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O que representa a vitória dos ‘dislikes’ na campanha #ProudToBe do Youtube?

O YouTube lançou essa semana a campanha global #ProudToBe, “#OrgulhoDeSer” no Brasil. A ação que acontece no mês que é celebrado o orgulho LGBTQ+, contou nacionalmente com vídeos especiais de youtubers ligados à causa, como Lorelay Fox, Federico Devito e o Canal das Bee.

Já mundialmente, a campanha foi iniciada com o vídeo abaixo, em que vemos trechos de vários clipes publicados no passado por youtubers conhecidos, nos momentos em que falam sobre suas sexualidades.

O clipe compilado é emocionante, mas apesar de propagar uma mensagem libertadora, não encontrou muita aceitação por parte de quem já assistiu. Dentre os mais de 7 milhões de views, até o momento dessa publicação, o clipe está com 219.471 dislikes e apenas 165.428 likes.

É claro que é preciso considerar o fato de que nem todos os usuários do Youtube são familiarizados, ou veem a necessidade de usar a opção like e dislike para avaliar os vídeos. Mas e se todos tivessem que se posicionar?

Você acredita que a diversidade venceria a intolerância?

Ou será que os que não se posicionaram são o retrato fiel daquela grande parte da sociedade, que ainda agarrada aos seus preconceitos, não sabe se vai ou se fica. Que diz não ser homofóbica, mas também não entende a importância de criminalizar a homofobia.

Que acha um absurdo matarem 49 pessoas por serem gays, mas acredita que duas mulheres se beijando em público é liberdade demais.

Qual é a cara dessa omissão, afinal? Quantos likes faltam para virar o jogo e dizer para internet e para o mundo que ninguém deve ter vergonha de ser diferente, e sim, #OrgulhoDeSer o que é.

 


Atualização:

Após tanta transfobia nas interações do vídeo, o Youtube resolveu desativar os comentários:

“Dando o número de comentários sobre este vídeo que violam a nossa política. E por respeito aos criadores que aparecem neste vídeo, decidimos desativar os comentários por enquanto”, declarou o porta-voz da empresa.

“O Youtube é um lugar onde qualquer pessoa pode pertencer, não importam quem eles são ou quem eles amam. Nós queremos ajudar as pessoas a honrar e a celebrar quem eles são”.

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WASTED BLOOD – Preconceito que desperdiça vidas

“O Brasil desperdiça mais de um caminhão cheio de sangue todo dia por puro (recheado, eu diria!) preconceito”. Assim, centenas de pessoas têm sido impactadas por esta frase estampada num caminhão cheio de bolsas de sangue (de mentira, claro), que circula pela cidade de São Paulo promovendo a campanha internacional “Wasted Blood” (“sangue desperdiçado”, em tradução livre), criada pela Agência África em parceria com a All Out, um movimento global de defesa de direitos da comunidade LGBT.

Caminhão Wasted Blood

A ação é uma crítica à proibição brasileira, estabelecida pelo Ministério da Saúde através da Portaria Nº 2.712, de que homens gays que se relacionam sexualmente com outros homens são inaptos de doar sangue pelo período de 12 meses após a última relação. Veja o que diz a portaria:

Art. 64. Considerar-se-á inapto temporário por 12 (doze) meses o candidato que tenha sido exposto a qualquer uma das situações abaixo:

 

  • I – que tenha feito sexo em troca de dinheiro ou de drogas ou seus respectivos parceiros sexuais;
  • II – que tenha feito sexo com um ou mais parceiros ocasionais ou desconhecidos ou seus respectivos parceiros sexuais;
  • III – que tenha sido vítima de violência sexual ou seus respectivos parceiros sexuais;
  • IV – homens que tiveram relações sexuais com outros homens e/ou as parceiras sexuais destes;
  • V – que tenha tido relação sexual com pessoa portadora de infecção pelo HIV, hepatite B, hepatite C ou outra infecção de transmissão sexual e sanguínea;

 

Segundo o MS, os critérios para a seleção de doadores de sangue estão baseados na proteção dos receptores. Curioso é um fato relatado no vídeo institucional da campanha, onde um homem, declaradamente gay, diz não ter sido autorizado para doar sangue para a mãe, que estava internada numa UTI, mesmo tendo uma relação estável, monogâmica, há mais de 10 anos. Outro que me chamou bastante atenção diz que “a Organização Mundial da Saúde considerava o homossexual como um grupo de risco”. Assista ao vídeo:

O mais irônico disso tudo foi ter tomado conhecimento da última campanha criada pelo Ministério da Saúde, lançada em 2015, com o título “Doar sangue é compartilhar vida”. Então, por que um filho não pode compartilhar vida com a mãe só por ser gay? Tá certo que quando tratamos da saúde, todo cuidado nunca será suficiente. Mas, o que devemos questionar, principalmente, é o fato dos sangues coletados por doadores homens gays não passarem ao menos pelos testes obrigatórios, como qualquer outro.

“Se todo sangue doado, seja de quem for, passa por uma série de testes OBRIGATÓRIOS, por que homens, gays e bissexuais são proibidos de doar?

(Álvaro Rodrigues, Vice Presidente da África)

Caminhão Wasted Blood

Com o slogan “milhões de litros de sangue desperdiçados por puro preconceito”, a campanha “busca mostrar que, ao não reconsiderar essa proibição, o Brasil impede o diálogo, reforça estereótipos e joga fora litros de sangue que poderiam salvar vidas”, segundo comentário de Leandro Ramos, diretor da All Out.

Além do caminhão, outra ação é uma fila virtual de doadores homens gays e bissexuais no site da campanha (www.wastedblood.com.br). Infelizmente, é uma fila de espera simbólica, mas que mostra em números expressivos a quantidade de pessoas interessadas em contribuir, mas impossibilitados de salvar vidas. Até o momento desta publicação já são:

Dados Wasted Blood

Enquanto vivermos numa sociedade cheia de preconceitos, milhões de vidas serão perdidas, seja por esta medida da doação de sangue, seja pelos ataques homofóbicos diários. PRECISAMOS RESPEITAR (E VALORIZAR!) A DIFERENÇA. Não me refiro apenas aos desafios enfrentados pela comunidade LGBT. Precisamos falar também dos negros e negras, das mulheres, dos pobres, dos deficientes físicos. Precisamos EXTERMINAR do nosso cotidiano este preconceito que só arruína nossa integridade, como meros seres humanos que somos. Por mais clichê que pareça, ser diferente é normal.

“O preconceito não pode existir. Principalmente quando a vida de tanta gente está em jogo”, afirmou a cantora Claudia Leitte (@claudialeitte), madrinha da campanha, em sua conta no Instagram.

Então, ao invés de continuar fortalecendo as barreiras dos preconceitos, que tal sermos os (as) valentes que valorizam a diversidade?

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