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La Paz, Bolívia: Pechinchando por tudo e pombos. Muitos pombos!

Depois de um dia de literalmente arrancar o ar do peito de qualquer um, no nosso último dia em La Paz. Inicialmente, a ideia era incluir Sucre no roteiro, mas o cansaço nos fez tomar a decisão foi de tirar o pé do acelerador e passar o dia andando um pouco sem destino pelas ruas da capital, um programa que eu particularmente adoro.

Algumas vezes, não tem tour que supere uma boa caminhada entre os locais de uma cidade. Começamos o dia simplesmente circulando as subidas e descidas das feiras de rua enquanto negociávamos absolutamente qualquer compra com qualquer pessoa.

Nessas horas é mais legal ainda ser gringo… Não sei vocês que estão lendo, mas por algum motivo, no Brasil eu acabo evitando chorar preços, mas fora da minha tão amada nação, nunca existiu um cara tão chorão por centavos quanto eu. E se eu já havia provado isso em outras oportunidades como Paracas, por exemplo, aqui não poderia ser diferente.

Até pelo preço, pois quando comparado com o real, a Bolívia é de fato um país barato, lá foi o lugar onde comprei mais bugigangas para dar de presentes, entre casacos, meias, cachimbos, toucas etc. E foi em meio a todas essas negociações que acabei me perdendo do Alluan e Raphael, decidindo voltar pro hostel para descansar um pouco.

Raphael e Alluan voltaram para o almoço (que acabou sendo no tipiquíssimo  Burger King) e voltamos para rua, onde andamos mais um pouco, comemos alguns doces (que mais tarde não fizeram tão bem ao frágil estomago do Raphael rs), vimos um grupo típico tocando na rua (perguntamos pra algumas pessoas o porquê, que ninguém soube informar) e seguimos sem rumo até uma bonita igreja na Praça Murillo, um local que aparentemente abriga diversos prédios públicos, algo que foi mais evidenciado pelo forte policiamento da região, que por um momento nos fez pensar que estava rolando alguma merda.

Observamos atentos, mas sem merdas aparentes, eu e Raphael sentamos nas escadas em frente a uma igreja e foi um momento estranho. Estranho pois foi talvez o primeiro momento da viagem em que simplesmente respiramos, e sentimos uma paz tão grande, mas tão grande, que foi de encher os olhos de lágrimas.

Era só a gente (e o Alluan, que depois vi que havia tirado várias fotos nossas nesse momento), um bando de pombos e as bandeiras balançando com o vento. Foi reflexivo, mas mais do que tudo, foi de cair a ficha. Nós estávamos vivendo aquilo que por meses era expectativa. E viver aquilo era muito, muito estranho <3

A noite, seguimos de volta para a caótica rodoviária de La Paz, de onde pegamos um ônibus madruga adentro para a aguardada cidade de Uyuni.

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#MochilãoCdM – Dia 05 | Arequipa, Peru: O Mal da Montanha surge no 2º maior cânion do mundo

Acordamos às 4h da manhã, como jovens organizados, já havíamos deixado as mochilas arrumadas, então só foi preciso levantar e colocar as outras camadas de roupa. Eu estava com uma blusa de manga comprida, uma blusa de manga curta, um colete e um casaco bem grosso por cima. Além de uma calça e uma bota para trekking.

Depois de tudo ajeitado, pagamos a hospedagem do dia anterior e fomos para a rua. A agência American Tours tinha combinado de nos buscar as 4h30 na porta do hostel, mas como não estávamos tão confiantes disso e por ela ser apenas à 1 quadra dali, fui até ela enquanto Raphael ficou na esquina e o Vitor ficou na rua do hostel. E nos comunicamos gritando às 4h da manhã na ruas de Arequipa. Passaram várias vans brancas de outras agências até que surgiu a nossa.

A viagem tinha duração de 3 horas. Passando pela madrugada escura de Arequipa só deu para notar que era uma cidade grande, e assim como toda metrópole, contava com algumas periferias. Depois de alguns cochilos, a van sai da cidade e começa subir as montanhas. E foi ai que o bagulho começou a ficar sério.

Arequipa está a 2.300m de altitude e a estrada para se chegar em nosso primeiro destino contava com trechos que atingiam quase os 5.000m de altitude. E a cada metro de subida embalado pelas curvas da rodovia, meu estômago revirava e eu sentia o Mal da Montanha cada vez mais perto de mim. Pela janela era possível ver neve (primeira vez que eu vi tão perto) mas eu só conseguia pensar em controlar meu corpo. Até um momento em que não consegui, peguei rapidamente um saco com o Raphel e botei para fora o que estava me incomodando.

 

 

Ao chegar em nossa primeira parada, Chivay, uma pequena cidade do Vale do Colca, já havia amanhecido e eu me sentia muito melhor a 3.600m de altitude. Depois de pagarmos a taxa de entrada do vale, S./ 40 para sul-americanos, fomos tomar o café da manhã desayuno.

Haviam pães, manteiga, geleia, suco e água quente para o chá. Também nos foi oferecido folha de coca, uma erva tradicional andina e de grande ajuda para combater os más sintomas da altitude. Eu prontamente peguei uma, mastiguei e engoli. Tinha gosto de boldo e descobri logo após que basta ser mastigada como chiclete e depois cuspida. Engolir folha de coca pode causar dor de barriga. Aproveitamos e compramos água e um pacotinho com balas de coca também.

Os maiores do mundo

A próxima parada foi na estrada para ver alguns condores descansando nas montanhas. O condor é a maior ave voadora do mundo, parente do nosso urubu, é uma ave negra símbolo nacional do Peru e de outros países dos Andes. Pela sua imponência tem um papel importante na cultura e nas crenças andinas, como na cultura inca, onde é considerado um animal sagrado e compõe parte da trilogia: representada também pelo puma e a serpente.

Depois disso, passamos por alguns vilarejos e chegamos à Cruz del Condor, o mirante mais foda que eu já mirei, onde é possível ver as aves voando livremente sob a imensidão do Vale do Colca. Uma visão do caralho!

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Foto de Frode Blixt

O Valle del Colca foi formado por diversas atividades vulcânicas da região, há milhares de anos atrás, e graças a erosão causada pelo Rio Colca e outros diversos fatores, deu origem ao Canion del Colca, defendido pelos nativos, como o maior cânion em profundidade do mundo. Com 4.160, o Colca tem mais do que o dobro de profundidade do Grand Canyon dos EUA.

Quero minha casa

A vista é de se emocionar e de não conseguir registrar em fotos, porém tive pouco tempo para contemplar o mirante. Até o momento, eu estava crente crente que todo mal da altitude tinha ficado naquele saco de vômito. Errado. Depois de algumas fotos, parece que tudo voltou em poucos segundos. Uma dor de cabeça fraca que estava me incomodando, aumentou. Meu estômago começou a revirar, comecei a ficar tonto, suar frio, a sentir dor na barriga e não conseguia caminhar direito. Avisei meus amigos, mas não havia muito o que fazer. Fui até a beirada do mirante e vomitei ali, montanha abaixo do Valle del Colca.

Tive um pouco de alívio, um pouco. Uma guia de um outro grupo chegou para tentar me ajudar. Perguntou o que eu estava sentindo, disse que era devido ao soroche, o mal da montanha, e me indicou folha de coca, isotônico, voltar para a van e ficar com os pés para o alto. Uma outra pessoa apareceu me oferecendo um chá, que só de ver a cor me deu vontade de vomitar novamente.

Enquanto todos falavam e tentavam me dar dicas, eu só pensava em uma maneira de sair daquela altitude e daquele frio. Eram quase uns 100 turistas no mirante e eu não via ninguém passando mal, ninguém. Queria meu Rio de Janeiro, e se tivesse um voo direto para casa naquele momento, eu iria.

Conversei com uma guia sobre a possibilidade de voltar para Arequipa naquele momento, ela me disse que seria melhor eu seguir o tour, porque eu iria descer, diferente do caminho de volta para a cidade.

Depois de vomitar mais uma vez, fui no banheiro, sentia que tinha parte do mal da montanha querendo sair por outra parte do meu corpo. Ciente de que já estava estourando o tempo de visitação ao mirante, andei mais rápido, mas oxigênio na altitude não é fácil de encontrar.

Após terminar minha tarefa no vaso sanitário, notei que não havia papel higiênico, uma falta que seria constante durante viagem. Eu só escutava voz feminina e estrangeira, rezando por um milagre e já pensando em outras soluções, eis que surge o Carlos, São Carlos! Um paulista que estava na nossa van e foi me chamar, pois eles já estavam saindo. Pedi a ele, e ele pediu alguém, me salvando de alternativas que eu não poderia mencionar nesse relato.

De volta a van, eu me senti melhor, acreditando mais uma vez que o Mal da Montanha havia me deixado (inocente). Nesse ponto, quem optou pelo tour de 1 dia, volta em direção à Arequipa, parando em alguns outros pontos do Colca. Já quem optou por trekking, segue para o ponto de partida da aventura.

Meu Deus, chegou o trekking

Chegamos na base para iniciar o trekking e fomos apresentados ao nosso novo guia, Royal. Pudemos também comprar água e nos preparar, o que se resumiu em tirar um dos casacos. Diferente dos outros mochileiros, que nesse momento quase que trocaram de roupa, passaram produtos na pele, tiraram o chapéu da mochila, entre outros atos que nos fizeram sentir despreparados para o que estávamos nos metendo.

Eu tomei um chá de coca, por precaução, comi uma banana e comprei um cajado de madeira para me ajudar na caminhada. Além de fazer uma oferta à Pacha Mama, a Mãe Terra, uma das deusas da mitologia inca e ainda bastante presente no que restou da cultura andina. A oferenda, que consiste em empilhar algumas pedras e pedir proteção, estão espalhadas por todo Peru.

A primeira parte do trekking foi em um terreno plano em que andamos em direção a boca do cânion. Chegando a borda, tivemos mais uma vista surreal e iniciamos a descida.

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Lá embaixo, nosso destino final do dia, o vilarejo onde dormiríamos. Foto de Frode Blixt.

A manhã do primeiro dia de tour consiste em chegar até o ponto mais baixo, onde atravessamos o Rio Colca e almoçamos em um dos vilarejos do cânion. Uma descida de quase 4h em que o meu cajado foi essencial. Apesar de ‘para descer todo santo ajuda’, depois de algum tempo o corpo começar a reclamar do trabalho de ficar se travando e freando para não cair precipício abaixo.

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No nosso grupo, além de eu, Raphael e Vitor, estavam 2 noruegueses e o paulista Carlos, que me salvou. Juntos ao nosso guia, descemos em um ritmo constante, parando para algumas fotos. Com o esforço físico e o sol cada vez mais em cima, o frio ia se afastando, graças a Deus!

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Foto de Frode Blixt, nosso amigo norueguês

Depois de algumas horas, movidos a água e bala de coca, chegamos ao fundo do cânion, às margens do Rio Colca. Descansamos um pouco sentados no início da ponte e depois a atravessamos. Do outro lado nos esperava uma subida bem íngreme de uns 10 minutos que nos levaria ao vilarejo em que iriamos almoçar.

Raphael e o resto do grupo subiam bem. Vitor cansava um pouco rápido, precisando parar durante a subida para recuperar o fôlego. Meu corpo estava tranquilo até então, mas creio que devido ao esforço da subida e o oxigênio que não vinha, voltei a passar mal, voltou o enjoo e a dor de cabeça. E ao terminar a curta subida, comemorei vomitando mais uma vez.

A hora do (f)rango

Melhorei um pouco, o suficiente para chegar ao ponto de almoço. Já tinham alguns outros grupos ali também e logo depois foram chegando mais outros. Me sentia em um exame chunin em que meu guia era o sensei da minha equipe.

No almoço nos foi servido um caseiro prato de entrada (sopa) e o prato principal (arroz com pollo, como eles chamam o frango). Eu tentei comer alguma coisa, beber uma inka cola, mas só adiantou para eu ficar ainda mais enjoado e vomitar novamente, dessa vez na sacada que dava pro mato do humilde restaurante.

Voltando a passar mal, pensei até em ficar no vilarejo descansando enquanto meu grupo seguia em frente. Não estava confiante de aguentar mais algumas horas de trekking até o ponto em que iríamos dormir.

Pensando em dormir, acho que cochilei na cadeira durante alguns poucos minutos. Um cochilo divino, que ao acordar, só me incomodava uma dor de cabeça ainda. Tomei mais um chá de coca e motivado pelos meus amigos, e por Royal, nosso guia que se mostrou a todo momento preocupado comigo, levantei e segui em frente mais uma vez.

Mais trekking

O início foi tranquilo, o caminho era plano, e entre um biscoito salgado e água, eu ia melhorando. Após algum tempo chegou a parte da subida, mas graças a Deus e a Pacha Mama não passei mal. Vitor precisou parar em alguns momentos para encontrar oxigênio enquanto o resto do grupo subia em um ritmo constante.

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Foto de Frode Blixt

No fim da subida, tivemos uma parada em um quiosque de nativos para comprar alguns snacks e água. Depois seguimos em caminho plano, passando por alguns vilarejos, e logo após uma descida de volta ao Rio Colca e ao fundo do cânion.

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Enfim, o oásis!

Depois de 3 horas, chegamos com o sol quase indo embora no oásis, um grupo de casas que ficam ao fundo do cânion e hospedam os turistas loucos que inventam de fazer isso esse tour.

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O ponto de chegada do 1° dia. #MochilãoCdM

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Nosso guia nos acomodou em um quarto junto com os dois amigos noruegueses e quase choramos de emoção ao ver que tínhamos chegado ao destino final daquele dia. Tomamos um banho de água gelada num protótipo de chuveiro sem luz e aguardamos o jantar no quase bar/restaurante, onde podemos conhecer mais o grupo que estava viajando com a gente. Conversamos sobre nossa vidas e embalados por algumas cervejas Vitor e Raphael talkeavam de projetos até a politica brasileira com os noruegueses e o Carlos.

Eu só escutava, admirando as fotos do dia no meu celular e rezando para conseguir sair daquele cânion no outro dia de manhã. Por fim, jantamos uma sopa e mais um prato de arroz e pollo (frango) e fomos nos deitar.

Não sem antes o Vitor barganhar e agendar a mula dele por S./50 para a subida do dia seguinte. Nosso guia nos havia prometido um trekking mais curto para sair do cânion, porém alertou que seria uma subida íngreme de mais de 2 horas, começando às 4h da manhã. Vitor já estava bem cansado e optou por uma outra opção segura, segundo nosso guia, subir o cânion montado em uma mula.

Eu, confiante de que acordaria 100%, dispensei a mula e subiria a pé com o Raphael e meu grupo. E rezando a Deus e a Pacha Mama, iluminado por um dos céus mais estrelados que eu já vi na vida, fui dormir, no fundo de um cânion do outro lado da América do Sul.

 


Gastos do dia:

Tour de 2 dias: Vale do Colca – S./110 (transporte, refeições e hospedagem inclusa)
Taxa de entrada no vale – S./40 (para sul-americanos)
Gastos com água – S./13
Gastos extras (banana, chás, cajado) – S./5

Gasto médio total: S./168 (por mochileiro)

Cotação: R$ 1 = S./0,84

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#MochilãoCdM – Dia 04 | Arequipa, Peru: La Ciudad Blanca, o primeiro encontro com frio e altitude

Acordei em algumas momentos da madrugada e não via nada pela janela do ônibus, e quando o dia começou a amanhecer continuei vendo o nada do deserto. Se no Brasil você só enxerga mato ao viajar entre cidades distantes, no Peru você só enxerga deserto, deserto e deserto. Pelo menos nessa região do país.

Depois de algumas horas, o ônibus que saiu na noite anterior de Ica, começa enfim a se aproximar de Arequipa. Subindo demais, nos afastando do mar e nos aproximando da Cordilheira do Andes, o deserto começa a dar lugar a pequenos cânions e vales, pequenos comparado ao que veríamos ainda, mas gigantes se comparados ao contido relevo carioca, por exemplo.

Arequipa, La Ciudad Blanca

Chegamos bem cedo em Arequipa, atingindo os 2.300m de altitude. O terminal de autobuses  ficava a alguns minutos do centro da cidade e tivemos que pegar um táxi por S./8 para irmos em direção ao hostel, que o Vitor já tinha pesquisado no dia anterior pelo Hostelworld. O taxista não o conhecia, mas pudemos localizá-lo graças ao mapa que eu tinha baixado de Arequipa, disponível no modo offline do Google Maps. Uma função que nos salvou em diversos momentos da viagem. Dica do primeiro dia do nosso amigo e host Vincenzo.

Encontramos o Dragon Fly Hostel bem rápido e em uma ótima localização, bem próximo à Plaza de Armas, centro da cidade de Arequipa. O hostel era bem legalzinho, a hospedagem era S./ 29, mas por algum motivo estavam com desconto e pagamos S./24. Nos acomodamos, tomamos enfim um banho, depois do intenso dia anterior e descansamos um pouco atualizando nossas redes sociais.

Depois de alguma enrolação, saímos para almoçar, conhecer a cidade e procurar uma agência para fecharmos o tour que queríamos fazer no outro dia.

Bastou andar um pouco pelo centro histórico para constatar a razão de um dos apelidos de Arequipa. Devido a uma rocha vulcânica de cor branca estar bastante presente em sua bela arquitetura colonial, a cidade é conhecida como La Ciudad Blanca. Um branco histórico que realmente reluz por toda cidade, principalmente nas construções da Praça de Armas, como na imponente Basílica Catedral de Arequipa (foto). O monumento religioso também conta um museu, que não entramos devido ao preço de S./ 20. 😉

Passeando ainda pela Plaza de Armas, trocamos mais alguns reais em um cambio muito melhor do que o aeroporto de Lima: S./0,84 por R$1. Pudemos ver algumas agências turísticas que ficamos de voltar depois que matássemos nossa fome e também fomos convidados a almoçar em alguns restaurantes do entorno, claramente com preços salgados.

Seguindo a dica do Rafael do blog Viajante Primata, que foi a Arequipa recentemente, nos afastamos da praça e fomos procurar um preço mais em conta na ruas ao lado. Logo na primeira entrada achamos um restaurante formidável com cara bem caseira e um nome sugestivo: La Vuelta de La Plaza. O menu anunciava um dos pratos típicos do Peru: Lomo Saltado, reconhecido quase imediatamente pelo Vitor, o gourmet do grupo.

Conferimos os valores, entramos e pedimos o prato que custou apenas S./10 e mais uma Inka Cola por S./3,5 (um refrigerante amarelo bem tradicional e bem doce do Peru). Depois de alguns poucos minutos já não havia mais nada de uma das melhores refeições da viagem, na minha opinião. <3

Após o almoço, continuamos a caminhar pelo centro histórico de Arequipa, que reserva alguns pontos turísticos que não se pode deixar de ir, como o Monastério Santa Catalina, que não fomos haha. A entrada é bem cara, S./40, mas houve quem dissesse depois que vale a pena.

Caminhando entre as ruas, descobrimos um ponto histórico nem tão turístico assim. O Palácio Viejo, ou o que sobrou de suas ruinas restauradas. A construção tem quase 500 anos e foi uma linda e gratuita alternativa para conhecer a branca arquitetura colonial de Arequipa. É a foto de capa do relato também.

Voltando para o hostel, passamos na agência American Tours, uma que tínhamos conversado antes de almoçar, e fechamos o tour para o Cânion del Colca, 2° maior cânion do mundo e um dos principais destinos dos turistas que visitam Arequipa.

Depois de algumas negociações, conseguimos o valor de S./110 para o tour de 2 dias, um bom preço segundo minhas pesquisas em relatos anteriores. Cientes e alertados que havia trekking, fechamos o tour, sem saber que estávamos entrando na maior arriscada aventura da viagem.

Lembrando que é possível conhecer o Colca em um tour de 1 dia e 3 dias também. Mas devido ao de 1 dia ser bem superficial e não ter trekking e ao de 3 dias ser o mesmo tour do de 2, sendo que em um ritmo mais tranquilo, optamos pelo de 2 dias. Estávamos loucos e meios apertados para encaixar toda trip em 1 mês.

Após tudo acertado, marcamos um 10 no hostel e fomos jantar em algum lugar. Já era noite e a cidade já começava a nos apresentar um frio acima do permitido em solo carioca. Depois de nos informarmos, encontramos um McDonald próximo a Praça de Armas e fomos comer um hambúrguer.

No caminho, passamos por uma loja que estava vendendo uma mochila beeem barata, S./20. Como minha bolsa de ataque tinha rasgado, resolvi comprar para o trekking no dia seguinte. Raphael e Vitor me acompanharam, e saímos com 3 mochilas vermelhas, que seriam fiéis companheiras em todos perrengues até o fim da viagem.

Voltando para o DragonFly, de barriga cheia, arrumamos nossas coisas e fomos dormir empolgados. Acordaríamos às 4h no outro dia num frio do cacete para embarcar em um tour digno de aventureiro. o/

 


 

Gastos do Dia: 

S./8 – táxi até o hostel (S./ 2,6 para cada)
S./24 – hospedagem DragonFly Hostel
S./13,5 – almoço + inka cola
S./18,5 – mcdonald

Gasto Total: S./58,6 (por mochileiro)

Cotação: 1 real = 0,84 soles

 

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#MochilãoCDM – Dia 02 | Lima, Peru: É domingo e feriado, mas (quase) todos trabalham. WTF, Peru?

Depois de uma chegada no mínimo animada (que você pode ler com mais detalhes clicando aqui), é claro e evidente que a ressaca de alguma forma se faria presente. Mas nada que, com um pouco de esforço, não pudesse ser superada. E isso logo às “8 de la mañana”… 😱

Para começar o dia bem, logo que acordamos Raphael encontrou em suas coisas um bilhete do Jaime, nosso amigo nicaraguense que conhecemos na noite anterior. E é aí que a gente começa a lembrar como é viajando que conhecemos as melhores pessoas!

Apesar das poucas horas juntos, Jaime nos deixou um bilhete fofo nos convidando a visitar seu país natal e uma nota de dez córdobas nicaraguenses simbolizando o convite. Como não amar pessoas assim?! <3

Após a nossa primeira noite de couchsurfing (diga-se de passagem, num sofá mais confortável que minha cama “normal”), Alex, um peruano que era um dos nossos hosts no apartamento, estava cedo à nossa frente gentilmente se oferecendo para nos dar um tour de carro pelo Centro Histórico de Lima, e assim o fizemos.

Apesar de ser do Peru, Alex é nascido, criado, morador e trabalha em Miraflores, região nobre de Lima. Dito isso, a experiência de descoberta valeu tanto para nós, turistas brasileiros, quanto para ele, que pouquíssimas vezes havia precisado passar pelo Centro Histórico espontaneamente.

A região por si só tem uma arquitetura bastante marcante e de fortes influências dos espanhóis, como é de se esperar devido à sua força como colonizadores, mas que de uma maneira geral, se repete em grande parte do Peru.

Dito isso, em parte por culpa da nossa ressaca da noite anterior e falta de familiaridade do nosso guia com a região, nosso passeio não durou muito mais que o tempo de cruzar algumas ruas, tomar um café, comer uns churros e entrar em algumas igrejas, como o Convento San Francisco y Catacumbas, mostrada na foto mais abaixo.

Mas se é pra ser sincero na opinião, segue uma que certamente é controversa.

Para mim, se há uma região visualmente “em comum” entre várias grandes cidades da América do Sul, essa é a região central / downtown delas, normalmente com uma notável arquitetura peculiar e histórica, comercialmente forte durante o dia, perigosas durante a noite, etc. É assim no Rio, em Montevidéu, Buenos Aires e em boa parte do Centro de São Paulo e, nesse ponto, Lima não é muito diferente.

Mas isso é questão de percepção e apenas uma forma de justificar o quão pouco exploramos a região nesse relato (peço perdão pelo vacilo rs).

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Centro histórico de Lima. #MochilãoCdM

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Durante o retorno à Miraflores, ficou claro que Alex estava cada vez mais “de volta” ao seu habitat natural e foi nos explicando um pouco mais sobre a curiosa realidade na qual vivem os peruanos da região de Lima.

Se no Brasil terremotos são raros e, quando ocorrem, são sentidos em pouquíssimos lugares e com fraca intensidade, no Peru eles fazem parte da realidade, o que faz com que todas as construções da cidade sejam planejadas para resistirem aos tremores de terra, como o sofrido pelo país em 1992, segundo Alex, o de maior escala que a geração dele já sentiu.

Vale pontuar ainda que, ao longo de todo o ano, Lima sofre diversos pequenos tremores por várias vezes devido à sua localização geográfica, ao ponto de não serem mais motivo de grandes preocupações pelos moradores e visto como algo natural, o que certamente é estranho de acreditar para nós, brasileiros, cujas maiores movimentações que sentidas são no bolso, durante tempos políticos conturbados, como o atual.

Já de volta ao bairro, próximo à orla chamam atenção ainda algumas grandes rochas acumuladas umas sobre as outras e protegidas por uma rede para evitar deslizamentos. Nada mais que mais uma “tática de contenção”, caso tremores mais fortes acabem dando origem à tsunamis. 😱 E é considerando essa possibilidade que nenhuma residência pode ser construída a frente dessa contenção, como forma de precaução.

Ainda assim, soa assustador viver tão próximo do mar sabendo dessa possibilidade, mas pela calma e paz que Vincenzo e Alex transmitem, essa é uma possibilidade claramente superada pelos benefícios da nobre região (além da vista foda que o apartamento deles rende). ❤️

De volta ao apartamento, como bons cariocas que somos, tiramos alguns minutos para fotos e apresentar novos clássicos do funk brasileiro ao Alex, como MC TH e Inês Brasil, e a reação, como esperada, foi de um mix de sorrisos e constrangimento embutido, embora ele claramente não conseguisse entender a poesia das letras por conta das barreiras de idioma.

Com o término da nossa sessão musical, a fome já começava a apertar. Enquanto procurávamos online onde comer, Alex foi encontrar seus pais para almoçar e nós saímos sozinhos para explorar a região e encontrar o pequeno, mas elogiadíssimo no TripAdvisor, Al Toke Pez. Foram quase 30 minutos de caminhada até o bairro de Surquillo, vizinho não-tão-nobre à Miraflores, recompensado com um combo simples, mas extremamente bem feito, com cebiche misto, chicharrón de pescado e arroz com mariscos, acompanhado com um copo de chicha morada que claramente não foi suficiente e tivemos que pedir outro cada.

No total, o combo custou S./ 15 e o copo extra de chicha mais S./ 1,50, totalizando S./16,50 em uma refeição MARAVILHOSA! Tão maravilhosa que em breve teremos um post exclusivo para ela, explicando os pratos e como chegar até lá.

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Uma jornada ao encontro do melhor e mais barato ceviche.

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Ainda enquanto íamos, havíamos descoberto por acaso que as populares ruínas de Huaca Pucllana (que já estavam na nossa to-do list para a cidade) eram no caminho e tentamos aproveitar a oportunidade para cortar essa atração da lista. Mas não contávamos com um pequeno detalhe: assim como no Brasil, em 01 de maio é comemorado o dia dos trabalhadores no Peru, sendo esse um dos únicos dias do ano em que as ruínas não estavam abertas para visitação. 😢

Ficamos na porta e chateados, uma vez que sabíamos que aquele seria nosso único dia em Lima e, portanto, não conseguiríamos voltar para visitá-lo depois. Mas como vocês não merecem deixar de conhecer sobre esse ponto da viagem por conta da nossa (falta de) sorte, seguem alguns relatos bons sobre a visita: Dicas das AméricasUma Senhora Viagem e Viagem Primata.

Ao sair de Huaca Pucllana e com a notícia de que, assim como ela, todas as ruínas da capital peruana estavam igualmente fechadas, decidimos aproveitar o resto do nosso dia relaxando na Malecón Cisneros, orla de Miraflores.

Assim como a orla de Montevidéu ou um domingo no Aterro do Flamengo, a “Malecón” de Lima é recheada de famílias e atividades para todos os gostos. Desde grandes e verdes gramados para um piquenique até um grupo de capoeiristas brasileiros, literalmente “manjando dos paranauês”.

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Mais feliz impossível.

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Voltando ao apartamento, já no fim da tarde e sedentos por um banho, encontramos Vincenzo e sua namorada animados para nos levar em um shopping popular na região do qual não me recordo o nome no momento. Seria incrível… isso se já não estivéssemos mortos de todo o dia e nos preparando para ir ao “Parque das Águas” pela noite. E foi aí nos encontramos no que certamente é o ponto mais “complicado” do couchsurfing: dizer não ao host.

Não me entendam errado! Nunca fomos obrigados, nem induzidos, nem forçados, nem pressionados a absolutamente nada. Mesmo! Mas tendo hosts tão legais quanto Alex e Vincenzo sempre dispostos a ajudar e se oferecendo para apresentar a cidade nas pouco mais de 24h que prevíamos ficar por lá, um simples “não” pode soar até ingrato… Mas dada a situação, preferimos explicar a situação para ele que, claro, entendeu e ainda nos explicou as melhores formas de chegar ao Parque. O lado negativo é que perdemos a oportunidade de conhecer melhor aquele que já havia se mostrado incrivelmente gente boa e amante do mundo durante os meses de conversas por Facebook que antecederam nossa ida.

Depois de banho tomado e energias recarregadas (tanto no sentido literal das baterias dos celulares quanto figurado, para os nossos corpos), seguimos já de noite até o “Parque das águas”. Para tanto, as formas recomendadas para ir de Miraflores até lá seriam um táxi ou dois ônibus.

Pães duros que somos, no lugar dos dois ônibus, preferimos caminhar por cerca de 30 minutos em ruas desertas típicas de um domingo à noite (mas ainda assim, diferente de boa parte do Rio, com boa sensação de segurança) até um ponto de nós pegamos um tradicional “colectivo”, que são como vans piratas, mas que no domingo tinham em maior frequência que os ônibus normais. Pagamos S./ 1,50 cada nos “colectivos” e, apesar de desconfortável por serem verdadeiras latas velhas, foi uma viagem rápida e tranquila.

Chegando lá, pagamos mais S./ 4 de entrada e pronto, estávamos dentro do parque. Essa é a parte onde eu preciso alertar que todo relato é baseado em opinião e elas variam por pessoa e, claro, personalidades.

Dito isso, quem me acompanha no meu snapchat (vitordmartins), me viu criticar profundamente o passeio. Resumidamente, a minha percepção de uma das atrações mais recomendadas de Lima é de que tudo parece algo meio infantil. Um lugar para onde eu poderia levar o meu sobrinho de dois anos num domingo em que ele estivesse entediado e ele ficaria com os olhos brilhando de felicidade.

Mas para eu, sozinho com dois amigos, foi um programa extremamente bobo e desnecessário. Nada demais. Apenas muita água, algumas luzes e, sei lá, famílias comendo pipoca… Minha opinião geral: Eu dispensaria.

Por outro lado, para toda história podem haver mais de uma versão.

Quem acompanhou o dia pelo Snapchat oficial do CdM (carasdomundo), acompanhou um ponto de vista completamente diferente do meu. Raphael e Alluan adoraram o passeio! Não lembro no de qual exatamente, mas com o perfil do CdM logado no celular de um deles, a visão passada foi de um passeio bonito, completo e muito satisfatório. A verdade é que teremos que concordar em discordar.

Minha dica é, por ser um passeio famoso e tradicional para qualquer um que faça turismo na capital peruana, não deixe de fazê-lo. Claramente as chances de você gostar ou não variam conforme a sua vivência e personalidade, então S./ 4 é um preço barato a se pagar caso você não curta, concorda?!

Terminada a visita ao Parque, voltamos ao apartamento (dessa vez de ônibus normal, que passou antes do colectivo e custou os mesmos S./ 1,50) e fomos dormir já tendo em mente que no próximo dia pegaríamos um ônibus para Paracas às 3h da manhã e o início do primeiro grande dia de “aventuras” da viagem. Mas essas são histórias para o próximo relato! 😉

E caso pretenda ir à Lima e queira se arriscar num couchsurfing com dois hosts incríveis, fala nos comentários que eu envio privadamente o perfil do Vincenzo na rede para que você possa confirmar a disponibilidade deles. Recomendo muito esses rapazes!

Hasta la proxima!

 

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#MochilãoCdM – Dia 1 | Lima, Peru: ‘Empezando’ a trip com um couchsurfing em Miraflores

Cheguei às 14h no Aeroporto Internacional do Galeão e encontrei mis amigos, Vitor e Raphael, já com checkins checados e as devidas malas despachadas. Depois de também realizar minhas tarefas, fômos para a sala de embarque, mas não sem antes passarmos pela revista e eu ter tido meu canivete descoberto dentro da minha bolsa de mão. :O

O que foi uma surpresa não só para o segurança, mas para mim também (não me lembrava de tê-lo deixado ali). Depois de tudo acertado, o canivete confiscado e meu nome checado na lista da CIA, entramos então na sala de embarque, e após alguns minutos no avião em direção a SP.

Una foto publicada por Caras do Mundo (@carasdomundo) el

O vôo até Guarulhos foi bem rápido, como de costume, e tirando o frio na barriga que surge em quem tem medo de altura, tudo ocorreu bem com direito a lanchinho da TAM.

Em Guarulhos, ainda tivemos que aguardar algumas horas para o vôo até Lima. Cheios de fome, fomos obrigados a comprar algo numa lanchonete bem cara no setor internacional do aeroporto. Coxinha de massa com frango por 8 reais. Tava deliciosa.

No momento do embarque foi a vez do Vitor ser barrado. Primeiro, seu desodorante não despachado foi confiscado. Não se pode viajar com frascos que contenham mais que 100ml. E se já não bastasse, ainda houve uma certa tensão devido à sua RG um pouquito fudida. Segundo a atendente, talvez ele pudesse ser barrado na imigração por conta disso. Mas graças à Deus e às boas energias de vocês, tudo ocorreu muito bien.

Após a clássica troca de portão do avião (nunca considere o número que está no bilhete), embarcamos dessa vez em um avião da companhia LAN. Aquela que se juntou com a TAM e formou a LATAM. Uma união bem criativa.

Era um gigante air bus lotado de peruanos e indianos que conversavam ao som de música latina. Foi o maior avião que já peguei e o clima parecia uma mega excursão para o casamento de uma uma indiana que iria se casar com um peruano e a família toda estava bem contente. Fiquei distante do Raphael e Vitor dessa vez, devido ao check-in atrasado e talvez pelo canivete ainda.

A poltrona era bem boa, e eles oferecem cobertor, travesseiro e um fone de ouvido para assistir a TV particular durante as 5h de viagem. Quando você consegue dominar o controle, o menu da TV te oferece desde joguinhos da década de 90 a assistir filmes que ganharam o Oscar recentemente.

Mas contente eu fiquei mesmo quando veio o jantar. As opções eram alguma coisa em um rápido espanhol e alguma outra coisa em um rápido espanhol + frango. Pedi o com frango e estava delicioso.

A refeição ainda vem com um quindim, um pão e uma manteiguinha, além de uma bebida à sua escolha. E como se já não fosse ótimo, se você não aparentar ser menor de idade, a cheirosa aeromoça ainda te oferece cerveja ou vinho. Não me foi oferecido.

O vôo foi tranquilo e sem quebra molas aéreos, graças à Deus.

Llegamos!

Chegamos as 22h45 em Lima. Aqui o fuso-horário conta com 2 horas a menos de diferença, o que nos fez ganhar algum tempo. Nos atrasamos um pouco na imigração porque não preenchemos com antecedência os papéis que nos deram durante o voo.

Depois de preenchidos e os documentos conferidos, pegamos nossas malas e fomos em busca de um câmbio para conseguir alguns soles para pegar um táxi.

Confirmamos no caminho em um guichê turístico, que no outro dia, 1° de maio, também era feriado no Peru e alguns locais não abririam. Decidimos então trocar mais dinheiro, pelo menos o suficiente para os primeiros dias.

Procuramos pelo aeroporto, e a melhor das piores cotações que encontramos foi a de S./0.72 por R$1, no guichê do Interbank. Trocamos alguns reales e fomos em busca de um táxi.

Logo que saímos fomos abordados por um cara que ofereceu nos levar à Miraflores por S./ 60. Vitor disse S./ 50, ele disse S./ 55, Vitor disse S./ 50, e fechamos em S./ 50.

Partiu Miraflores

O trânsito na capital é bem intenso, mesmo após meia-noite. A corrida durou uns 40 minutos embalada ao som de alguma rádio local. Bailamos sentados e felizes ao redescobrir em cada esquina que estávamos NO PERU!

O taxista encontrou fácil o apartamento de nosso host, Vincenzo. Como combinado, ele já havia avisado ao porteiro de nossa chegada.

Pegamos o elevador. Seria nossa primeira experiência com couchsurfing e estávamos ansiosos. Para quem não sabe o que é ou tem dúvidas de como funciona, isso será em breve um post a parte aqui.

Quando o elevador abriu, fomos surpreendidos, a porta já dava dentro do apartamento de Vincenzo. Ele estava sentando a mesa com outras 4 pessoas, incluindo o Alex, que divide apartamento com ele, e 2 amigos de Nicarágua, os últimos couchsurfers que ainda estavam ali, pois perderam o voo de volta para a casa.

Fomos muito bem recebidos! Com uma conversa animada e uma mesa cheia de bebidas, que descobrimos depois, serem resquícios de uma festa que eles fizeram na sexta.

Shot, shot, shot!

Tomamos shots de Tequila, de Pisco (a bebida tradicional do Peru) e mais alguns drinks enquanto talkeavamos, hablavamos e conversávamos. Eu entendi metade do espanhol e metade do inglês falado. O que juntando me fez capaz de participar de metade da conversa.

O apartamento fica de frente para a praia, no 18° andar, e nos presenteou com uma vista INCRÍVEL de parte de Lima, e principalmente de Miraflores, bairro nobre da cidade.

Pra ficar ainda mais foda, Vincenzo nos levou no terraço do prédio, o que resultou no melhor view do primeiro dia e capa desse post. Foto tirada e emprestada pelo nosso amigo nicaraguense, Jaime. Nem o frio atrapalhou a visão do caralho e a emoção de já começar a viagem contemplando as luzes da capital do Peru.

Mas a noite não acabou por ai. Nos despedimos de nossos amigos que iriam embora de madrugada, pegamos algumas informações com Vincenzo e fomos atrás de alguma party. o/

fotodespedida

Fiesta!

Andamos meio bêbados de tantos shots pelas lindas e limpas ruas de Miraflores até chegar a Calle Berlin, onde haviam algumas boates e bares. Era umas 2h30 e Vincenzo tinha nos dito que o bares não costumam ir até muito tarde e as boates, apesar de irem até de manhã, só permitem a entrada até as 3h. Fomos então na que ele indicou. Poréeem, para quem não estava com nome na lista, a entrada custava S./ 100. Dissemos gracias, obrigado, thanks e saímos correndo dali.

Andamos pelo entorno e encontramos uma boate/bar com entrada gratuita. Subimos. Tinham alguns casais dançando música latina freneticamente. Entramos na vibe e seguimos o ritmo.
A bebida era bem cara, S./ 25 soles um litrão de cerveja. Vitor e Raphael compraram uma para os dois, enquanto eu, que não bebo cerveja, comprei um red bull por S./ 12. Bailamos até las 4h da manhã e voltamos para o apartamento satisfeitos com nosso primeiro dia.

Chegando no apê, tomei um banho e dormi num colchão que nosso host deixou separado junto com os cobertores. Raphael e Vitor já dormiam a tempo entre os sofás, como corretos couchsurfers.

E naquela sala em Miraflores, terminou nosso primeiro e já intenso dia de #MochilãoCdM

 



Lições do dia:

Despache seu canivete e desodorante.
Confira a qualidade de sua RG antes de viajar.
Leve caneta para preencher os papéis da imigração durante o voo.

Gastos do dia:

S./50 – táxi até Miraflores (S./16 para cada)
S./25 – cerveja (1 litro)
S./12 – redbull

Gasto total: S./28 (por mochileiro)

Cotação:  1 real = 0.72 soles

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