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Chalcataya e Valle de la Luna, Bolívia: Sofrendo pela altitude em uma estação de ski abandonada

Após um dia calmo em La paz, já era hora de viver mais uma aventura (aventura essa que eu não sabia que poderia sofrer tanto).

Acordamos, tomei meu típico chá em busca de acabar com uma tosse que não saia de mim de jeito nenhum, e lá fomos nós. Nos agasalhamos para aguentar o frio da manhã de La Paz e seguimos para a van que nos levaria para um dos principais tours de La Paz: Chalcataya + Valle de La Luna.

A caminho de Chacaltaya.

Chacaltaya é uma montanha localizada a 30km ao norte de La Paz, que conta com um trajeto que dura em média 2 horas. Então logo depois do café entramos na van e partimos.

Passamos por alguns hostels para buscar um pessoal e em um determinado ponto tivemos que esperar por bastante tempo já que alguns passageiros haviam errado a hora do café da manhã (inclusive era uma brasileira que depois desse tour chegou até a nos encontrar novamente no Rio, vocês vão entender como).

E seguimos.

Primeiro passamos por ruas da cidade de La Paz e aos poucos fomos entrando por caminhos entre montanhas. A cada minuto de estrada o frio aumentava e o local ficava mais deserto. Era uma região muito árida e a altitude dificultava cada vez mais a respiração, mas ainda não tínhamos chegado no pior.

Paramos na estrada para fazer umas fotos numa espécie de mirante que da para enxergamos algumas montanhas, como a montanha Huayna Potosí, um dos gigantes picos da Cordilheira dos Andes.

Ali já era capaz de sentir os efeitos da altitude, inclusive nos distanciamos para fazer algumas fotos e com uma corridinha em busca de uma boa foto o cansaço já surgia.

Sem contar o fato que corremos atrás das bicuñas que estavam lá.

Voltamos para van e continuamos o caminho.

Chegamos e descobrimos os efeitos de uma altitude de 5k.

E lá estávamos nós, a quase 5421m de altitude.

A parada da van não é exatamente no cume da montanha, é em uma estação de ski abandonada (sim, você leu abandonada e vou falar sobre ela mais a frente) que fica cerca de 200 metros do ponto mais alto, então tínhamos que dar uma caminhada.

Antes de entrarmos na estação de ski, começamos a caminhada para o ponto mais alto da montanha.

E eu tenho que assumir para vocês, nunca foi tão difícil para mim andar apenas 200 metros.

A subida não era íngrime, mas quando começamos a caminhada, além do frio castigar a gente, a altitude me pegou de jeito. O vento era muito forte e dificultava a respiração. A cada 3 passos eu praticamente cansava como se tivesse feito uma corrida de 40 minutos.

Fui bem devagar e em passos muito curtos. Teve grupos que seguiram na frente e outros que foram mais devagar, junto comigo. Fomos devagar, mas chegamos.

 

A vista é sem igual e o vento que é muito forte, que faz a gente sentir mais frio que o normal.

Eu não consegui ficar muito tempo para explorar por conta desses fatores, mas tiramos algumas fotos e descemos enquanto outro grupo seguia para o outro cume da montanha, que era bem próximo, mas minhas condições me impossibilitaram.

Na descida fizemos uma amiga carioca, a Beatriz. Ela viu meu sofrimento na subida e na descida da montanha e veio me oferecer folhas de coca para eu mastigar e melhorar um pouquinho.

De volta a estação de ski abandonada

Chegando na estação de ski tivemos um tempo para explorá-la.

Foi curioso e assustador ao mesmo tempo, porque é impossível você visitar um local abandonado e não pensar em como as coisas eram antes. Você vê os móveis, a lareira, as portas, os banheiros e começa a imaginar todas as pessoas que passaram ali e se divertiram. É bizarro.

De acordo com o nosso guia, o aquecimento global fez com que uma geleira com quase 18.000 anos de idade desaparecesse desde 2009 (fica a reflexão sobre o aquecimento global).

Depois usei o banheiro da estação abandonada e segui para encontrar todos na van a caminho da próxima parada.

Valle de la Luna

De lá seguimos diretamente para o Valle de la Luna. Nomeada pelo o próprio Neil Armstrong (o primeiro homem que pisou na lua), fica mais próximo de La Paz, cerca de 12km do nosso hostel.

É incrível como a mudança de de temperatura é notória, chegando mais próximo de lá nenhum dos seus agasalhos serão mais necessários, porque faz um calor do c*ralho, se comparado ao topo do Chalcataya.

O Valle é um lugar que pode encher os olhos de qualquer turista. Um local que faz você imaginar diversos motivos para ser como ele é e até mesmo não acreditar que toda aquela coisa foi feita pela natureza (já que parece uma réplica da lua).

A explicação para esse fenômeno, é que ali há muito tempo existia um rio que secou e por conta das erosões surgiram todas esses formatos, cujo chão agora longe de ser sólido, se transformou em argila, em vez de rocha.

O lugar é bem legal, vale a pena conhecer, mas aconselho um passeio de período curto, já que não se tem muita coisa diferente para ver.

De volta ao hostel

Cansados e sofridos depois de um dia com muita altitude, só conseguíamos pensar em comer e descansar.

Almoçamos pelo hostel, descansamos e tomamos um cerveja a noite em uma festa que tivemos lá para recuperar as energias. Logo depois dormimos e nos preparamos para o dia seguinte.

 

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#MochilãoCDM – Dia 02 | Lima, Peru: É domingo e feriado, mas (quase) todos trabalham. WTF, Peru?

Depois de uma chegada no mínimo animada (que você pode ler com mais detalhes clicando aqui), é claro e evidente que a ressaca de alguma forma se faria presente. Mas nada que, com um pouco de esforço, não pudesse ser superada. E isso logo às “8 de la mañana”… 😱

Para começar o dia bem, logo que acordamos Raphael encontrou em suas coisas um bilhete do Jaime, nosso amigo nicaraguense que conhecemos na noite anterior. E é aí que a gente começa a lembrar como é viajando que conhecemos as melhores pessoas!

Apesar das poucas horas juntos, Jaime nos deixou um bilhete fofo nos convidando a visitar seu país natal e uma nota de dez córdobas nicaraguenses simbolizando o convite. Como não amar pessoas assim?! <3

Após a nossa primeira noite de couchsurfing (diga-se de passagem, num sofá mais confortável que minha cama “normal”), Alex, um peruano que era um dos nossos hosts no apartamento, estava cedo à nossa frente gentilmente se oferecendo para nos dar um tour de carro pelo Centro Histórico de Lima, e assim o fizemos.

Apesar de ser do Peru, Alex é nascido, criado, morador e trabalha em Miraflores, região nobre de Lima. Dito isso, a experiência de descoberta valeu tanto para nós, turistas brasileiros, quanto para ele, que pouquíssimas vezes havia precisado passar pelo Centro Histórico espontaneamente.

A região por si só tem uma arquitetura bastante marcante e de fortes influências dos espanhóis, como é de se esperar devido à sua força como colonizadores, mas que de uma maneira geral, se repete em grande parte do Peru.

Dito isso, em parte por culpa da nossa ressaca da noite anterior e falta de familiaridade do nosso guia com a região, nosso passeio não durou muito mais que o tempo de cruzar algumas ruas, tomar um café, comer uns churros e entrar em algumas igrejas, como o Convento San Francisco y Catacumbas, mostrada na foto mais abaixo.

Mas se é pra ser sincero na opinião, segue uma que certamente é controversa.

Para mim, se há uma região visualmente “em comum” entre várias grandes cidades da América do Sul, essa é a região central / downtown delas, normalmente com uma notável arquitetura peculiar e histórica, comercialmente forte durante o dia, perigosas durante a noite, etc. É assim no Rio, em Montevidéu, Buenos Aires e em boa parte do Centro de São Paulo e, nesse ponto, Lima não é muito diferente.

Mas isso é questão de percepção e apenas uma forma de justificar o quão pouco exploramos a região nesse relato (peço perdão pelo vacilo rs).

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Centro histórico de Lima. #MochilãoCdM

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Durante o retorno à Miraflores, ficou claro que Alex estava cada vez mais “de volta” ao seu habitat natural e foi nos explicando um pouco mais sobre a curiosa realidade na qual vivem os peruanos da região de Lima.

Se no Brasil terremotos são raros e, quando ocorrem, são sentidos em pouquíssimos lugares e com fraca intensidade, no Peru eles fazem parte da realidade, o que faz com que todas as construções da cidade sejam planejadas para resistirem aos tremores de terra, como o sofrido pelo país em 1992, segundo Alex, o de maior escala que a geração dele já sentiu.

Vale pontuar ainda que, ao longo de todo o ano, Lima sofre diversos pequenos tremores por várias vezes devido à sua localização geográfica, ao ponto de não serem mais motivo de grandes preocupações pelos moradores e visto como algo natural, o que certamente é estranho de acreditar para nós, brasileiros, cujas maiores movimentações que sentidas são no bolso, durante tempos políticos conturbados, como o atual.

Já de volta ao bairro, próximo à orla chamam atenção ainda algumas grandes rochas acumuladas umas sobre as outras e protegidas por uma rede para evitar deslizamentos. Nada mais que mais uma “tática de contenção”, caso tremores mais fortes acabem dando origem à tsunamis. 😱 E é considerando essa possibilidade que nenhuma residência pode ser construída a frente dessa contenção, como forma de precaução.

Ainda assim, soa assustador viver tão próximo do mar sabendo dessa possibilidade, mas pela calma e paz que Vincenzo e Alex transmitem, essa é uma possibilidade claramente superada pelos benefícios da nobre região (além da vista foda que o apartamento deles rende). ❤️

De volta ao apartamento, como bons cariocas que somos, tiramos alguns minutos para fotos e apresentar novos clássicos do funk brasileiro ao Alex, como MC TH e Inês Brasil, e a reação, como esperada, foi de um mix de sorrisos e constrangimento embutido, embora ele claramente não conseguisse entender a poesia das letras por conta das barreiras de idioma.

Com o término da nossa sessão musical, a fome já começava a apertar. Enquanto procurávamos online onde comer, Alex foi encontrar seus pais para almoçar e nós saímos sozinhos para explorar a região e encontrar o pequeno, mas elogiadíssimo no TripAdvisor, Al Toke Pez. Foram quase 30 minutos de caminhada até o bairro de Surquillo, vizinho não-tão-nobre à Miraflores, recompensado com um combo simples, mas extremamente bem feito, com cebiche misto, chicharrón de pescado e arroz com mariscos, acompanhado com um copo de chicha morada que claramente não foi suficiente e tivemos que pedir outro cada.

No total, o combo custou S./ 15 e o copo extra de chicha mais S./ 1,50, totalizando S./16,50 em uma refeição MARAVILHOSA! Tão maravilhosa que em breve teremos um post exclusivo para ela, explicando os pratos e como chegar até lá.

 

Ainda enquanto íamos, havíamos descoberto por acaso que as populares ruínas de Huaca Pucllana (que já estavam na nossa to-do list para a cidade) eram no caminho e tentamos aproveitar a oportunidade para cortar essa atração da lista. Mas não contávamos com um pequeno detalhe: assim como no Brasil, em 01 de maio é comemorado o dia dos trabalhadores no Peru, sendo esse um dos únicos dias do ano em que as ruínas não estavam abertas para visitação. 😢

Ficamos na porta e chateados, uma vez que sabíamos que aquele seria nosso único dia em Lima e, portanto, não conseguiríamos voltar para visitá-lo depois. Mas como vocês não merecem deixar de conhecer sobre esse ponto da viagem por conta da nossa (falta de) sorte, seguem alguns relatos bons sobre a visita: Dicas das AméricasUma Senhora Viagem e Viagem Primata.

Ao sair de Huaca Pucllana e com a notícia de que, assim como ela, todas as ruínas da capital peruana estavam igualmente fechadas, decidimos aproveitar o resto do nosso dia relaxando na Malecón Cisneros, orla de Miraflores.

Assim como a orla de Montevidéu ou um domingo no Aterro do Flamengo, a “Malecón” de Lima é recheada de famílias e atividades para todos os gostos. Desde grandes e verdes gramados para um piquenique até um grupo de capoeiristas brasileiros, literalmente “manjando dos paranauês”.

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Mais feliz impossível.

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Voltando ao apartamento, já no fim da tarde e sedentos por um banho, encontramos Vincenzo e sua namorada animados para nos levar em um shopping popular na região do qual não me recordo o nome no momento. Seria incrível… isso se já não estivéssemos mortos de todo o dia e nos preparando para ir ao “Parque das Águas” pela noite. E foi aí nos encontramos no que certamente é o ponto mais “complicado” do couchsurfing: dizer não ao host.

Não me entendam errado! Nunca fomos obrigados, nem induzidos, nem forçados, nem pressionados a absolutamente nada. Mesmo! Mas tendo hosts tão legais quanto Alex e Vincenzo sempre dispostos a ajudar e se oferecendo para apresentar a cidade nas pouco mais de 24h que prevíamos ficar por lá, um simples “não” pode soar até ingrato… Mas dada a situação, preferimos explicar a situação para ele que, claro, entendeu e ainda nos explicou as melhores formas de chegar ao Parque. O lado negativo é que perdemos a oportunidade de conhecer melhor aquele que já havia se mostrado incrivelmente gente boa e amante do mundo durante os meses de conversas por Facebook que antecederam nossa ida.

Depois de banho tomado e energias recarregadas (tanto no sentido literal das baterias dos celulares quanto figurado, para os nossos corpos), seguimos já de noite até o “Parque das águas”. Para tanto, as formas recomendadas para ir de Miraflores até lá seriam um táxi ou dois ônibus.

Pães duros que somos, no lugar dos dois ônibus, preferimos caminhar por cerca de 30 minutos em ruas desertas típicas de um domingo à noite (mas ainda assim, diferente de boa parte do Rio, com boa sensação de segurança) até um ponto de nós pegamos um tradicional “colectivo”, que são como vans piratas, mas que no domingo tinham em maior frequência que os ônibus normais. Pagamos S./ 1,50 cada nos “colectivos” e, apesar de desconfortável por serem verdadeiras latas velhas, foi uma viagem rápida e tranquila.

Chegando lá, pagamos mais S./ 4 de entrada e pronto, estávamos dentro do parque. Essa é a parte onde eu preciso alertar que todo relato é baseado em opinião e elas variam por pessoa e, claro, personalidades.

Dito isso, quem me acompanha no meu snapchat (vitordmartins), me viu criticar profundamente o passeio. Resumidamente, a minha percepção de uma das atrações mais recomendadas de Lima é de que tudo parece algo meio infantil. Um lugar para onde eu poderia levar o meu sobrinho de dois anos num domingo em que ele estivesse entediado e ele ficaria com os olhos brilhando de felicidade.

Mas para eu, sozinho com dois amigos, foi um programa extremamente bobo e desnecessário. Nada demais. Apenas muita água, algumas luzes e, sei lá, famílias comendo pipoca… Minha opinião geral: Eu dispensaria.

Por outro lado, para toda história podem haver mais de uma versão.

Quem acompanhou o dia pelo Snapchat oficial do CdM (carasdomundo), acompanhou um ponto de vista completamente diferente do meu. Raphael e Alluan adoraram o passeio! Não lembro no de qual exatamente, mas com o perfil do CdM logado no celular de um deles, a visão passada foi de um passeio bonito, completo e muito satisfatório. A verdade é que teremos que concordar em discordar.

Minha dica é, por ser um passeio famoso e tradicional para qualquer um que faça turismo na capital peruana, não deixe de fazê-lo. Claramente as chances de você gostar ou não variam conforme a sua vivência e personalidade, então S./ 4 é um preço barato a se pagar caso você não curta, concorda?!

Terminada a visita ao Parque, voltamos ao apartamento (dessa vez de ônibus normal, que passou antes do colectivo e custou os mesmos S./ 1,50) e fomos dormir já tendo em mente que no próximo dia pegaríamos um ônibus para Paracas às 3h da manhã e o início do primeiro grande dia de “aventuras” da viagem. Mas essas são histórias para o próximo relato! 😉

E caso pretenda ir à Lima e queira se arriscar num couchsurfing com dois hosts incríveis, fala nos comentários que eu envio privadamente o perfil do Vincenzo na rede para que você possa confirmar a disponibilidade deles. Recomendo muito esses rapazes!

Hasta la proxima!

 

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