tão revoltado” HAHAH! Ignorando a interpretação pejorativa da palavra, é de se esperar que seja preciso uma motivação revoltosa para se virar contra barreiras tão presas a nós, que impedem nosso protagonismo, calam nossa individualidade e cegam a realidade em que vivemos.

Nesse ponto, Chico é claro:

“É estimulante escutá-los, compartilhar seus sonhos, suas questões e sua vontade de se rebelar contra todos aqueles que dizem que as coisas não podem mudar. As coisas podem mudar, não é?!”

Claro que podem!

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Mas para isso é preciso aprofundar-se na realidade. Entender o porquê das coisas estarem como estão é ponto-chave do questionamento e da mudança. Compreender o surgimento dos preconceitos, dos conflitos, desde dos pessoais até os internacionais é se assumir como um agente questionador e transformador de realidades, é ter culhão e motivos suficientes para ser um revoltado, assim como foi a figura central do cristianismo, Jesus.

5. “Um coração misericordioso se anima a sair da comodidade (…), um coração misericordioso se abre para receber ao refugiado e ao migrante”

Nesse Ano da Misericórdia, a palavra e o sentido dela estiveram muito presentes nas declarações do papa. Usada para representar o amor ilimitado de Deus, Chico a utiliza na JMJ para falar de tolerância, sendo incisivo quanto a crise dos refugiados em um país em que as autoridades se recusam a receber a cota de migrantes definida pela União Européia.

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Trazendo para próximo de nós, a misericórdia divulgada por Chico anseia que nos questionemos e questionemos a sociedade sobre o que tem impedido de amar e aceitar o próximo sem barreiras. Sobre o que tem represado a misericórdia em nosso mundo.

6. “Sejam sonhadores, que acreditam em uma nova humanidade, que rejeitam o ódio entre povos, que rejeitam ver fronteiras como barreiras”

Nessa frase ele começa a revelar um pouco de seu sonho, um sonho bastante presente em sua ações e declarações. Desde que se tornou papa e assumiu o nome de um dos santos mais humildes da religião católica, Chico se revela cada vez mais um líder sábio e acolhedor, enfrentando até mesmo algumas resistências pelo lado mais conservador do catolicismo.

Em uma declarações desse ano, feita no México, o papa parece até ter se inspirado no manifesto e na missão Caras do Mundo:

“a sabedoria ancestral que o multiculturalismo traz consigo é, de longe, um dos maiores recursos humanos”

A quebra de barreiras e a valorização da diversidade cultural são os sonhos do Projeto CdM, sonhos que defendem que a riqueza humana está totalmente conectada à sua diversidade cultural, ao seu multiculturalismo. Que mais do que tolerado, deve ser celebrado, como dito na abertura das olimpíadas:

“Estamos aqui para celebrar nossas semelhanças, mas principalmente para celebrar nossas diferenças.”

7. “A nossa resposta a este mundo em guerra tem um nome: chama-se fraternidade, chama-se irmandade, chama-se comunhão, chama-se família.”

Aqui Chico completa seu sonho, sua utopia de um mundo sem barreiras, em que todos vivem em comunhão, em paz. Talvez nós, que estamos vivos nesse momento, não vivamos essa realidade em plenitude, mas deve-se acreditar, que quando começamos a mover a realidade em direção ao nosso sonho, ele deixa de ser uma mera utopia e se torna um projeto, abandona-se o caráter pessoal e passa a ser uma meta coletiva.

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Uma meta, que para mim e o Papa, que somos católicos, chamamos de Reino dos Céus, o mais verdadeiro plano de Deus. Você pode dar outro nome, porque assim como a misericórdia sem limites, esse mundo que queremos está acima de crenças e definições verbais, como diz Clarice Lispector:

“Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome”

O importante é seguirmos juntos! Revoltados contra todas as barreiras que nos impedem de enxergar que #SomosTodosOlímpicos, #SomosTodosCarasdoMundo.

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O que representa a vitória dos ‘dislikes’ na campanha #ProudToBe do Youtube?

O YouTube lançou essa semana a campanha global #ProudToBe, “#OrgulhoDeSer” no Brasil. A ação que acontece no mês que é celebrado o orgulho LGBTQ+, contou nacionalmente com vídeos especiais de youtubers ligados à causa, como Lorelay Fox, Federico Devito e o Canal das Bee.

Já mundialmente, a campanha foi iniciada com o vídeo abaixo, em que vemos trechos de vários clipes publicados no passado por youtubers conhecidos, nos momentos em que falam sobre suas sexualidades.

O clipe compilado é emocionante, mas apesar de propagar uma mensagem libertadora, não encontrou muita aceitação por parte de quem já assistiu. Dentre os mais de 7 milhões de views, até o momento dessa publicação, o clipe está com 219.471 dislikes e apenas 165.428 likes.

É claro que é preciso considerar o fato de que nem todos os usuários do Youtube são familiarizados, ou veem a necessidade de usar a opção like e dislike para avaliar os vídeos. Mas e se todos tivessem que se posicionar?

Você acredita que a diversidade venceria a intolerância?

Ou será que os que não se posicionaram são o retrato fiel daquela grande parte da sociedade, que ainda agarrada aos seus preconceitos, não sabe se vai ou se fica. Que diz não ser homofóbica, mas também não entende a importância de criminalizar a homofobia.

Que acha um absurdo matarem 49 pessoas por serem gays, mas acredita que duas mulheres se beijando em público é liberdade demais.

Qual é a cara dessa omissão, afinal? Quantos likes faltam para virar o jogo e dizer para internet e para o mundo que ninguém deve ter vergonha de ser diferente, e sim, #OrgulhoDeSer o que é.

 


Atualização:

Após tanta transfobia nas interações do vídeo, o Youtube resolveu desativar os comentários:

“Dando o número de comentários sobre este vídeo que violam a nossa política. E por respeito aos criadores que aparecem neste vídeo, decidimos desativar os comentários por enquanto”, declarou o porta-voz da empresa.

“O Youtube é um lugar onde qualquer pessoa pode pertencer, não importam quem eles são ou quem eles amam. Nós queremos ajudar as pessoas a honrar e a celebrar quem eles são”.

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WASTED BLOOD – Preconceito que desperdiça vidas

“O Brasil desperdiça mais de um caminhão cheio de sangue todo dia por puro (recheado, eu diria!) preconceito”. Assim, centenas de pessoas têm sido impactadas por esta frase estampada num caminhão cheio de bolsas de sangue (de mentira, claro), que circula pela cidade de São Paulo promovendo a campanha internacional “Wasted Blood” (“sangue desperdiçado”, em tradução livre), criada pela Agência África em parceria com a All Out, um movimento global de defesa de direitos da comunidade LGBT.

Caminhão Wasted Blood

A ação é uma crítica à proibição brasileira, estabelecida pelo Ministério da Saúde através da Portaria Nº 2.712, de que homens gays que se relacionam sexualmente com outros homens são inaptos de doar sangue pelo período de 12 meses após a última relação. Veja o que diz a portaria:

Art. 64. Considerar-se-á inapto temporário por 12 (doze) meses o candidato que tenha sido exposto a qualquer uma das situações abaixo:

 

  • I – que tenha feito sexo em troca de dinheiro ou de drogas ou seus respectivos parceiros sexuais;
  • II – que tenha feito sexo com um ou mais parceiros ocasionais ou desconhecidos ou seus respectivos parceiros sexuais;
  • III – que tenha sido vítima de violência sexual ou seus respectivos parceiros sexuais;
  • IV – homens que tiveram relações sexuais com outros homens e/ou as parceiras sexuais destes;
  • V – que tenha tido relação sexual com pessoa portadora de infecção pelo HIV, hepatite B, hepatite C ou outra infecção de transmissão sexual e sanguínea;

 

Segundo o MS, os critérios para a seleção de doadores de sangue estão baseados na proteção dos receptores. Curioso é um fato relatado no vídeo institucional da campanha, onde um homem, declaradamente gay, diz não ter sido autorizado para doar sangue para a mãe, que estava internada numa UTI, mesmo tendo uma relação estável, monogâmica, há mais de 10 anos. Outro que me chamou bastante atenção diz que “a Organização Mundial da Saúde considerava o homossexual como um grupo de risco”. Assista ao vídeo:

O mais irônico disso tudo foi ter tomado conhecimento da última campanha criada pelo Ministério da Saúde, lançada em 2015, com o título “Doar sangue é compartilhar vida”. Então, por que um filho não pode compartilhar vida com a mãe só por ser gay? Tá certo que quando tratamos da saúde, todo cuidado nunca será suficiente. Mas, o que devemos questionar, principalmente, é o fato dos sangues coletados por doadores homens gays não passarem ao menos pelos testes obrigatórios, como qualquer outro.

“Se todo sangue doado, seja de quem for, passa por uma série de testes OBRIGATÓRIOS, por que homens, gays e bissexuais são proibidos de doar?

(Álvaro Rodrigues, Vice Presidente da África)

Caminhão Wasted Blood

Com o slogan “milhões de litros de sangue desperdiçados por puro preconceito”, a campanha “busca mostrar que, ao não reconsiderar essa proibição, o Brasil impede o diálogo, reforça estereótipos e joga fora litros de sangue que poderiam salvar vidas”, segundo comentário de Leandro Ramos, diretor da All Out.

Além do caminhão, outra ação é uma fila virtual de doadores homens gays e bissexuais no site da campanha (www.wastedblood.com.br). Infelizmente, é uma fila de espera simbólica, mas que mostra em números expressivos a quantidade de pessoas interessadas em contribuir, mas impossibilitados de salvar vidas. Até o momento desta publicação já são:

Dados Wasted Blood

Enquanto vivermos numa sociedade cheia de preconceitos, milhões de vidas serão perdidas, seja por esta medida da doação de sangue, seja pelos ataques homofóbicos diários. PRECISAMOS RESPEITAR (E VALORIZAR!) A DIFERENÇA. Não me refiro apenas aos desafios enfrentados pela comunidade LGBT. Precisamos falar também dos negros e negras, das mulheres, dos pobres, dos deficientes físicos. Precisamos EXTERMINAR do nosso cotidiano este preconceito que só arruína nossa integridade, como meros seres humanos que somos. Por mais clichê que pareça, ser diferente é normal.

“O preconceito não pode existir. Principalmente quando a vida de tanta gente está em jogo”, afirmou a cantora Claudia Leitte (@claudialeitte), madrinha da campanha, em sua conta no Instagram.

Então, ao invés de continuar fortalecendo as barreiras dos preconceitos, que tal sermos os (as) valentes que valorizam a diversidade?

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ComportamentoPolíticaReflexões

Não cuspa; abrace!

Neste caótico mês de abril, duas cenas me chamaram bastante atenção e causaram um certo choque(!). A primeira foi a troca de insultos e o cuspe entre os parlamentares Jean Wyllys e Jair Bolsonaro, no plenário (veja BEM) da Câmara dos Deputados, durante a votação para aprovação do processo de impeachment. Outra foi a do ator José de Abreu, que cuspiu em um casal num restaurante de São Paulo, alegando “ter sido acusado por um casal (supostamente contra o atual governo) de defender o mandato de Dilma em troca de apoio da Lei Rouanet”, além de declarar que tal ato tenha sido em homenagem ao primeiro comentado aqui.

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Bom, não quero aqui tomar partido de nenhum dos atos mencionados, embora torno claro que não concordo com ambas atitudes. Mas quero compartilhar aqui uma reflexão: devemos mesmo responder ofensas com outras ofensas? Minha intenção aqui não é te convencer que minha opinião seja a correta, mas sim refletir sobre não combatermos a intolerância (seja qual for) usando as mesmas “armas” pelas quais somos atingidos.

Para criar uma reflexão mais diversa, me dediquei em conversar com alguns amigos com opiniões diferentes sobre os casos. Uns contra e outros a favor do cuspe.

Numa dessas conversas, recebi um link do #PdH (obrigado, jesus @henriqrochaa) sobre o conceito de “comunicação-não-violenta”, que baseia muito minha opinião. CNV, como é conhecido, é um processo de pesquisa contínua, liderada por Marshall Rosenberg, que apoia o estabelecimento de relações de parceria e cooperação (palavras tão violadas atualmente, infelizmente!), em que predomina a comunicação eficaz e com empatia. Ou seja, precisamos determinar nossas ações a base de valores comuns. Meu limite termina quando começa o limite de outrem.

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Dito isto, comecei a pensar quão MAIS FELIZ seria nosso mundo se as pessoas fossem mais tolerantes, entendessem mais as razões dos outros, e não as suas apenas, e aplicassem mais a ideia de E M P A T I A no seu dia a dia. Obviamente, os casos mencionados no início deste texto foram extremos, mas se chegamos a este nível, é sinal de que atropelamos e ignoramos tudo o que aprendemos sobre respeito, diversidade, honra e, principalmente, empatia.

Em certas situações, é preciso retroceder para que se consiga avançar.

Portanto, há uma urgente necessidade de repensarmos nossas atitudes e as maneiras como reagimos às ofensas e agressões. Não faz sentido quebrar uma barreira construindo outra. Da mesma forma, não faz sentido combater a intolerância sendo intolerantes. Paciência, autocontrole, tolerância e, essencialmente, afeto(!) são grandes urgências em nossa sociedade.

abraço

Sigo acreditando numa sociedade com menos cuspes, mais abraços.

E você?

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