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Valparaíso e Viña del Mar, Chile: Um city tour pelas princesinhas do Pacífico e a última agitada noite do mochilão

Acordamos e tomamos o desayuno que o hostel oferecia incluso na diária. Um café da manhã delicioso com pães, geleias e chocolate. Na mesa estavam também algumas viajantes, entre elas a brasileira Débora e a holandesa Inge, que já havia morado no Brasil, falava bem português e para meu espanto, tinha participado de um projeto social e acadêmico na Favela do Lixão em Caxias, minha cidade. “O mundo é pequeno pra carajos”

Depois de barrigas cheias e a promessa de sairmos a noite com nossas novas amigas, partimos para o que havíamos planejado para o dia: conhecer Valparaíso e Viña del Mar, as duas cidades que beiram o Oceano Pacífico e formam a parte litorânea mais famosa do Chile.

Seguindo as informações que pegamos no hostel, fomos caminhando ao centro até uma casa de câmbio para trocar alguns reais e pegar o metrô da linha vermelha até o terminal em que saia os ônibus para os nossos destinos.

Depois de moedas trocadas, pegamos o metro na estação La Moneda, próxima do Palacio de La Moneda, um dos pontos turísticos do centro histórico de Santiago.

Descendo na estação Pajaritos, compramos fini em uma loja só de fini e pegamos o ônibus até Valparaíso no terminal. Há mais de uma companhia que faz essa viagem e os buses costumam sair em intervalos de 15min a 30min.

Comprando também a passagem de volta, que não vem com um horário prévio, ganha-se um desconto. Pagamos 5.500 soles nas duas. Eles entregam um bilhete rodoviário com validade para o próprio dia e informam que ao fim do passeio devemos procurar o guichê da empresa de ônibus para confirmar a volta no próximo ônibus.

A viagem dura quase umas 2h e passa por uma região muito linda do Chile.

Valparaíso

Chegamos no terminal de Valparaíso por volta de 12h, fomos procurar informações sobre a cidade e acabamos dentro de uma agência do próprio terminal. A agente nos ofereceu um mapa de Valparaíso e nos apresentou a opção do city tour defendendo que pelo tempo curto seria a melhor opção para conhecermos as duas cidades.

Ficamos meios resistentes a esse tour, por conta do preço que achamos alto e principalmente porque queríamos conhecer as cidades por conta própria, mas no final aceitamos para desgosto do Vitor que permanecia contra. Com desconto, fechamos ele por 13.000 pesos por cada um.

A van que nos levaria ao ônibus sairia em 1h, então tivemos um tempo para almoçar em um self service que ficava próximo ao terminal e dar uma volta pelas ruas próximas.

Sente o Tour

De van, fomos levados junto com outros turistas até a La Sebastiana, a casa de Pablo Neruda em Valparaíso, onde estava parado o ônibus do city tour e onde descobríamos que o tour já havia começado e já tinha passado por alguns pontos do centro da cidade.

A arquitetura da casa é linda e ainda tem uma sacada com vista para o porto de Valparaíso. Confesso que, apesar de sua importância, eu não sabia muito sobre Pablo Neruda e continuei sem saber porque a visita foi bem rápida.

Nossa segunda parada foi no Ascensor Cerro Concepcion, um antigo e histórico elevador/bondinho de madeira usado para chegar até a parte alta da cidade. A subida é bem íngreme e me fez lembrar o bondinho para chegar o Cristo Redentor. Lá em cima tivemos uma visão bem completa da cidade.

Valparaíso, Valpo para os mais íntimos, é uma cidade portuária que surpreende pelos seus morros (cerros) de casas antigas e coloridas, tem uma arquitetura linda e também é famosa pela gastronomia e pela arte urbana, como o grafiti. Não tivemos tempo de ir muito além de onde o elevador nos deixou.

De volta ao ônibus, seguimos pela Av. España que beira o Pacífico e que liga Valpo a Viña del Mar. De dentro do bus, notamos uma linha de metrô que também margeia o oceano e une as duas cidades.

Viña del Mar

Em Viña, nossa primeira parada foi no Relógio de Flores (Reloj de Flores), um dos símbolos da cidade. O Relógio fica em frente a uma praça, onde no centro está uma escultura de um globo terrestre.

Depois de algumas fotos, seguimos para o Club Union Arabe, um edifício que parecia um castelo, onde fomos convidados a comer em um restaurante que ficava ali. O lugar claramente estava fora de nossos orçamentos, e sabendo o horário de partida do ônibus, resolvemos dar uma volta pela orla.

E pela primeira vez nos sentimos mais livres naquele tour, do jeito que preferimos.

Andando um pouco, vimos um outro castelinho, o Castillo Wulff, que segundo a plaquinha, sua construção data de 1900 e era a antiga residência de um rico alemão e hoje pelo que parecia, se tornou um museu. Estava fechado, mas o lindo de ser ver mesmo era a vista do castelo com o oceano pacífico ao fundo.

Caminhamos mais um pouco, vimos outros belos edifícios e chegamos a um canal que levava ao centro da cidade. O lugar era todo rodeado com muitas flores. Seguimos andando e procurando algum local para comer algo. Entre as lindas ruas da cidade paramos em um Café onde comemos torta de limão.

De volta ao local que estava o ônibus, fomos presenteados com um pôr do sol no Pacífico:

A próxima parada foi na praia, já começava a anoitecer. Só tivemos tempo de molharmos os pezitos na água fria pra carajos e contemplarmos um pouco aquele momento, cercados pelos muitos prédios e casas de temporada que ficam lotadas pela elite de Santiago nos verões.

Viña del Mar que no começo era terra de vinícolas, como sugere seu nome, hoje é o balneário mais importante do Chile e famosa também pelos seus jardins.

foto nublada como o céu

Para fechar o city tour seguimos até o Museu Fonck dedicado à Ilha de Páscoa. Ele não estava aberto, mas a atração principal fica no jardim, um Moai original, a escultura típica da Ilha de Páscoa. Antes de chegar a ele também passamos de ônibus pelo Casino Municipal de Viña del Mar.

Junto ao Moia, tiramos uma das fotos mais fofas da viagem e depois fomos rindo dentro do ônibus pelo tour à la pacote CVC que fizemos. Quando chegamos ao terminal de Viña del Mar, confirmamos o nosso ônibus e aguardamos sua saída comendo um churrasquinho na rua e Mc Flurry no shopping do terminal.

Depois de um longo atraso sem explicações do ônibus, conseguimos sair de Viña e voltar a Santiago.

De volta a Santiago

Antes de ir para o hostel, compramos macarrão para jantarmos e algumas bebidas para já ir aquecendo. Quando chegamos, estava acontecendo um pequeno evento com vinho e churrasco com um pessoal de fora.

Depois de saciados com um macarrão e atum, nos arrumamos e nos preparamos para sair com a Débora e a Inge em nossa última noite do mochilão. O pessoal do vinho estava saindo também para uma boate na qual prometemos passar depois.

Partiu Bellavista

Pelas ruas de Santiago fomos bebendo, rindo e conversando até o bairro Bellavista. Era quarta-feira e as ruas do bairro boêmio estavam mais cheias que nos dias anteriores. Paramos rapidamente em um dos bares para comprar um excêntrico e tradicional drink do Chile, o Terremoto, uma bebida que vem em um copão e leva vinho branco e sorvete, sim, SORVETE.

Ficamos ainda mais tortos e fomos em direção a boate na qual o bonde do vinho do hostel tinha ido. Com os copos ainda nas mãos, perguntamos quanto estava a entrada. O segurança informou que não poderíamos entrar porque estávamos bebendo. Dissemos que acabaríamos de beber antes de entrar e ele disse que mesmo assim não poderia liberar porque não se pode entrar lá se tiver bebido antes. E pra completar nos disse que não deveríamos nem estar bebendo na rua, já que isso é proibido no Chile.

Boate 1

Ficamos boladex e perguntamos duas meninas que passavam por ali se tudo o que ele estava dizendo procedia. Elas disseram que sim, mas para o nosso consolo, nos levaram até uma outra boate. E estando sem copos nas mãos, conseguimos entrar. A entrada na boate era de graça para as mulheres e 5.000 pesos para os homens com direito a uma bebida. Não estava tão cheia mas quem estava lá parecia muito animado ao som de pop e reggaeton.

Boate 2 – o retorno

Depois de rebolar muito os cuzcuz e beber o que tínhamos direito, decidimos tentar entrar na outra boate novamente. E conseguimos. O segurança era outro, ou, com mais álcool na veia, nós que éramos outros e ele não percebeu. Só sei que entramos bêbados na boate que horas antes não queria nos deixar entrar porque estávamos bebendo. #chupa

A festa era de salsa e o público parecia um pouco mais velho do que da festa anterior. Encontramos o bonde do vinho, socializamos um pouco e bailamos bastante até altas horas.

O pessoal do hostel foi indo embora e as meninas também acompanhas pelo Vitor. Só sobrou eu e Raphael. Saindo dali, comemos no Mc Donalds e seguimos pela madrugada fria em direção às nossas camas.

Festa estranha, gente esquisita

Quase chegando na rua do hostel, passamos por uma casa de esquina toda fechada onde estava tocando música eletrônica, e motivados eu não sei pelo o quê, resolvemos bater na porta. Um jovem atendeu dizendo que pensava ser a polícia e disse que era uma after secreta, ou pelo menos foi tudo isso que entendemos. Ele cobrou algum valor para entrarmos, depois sorriu e disse que poderíamos entrar de graça.

O lugar era uma casa vazia, nos cômodos apenas alguns sofás com pessoas sentadas. No espaço principal havia um DJ e sua pick-up tocando música enquanto o pessoal dançava. Curtimos um pouco o clima e depois de duas conversas esquisitas com pessoas estranhas fomos enfim para o hostel onde pudemos rir e descansar de um dia cansativo e uma noite doida.

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Atacama, Chile: Geysers del Tatio, Pukará de Quitor e a traição da lua

Segura a marimba que, diferente de ontem, esse dia foi longooo para carajos!

Acordamos antes do sol e antes do mundo saber o que é calor, para irmos ao nosso 3º tour no Atacama: Geysers El Tatio + Vado Putana + Povoado de Machuca, fechado juntamente com os outros, no primeiro dia.

A van da agência nos pegou ainda de madrugada para que chegássemos ao geysers antes do sol nascer. A viagem dura cerca de 2h, saindo da altitude de 2.400m de San Pedro, até 4.300m do campo geotérmico del Tatio. Por isso não é um tour recomendado para quem ainda não está bem aclimatado. Para nós que já tínhamos sofrido no Canion del Colca, Peru, e no Chalcataya, Bolívia, já estávamos mais do que aclimatados e a altitude nem foi notada.

Por outro lado, ao chegarmos no campo e sairmos da van antes do sol sair para o mundo, a temperatura abaixo de zero estava de matar. Fazia muito frio e um vento safado ainda lascava com tudo. Nem todas as camadas de roupa estavam dando conta. Sorte a nossa que havia ali um espetáculo da natureza para contrapor todas essas condições.

Os geysers começando a entrarem em ação

Geysers del Tatio

Geyser é um tipo de vulcanismo, onde uma nascente termal entra em erupção periodicamente, lançando uma coluna de água quente e vapor de ar. Em nosso tour pelo Uyuni já havíamos tido contato com esse fenômeno, mas de fato, os de El Tatio são sem comparações. Além da tamanha diversidade presente nesse campo geotérmico, a altura que os vapores de água atingem é muito maior.

E tudo fica ainda mais lindo com o nascer do sol que deixa o cenário ainda mais “pqpp q lugar é esse??” Depois de uma breve história e alguns avisos de segurança de nosso guia, que inclui o relato de um garoto que morreu por cair acidentalmente em um dos geysers, ficamos livres para tirar fotos, atentos às pedras coloridas que sinalizam a distância permitida.

Após o nascer do sol, as atividades começam a murchar e as águas a se conterem em seus subterrâneos. Somos convidados então para um café da manhã, com leite e café quente, e sanduíches.

Depois seguimos para uma piscina termal, onde é possível tomar um banho quente. O frio havia amenizado UM POUCO por conta do sol, mas como eu já havia experimentado as águas termais em Uyuni, resolvi permanecer em minhas camadas de roupa. Vitor e Raphael enfrentaram o frio e entraram.

Vado Putana

De volta a van, realizamos uma parada para ver a beleza da região do Vado Putana com seu Rio La Putana. Nesse momento caminhamos um pouco e tivemos algum tempo para tirar fotos enquanto nosso guia falava da importância dos rios para preservação do ecossistema em meio ao deserto mais árido do mundo.

Povoado Machuca

Ainda no caminho de volta a San Pedro, visitamos o Pueblo de Machuca, uma vila bem root com apenas uma rua central de terra. Tem em torno de umas 20 casas e uma das igrejinhas mais antigas do Chile.

Em cima de todas as casas tem uma cruz, que hoje representa proteção espiritual, mas na época da colonização era para evitar o risco dos cristãos espanhóis tacarem fogo na casa. A pausa no povoado serve também para comer alguns dos lanches preparados pelos nativos, como empanada de queijo de cabra e churrasco de lhama.

Raphael e Vitor se deliciaram com alguma coisa enquanto eu subi o morrinho da igreja para tirar algumas fotos.

No caminho de volta, o deserto e suas paisagens, agora visíveis, eram de deixar qualquer um maravilhado. <3

Chegamos em San Pedro por volta das 14h e logo saímos para almoçar em um dos agradáveis restaurantes da cidade com um preço não tão salgado, se chamava Sol e Cor. O lugar oferecia feijoada no cardápio, mas segundo um dos garçons, que era brasileiro, havia acabado. Comemos outro prato então com a tradicional sopa de entrada e ainda bebemos, Vitor e Raphael, cerveja, e eu, um pisco sour, o tradicional drink de Peru-Chile.

Quando voltamos do almoço, Vitor e Raphael resolveram ficar descansando no hostel, eu, meio animado ainda pelo pisco, e motivado pela regra de que descansar só no túmulo, juntei minhas moedinhas e aluguei uma bike no hostel.

Era nosso último dia no Atacama e eu não gastaria minha tarde deitado numa cama do hostel mexendo no celular /indireta. O hostel oferecia uma mapinha com os principais pontos do Atacama que é possível chegar pedalando e seguindo a dica do staff decidi ir até Pukará de Quitor.

Pukará de Quitor

Pukará de Quitor foi uma fortaleza pré-inca toda de pedra, construída pelos índios atacameños para se defenderem de invasões, inclusive dos incas e posteriormente dos espanhóis.

O sítio arqueológico fica a 3 km de San Pedro e a viagem de bike durou cerca de 30 deliciosos minutos. Eu amo andar de bicicleta e sentir o vento do deserto na cara foi libertador. Combinado também pelo fato de estar sozinho, sem nenhum guia e sem meus amigos, esse momento da viagem foi especial. Foi bom estar sozinho, mesmo me perdendo em algumas partes.

Uma das melhores formas de se conhecer um lugar.

Uma publicação compartilhada por Alluan Lucas ♑ (@alluanlucas) em

O caminho é de terra e há momentos em que é preciso atravessar com a bicicleta um riacho que te acompanha pelo percurso todo. Aproveitei inclusive para beber água nele, já que não tinha levado garrafinha e ainda estava sem um tustão. Estar de chinelo ajudou nesse momento molhado.

Chegando a Pukara, é possível pagar cerca de R$15 para conhecer um pequeno museu e subir o sítio arqueológico por algumas trilhas, ou se pode seguir um pouco mais adiante e pagar cerca de R$0 para ver algumas ruínas da parte externa do sítio. Por questões de não estar com dinheiro, escolhi a segunda opção.

Um rosto gigante talhado na pedra guarda uma das entradas da fortaleza

As ruínas de Pukara não estão tão bem preservadas mas o que restou do trabalho talentoso nas pedras junto ao cenário do Atacama ainda são de surpreender qualquer um. Subi as pedras e fiquei por ali pensando na vida e em tantas outras coisas até o sol começar a se pôr.

Minha sombra sobre a pedra e o gigante Vulcão Licanbur lá no fundo

No caminho de volta resolvi voltar pelo outro lado do rio e me perdi em um momento também, mas graças a Pacha Mama, quando o sol se pôs eu já estava de volta a San Pedro.

Tendo algum tempo ainda com a bike, dei umas voltas pela cidade e suas ruas de pedra e então voltei ao hostel ansioso para o Tour Astronômico que faríamos naquela noite.

Tour Astronômico

Em nosso planejamento, não estaríamos mais no Atacama nessa noite, e sim dentro do ônibus em uma viagem de 24h rumo a Santiago.  Porém, havia um tour a ser feito, indispensável para nós, mas principalmente para mim.

Quem me conhece sabe que sou apaixonado por céus estrelados e desde o momento que eu sabia que iria para o Atacama eu sonhava com o tour astronômico do lugar tido como o mais ideal do mundo para se admirar o céu.

Porém, contra todo esse sonho, havia uma lua, uma caralha de Lua cheia. Na noite anterior havíamos pesquisados o valor do tour, inclusive na agência mais topzera, Space, que nos informou que não realizaria o tour por conta do período de lua cheia. Outras também disseram o mesmo, dizendo que talvez no outro dia as condições estivessem melhores.

Ficamos mais uma noite no Atacama por conta disso e quando partimos com a van para o local com os telescópios de uma das poucas agências que estavam realizando o tour naquela outra noite, a lua cheia já estava no céu pronta para nos fuder e ofuscar todas as estrelas com sua luz recalcada.

Enquanto dois guias explicavam em espanhol, sinalizando com um potente laser algumas estrelas e constelações, nós e mais alguns outros turistas, entre eles dois casais de brasileiros, nos dividíamos entre os dois telescópios para ver o céu.

Foi uma experiência incrível, o céu estava lindo de estrela se comparado às nossas cidades grandes, pudemos ver alguns conglomerados, alguns planetas, como saturno e seus anéis, mas no final, quem roubou a cena mesmo e estragou a possibilidade de a noite ser ainda mais foda, foi ela, a viada da lua.

Tiramos algumas fotos dela pelo visor do telescópio e depois fomos convidados a entrar e tomar um chocolate quente com biscoitinhos. Com o tour lunar encerrado, voltamos para San Pedro e descansamos, metade felizes, metade decepcionados e eu completamente puto com a lua e certo de que voltaria ao Atacama uma outra vez.

E com toda certeza, não seria em noites de lua cheia.

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Atacama, Chile: Laguna Cejar e Tebinquiche, Ojos del Salar e um pôr do sol a pisco sour

Depois de um dia anterior agitado, acordando cedo na Bolívia e já chegando ao Atacama fazendo tour, dormimos por quase toda manhã, até porque o tour desse dia só sairia à tarde.

Quando acordamos, tomamos um café no próprio hostel com o pão e chocolate que havíamos comprado no dia anterior. Depois compramos alguns biscoitos para o tour e cambiamos alguns reais para pagar a entrada das Lagunas, 17.000 pesos, valor que é cobrado além do já fechado com as agências.

Verificamos também em alguns lugares o tour astronômico que é realizado a noite e que por conta da lua cheia cheia e um céu meio nublado, não estava certo de acontecer na maioria das agências. Fato esse que nos fez ficar mais uma noite no Atacama, além do previsto.

Voltando ao hostel e depois de tudo pronto, partimos para o nosso 2º tour no deserto mais árido do mundo: Lagunas Cejar + Ojos de Salar + Laguna Tebinquiche.

Lagunas Cejar

A primeira parada foi na extremamente salgada Laguna Cejar, a lagoa mais salgada que o Mar Morto, onde já não é mais possível entrar devido aos riscos que tanto sal proporciona, como cortes.

O prometido banho pelo tour pode ser feito na laguna ao lado da Cejar, que apesar da menor concentração de sal, ainda tem sal pra carajos e te permite boiar. Há no lugar um espaço para trocar de roupas e chuveiros para tirar todo sal depois do banho. Aliás, a estrutura dos pontos turísticos do Atacama é muito boa.

Nós mal entramos na lagoa, eu só molhei minhas pernas o que já foi suficiente para arder tudo em meu corpo. É recomendado não mergulhar e evitar contato com os olhos e os lábios, principalmente se estiverem rachados. Os meus estavam.

Ojos del Salar

A segunda parada do tour é no Ojos del Salar. Duas crateras que formaram dois fundos lagos de água doce no Atacama. Olhando de cima, eles parecem de fato, dois olhos. A vista é sensacional, e em um dos lagos é permitido enfrentar o frio, o medo da água escura e mergulhar.

Laguna Tebinquiche

A última parada é na também salgada e congelada Laguna Tebinquiche. Nela, apenas é permitido caminhar ao redor e observar a imensidão de sal que cobre a região.

O momento especial fica com o snack time para apreciar o pôr do sol, oferecido pela agência. Comemos biscoitos, e brindamos e bebemos pisco sour com os demais participantes do tour, o que incluía um casal de brasileiros.

Foi lindo demais, eu que já amo um pôr do sol, fiquei ainda mais feliz ao assisti-lo contrastado com a Cordilheira dos Andes, que parecia mudar de cor a cada descidinha do sol. Pra completar minha felicidade, estava bebendo o drink mais tradicional do Chile, que também passei a amar.

Na volta do tour, assistir o deserto se tornar noite pela janela da van também foi outro ponto alto do dia, ainda mais por eu já estar alto por conta do pisco.

De volta a San Pedro, compramos cup noodles no mercado e um refrigerante estranho e bem vermelho chamado Bilz para jantarmos.

Foi uma deliciosa refeição.

E um delicioso dia.

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Salar de Uyuni, Bolívia: Do cemitério de trens ao hotel de sal, o 1º dia no maior salar do mundo

Chegamos bem cedo em Uyuni, antes do Sol, depois de uma longa, escura e muito fria viagem por regiões desertas que havia começado em La Paz na noite anterior. Ao descermos do autobus, as senhorinhas das agências já nos aguardavam, oferecendo os tours em meio a escuridão. Mal havíamos descido do ônibus e Vitor já negociava com uma delas que cedeu ao preço que queríamos com o combinado de não falarmos esse valor para os outros turistas.

Fechamos com a agência Sumaj Jallpha por Bs642 para cada, cerca de R$290.

O tour de 3 dias e 2 noites é o clássico em todas agências que pouco diferem uma da outra. Ele também pode ser fechado em La Paz ou no Atacama, para que vem de lá, poréeem, é muito mais em conta fechar diretamente em Uyuni.

Com tudo acertado, entramos os três na pickup que nos levou até o escritório da agência. E lá permanecemos agradecendo o sistema de calefação enquanto amanhecia o dia.

A rua da agência

Depois do sol a vista, como iriamos pagar o tour no cartão, fomos levados até uma outra agência na praça central da cidade. Raphael estava com dor de barriga devido ao dia anterior e aproveitou para ir no banheiro em um restaurante. Depois tomamos um delicioso café da manhã em um outro restaurante, chamado Boca Grande, e voltamos à agência enquanto a cidade, que não parecia ir muito além daquela praça, terminava de acordar.

Na agência, depois de conhecermos nosso guia/motorista e também os 3 viajantes que nos acompanhariam no tour: um casal de brasileiros e um europeu, partimos em direção ao deserto. Nossos mochilões foram em cima do carro e em nossos colos somente a mochila/bolsa de ataque.

Cemitério de Trens

Ainda próximo da cidade e já começando a se maravilhar com a dimensão branca do deserto de sal, chegamos em nossa primeira parada, o Cemitério de Trens.

Um lugar com diversas carcaças de trens que no meio de um cenário surreal, se tornam mais surreais ainda. As velhas locomotivas são o que restou de uma grande ferrovia boliviana que, durante o século XIX, transportou minerais extraídos da região até o porto da cidade de Antofagasta, que hoje pertence ao Chile. Com a crise de 1929, a escassez de minérios e a perda do litoral para o Chile, os trens foram sendo desativados e a ferrovia boliviana padeceu ali, em meio ao Salar.

O cenário rende várias fotos incríveis além de uma reflexão sobre a vida, ilustrada por uma poética frase em espanhol escrita em um dos trens:

“ASI ES LA VIDA”

Depois de muitas fotos, rumamos para um pequeno povoado, o Vilarejo de Colchani, onde podia se comprar, além de muito artesanato, biscoitos e papel higiênico para quem não havia se preparado. Tirando algumas peças feitas de sal, o artesanato não difere muito das que encontramos em La Paz e nas cidades do Peru, até porque são países também influenciados por uma mesma cultura.

Após algumas compras, seguimos viajando no sal até o local em que almoçaríamos. Antes disso, ainda paramos para ver alguns dos ojos del salar, locais no deserto em que se brota água através de estranhas borbulhas.

Hotel de Sal

E cheios de fome, chegamos ao famoso Hotel de Sal. Desativado por conta das diversas dificuldades de se manter um hotel no meio de um deserto, hoje ele serve apenas para que os tours possam preparar as quentinhas trazidas e servir em suas grandes mesa de sal, a propósito, tudo é de sal por ali.

Perto do Hotel também existe um grande monumento ao Rally Dakar, a mais longa competição de rali que inclui o deserto em suas provas. Há um espaço cheio de bandeiras também que eu imagino que sejam de países que competem no Rally.

Depois do almoço com nossa equipe, o bonde do nosso tour, tivemos um tempinho para tirar as tradicionais fotos em perspectiva e se maravilhar ainda mais com a imensidão desse puta deserto de sal!

 

Para efeitos de surrealidade, o Salar de Uyuni  é a maior planície de sal do mundo, com 10.582 quilômetros quadrados. É resultado de transformações entre diversos lagos pré-históricos. Coberto por alguns metros de uma crosta de sal, o Salar tem um nivelamento extraordinário e contém em sua profundidade até 70% das reservas mundiais de lítio, recurso ambicionado e que está no processo de ser extraído.

Voltando a 4×4, viajamos por mais algum tempo babando pela imensidão branca até chegarmos em nossa próxima parada:

Isla Incahuasi

Uma ilha de pedras no meio do salar que abriga gigantes e milenares cactos que superam até os 10m de altura! A entrada na Isla não é incluída nos pacotes oferecidos pelas agências, e custava 30 Bs. Resolvemos não pagar e subir apenas até onde nos era permitido. Aproveitamos para ir no banheiro também, apesar de descobrirmos depois que só era permitido para quem tinha pago a entrada. Paciência.

Nesse momento do tour tivemos um tempo bem grande para tirar mais fotos e explorar mais o Salar, caminhando pelos hexágonos formados no chão, tacando pedras de sal uns nos outros e é claro, lambendo o chão pra ver se é mesmo salgado. Já adianto que não é tão salgado quanto o sal depois de refinado.

Vitor resolveu mergulhar no sal. Saiu ralado depois

Caída del sol

De volta a nossa 4×4, o sol começava a ir embora, dando lugar a um frio do caralho e a uma sensação térmica à la socorro que nos fazia questionar o porquê de termos decidido ir a esse lugar quase no inverno. Depois de um tempo se enfiando ainda mais no deserto, nosso motorista para o carro para que possamos assistir o pôr do sol.

E que por do sol.. PQP!!

Depois de agradecer muito a Deus, a vida e a Pacha Mama por aquele momento, voltamos ao carro e seguimos em direção ao alojamento em que passaríamos a noite.

Buenas noches

Com a noite já se fazendo presente, chegamos ao nosso hotelzinho.

O lugar era bem apresentável, todo feito de sal, como tudo naquele deserto. Nosso guia/motorista nos alocou em um dos quartos de 3 camas e tivemos alguns minutos para relaxar antes da janta.

De entrada, tomamos uma sopa e depois um prato de frango assado delicioso. Depois de satisfeitos, para quem deseja enfrentar o frio, há um chuveiro de água quente à gás em que é cobrado 10Bs; Optei por tomar banho e me surpreendi com água fervendo. Havia outra saída de água gelada para ir regulando a temperatura, mas quando eu abria gelava tudo, então preferi de pulos em pulos tomar banho na água fervendo.

No salão do hotel/alojamento havia alguns jovens de outras agências jogando algum jogo que parecia muito engraçado. Eu, cansado e com frio, fui pro quarto, onde já estavam Vitor e Raphael.

E assim, no meio do maior deserto de sal do mundo, cercado por paredes de sal, dormimos agradecendo pelo colchão ser de mola e espuma.

 

 

 

 

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La Paz, Bolívia: Pechinchando por tudo e pombos. Muitos pombos!

Depois de um dia de literalmente arrancar o ar do peito de qualquer um, no nosso último dia em La Paz. Inicialmente, a ideia era incluir Sucre no roteiro, mas o cansaço nos fez tomar a decisão foi de tirar o pé do acelerador e passar o dia andando um pouco sem destino pelas ruas da capital, um programa que eu particularmente adoro.

Algumas vezes, não tem tour que supere uma boa caminhada entre os locais de uma cidade. Começamos o dia simplesmente circulando as subidas e descidas das feiras de rua enquanto negociávamos absolutamente qualquer compra com qualquer pessoa.

Nessas horas é mais legal ainda ser gringo… Não sei vocês que estão lendo, mas por algum motivo, no Brasil eu acabo evitando chorar preços, mas fora da minha tão amada nação, nunca existiu um cara tão chorão por centavos quanto eu. E se eu já havia provado isso em outras oportunidades como Paracas, por exemplo, aqui não poderia ser diferente.

Até pelo preço, pois quando comparado com o real, a Bolívia é de fato um país barato, lá foi o lugar onde comprei mais bugigangas para dar de presentes, entre casacos, meias, cachimbos, toucas etc. E foi em meio a todas essas negociações que acabei me perdendo do Alluan e Raphael, decidindo voltar pro hostel para descansar um pouco.

Raphael e Alluan voltaram para o almoço (que acabou sendo no tipiquíssimo  Burger King) e voltamos para rua, onde andamos mais um pouco, comemos alguns doces (que mais tarde não fizeram tão bem ao frágil estomago do Raphael rs), vimos um grupo típico tocando na rua (perguntamos pra algumas pessoas o porquê, que ninguém soube informar) e seguimos sem rumo até uma bonita igreja na Praça Murillo, um local que aparentemente abriga diversos prédios públicos, algo que foi mais evidenciado pelo forte policiamento da região, que por um momento nos fez pensar que estava rolando alguma merda.

Observamos atentos, mas sem merdas aparentes, eu e Raphael sentamos nas escadas em frente a uma igreja e foi um momento estranho. Estranho pois foi talvez o primeiro momento da viagem em que simplesmente respiramos, e sentimos uma paz tão grande, mas tão grande, que foi de encher os olhos de lágrimas.

Era só a gente (e o Alluan, que depois vi que havia tirado várias fotos nossas nesse momento), um bando de pombos e as bandeiras balançando com o vento. Foi reflexivo, mas mais do que tudo, foi de cair a ficha. Nós estávamos vivendo aquilo que por meses era expectativa. E viver aquilo era muito, muito estranho <3

A noite, seguimos de volta para a caótica rodoviária de La Paz, de onde pegamos um ônibus madruga adentro para a aguardada cidade de Uyuni.

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La Paz, Bolívia: Um dia de paz na capital mais alta do mundo

Depois de um dia cansativo e uma chegada à la clandestina na capital boliviana, por barco e estradas perigosas na noite anterior, nós não pensávamos em acordar cedo, principalmente eu e Raphael que ainda tínhamos esticado a noite no Hard Rock Cafe de La Paz. Logo, levantamos tarde.

O Loki Hostel não oferece desayuno gratuito, mas tem um cardápio bem deliciose de café da manhã com um preço ok em seu sky bar, que oferece também uma vista incrível da cidade com seu gigante cartão postal ao fundo, a montanha Illimani.

Vista do Sky Bar do Loki Hostel

Depois de satisfeitos, ajeitamos nossas vidas em nosso quarto e fomos explorar as ruas da capital boliviana.

Mercado de las Brujas

O hostel fica bem no centro, apenas a algumas ruas da Plaza Mayor e da Plaza Murillo, principais espaços públicos da cidade. Como precisávamos cambiar e pesquisar preços de alguns tours, fomos a rua Sagarnaga, indicada para as duas necessidades.

Plaza Mayor / Iglesia San Francisco

A rua fica na região conhecida como Mercado das Bruxas, uma zona de ruas estreitas e ladeiras de paralelepípedos que parecia vender de tudo em centenas de barraquinhas e lojinhas. Além de muito artesanato andino, o mercado é conhecido por vender diversas ervas e amuletos para tratamentos e rituais, um legado da cultura pré-colombiana aymara.

Mc Pollo

Depois de cambiarmos alguns bolivianos e comprarmos algumas coisas pelo mercado, como toucas e casacos para presente, fomos verificar o valor do tour de Downhill pela Estrada da Morte. Como já imaginávamos, estava bem caro comparado aos outros custos da Bolívia, principalmente na Xtreme, agência recomendada pela segurança e qualidade. Sendo assim, como já havíamos feito um downhill para chegar a Machu Picchu e pelo receio dos preços do Chile, preferimos desistir do tour.

Paramos para almoçar em um fast food regional de frango, parecia um Mc Donalds de frango. Pedimos nossos pratos com frangos que vieram com muito frango. E comemos rezando, principalmente Raphael, para que a fama de que a Bolívia não combina higiene com culinária fosse uma mentira. Estava delicioso.

Depois da barriga cheia de frango, andamos um pouco pelo centro, compramos mais algumas coisas, entre elas um casaco bem barato e uma calça térmica para mim. Depois voltamos ao hostel, onde fechamos por Bs100 o tour de Valle de La Luna + Chalcataya para o outro dia.

Cadê o supermercado??

Foi quando saímos a noite para procurarmos um mercado que pudemos constatar o que nos haviam falado no hostel: não tem supermercado no centro de La Paz e pelo o que me pareceu, eles não são tão comuns na Bolívia. Todo o comércio no centro é feito pelas barraquinhas de camelôs que ficam até tarde vendendo de tudo.

Como não sabíamos exatamente qual rua representava determinada seção do supermercado, paramos em uma mercearia que vendia biscoitos e compramos alguns para o tour do outro dia e cup noodles para jantarmos. Depois voltamos ao hostel, onde comemos e nos arrumamos para subir para o bar.

No Sky Bar, Raphael e Vitor beberam algumas cervejas e eu alguns drinks. Estava acontecendo uma competição de beer pong e o bar estava agitado, mas nada comparado a festa doida do dia anterior. Depois de bebermos, eu e Vitor ainda esticamos indo ao Hard Rock Cafe com alguns staffs do hostel que nos informaram ser a única boate aberta na segunda em La Paz. “Aberta”, em termos, porque estava vazio pra caramba, não ficamos nem 1 hora e resolvemos ir embora.

E voltando pelas ruas frias e desertas da capital mais alta do mundo, ainda fomos parados por um cara bêbado estranho que rapidamente, como sagazes cariocas, despiamos, e pudemos chegar sãos e salvos em nossas camas quentes.

 

 

 

 

 

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Copacabana e La Paz, Bolívia: Como se sentir entrando ilegalmente em um país, só que dentro da lei

Depois de uma merecida recuperação na pequena espelunca de Puno, acordamos cedo o suficiente para pegar o primeiro ônibus do dia rumo ao nosso segundo país dessa aventura: a Bolívia.

Dentre os três destinos previstos no roteiro, a Bolívia era certamente o que mais nos enchia de receios. Se o Raphael morria de medo de uma intoxicação alimentar, a minha principal preocupação eram justamente os momentos de entrada e saída que a envolvem, que são as travessias das fronteiras.

Durante toda a nossa pesquisa antes da viagem, não faltaram relatos das dificuldades que poderíamos encontrar nas travessias terrestres do país. Da má vontade das pessoas que trabalham por ali até os pequenos “subornos” que te pedem pra entrar ou sair (e que aparentemente estão dentro da legalidade), tudo me deixava com os dois pés atrás enquanto nos aproximávamos de território boliviano…

E alguma coisa realmente aconteceu. Eu só não sei o que.

De maneira resumida, sim, as fronteiras bolivianas são uma curiosa bagunça. Ninguém sabe exatamente o que precisa ser feito para passar, mas algumas xérox depois, você passa e com a gente não foi diferente. Ainda no Peru, descemos do nosso ônibus direto para uma fila aleatória onde, no final dela, saímos com o carimbo de saída do Peru dado por um funcionário público peruano que sequer abriu o bico.

Quando saímos, nosso ônibus havia sumido. Ou melhor, já havia atravessado, e menos de 100 passos depois, nós também estávamos na Bolívia, em outra fila, onde um funcionário boliviano igualmente mau humorado só abriu o bico pra dizer que não podíamos entrar porque faltava sabe-se lá que documento. Um leve medo bateu por alguns segundos, até que alguém nos explicou que faltava apenas a xérox do nosso documento de saída do Peru, que por algum motivo eles precisavam ter na fronteira da Bolívia. Quer dizer… Eu acho que era isso…

Até hoje, mais de um ano desde esse dia, eu continuo com dúvidas de exatamente o que eles precisavam e se fizemos isso afinal. Sei apenas que entre câmbios e descâmbios durante as negociações de preço, tiramos umas 5 cópias de documentos diferentes, apresentamos, recebemos o carimbo de entrada, e por algum motivo eu sai com a impressão de que todas as cópias tiradas ficaram com a gente. Sinceramente? Não me perguntem, porque desisti de entender o que aconteceu ali.

Copacabana princesinha do mar

IMG_9084Famosa entre os mochileiros que saem do Peru seja por qual for o caminho (existem ônibus saindo de Cusco, Puno, Arequipa, entre outros, indo pra lá) para Bolívia, a princesinha do mar boliviana parece cheia de gringos em todos os cantos e a todo momento (ou seja, não muito diferente da nossa versão carioca).

Talvez essa seja uma impressão infiel com a realidade, mas para mim a cidade pareceu ser um pequeno punhado de ruas composto por muitos ônibus de viagem, mochileiros pra cima e pra baixo e uns restaurantes que tentam transmitir uma vibe de reggae.

E foi num desses restaurantes aparentemente roots, mas que só tinham turistas “tipicamente europeus” mexendo nos seus iPhones de última geração que nós decidimos almoçar um prato “tipicamente não típico”: pizza, que era o mais barato do cardápio.

Depois de comer e atualizar nossos status em todas as redes sociais aproveitando o Wi-Fi do local (afinal eu só tava sendo hipócrita no parágrafo anterior, mas também tava com meu iPhone, embora algumas gerações anteriores e ainda bastante prejudicado pela areia engolida em Huacachina ;), fomos até o píer e negociamos nossa ida até a Ilha do Sol, que era o principal motivo que nos fez fazer esse rápido pit-stop na pequena cidade.

“E tudo começou, há um tempo atrás, na Ilha do Sol”  

Para deixar claro, não é que a Ilha do Sol tenha sido um motivo nosso para parar ali. É meio que um motivo para todo mundo… Basicamente, é o principal ponto turístico da cidade, então não se surpreenda que todos os barcos para lá saiam cheios e a sua margem para negociação de preço seja mínima (não lembro mais por quanto fechamos, mas lembro que não conseguimos abaixar muito o preço).

No fim das contas, conseguimos um lugar na parte de cima de um dos barcos e, para nossa surpresa, Carlos, o paulista que fez o trekking no Vale Del Colca com a gente, estava lá. Fomos caminho inteiro colocando nossas histórias em dia com o vento batendo forte no rosto e a felicidade no peito mais forte ainda.

ezgif-1-2ebaea82a9Descendo do barco, seguimos caminhos diferentes. Carlos estava num outro tour, que ficaria dois dias na ilha, e percebeu que tinha descido no “lado errado” dela. Enquanto ele tentava resolver a vida dele, seguimos nosso caminho, já que estávamos com o horário apertado.

O tour da Ilha do Sol é legal, mas confesso que depois de tantas paisagens incríveis que havíamos visto nos dias anteriores, foi um pouco abaixo da expectativa. Ainda assim, valeu a pena, pois provamos um pouco da água da famosa fonte da juventude do local, e também de outras duas que a lenda diz trazerem saúde e dinheiro, coisas que são sempre bom de ter, né?!

Aproveitamos o passeio, na verdade, para fazer pequenas comprinhas com locais da ilha, em especial colares com a Chakana, a famosa cruz andina, em diferentes cores, pedras e grafias. O tour acaba em um templo Inca (foto que ilustra a capa do post), mas pequeno comparado com os que vimos no Peru, então certamente as viagens de ida e volta no barco acabaram sendo os melhores momentos.

Lição do dia: nem sempre comprar seu ônibus significa garantir seu ônibus

De volta à terra firme, voltamos para a agência onde havíamos reservado o nosso ônibus até La Paz e deixado nossas malas (mas não se engane pela palavra agência, pois a organização que a palavra insinua certamente não existia ali).

Nós havíamos comprado nosso ônibus para La Paz assim que chegamos na cidade e conseguido negociar um excelente preço. O problema: o preço foi tão bom que nem a mulher que vendeu pra gente conseguiu comprar pelo que pagamos. Dito isso, ela pediu mil desculpas, devolveu o dinheiro e basicamente falou pra gente “se virar” e encontrar outro ônibus enquanto a tarde começava a virar noite. E foi aquela correria!

Os últimos ônibus do dia saem mais ou menos no mesmo horário, entre o fim da tarde e o início da noite, e como eu disse antes, mochileiros não faltam ali, o que fez com que rapidamente a bagunça tomasse conta e não só nós, como muitos outros, começassem a entrar em um leilão caçando lugares em ônibus de viagem no meio da rua.

Foi engraçado, mas não desejo a ninguém. No final, conseguimos lugar em um ônibus velho, fedido, mas a um bom preço e parecia que estava tudo certo… Só parecia.

Uma travessia ilegal dentro da legalidade

Em determinado momento da viagem, já a noite, o motorista para e manda todos saírem do ônibus e deixarem suas malas. Não entendemos nada, mas como todos pareciam respeitar, fizemos o mesmo.

Acho que por falta de pesquisa não descobrimos antes, mas nessa travessia entre Copacabana e La Paz, existe um trecho que precisa ser feito pela água, onde todos descem dos ônibus, entram em pequenos barquinhos para a travessia (que custa o equivalente a uns 2 reais) e chegam do outro lado para encontrar o ônibus, que também faz a travessia em um outro tipo de transporte com as malas.

O que ninguém te diz é que o barco da travessia é digno de novela da Globo. Todos se enfiam em um barco cheirando a gasolina, que parece um porão, e seguem sentados no chão no escuro como se escondesse de alguém. Gente, é bizarro…

Mas deu tudo certo e no final já estávamos todos (nós e os outros passageiros do ônibus, na sua maioria Europeus) rindo e fazendo piada com a situação.

Quando em La Paz, pra que paz?

Chegando em La Paz, já por volta de meia noite, pegamos um táxi na rua e seguimos para o Loki Hostel, famoso pelas festas (e com razão, adianto), onde por não termos reserva, não conseguimos quarto coletivo e acabamos pegando um privativo triplo que saiu um pouco mais do equivalente a R$50 a noite para cada. Caro, mas valeu a pena!

O hostel é excelente, localização, ambiente, funcionários etc. Não temos muito do que reclamar, além do fato de que não tinha café da manhã incluso, mas por isso é sempre importante reservar sempre que for um hostel muito famoso antes de ir, como é o caso do Loki.

Deixamos as mochilas no quarto e subimos direto para o bar, onde rolam festas temáticas todos os dias. Nesse primeiro dia, a festa era com o tema de piratas. Comemos um pouco, bebemos bastante e eu já estava cansado, por isso desci ao quarto.

No dia seguinte, fiquei sabendo que o Alluan e o Raphael ainda foram no Hard Rock Café, que eu até cheguei a conhecer num outro dia, mas como eu me ausentei nesse, encerro esse texto deixando vocês apenas um vídeo deles descobrindo que existe funk além da fronteira.

 

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Lago Titicaca, Peru: Dormindo na casa de nativos do maior lago navegável do mundo

Como dito no último relato, terminamos nossa passagem de 1 semana por Cusco/Machu Picchi ainda mais apaixonados pelo Peru (contenha-se com o trocadilho) e embarcamos para nosso último destino no país antes de atravessarmos a fronteira para a Bolívia.

Frio panorâmico

Saímos na noite anterior da rodoviária de Cusco por volta das 23h, para uma viagem de 7h até Puno, cidade que fica às margens do Lago Titicaca, O MAIOR LAGO NAVEGÁVEL DO MUNDO.

A passagem foi comprada na hora, e dentre a pesquisa de custo/benefício, optamos por “semi-camas panorâmicas”, os primeiros lugares do 2º andar do ônibus. No começo foi bom, mas quando o ônibus sai da cidade e embarca no breu da estrada nublada, a visão da escuridão te puxa para fora e parece que o frio toma conta de tudo e você começa rezar para conseguir dormir. Em algum momento eu consegui.

Puno

Chegamos em Puno com o dia já amanhecendo, em busca de fechar o Tour de 2 dias pelo Titicaca, principal, para não dizer única, atração da cidade. Logo que descemos do ônibus, fomos abordados pelas agências de viagem que ficam no próprio terminal rodoviário. E como tudo é negociável no Peru, de fato foi vantajoso não ter fechado o tour com antecedência.

Conseguimos um bom preço para o três, preparamos nossas mochilas de ataque, deixamos os mochilões em uma salinha da agência e fomos dar uma volta pelas redondezas da rodoviária enquanto aguardávamos a saída da van, que nos levaria ao porto de onde partiria o tour.

Não chegamos a andar muito, mas foi possível notar que Puno, em uma manhã fria, parecia uma cidade bem pacata, com ruas estreitas e casas humildes que pareciam ser obras inacabadas na grande maioria (li em outro relato que isso talvez ocorra para que paguem menos impostos).

Caminhamos um pouco na rua em volta da rodoviária, onde tinham alguns hotéis e lojas ainda fechadas, e voltamos para aguardar a saída do tour.

Depois do transfer nos deixar no pequeno porto de Puno, que fica a poucas quadras da rodoviária, demos inicio a viagem pelo Titicaca até a primeira ilha/destino.

Lago Titicaca

O sol da manhã refletido no gigante lago junto a um homem local que tocava música folclórica em troca de uns trocados, tornou o momento contagiante. <3

O Lago Titicaca é o maior lago navegável do mundo e está a 3800 metros de altitude. Se encontra entre o Peru e a Bolívia, e pela grandiosidade, teve e tem grande importância para cultura dos diversos povos andinos, principalmente os Incas, em que segundo uma lenda, tiveram surgimento em uma das ilhas dali.

Depois de alguns minutos navegando, chegamos nas Islas Flutuantes de Uros, primeira parada do tour de 2 dias.

Ilhas Flutuantes de Uros

A existência das Islas de Uros data de um período pré-colombiano, quando um povo homônimo desenvolveu esta forma de habitação. Cada uma das pequenas ilhas são feitas à base de totoras e é necessário constante trabalho de manutenção para assegurar a flutuabilidade delas. As principais atividades dos moradores são a pesca, o turismo e a venda de artesanato. Além de um dialeto próprio, eles têm como língua oficial, o aymara, uma das principais línguas indígenas que sobreviveram a colonização espanhola.

No curto tempo que ficamos, pudemos entender um pouco da técnica que permite que as ilhas flutuem, além de conhecer um pouco mais da cultura e administração das ilhas, através de uma palestra dada por uma nativa, traduzida para o espanhol pelo nosso guia Alejandro.

Depois somos convidados a visitar uma das casas de palha, onde é nos contado mais um pouco sobre como eles vivem. Nesse momento há um certo drama para nos fazer comprar algum dos caros artesanatos. Fica um clima meio chato, mas nada que não dê para escapar sorrindo. Eu comprei um cordão. 😉

Logo após, ainda é oferecido uma passeio na embarcação tipica de Uros por 10 soles até uma ilha/praça flutuante, onde tem mais artesanato para ser comprado.

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Se joga na trip! #MochilãoCdM

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Depois dali, seguimos em uma viagem de 3h pelo lago até o segundo destino, a Ilha de Amantani, onde passaríamos a noite em uma casa de nativos.

Ilha de Amantani

Chegamos no início da tarde na ilha e assim que desembarcamos fomos recebidos pelas famílias que iriam nos acolher naquela noite. Cada grupo de 2 a 4 turistas ficaria na casa de uma delas. O turismo vivencial é um dos principais recursos dos nativos que vivem também do artesanato e da agricultura.

Depois de sermos apresentados ao nosso host, Teodôncio, caminhamos por alguns cansativos minutos até sua casa na parte alta da ilha. E a cada subida, a vista da ilha com o Titicaca ao fundo ia ficando mais incrível, nem a fome e o cansaço de um mini trekking na altitude conseguiram atrapalhar o momento.

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Quando enfim chegamos na pequena casa, Teodôncio nos levou ao segundo andar, onde havia um quarto preparado para nós com 3 camas. Pudemos descansar um pouco e logo fomos chamados para almoçar em uma humilde cozinha em que sua esposa, Catalina, preparava uma comida caseira, eleita um dos melhores pratos da viagem.

A pequena cozinha com as panelas na lenha lembrava aquelas tradicionais cozinhas do interior do Brasil. Catalina, sempre sorrindo, nos serviu conversando em quéchua com seu marido, que traduzia algumas coisas em espanhol para gente. Uma visão e experiência bem doidas e emocionantes ao mesmo tempo.

Depois da sopa de quinoa, legumes cozidos e chá mate de muña (uma erva cheirosa parecida com nosso hortelã), voltamos ao nosso quarto para descansar e aguardar a hora marcada para irmos visitar com nosso guia, Alejandro, o Templo de Pachamama que ficava no topo da ilha.

Templo da Pachamama

Acabei indo sozinho, porque Vitor e Raphael dormiram e não quiseram levantar para ir. Teodôncio me levou até o caminho no qual o grupo de turistas passaria e quando chegaram, subi com eles. Até chegarmos ao topo, Alejandro explicava um pouco da história da ilha e de seus habitantes.

A ocupação da Ilha de Amantani e o desenvolvimento das terrazas para a agricultura datam de um período pré-inca. Tomada pelos espanhóis durante a conquista espanhola, hoje a ilha conta com 10 comunidades compostas por famílias com descendências européia e andina.

Quando ao chegamos ao pequeno templo de pedra da Pachamama, Alejandro explicou um pouco da festa dedicada a Mãe Terra e ao Pai Terra que acontece em janeiro, único momento em que o templo é aberto. Era fim da tarde e mesmo com um frio desnecessário, após empilhar as tradicionais pedras em oferecimento a Mãe Terra, nós, os estrangeiros, ficamos para ver o pôr de sol que começava a se desenhar no horizonte do Titicaca.

Fiquei até o sol sumir por completo, sentado em uma das pedras, contemplando uma das cenas mais lindas da minha vida.

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O frio pôr do sol na Ilha de Amantaní.

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Depois do espetáculo, desci pelo caminho sem saber se conseguiria encontrar a casa de Teodôncio e Catalina naquele inicio de noite e escuridão. Para minha sorte e surpresa, Teodôncio me esperava no meio do caminho, o que me deu um pouco de culpa por ter demorado tanto assistindo o sol. :/

Quando cheguei no quarto, Raphael e Vitor já estavam acordados. Conversamos um pouco e fomos chamados para jantar mais uma sopa deliciosa preparada por Catalina.

Depois do jantar, ajeitamos nossos gorros e vestimos os ponchos, trajes típicos andinos que foram emprestados pela família. Descemos juntos com Teodôncio, na escuridão da ilha, em direção ao espaço em que aconteceria uma animada festa com os turistas daquela noite e os nativos.

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Nós de poncho e nossos gorros andinos

Bailamos ao som de música folclórica andina, tocada por flautas e outros instrumentos. A contagiante coreografia em roda era similar a das nossas festas julinas. O que ficou ainda mais engraçado com os homens trajando o poncho e as mulheres as tradicionais saias coloridas da cultural andina.

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Tinha cerveja sendo vendida, inka cola e outras bebidas também. Bebemos pouco, dançamos muito e conversamos mais com outras duas brasileiras que também estavam fazendo o tour: Fernanda e Tatiana, duas paulistas que ajudariam tornar o segundo dia desse tour tão foda quanto esse primeiro.

Depois da festa, subimos de volta a nossa casa, acompanhados por Teodôncio e um céu estrelado capaz de quase fazer esquecer o frio. Devolvemos e agradecemos nosso poncho, e fomos dormir maravilhados como crianças bobas pelo primeiro dia no gigante Titicaca.

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Cusco, Peru: “Você gostaria de mandar uma mensagem para sua família antes de pular?”

Esse relato contém muito texto e poucas fotos porque eu estava sozinho na maior parte do dia e não tenho saco para registrar tudo em imagem. Desde já, peço perdão pelo vacilo.

Depois de Machu Picchu, a percepção geral era de que seria uma viagem tranquila e sem grandes aventuras até chegarmos ao esperado Salar do Uyuni, já na Bolívia. Mas eu não poderia estar mais enganado… Esse era um dia que entraria para história. Ou pelo menos para minha ainda humilde história de viajante.

Para começar, deixem-me contextualizar o que não ficou tão claro no relato anterior, do Rapha.

Convivência é foda!

Convivência é um bicho complexo… E por que isso agora? Essa era a segunda vez que eu, Alluan e Raphael viajávamos além das fronteiras brasileiras. E coincidentemente, a segunda vez que houve qualquer tipo de desentendimento entre a gente hahaha

Enquanto o Alluan tem um perfil de apaziguador, eu e Raphael soltamos faíscas em alguns pontos da viagem, sendo a principal delas justamente no dia anterior, durante a trip em Machu Picchu. O motivo era bobo, foi um jeito de falar sobre água, um atraso na subida e sei lá mais o que… Mas fomos grossos um com o outro e desde o dia anterior em decidi dar uma afastada dele para não gerar uma intriga maior. Então mais do que um cansaço, seguimos caminhos diferentes no dia anterior, mas nos reencontramos para voltar ao hostel, embora ainda houvesse rusgas no relacionamento…

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Quando uma briga te dá o estímulo para uma loucura sozinho.  

Dito isso, acordei cedo no dia seguinte e decidi tomar café sozinho. Troquei alguma ideia com as meninas do bar e me esparramei no sofá do Kokopelli que fica bem na entrada. Alluan e Raphael demoraram para acordar, e como eu ainda não estava com vontade de avaliar suas fuças em plena manhã, decidi dar um rolê pela cidade all by myself.

Enquanto caminhava pelas ruas de pedras e históricas de uma ensolarada Cusco, passei em frente ao escritório da Action Valley e decidi entrar novamente. Novamente porque talvez tenhamos esquecido de comentar, mas antes mesmo de irmos para Machu Picchu, consultamos com a Action Valley os preços do salto de bungee jumping, mas enquanto eu estava extremamente animado, o Raphael estava achando o preço caro demais e o Alluan não querendo pagar e depois acabar ficando com medo de pular… E, como eram “2×1”, acabamos desistindo juntos da aventura.

Mas aquilo tinha ficado preso na garganta… Eu queria muito pular. Não sei bem o porquê, mas desde muito novo pular de bungee jumping era algo na minha bucket list mental. Mas por mais que eu não precisasse, eu ia me sentir meio mal de abandoná-los apenas para fazer isso sozinho. Talvez até um pouco egoísta. Então essa briga acabou sendo a desculpa que eu precisava rs

Não pensei duas vezes e contratei o pacote do salto de bungee. O preço foi de S/. 307 (o preço é originalmente cotado em U$, mas no meu cartão o valor está em S/.) e incluía um SD card com fotos e vídeos do salto. Nisso já era cerca de 11h da manhã e eu escolhi o horário de 13h, dai seria o tempo de voltar ao hostel, calçar um tênis, passar o protetor e partir para a aventura.

De volta ao Kokopelli, Alluan e Raphael haviam acordado e trocamos cumprimentos ainda tímidos. O rancor não me deixava falar ainda o que eu tinha feito. E não fosse o Raphael tomando a iniciativa de puxar assunto em um sinal de paz, eu não teria contado antes de ir. Sim, sou meio babaca hahaha

 

Depois que contei que saltaria, rolou um principio de nova discussão. Justificada, admito. Por que não chamei ninguém pra decidirmos juntos, etc. Mas no fim das contas, o que eu imaginava foi confirmado, eles não iriam mesmo. Parte por preço, parte por medo e tal. Eles preferiram ficar e lá fui eu, para uma aventura inesquecível sozinho.

Agora que chegou até aqui, só pula!

Chegando na agência da Action Valley, já havia um taxi (incluso no pacote) e um casal de americanos apenas me esperando para irmos. Não lembro o nome desse casal e nem trocamos contatos, mas foi bastante divertida a viagem (que dura uns 20 minutos até o campo de onde é feito o salto) com eles. Ambos eram da Califórnia, ele surfava profissionalmente e já havia visitado o Brasil em algumas competições e ela trabalhava em um banco, mas como hobby jogava futebol e por isso também tinha muita vontade de conhecer o Brasil. Foram excelentes companhias!

Chegando lá, começam os preparativos. Para pular, é necessário passar por uma pequena bateria de exercícios para provar que não tem problemas cardíacos e passar por duas diferentes balanças para garantir o ajuste correto dos equipamentos.

Nesse momento, ao ver a altura da plataforma, a menina já havia desistido do salto. Lembrei do medo do Alluan de fazer o mesmo e, de certo modo, achei bom que ele não tivesse ido para não passar pelo mesmo. Eu estava muito extasiado pela adrenalina e só queria saber de pular, mas o americano foi primeiro. Eu assisti lá de baixo e nessa hora o que apenas um frio na barriga virou um frio no corpo todo. Estava sol, mas eu me sentia gelado. Era medo, mas a adrenalina era maior. Ele pulou, girou por alguns segundos e desceu, tonto, mas agitado e muito sorridente. Eu escondi bem o meu medo e entrei na agitação com ele… Era minha vez!

Deitei no chão e começaram a montagem de todos os cabos. Depois de levantar, era difícil andar com tanto cabo e medo ao mesmo tempo, mas superei os tropeços do caminho e fui quase me arrastando. Eis que a plataforma começou a subir. Os pensamentos eram mistos… Iam de “F U D E U” até “Será que eu perco dinheiro se desmaiar?!”.

Será que eu perco dinheiro se desmaiar?!

Mas eu não desmaiei. Pelo contrário, no alto de seus 122 metros de altura, o que o dá o título de maior da América Latina, o medo simplesmente sumiu e o sorriso veio na cara. O vento jogava os cachos na minha cara, mas de repente parecia que meu casaco peruano de falsa alpaca conseguia acabar com o frio de todas as partes do corpo e o calor das veias parecia pulsar.

Além das instruções, que são tão simples que nem lembro o que são exatamente, por praxe, eles fazem um monte de perguntas aleatórias, pedem mensagens pra família, pra você falar umas frases pra case deles, tirar umas fotos com placas do Trip Advisor, mas eu não tava com saco para colaborar. Eu queria pular e por mais que a intenção de me pedir uma mensagem para a família para o vídeo fosse fofa (daí o título do post), nada do que gravei nessa preparação ficou bom pelo simples fato de que eu tava pouco me fudendo pra isso e só queria riscar logo o “pular de bungee jumping” da minha lista de coisas para fazer antes de morrer. E eles finalmente perceberam isso e me deixaram pular.

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"Are you ready?" 😍👊🏼 #bungeejumping

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E foi num “Are you ready?” que tudo começou e terminou em pouquíssimos segundos que ainda rendem um frio na espinha só de lembrar.

Pouco tempo depois, eu estava no chão, com instrutores me desvencilhando dos equipamentos, uma leve dor (normal) que ia da coluna até a nuca, e os olhos cheios de lágrimas daquele momento simplesmente inesquecível.

Da volta na chuva ao “Templo do Sol”

O americano havia pago ainda pelo salto reverso (que te joga para cima e te puxa para baixo, que eu não fiz por economia, mas depois me arrependi) e depois disso nos sentamos juntos para ver as fotos e vídeos. Depois disso, começou a chover e nós três nos juntamos aos funcionários em volta de uma fogueira improvisada por cerca de meia hora até que o nosso táxi de volta chegasse para nos levar de volta ao Centro de Cusco.

Voltando, nos despedimos, trocamos contatos (que mais tarde eu perdi, por isso os americanos estão sem nome rs) e eu voltei ao Kokopelli. Com todos os acontecimentos anteriores, eu já havia me esquecido da briga e compartilhava dos doces que o Alluan e Raphael trouxeram de uma padaria hipster que haviam visitado.

Depois de contá-los tudo e mostrar todas as fotos e vídeo, no fim da tarde decidimos ir ao “Templo do Sol” de Cusco antes que seguíssemos viagem para Puno. Foram alguns minutos de caminhada, mas o suficiente para anoitecer e darmos de cara com a porta. O Templo já estava fechado e a visita teria que ficar para uma outra vez, o que era uma pena.

Passamos por uma igreja e compramos alguns gorros pelo caminho para presentear, mas voltamos para o hostel antes de seguirmos viagem para Puno, que seria a nossa próxima parada.

E assim terminamos a nossa passagem por Cusco, com a sensação de satisfação, muito cansaço, mas três sorrisos nos rostos que deixavam claro como aquilo tudo vinha valendo a pena <3

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Inca Jungle, Peru: Tirolesa, trekking e muita natureza rumo à Machu Picchu

Depois de um primeiro dia de Inca Jungle no mínimo radical, que começou com um downhill de curvas assustadoras, passou por um rafting que já terminou no escuro e se encerrou com a rota potencialmente mortal em um penhasco entre Santa Maria e Santa Tereza, nada mais justo que um dia calmo para recuperar as energias. Mas pera lá! Nem tão calmo assim.

Como o Alluan foi direto ao ponto no relato do primeiro dia (e um pouco desapegado aos detalhes, se me permitem dizer a verdade), vou me permitir começar apresentando nosso grupo. Se no primeiro dia era um grupo gigante que se uniu após o downhill, logo após o almoço um pequeno grupo de 15 pessoas se separou do bando e seguiu para o tour de 3, ao invés do tradicional de 4 dias. E é a partir dai que as coisas começam a ficar diferentes para a gente.

Só vai, ou melhor, se joga

Se o segundo dia do tour de 4D + 3N é de apenas caminhada, no nosso ele já começava diferente, com uma aventura de tirolesa entre montanhas no Peru.

Para esse tour fomos todos, três americanos (uma mãe, seu filho e o melhor amigo dele), quatro peruanos (um casal de pais e um casal de meninas, sendo uma delas filha deles), uma belga, três israelitas (um casal e uma amiga da menina, sendo as duas recém-saídas do exército), eu, Raphael e Alluan, além do guia que nos acompanhava.

Chegamos cedo, aparentemente o primeiro grupo do dia, e logo nos montamos com os equipamentos de segurança antes de começar a aventura. Subimos um pouco uma montanha e lá de cima demos inicio a série de tirolesas do caminho.

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Uma das israelitas desistiu logo no começo, por medo de altura e teve que voltar a pé e para todos os outros a dica era simples: só vai!

Ok, tem mais coisa por trás disso. Há algumas instruções básicas sobre como reduzir a velocidade antes da chegada, por exemplo, mas nada que você lembre quando começa a ouvir o barulho da corda no gancho e uns “tiques” que parecem que farão o cabo se romper. Mas tudo deu certo. Os peruanos, pais de uma das meninas tiveram certa dificuldade em alguns momentos, mas no geral, não há muito segredo além do visual incrível visto de cima.

Após 4 ou 5 trechos de tirolesa, o último tem cara de desafio do Faustão e é basicamente atravessar uma ponte presa por cordas. Nada absurdo, mas a parte mais cansativa do tour, sem dúvidas. Já na saída, foi possível ver outros grupos no ponto de partida e uma fila enorme, o que nos leva a dica: se for fazer o tour, convença seu guia a ir cedo. É um salvador de tempo!

Aquele típico almoço e uma caminhada renovadora

Saindo de lá, pegamos novamente e van e seguimos para o famoso ponto para todos aqueles que optam por fazer o caminho até Águas Calientes, cidade-base para Machu Picchu, a pé, independente da trilha: A hidroelétrica.
Lá, a van nos deixa e é preciso seguir a pé por mais aproximadamente 3 horas para, ai sim, chegar de fato em Águas Calientes, mas não sem antes de um almoço reforç… quer dizer… um almoço, pelo menos, né. Novamente a refeição se iniciou com uma sopa de quinua e passou por um prato principal, com opção com carne ou vegetariana, e um suco de manga.

Almoços devorados, não temos tempo a perder, todos pegam seus cajados improvisados, suas mochilas de ataque e seguem para mais 3h horas de uma caminhada tranquila. Mas aqui vale um adendo, para aqueles que tiverem preguiça de seguirem com as malas, pode-se pagar uma taxa para que o levem de carro mais tarde. Nós obviamente não o faríamos, mas os país das peruanas o fizeram e, segundo eles, não houve arrependimento. Em todo caso, é mesmo uma caminhada fácil, eu não recomendaria.

E assim seguimos, lenta e confortavelmente, com paradas para fotos, água e tudo mais que tinha direito sem pressa. Mais um dos benefícios de termos acordado cedo, pois não precisamos acelerar o passo para chegar antes de anoitecer.

A maior parte da trilha era por cima de trihos de trens da cidade. Eram trens enormes e bem antigos, eles seguiam uma boa parte da trilha, mas só os residentes país podiam embarcar, sem contar que eles só passavam nos trihos por volta de 13h e 15h, eram dois trens.

As vistas eram incomparáveis e invesquecíveis. O contato com a natureza era inevitável e a experiencia sem comparação. O lago que cercava o caminho era lindo e também transformava aquela experiencia muito mais especial com o barulho da água batendo entre as pedras rio abaixo.

 

 

Enfim, Águas Calientes

Chegamos em Águas Calientes por volta das 15h. A cidade é bonita, mas bastante turística, o que confirmava a informação do guia de que ela havia sido criada apenas por causa dos turistas e é raro que mesmo quem more/trabalhe lá não tenha vindo de outra cidade maior das redondezas.


Demos check-in no hostel com cara de hotel e mais uma vez acabamos tendo que dividir o quarto com a Emma, uma enfermeira belga que viajava sozinha após cumprir um estágio num hospital público de Cusco. Para nós não era nenhum problema dividir o quarto, mas imaginávamos que poderia ser desconfortável para ela ficar com três rapazes no quarto. Mero engano! Emma é uma das pessoas mais desencanadas com a vida que já tive o prazer de conhecer e vale a pena mencionar isso.

Já de noite, saímos a procura de um lugar para comer e encontramos uma pizzaria com preços populares antes do jantar oferecido pelo tour. E olha, não recomendo… Esperamos quase 1h por duas pizzas de mussarela e tínhamos que caçar pessoas por um copo de limonada. Detalhe: não tinha mais ninguém restaurante além da gente, então a demora era obviamente injustificável.

Ao voltarmos para o hostel, encontramos todos já na porta nos esperando para ir jantar. Como já havíamos acabado de comer…. fomos do mesmo jeito. Afinal quem somos nós pra dispensar comida de graça?! Hahahahha
Depois de jantarmos, minha perna já começava a dar sinais de desgaste. Sendo desgaste uma palavra gourmet para “doendo para caralho” e eu passei numa farmácia pra comprar aquelas fitas adesivas para dor (tipo Dorflex Icyhot ou Salompas, por exemplo). É um comentário aleatório, mas que eu estou comentando porque vai justificar o dia seguinte que, como vocês vão perceber no próximo relato, para mim se apresentará sofrido, mas isso é papo para uma próxima conversa.

Antes de ir dormir, passei no posto local e comprei o ticket para o ônibus do dia seguinte até Machu Picchu. Apenas eu mesmo, pois já sofria bastante com a perna, enquanto Raphael e Alluan decidiram subir pelas escadarias a pé mesmo. Para ser sincero, não sei se tentaria a opção mesmo com a perna boa, mas ok…

Finalizado o dia, seguimos para uma gostosa noite de sono antes de estarmos de pé cerca das 5h da manhã para seguirmos até Machu Picchu, que claro, vem no próximo relato <3
Isso é tudo, pessoal!

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Inca Jungle, Peru: Downhill e rafting no 1º e radical dia rumo à Machu Picchu

Acordamos as 6h da manhã, já parcialmente prontos, terminamos de arrumar nossas mochilas de ataque vermelhas <3 e guardamos os mochilões no depósito do Kokopelli.

Assim que terminamos o café, a van da WM Explorers, agência em que fechamos o tour à Machu Picchu já estava nos esperando e nos chamando na porta, como combinado no dia anterior.

Depois de entrarmos, a van ainda passou por outros diversos hostels pegando outras pessoas, e depois ainda seguimos para uma oficina em uma parte mais periférica de Cusco, onde nossas bicicletas embarcaram.

Há diversas formas de se chegar à Machu Picchu e iremos falar delas por aqui depois em publicação específica. Nós optamos pela Inca Jungle Trek de 3 dias, que conta com downhill, tirolesa, rafting e trekking, ufa! um dos tours mais radicais e mais em conta também.

Abra Cadabra Malaga!

Depois de quase 2 horas embarcando pessoas e bicicletas, seguimos para o primeiro destino: Abra Malaga. Antes de chegarmos, o percurso contou com uma parada numa venda em Ollantaytambo, onde pudemos comprar água, biscoito e ir ao banheiro. Tudo bem caro, por sinal, gastei S./14 em duas garrafinhas de água e um pacote de club social.

Se aproximando de Malaga, o clima que ao sair de Cusco estava bem tropical começou a ficar bem frio devido a altitude que voltada. Conforme íamos subindo a paisagem ia ficando mais foda também, considerada uma das mais belas travessias da América do Sul, a passagem de Malaga atravessa a Cordilheira dos Andes, dividindo a parte mais árida, da parte mais amazônica do Peru e nos dando uma visão sem igual do Vale Sagrado dos Incas.

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Quando enfim chegamos, estávamos a 4.330m de altitude, paramos em uma base no topo da estrada e nos preparamos para a descida em direção à Santa Maria, que estava do outro lado da montanha, à 1.400m de altitude. Outras 3 vans também chegavam por ali com outros grupos para iniciar o downhill.

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Pegamos a bike, ouvimos algumas instruções, como a de se manter em fila no lado direito da estrada, colocamos os equipamentos de proteção e nos tornamos mochileiros radicais:

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Depois de tudo encaixado, começamos a aventura.

Taca-lhe pau!

A estrada é toda de asfalto e conta com alguns trechos com cursos d’água em que você sai todo molhado se não freiar. Eu saí todo molhado. Raphael, que estava com a GoPro no capacete, disparou na frente, eu e Vitor fomos atrás. E entre alguns carros, caminhões, muitas curvas e precipícios, os grupos iam se ultrapassando.

Eu sou apaixonado por bicicleta, eu sou apaixonado por natureza, estar ali, naquele momento, contemplando aquela vista daquela forma, foi um dos pontos mais lindos da viagem e da minha vida. Esqueci até do meu espírito competidor, não queria passar ninguém e parava por diversas vezes para tirar fotos e admirar as montanhas.

Para ficar mais perfeito, eram mais de 50km de descida e até a primeira parada, foram quase 2 horas de downhill entre paredões, penhascos, e vistas fantásticas de alguns picos nevados.

Quando cheguei ao ponto de encontro do meu grupo, Raphael já estava lá, relatando quase ter caído ladeira abaixo por ter olhado para trás em um determinado momento. Vitor apareceu logo depois e quando a van do nosso grupo chegou, iniciamos a segunda parte da descida.

Dessa vez eu quis correr e ultrapassar todo mundo. E tirando o Raphael que entre algumas ultrapassagens sempre seguia na minha frente, eu estava conseguindo. Até que então… minha bicicleta resolveu dar PT: algo prendeu na corrente, o que me fez ter que fazer o esforço dobrado para pedalar, e depois de eu tentar tirar, a bendita corrente passou a soltar a todo momento.

Eu parava no meio da estrada por diversas vezes vendo todo meu esforço passando por mim. Umas 3 pessoas pararam para me ajudar, mas não tinha muito jeito e a corrente persistia em sair.

Cheguei com muito esforço no destino final quando todos já estavam lá, me coçando bastante graças aos ataques dos mosquitos. Após guardar os equipamentos, voltamos à van e seguimos em direção ao restaurante em Santa Maria, onde íamos almoçar.

El almuerzo

Comemos a clássica sopa de entrada e depois o clássico pollo (frango) com arroz. Depois de algum descanso o grupo se divide: quem fechou o tour de 4 dias se hospeda ali em Santa Maria e quem optou pelo de 3, escolhe entre ir às águas termais ou fazer o rafting e depois parte no mesmo dia para Santa Tereza. Como já tinha águas termais demais nesse mochilão, já havíamos decidido pelo rafting, é claro.

Vai molhadão! \o/

Entramos em uma outra van e fomos em direção ao Rio Urubamba, rio que nasce nos Andes e corta todo o Vale Sagrado. Depois de colocar os equipamentos, ouvir as instruções de como se deve remar e o que se deve fazer ao ouvir get down!, o grupo se divide entre os botes e entramos no rio.

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O rafting de nível 3 dura 2 horas, 2 geladas horas remando pra trás, pra frente enquanto você quase é arremessado do bote em algumas ondas que eu exageradamente poderia apostar que são de nível 6. Foi mais uma experiência foda à caminho de Machu Picchu, intensificada com gritos de guerra “vai safadão!” e “é baile de favela!”.

A aventura termina com o dia anoitecendo já, encontramos a van na margem do rio e voltamos ao ponto em que almoçamos. Chegando lá, nos secamos e partimos em direção a Santa Tereza por uma estrada escura que beira um penhasco. Depois de quase 1 hora, chegamos ao último destino da noite sãos e salvos.

Fomos hospedados em um quarto para 4 pessoas, juntos com uma belga que trabalhava na Bolívia e viajava pelo Peru. Tomamos um banho meio quente, meio frio e aguardamos o jantar.

Depois de encher a barriga em um animado mesão, onde conversamos com uma família de Lima, um grupo de amigos israelenses e a nossa companheira de quarto, todos no mesmo tour com a gente, voltamos ao nosso quarto e caímos na cama. Mortos de cansados pelo primeiro, intenso, radical e fodástico dia de Inca Jungle rumo à Machu Pichu!

 


 

Gastos do dia:

O downhill, o rafting e as refeições, transportes e hospedagem do dia estavam inclusos no tour.
Inca Jungle: S./546 (para os 3 dias)
Água e biscoitos: S./14

Cotação (de Cusco)R$ 1 = S./0,91

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#MochilãoCdM – Dia 08 | Cusco, Peru: De tanto tentar economizar, acabamos pagando para não ver

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Após uma noite de barrigas cheias e muita preguiça, acordamos cedo na tentativa de compensar o que deixamos de explorar no dia anterior em razão do cansaço. Mas antes de mais nada, fizemos nosso revezamento de banhos e tomamos o café da manhã, já incluso na diária do hostel. Aliás, preciso ser justo e falar um pouco melhor sobre o Kokopelli, local onde nos hospedamos na capital peruana do turismo.

Assim como os principais hostels da região, o Kokopelli é construído em um casarão histórico, mas quem vê a sua arquitetura extremamente tradicional não desconfia do quão confortável ele consegue ser. Pelos S./42 da diária que pagamos por uma cama estilo pod (que eu expliquei o conceito um pouco melhor relato anterior), está incluso ainda um café da manhã honesto, com pães, geleias e margarina, leite e suco à vontade. Há algumas restrições chatas, como a limitação de uma fruta por hóspede, que tem que dar o nome para validação a lista para que um funcionário dê a fruta, mas em compensação, nos melhores dias, há ainda opções de pudim e iogurte grego com flocos de arroz (maravilho, diga-se de passagem!) sem custo adicional. Mas ainda assim, a limitação de frutas soa uma mesquinharia um pouco exagerada.

É dia de pechinchar, bebê!

Com cafés da manhãs e banhos tomados, fomos para a rua pesquisar preços de tours. Não vou me estender muito nessa pesquisa porque, basicamente, agências de tours são o principal tipo de comércio em Cusco, com várias lojinhas nas mesmas ruas, oferecendo os mesmos roteiros e serviços, restando ao viajante, na base da lábia e pechincho, negociar as melhores oportunidades e, na base do feeling, fechar com aquele que transmitir maior confiança naquilo que oferece.

Nesse sentido, posso dizer que tivemos sorte com todas as agências que fechamos, mas ao mesmo tempo, vimos pessoas tendo problemas com elas e preferimos não recomendar, pois por economia, nem mesmo nós fechamos com as mais recomendadas. Em todo caso, para Inca Jungle Trail, todos (no albergue, na internet, nas conversas de bar, etc) recomendam a Lorenzo Expedition por ter sido a criadora do roteiro e especializada nesse tipo de trilha. Não fechamos com eles pelo preço, naturalmente um pouco mais caro, mas se você chegou aqui atrás de recomendação, essa é a melhor que lhes posso oferecer 😉

Border-line-of-alcoholismVoltando ao relato, apesar da pesquisa ter resultado algumas boas ofertas (sendo a melhor delas de uma simpática senhorinha que lavava a rua na porta da agência enquanto passávamos, mas explicou tudo com tanta propriedade e “honestidade” que acabamos decidimos ser “a escolhida”), decidimos não fechar nada nesse primeiro momento, pois almoçaríamos e voltaríamos mais tarde.

Vale dizer que nesse momento fomos abordados por um ambulante na rua vendendo casacos de “lã de alpaca” por $250 (dólares), com quem após muita negociação, conseguimos abaixar até comprar pelo preço de R$50 (reais).

Obs.: Mais tarde descobrimos que fomos parcialmente enrolados, pois não se tratava de lã de alpaca (acho até que fiquei mais feliz ao saber disso já que, pessoalmente, isso é mais motivo para não comprar) e sim sintética, mas mesmo assim, comparamos o preço com similares em lojas e em nenhum lugar encontramos por menos de S./100, então ponto para nós 😉

E foi aí que tudo mudou…

Enquanto rodávamos várias agências, conhecemos um brasileiro que trabalhava em uma delas. Paulista, ele nos contou que morava no Peru há alguns anos, após casar-se com uma peruana, e enquanto falávamos de muitos assuntos (dentre eles a história da lã alpaca que comentei acima, ele que nos contou não ser de real alpaca porque a real é fria por fora e quente por dentro, enquanto a nossa não era fria por fora), ele nos contou sobre as ruínas de Sacsayhuaman, um complexo de ruínas da região que poderíamos visitar a pé ou de táxi por cerca de S./10.

Pão-duros que somos, fomos a pé, e após cerca de meia hora andando com muitas ladeiras subindo (trauma!!!), chegamos na porta do Parque Nacional, onde precisaríamos pagar S./130 para visitação no complexo :O

Fomos pegos no susto pela informação. Como já deve ter ficado claro, viajávamos em um budget limitado, então esse custo surpresa de cerca de R$150 (convertendo para reais) não era algo que eu estava disposto a pagar. Raphael queria. Alluan estava na dúvida. E naquele impasse em que nos encontrávamos, outro “ambulante” tirou proveito da situação com uma proposta: fazer um caminho alternativo a cavalo por apenas S./45 por pessoa pelo tour + S./8 de táxi até o estábulo, que era meio longe, dividido entre todos.

Negociamos um pouco, fechamos por S./35 cada + o vendedor do tour entrar na divisão do táxi com a gente (o que resultou em S./2 por pessoa pelo táxi) e fomos. Chegando lá, cada um pegou o seu cavalo, conhecemos nosso guia (que não era tanto um guia e sim uma pessoa para “controlar” os cavalos caso acontecesse alguma coisa) e seguimos o caminho.

As paisagens são bonitas e o passeio é calmo (talvez até demais), mas gostoso de se fazer. Eu montei no Alquille e me empolgava a querer ir rápido, mas os cavalos têm uma “ética” estranha e meio que se recusam a se ultrapassar, seguindo quase numa fila indiana. O Alluan teve um pouco de dificuldade de se adaptar (ele não se dá muito com bem com animais em geral rs), mas superou o medo e seguiu sem problemas em todo o percurso.

A primeira parada foi no sagrado Templo de La Luna, onde o “guia” fica com os cavalos e nos deixa sair a explorar sozinhos. E ai está o grande problema desse passeio… Sozinhos a gente não aprende nada. Passamos por Puka Pukara, vimos algumas construções pré-incas de perto, mesa de rituais, etc, mas infelizmente jamais conhecemos a história por trás de tudo que vimos, o que naturalmente nos causou o arrependimento de não ter seguido com o tour tradicional, mais caro.

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Cusqueño

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Voltamos pelo mesmo, pegando os cavalos próximo ao Templo de La Luna e voltando ao rancho, agora num ritmo um pouco mais “rápido”, com direito a apostarmos algumas corridas, sempre ganhas pelo Blanco, cavalo do Raphael.

Do rancho até San Blas, por onde iriamos passar para voltar ao Centro de Cusco a pé, passamos do lado de parte das ruinas do complexo de Saqsaywaman. Nesse momento o arrependimento bate ainda mais forte.

Os comedores de alpacas :’(

Terminado o passeio, descemos entre as ruelas de San Blas no caminho de volta ao centro de Cusco. Já morrendo de fome, enquanto ainda descíamos as ruas, demos de cara com a placa de um lugar simples, mas com um preço honesto, e no confortável Blue Alpaca experimentamos um delicioso hamburguês de alpaca com um suco de limão por apenas S./15 por pessoa. Demorou um pouco, admito, mas da simpatia da jovem atendente até o sorriso da cozinheira, o tempo de espera foi o menor das nossas preocupações.

Pagamos e voltamos ao hostel, mas não sem antes passarmos na farmácia para o Alluan comprar Ibuprofeno, medicação que recomendaram para evitar o mal de altitude. Melhor decisão tomada! Confesso que folhas de coca em momento nenhum me pareciam fazer efeito, mas com esse remedinho, pouco sentimos os efeitos da altitude (pelo menos até a Chacaltaya, na Bolívia, mas isso vocês saberão mais para frente nos relatos).

Já era de noite, e voltamos na senhorinha que havia nos oferecido o tour barato e confiável pela manhã decididos a reservar. Infelizmente, a agência já havia fechado. E foi assim que acabamos tendo que recomeçar as buscas do zero no dia seguinte.

Depois de enrolar bastante nos confortáveis sofás do hostel, tomar banho e nos arrumar, começamos a noite no bar, na base de Brahma e alguns drinks, onde conhecemos uma brasileira que começava naquele dia a trabalhar no bar do Kokopelli. Ela nos contou como descobriu o hostel no conhecido Worldpackers (que eu também usei recentemente, pagando, e qualquer dia desses faço um post explicando como funciona), mas entrou em contato diretamente com eles para garantir a vaga sem a necessidade de pagar a taxa. Ela foi a segunda pessoa que conheci na viagem que diz ter feito isso. Então caso seja da sua vontade fazer algo do tipo, fica a dica 😉

Uma noite abaixo das expectativas…

Algumas cervejas depois, passamos em um McDonald’s (S./19) e seguimos para uma das mais famosas boates para turistas em Cusco, a The Temple. Próximo à Plaza de Armas, ela é uma das mais famosas pois tem acordo com vários hostels da região, com hóspedes entrando de graça. E foi o nosso caso. Lá dentro, confesso, rolou a decepção após tantas recomendações…

Embora os comentários do Tripadvisor sejam positivos, para o meu gosto, a boate é MUITO turística, em um sentido negativo. A músicas são, em geral, pop music americano de no mínimo cinco anos atrás (imagine “Umbrella”, da Rihanna, como um dos hits mais recentes, pra se basear) e o público além da grande maioria de americanos e europeus, conta com algumas pessoas locais claramente sem a melhor das intenções, e por isso entenda embebedando gringos e tal.

Além disso, não parece haver um controle de idade muito eficiente, uma vez que não era incomum ver meninas peruanas (por peruanas, eu deduzo, devido à fisionomia de características andina delas) muito jovens, quase pré-adolescentes, beijando com gringos na casa dos 30 anos. Não é o tipo de situação que me deixa confortável.

Tendo tudo isso em vista, ficamos algumas horas, mas um pouco desapontados, preferimos nem beber, apenas dançar.

Se tem uma coisa que somos, independente de viajarmos juntos, é independente e, dito isso, o Alluan foi o primeiro a decidir ir embora. O Raphael ainda estava animado dançando, dai eu optei ficar com ele lá, mas uns 10 minutos depois também decidi ir, com o Raphael decidindo ficar mais um pouco, mesmo sozinho, porque as meninas do bar do hostel haviam dito que iriam para lá após o término do turno.

E assim eu me fui, sozinho, a pé, de madrugada pelas ruas de Cusco. Comentaram que não foi das decisões mais inteligente que tomamos (afinal todos nós fomos sozinhos, separadamente, de madrugada e a pé), mas a verdade é que nenhum de nós teve sensação de insegurança no caminho de cerca de 15 minutos caminhando.

Após uma boate meia boca, uma noite de sono caiu bem, mesmo sabendo que teríamos que acordar cedo para procurar um outro tour para fechar em pleno domingo.

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