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Atacama, Chile: Laguna Cejar e Tebinquiche, Ojos del Salar e um pôr do sol a pisco sour

Depois de um dia anterior agitado, acordando cedo na Bolívia e já chegando ao Atacama fazendo tour, dormimos por quase toda manhã, até porque o tour desse dia só sairia à tarde.

Quando acordamos, tomamos um café no próprio hostel com o pão e chocolate que havíamos comprado no dia anterior. Depois compramos alguns biscoitos para o tour e cambiamos alguns reais para pagar a entrada das Lagunas, 17.000 pesos, valor que é cobrado além do já fechado com as agências.

Verificamos também em alguns lugares o tour astronômico que é realizado a noite e que por conta da lua cheia cheia e um céu meio nublado, não estava certo de acontecer na maioria das agências. Fato esse que nos fez ficar mais uma noite no Atacama, além do previsto.

Voltando ao hostel e depois de tudo pronto, partimos para o nosso 2º tour no deserto mais árido do mundo: Lagunas Cejar + Ojos de Salar + Laguna Tebinquiche.

Lagunas Cejar

A primeira parada foi na extremamente salgada Laguna Cejar, a lagoa mais salgada que o Mar Morto, onde já não é mais possível entrar devido aos riscos que tanto sal proporciona, como cortes.

O prometido banho pelo tour pode ser feito na laguna ao lado da Cejar, que apesar da menor concentração de sal, ainda tem sal pra carajos e te permite boiar. Há no lugar um espaço para trocar de roupas e chuveiros para tirar todo sal depois do banho. Aliás, a estrutura dos pontos turísticos do Atacama é muito boa.

Nós mal entramos na lagoa, eu só molhei minhas pernas o que já foi suficiente para arder tudo em meu corpo. É recomendado não mergulhar e evitar contato com os olhos e os lábios, principalmente se estiverem rachados. Os meus estavam.

Ojos del Salar

A segunda parada do tour é no Ojos del Salar. Duas crateras que formaram dois fundos lagos de água doce no Atacama. Olhando de cima, eles parecem de fato, dois olhos. A vista é sensacional, e em um dos lagos é permitido enfrentar o frio, o medo da água escura e mergulhar.

Laguna Tebinquiche

A última parada é na também salgada e congelada Laguna Tebinquiche. Nela, apenas é permitido caminhar ao redor e observar a imensidão de sal que cobre a região.

O momento especial fica com o snack time para apreciar o pôr do sol, oferecido pela agência. Comemos biscoitos, e brindamos e bebemos pisco sour com os demais participantes do tour, o que incluía um casal de brasileiros.

Foi lindo demais, eu que já amo um pôr do sol, fiquei ainda mais feliz ao assisti-lo contrastado com a Cordilheira dos Andes, que parecia mudar de cor a cada descidinha do sol. Pra completar minha felicidade, estava bebendo o drink mais tradicional do Chile, que também passei a amar.

Na volta do tour, assistir o deserto se tornar noite pela janela da van também foi outro ponto alto do dia, ainda mais por eu já estar alto por conta do pisco.

De volta a San Pedro, compramos cup noodles no mercado e um refrigerante estranho e bem vermelho chamado Bilz para jantarmos.

Foi uma deliciosa refeição.

E um delicioso dia.

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BolíviaMochilõesRelatosViagens

Salar de Uyuni, Bolívia: Do cemitério de trens ao hotel de sal, o 1º dia no maior salar do mundo

Chegamos bem cedo em Uyuni, antes do Sol, depois de uma longa, escura e muito fria viagem por regiões desertas que havia começado em La Paz na noite anterior. Ao descermos do autobus, as senhorinhas das agências já nos aguardavam, oferecendo os tours em meio a escuridão. Mal havíamos descido do ônibus e Vitor já negociava com uma delas que cedeu ao preço que queríamos com o combinado de não falarmos esse valor para os outros turistas.

Fechamos com a agência Sumaj Jallpha por Bs642 para cada, cerca de R$290.

O tour de 3 dias e 2 noites é o clássico em todas agências que pouco diferem uma da outra. Ele também pode ser fechado em La Paz ou no Atacama, para que vem de lá, poréeem, é muito mais em conta fechar diretamente em Uyuni.

Com tudo acertado, entramos os três na pickup que nos levou até o escritório da agência. E lá permanecemos agradecendo o sistema de calefação enquanto amanhecia o dia.

A rua da agência

Depois do sol a vista, como iriamos pagar o tour no cartão, fomos levados até uma outra agência na praça central da cidade. Raphael estava com dor de barriga devido ao dia anterior e aproveitou para ir no banheiro em um restaurante. Depois tomamos um delicioso café da manhã em um outro restaurante, chamado Boca Grande, e voltamos à agência enquanto a cidade, que não parecia ir muito além daquela praça, terminava de acordar.

Na agência, depois de conhecermos nosso guia/motorista e também os 3 viajantes que nos acompanhariam no tour: um casal de brasileiros e um europeu, partimos em direção ao deserto. Nossos mochilões foram em cima do carro e em nossos colos somente a mochila/bolsa de ataque.

Cemitério de Trens

Ainda próximo da cidade e já começando a se maravilhar com a dimensão branca do deserto de sal, chegamos em nossa primeira parada, o Cemitério de Trens.

Um lugar com diversas carcaças de trens que no meio de um cenário surreal, se tornam mais surreais ainda. As velhas locomotivas são o que restou de uma grande ferrovia boliviana que, durante o século XIX, transportou minerais extraídos da região até o porto da cidade de Antofagasta, que hoje pertence ao Chile. Com a crise de 1929, a escassez de minérios e a perda do litoral para o Chile, os trens foram sendo desativados e a ferrovia boliviana padeceu ali, em meio ao Salar.

O cenário rende várias fotos incríveis além de uma reflexão sobre a vida, ilustrada por uma poética frase em espanhol escrita em um dos trens:

“ASI ES LA VIDA”

Depois de muitas fotos, rumamos para um pequeno povoado, o Vilarejo de Colchani, onde podia se comprar, além de muito artesanato, biscoitos e papel higiênico para quem não havia se preparado. Tirando algumas peças feitas de sal, o artesanato não difere muito das que encontramos em La Paz e nas cidades do Peru, até porque são países também influenciados por uma mesma cultura.

Após algumas compras, seguimos viajando no sal até o local em que almoçaríamos. Antes disso, ainda paramos para ver alguns dos ojos del salar, locais no deserto em que se brota água através de estranhas borbulhas.

Hotel de Sal

E cheios de fome, chegamos ao famoso Hotel de Sal. Desativado por conta das diversas dificuldades de se manter um hotel no meio de um deserto, hoje ele serve apenas para que os tours possam preparar as quentinhas trazidas e servir em suas grandes mesa de sal, a propósito, tudo é de sal por ali.

Perto do Hotel também existe um grande monumento ao Rally Dakar, a mais longa competição de rali que inclui o deserto em suas provas. Há um espaço cheio de bandeiras também que eu imagino que sejam de países que competem no Rally.

Depois do almoço com nossa equipe, o bonde do nosso tour, tivemos um tempinho para tirar as tradicionais fotos em perspectiva e se maravilhar ainda mais com a imensidão desse puta deserto de sal!

 

Para efeitos de surrealidade, o Salar de Uyuni  é a maior planície de sal do mundo, com 10.582 quilômetros quadrados. É resultado de transformações entre diversos lagos pré-históricos. Coberto por alguns metros de uma crosta de sal, o Salar tem um nivelamento extraordinário e contém em sua profundidade até 70% das reservas mundiais de lítio, recurso ambicionado e que está no processo de ser extraído.

Voltando a 4×4, viajamos por mais algum tempo babando pela imensidão branca até chegarmos em nossa próxima parada:

Isla Incahuasi

Uma ilha de pedras no meio do salar que abriga gigantes e milenares cactos que superam até os 10m de altura! A entrada na Isla não é incluída nos pacotes oferecidos pelas agências, e custava 30 Bs. Resolvemos não pagar e subir apenas até onde nos era permitido. Aproveitamos para ir no banheiro também, apesar de descobrirmos depois que só era permitido para quem tinha pago a entrada. Paciência.

Nesse momento do tour tivemos um tempo bem grande para tirar mais fotos e explorar mais o Salar, caminhando pelos hexágonos formados no chão, tacando pedras de sal uns nos outros e é claro, lambendo o chão pra ver se é mesmo salgado. Já adianto que não é tão salgado quanto o sal depois de refinado.

Vitor resolveu mergulhar no sal. Saiu ralado depois

Caída del sol

De volta a nossa 4×4, o sol começava a ir embora, dando lugar a um frio do caralho e a uma sensação térmica à la socorro que nos fazia questionar o porquê de termos decidido ir a esse lugar quase no inverno. Depois de um tempo se enfiando ainda mais no deserto, nosso motorista para o carro para que possamos assistir o pôr do sol.

E que por do sol.. PQP!!

Depois de agradecer muito a Deus, a vida e a Pacha Mama por aquele momento, voltamos ao carro e seguimos em direção ao alojamento em que passaríamos a noite.

Buenas noches

Com a noite já se fazendo presente, chegamos ao nosso hotelzinho.

O lugar era bem apresentável, todo feito de sal, como tudo naquele deserto. Nosso guia/motorista nos alocou em um dos quartos de 3 camas e tivemos alguns minutos para relaxar antes da janta.

De entrada, tomamos uma sopa e depois um prato de frango assado delicioso. Depois de satisfeitos, para quem deseja enfrentar o frio, há um chuveiro de água quente à gás em que é cobrado 10Bs; Optei por tomar banho e me surpreendi com água fervendo. Havia outra saída de água gelada para ir regulando a temperatura, mas quando eu abria gelava tudo, então preferi de pulos em pulos tomar banho na água fervendo.

No salão do hotel/alojamento havia alguns jovens de outras agências jogando algum jogo que parecia muito engraçado. Eu, cansado e com frio, fui pro quarto, onde já estavam Vitor e Raphael.

E assim, no meio do maior deserto de sal do mundo, cercado por paredes de sal, dormimos agradecendo pelo colchão ser de mola e espuma.

 

 

 

 

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Lago Titicaca, Peru: Dormindo na casa de nativos do maior lago navegável do mundo

Como dito no último relato, terminamos nossa passagem de 1 semana por Cusco/Machu Picchi ainda mais apaixonados pelo Peru (contenha-se com o trocadilho) e embarcamos para nosso último destino no país antes de atravessarmos a fronteira para a Bolívia.

Frio panorâmico

Saímos na noite anterior da rodoviária de Cusco por volta das 23h, para uma viagem de 7h até Puno, cidade que fica às margens do Lago Titicaca, O MAIOR LAGO NAVEGÁVEL DO MUNDO.

A passagem foi comprada na hora, e dentre a pesquisa de custo/benefício, optamos por “semi-camas panorâmicas”, os primeiros lugares do 2º andar do ônibus. No começo foi bom, mas quando o ônibus sai da cidade e embarca no breu da estrada nublada, a visão da escuridão te puxa para fora e parece que o frio toma conta de tudo e você começa rezar para conseguir dormir. Em algum momento eu consegui.

Puno

Chegamos em Puno com o dia já amanhecendo, em busca de fechar o Tour de 2 dias pelo Titicaca, principal, para não dizer única, atração da cidade. Logo que descemos do ônibus, fomos abordados pelas agências de viagem que ficam no próprio terminal rodoviário. E como tudo é negociável no Peru, de fato foi vantajoso não ter fechado o tour com antecedência.

Conseguimos um bom preço para o três, preparamos nossas mochilas de ataque, deixamos os mochilões em uma salinha da agência e fomos dar uma volta pelas redondezas da rodoviária enquanto aguardávamos a saída da van, que nos levaria ao porto de onde partiria o tour.

Não chegamos a andar muito, mas foi possível notar que Puno, em uma manhã fria, parecia uma cidade bem pacata, com ruas estreitas e casas humildes que pareciam ser obras inacabadas na grande maioria (li em outro relato que isso talvez ocorra para que paguem menos impostos).

Caminhamos um pouco na rua em volta da rodoviária, onde tinham alguns hotéis e lojas ainda fechadas, e voltamos para aguardar a saída do tour.

Depois do transfer nos deixar no pequeno porto de Puno, que fica a poucas quadras da rodoviária, demos inicio a viagem pelo Titicaca até a primeira ilha/destino.

Lago Titicaca

O sol da manhã refletido no gigante lago junto a um homem local que tocava música folclórica em troca de uns trocados, tornou o momento contagiante. <3

O Lago Titicaca é o maior lago navegável do mundo e está a 3800 metros de altitude. Se encontra entre o Peru e a Bolívia, e pela grandiosidade, teve e tem grande importância para cultura dos diversos povos andinos, principalmente os Incas, em que segundo uma lenda, tiveram surgimento em uma das ilhas dali.

Depois de alguns minutos navegando, chegamos nas Islas Flutuantes de Uros, primeira parada do tour de 2 dias.

Ilhas Flutuantes de Uros

A existência das Islas de Uros data de um período pré-colombiano, quando um povo homônimo desenvolveu esta forma de habitação. Cada uma das pequenas ilhas são feitas à base de totoras e é necessário constante trabalho de manutenção para assegurar a flutuabilidade delas. As principais atividades dos moradores são a pesca, o turismo e a venda de artesanato. Além de um dialeto próprio, eles têm como língua oficial, o aymara, uma das principais línguas indígenas que sobreviveram a colonização espanhola.

No curto tempo que ficamos, pudemos entender um pouco da técnica que permite que as ilhas flutuem, além de conhecer um pouco mais da cultura e administração das ilhas, através de uma palestra dada por uma nativa, traduzida para o espanhol pelo nosso guia Alejandro.

Depois somos convidados a visitar uma das casas de palha, onde é nos contado mais um pouco sobre como eles vivem. Nesse momento há um certo drama para nos fazer comprar algum dos caros artesanatos. Fica um clima meio chato, mas nada que não dê para escapar sorrindo. Eu comprei um cordão. 😉

Logo após, ainda é oferecido uma passeio na embarcação tipica de Uros por 10 soles até uma ilha/praça flutuante, onde tem mais artesanato para ser comprado.

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Se joga na trip! #MochilãoCdM

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Depois dali, seguimos em uma viagem de 3h pelo lago até o segundo destino, a Ilha de Amantani, onde passaríamos a noite em uma casa de nativos.

Ilha de Amantani

Chegamos no início da tarde na ilha e assim que desembarcamos fomos recebidos pelas famílias que iriam nos acolher naquela noite. Cada grupo de 2 a 4 turistas ficaria na casa de uma delas. O turismo vivencial é um dos principais recursos dos nativos que vivem também do artesanato e da agricultura.

Depois de sermos apresentados ao nosso host, Teodôncio, caminhamos por alguns cansativos minutos até sua casa na parte alta da ilha. E a cada subida, a vista da ilha com o Titicaca ao fundo ia ficando mais incrível, nem a fome e o cansaço de um mini trekking na altitude conseguiram atrapalhar o momento.

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Quando enfim chegamos na pequena casa, Teodôncio nos levou ao segundo andar, onde havia um quarto preparado para nós com 3 camas. Pudemos descansar um pouco e logo fomos chamados para almoçar em uma humilde cozinha em que sua esposa, Catalina, preparava uma comida caseira, eleita um dos melhores pratos da viagem.

A pequena cozinha com as panelas na lenha lembrava aquelas tradicionais cozinhas do interior do Brasil. Catalina, sempre sorrindo, nos serviu conversando em quéchua com seu marido, que traduzia algumas coisas em espanhol para gente. Uma visão e experiência bem doidas e emocionantes ao mesmo tempo.

Depois da sopa de quinoa, legumes cozidos e chá mate de muña (uma erva cheirosa parecida com nosso hortelã), voltamos ao nosso quarto para descansar e aguardar a hora marcada para irmos visitar com nosso guia, Alejandro, o Templo de Pachamama que ficava no topo da ilha.

Templo da Pachamama

Acabei indo sozinho, porque Vitor e Raphael dormiram e não quiseram levantar para ir. Teodôncio me levou até o caminho no qual o grupo de turistas passaria e quando chegaram, subi com eles. Até chegarmos ao topo, Alejandro explicava um pouco da história da ilha e de seus habitantes.

A ocupação da Ilha de Amantani e o desenvolvimento das terrazas para a agricultura datam de um período pré-inca. Tomada pelos espanhóis durante a conquista espanhola, hoje a ilha conta com 10 comunidades compostas por famílias com descendências européia e andina.

Quando ao chegamos ao pequeno templo de pedra da Pachamama, Alejandro explicou um pouco da festa dedicada a Mãe Terra e ao Pai Terra que acontece em janeiro, único momento em que o templo é aberto. Era fim da tarde e mesmo com um frio desnecessário, após empilhar as tradicionais pedras em oferecimento a Mãe Terra, nós, os estrangeiros, ficamos para ver o pôr de sol que começava a se desenhar no horizonte do Titicaca.

Fiquei até o sol sumir por completo, sentado em uma das pedras, contemplando uma das cenas mais lindas da minha vida.

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O frio pôr do sol na Ilha de Amantaní.

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Depois do espetáculo, desci pelo caminho sem saber se conseguiria encontrar a casa de Teodôncio e Catalina naquele inicio de noite e escuridão. Para minha sorte e surpresa, Teodôncio me esperava no meio do caminho, o que me deu um pouco de culpa por ter demorado tanto assistindo o sol. :/

Quando cheguei no quarto, Raphael e Vitor já estavam acordados. Conversamos um pouco e fomos chamados para jantar mais uma sopa deliciosa preparada por Catalina.

Depois do jantar, ajeitamos nossos gorros e vestimos os ponchos, trajes típicos andinos que foram emprestados pela família. Descemos juntos com Teodôncio, na escuridão da ilha, em direção ao espaço em que aconteceria uma animada festa com os turistas daquela noite e os nativos.

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Nós de poncho e nossos gorros andinos

Bailamos ao som de música folclórica andina, tocada por flautas e outros instrumentos. A contagiante coreografia em roda era similar a das nossas festas julinas. O que ficou ainda mais engraçado com os homens trajando o poncho e as mulheres as tradicionais saias coloridas da cultural andina.

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Tinha cerveja sendo vendida, inka cola e outras bebidas também. Bebemos pouco, dançamos muito e conversamos mais com outras duas brasileiras que também estavam fazendo o tour: Fernanda e Tatiana, duas paulistas que ajudariam tornar o segundo dia desse tour tão foda quanto esse primeiro.

Depois da festa, subimos de volta a nossa casa, acompanhados por Teodôncio e um céu estrelado capaz de quase fazer esquecer o frio. Devolvemos e agradecemos nosso poncho, e fomos dormir maravilhados como crianças bobas pelo primeiro dia no gigante Titicaca.

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Inca Jungle, Peru: Downhill e rafting no 1º e radical dia rumo à Machu Picchu

Acordamos as 6h da manhã, já parcialmente prontos, terminamos de arrumar nossas mochilas de ataque vermelhas <3 e guardamos os mochilões no depósito do Kokopelli.

Assim que terminamos o café, a van da WM Explorers, agência em que fechamos o tour à Machu Picchu já estava nos esperando e nos chamando na porta, como combinado no dia anterior.

Depois de entrarmos, a van ainda passou por outros diversos hostels pegando outras pessoas, e depois ainda seguimos para uma oficina em uma parte mais periférica de Cusco, onde nossas bicicletas embarcaram.

Há diversas formas de se chegar à Machu Picchu e iremos falar delas por aqui depois em publicação específica. Nós optamos pela Inca Jungle Trek de 3 dias, que conta com downhill, tirolesa, rafting e trekking, ufa! um dos tours mais radicais e mais em conta também.

Abra Cadabra Malaga!

Depois de quase 2 horas embarcando pessoas e bicicletas, seguimos para o primeiro destino: Abra Malaga. Antes de chegarmos, o percurso contou com uma parada numa venda em Ollantaytambo, onde pudemos comprar água, biscoito e ir ao banheiro. Tudo bem caro, por sinal, gastei S./14 em duas garrafinhas de água e um pacote de club social.

Se aproximando de Malaga, o clima que ao sair de Cusco estava bem tropical começou a ficar bem frio devido a altitude que voltada. Conforme íamos subindo a paisagem ia ficando mais foda também, considerada uma das mais belas travessias da América do Sul, a passagem de Malaga atravessa a Cordilheira dos Andes, dividindo a parte mais árida, da parte mais amazônica do Peru e nos dando uma visão sem igual do Vale Sagrado dos Incas.

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Quando enfim chegamos, estávamos a 4.330m de altitude, paramos em uma base no topo da estrada e nos preparamos para a descida em direção à Santa Maria, que estava do outro lado da montanha, à 1.400m de altitude. Outras 3 vans também chegavam por ali com outros grupos para iniciar o downhill.

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Pegamos a bike, ouvimos algumas instruções, como a de se manter em fila no lado direito da estrada, colocamos os equipamentos de proteção e nos tornamos mochileiros radicais:

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Depois de tudo encaixado, começamos a aventura.

Taca-lhe pau!

A estrada é toda de asfalto e conta com alguns trechos com cursos d’água em que você sai todo molhado se não freiar. Eu saí todo molhado. Raphael, que estava com a GoPro no capacete, disparou na frente, eu e Vitor fomos atrás. E entre alguns carros, caminhões, muitas curvas e precipícios, os grupos iam se ultrapassando.

Eu sou apaixonado por bicicleta, eu sou apaixonado por natureza, estar ali, naquele momento, contemplando aquela vista daquela forma, foi um dos pontos mais lindos da viagem e da minha vida. Esqueci até do meu espírito competidor, não queria passar ninguém e parava por diversas vezes para tirar fotos e admirar as montanhas.

Para ficar mais perfeito, eram mais de 50km de descida e até a primeira parada, foram quase 2 horas de downhill entre paredões, penhascos, e vistas fantásticas de alguns picos nevados.

Quando cheguei ao ponto de encontro do meu grupo, Raphael já estava lá, relatando quase ter caído ladeira abaixo por ter olhado para trás em um determinado momento. Vitor apareceu logo depois e quando a van do nosso grupo chegou, iniciamos a segunda parte da descida.

Dessa vez eu quis correr e ultrapassar todo mundo. E tirando o Raphael que entre algumas ultrapassagens sempre seguia na minha frente, eu estava conseguindo. Até que então… minha bicicleta resolveu dar PT: algo prendeu na corrente, o que me fez ter que fazer o esforço dobrado para pedalar, e depois de eu tentar tirar, a bendita corrente passou a soltar a todo momento.

Eu parava no meio da estrada por diversas vezes vendo todo meu esforço passando por mim. Umas 3 pessoas pararam para me ajudar, mas não tinha muito jeito e a corrente persistia em sair.

Cheguei com muito esforço no destino final quando todos já estavam lá, me coçando bastante graças aos ataques dos mosquitos. Após guardar os equipamentos, voltamos à van e seguimos em direção ao restaurante em Santa Maria, onde íamos almoçar.

El almuerzo

Comemos a clássica sopa de entrada e depois o clássico pollo (frango) com arroz. Depois de algum descanso o grupo se divide: quem fechou o tour de 4 dias se hospeda ali em Santa Maria e quem optou pelo de 3, escolhe entre ir às águas termais ou fazer o rafting e depois parte no mesmo dia para Santa Tereza. Como já tinha águas termais demais nesse mochilão, já havíamos decidido pelo rafting, é claro.

Vai molhadão! \o/

Entramos em uma outra van e fomos em direção ao Rio Urubamba, rio que nasce nos Andes e corta todo o Vale Sagrado. Depois de colocar os equipamentos, ouvir as instruções de como se deve remar e o que se deve fazer ao ouvir get down!, o grupo se divide entre os botes e entramos no rio.

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O rafting de nível 3 dura 2 horas, 2 geladas horas remando pra trás, pra frente enquanto você quase é arremessado do bote em algumas ondas que eu exageradamente poderia apostar que são de nível 6. Foi mais uma experiência foda à caminho de Machu Picchu, intensificada com gritos de guerra “vai safadão!” e “é baile de favela!”.

A aventura termina com o dia anoitecendo já, encontramos a van na margem do rio e voltamos ao ponto em que almoçamos. Chegando lá, nos secamos e partimos em direção a Santa Tereza por uma estrada escura que beira um penhasco. Depois de quase 1 hora, chegamos ao último destino da noite sãos e salvos.

Fomos hospedados em um quarto para 4 pessoas, juntos com uma belga que trabalhava na Bolívia e viajava pelo Peru. Tomamos um banho meio quente, meio frio e aguardamos o jantar.

Depois de encher a barriga em um animado mesão, onde conversamos com uma família de Lima, um grupo de amigos israelenses e a nossa companheira de quarto, todos no mesmo tour com a gente, voltamos ao nosso quarto e caímos na cama. Mortos de cansados pelo primeiro, intenso, radical e fodástico dia de Inca Jungle rumo à Machu Pichu!

 


 

Gastos do dia:

O downhill, o rafting e as refeições, transportes e hospedagem do dia estavam inclusos no tour.
Inca Jungle: S./546 (para os 3 dias)
Água e biscoitos: S./14

Cotação (de Cusco)R$ 1 = S./0,91

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#MochilãoCdM – Dia 08 | Cusco, Peru: De tanto tentar economizar, acabamos pagando para não ver

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Após uma noite de barrigas cheias e muita preguiça, acordamos cedo na tentativa de compensar o que deixamos de explorar no dia anterior em razão do cansaço. Mas antes de mais nada, fizemos nosso revezamento de banhos e tomamos o café da manhã, já incluso na diária do hostel. Aliás, preciso ser justo e falar um pouco melhor sobre o Kokopelli, local onde nos hospedamos na capital peruana do turismo.

Assim como os principais hostels da região, o Kokopelli é construído em um casarão histórico, mas quem vê a sua arquitetura extremamente tradicional não desconfia do quão confortável ele consegue ser. Pelos S./42 da diária que pagamos por uma cama estilo pod (que eu expliquei o conceito um pouco melhor relato anterior), está incluso ainda um café da manhã honesto, com pães, geleias e margarina, leite e suco à vontade. Há algumas restrições chatas, como a limitação de uma fruta por hóspede, que tem que dar o nome para validação a lista para que um funcionário dê a fruta, mas em compensação, nos melhores dias, há ainda opções de pudim e iogurte grego com flocos de arroz (maravilho, diga-se de passagem!) sem custo adicional. Mas ainda assim, a limitação de frutas soa uma mesquinharia um pouco exagerada.

É dia de pechinchar, bebê!

Com cafés da manhãs e banhos tomados, fomos para a rua pesquisar preços de tours. Não vou me estender muito nessa pesquisa porque, basicamente, agências de tours são o principal tipo de comércio em Cusco, com várias lojinhas nas mesmas ruas, oferecendo os mesmos roteiros e serviços, restando ao viajante, na base da lábia e pechincho, negociar as melhores oportunidades e, na base do feeling, fechar com aquele que transmitir maior confiança naquilo que oferece.

Nesse sentido, posso dizer que tivemos sorte com todas as agências que fechamos, mas ao mesmo tempo, vimos pessoas tendo problemas com elas e preferimos não recomendar, pois por economia, nem mesmo nós fechamos com as mais recomendadas. Em todo caso, para Inca Jungle Trail, todos (no albergue, na internet, nas conversas de bar, etc) recomendam a Lorenzo Expedition por ter sido a criadora do roteiro e especializada nesse tipo de trilha. Não fechamos com eles pelo preço, naturalmente um pouco mais caro, mas se você chegou aqui atrás de recomendação, essa é a melhor que lhes posso oferecer 😉

Border-line-of-alcoholismVoltando ao relato, apesar da pesquisa ter resultado algumas boas ofertas (sendo a melhor delas de uma simpática senhorinha que lavava a rua na porta da agência enquanto passávamos, mas explicou tudo com tanta propriedade e “honestidade” que acabamos decidimos ser “a escolhida”), decidimos não fechar nada nesse primeiro momento, pois almoçaríamos e voltaríamos mais tarde.

Vale dizer que nesse momento fomos abordados por um ambulante na rua vendendo casacos de “lã de alpaca” por $250 (dólares), com quem após muita negociação, conseguimos abaixar até comprar pelo preço de R$50 (reais).

Obs.: Mais tarde descobrimos que fomos parcialmente enrolados, pois não se tratava de lã de alpaca (acho até que fiquei mais feliz ao saber disso já que, pessoalmente, isso é mais motivo para não comprar) e sim sintética, mas mesmo assim, comparamos o preço com similares em lojas e em nenhum lugar encontramos por menos de S./100, então ponto para nós 😉

E foi aí que tudo mudou…

Enquanto rodávamos várias agências, conhecemos um brasileiro que trabalhava em uma delas. Paulista, ele nos contou que morava no Peru há alguns anos, após casar-se com uma peruana, e enquanto falávamos de muitos assuntos (dentre eles a história da lã alpaca que comentei acima, ele que nos contou não ser de real alpaca porque a real é fria por fora e quente por dentro, enquanto a nossa não era fria por fora), ele nos contou sobre as ruínas de Sacsayhuaman, um complexo de ruínas da região que poderíamos visitar a pé ou de táxi por cerca de S./10.

Pão-duros que somos, fomos a pé, e após cerca de meia hora andando com muitas ladeiras subindo (trauma!!!), chegamos na porta do Parque Nacional, onde precisaríamos pagar S./130 para visitação no complexo :O

Fomos pegos no susto pela informação. Como já deve ter ficado claro, viajávamos em um budget limitado, então esse custo surpresa de cerca de R$150 (convertendo para reais) não era algo que eu estava disposto a pagar. Raphael queria. Alluan estava na dúvida. E naquele impasse em que nos encontrávamos, outro “ambulante” tirou proveito da situação com uma proposta: fazer um caminho alternativo a cavalo por apenas S./45 por pessoa pelo tour + S./8 de táxi até o estábulo, que era meio longe, dividido entre todos.

Negociamos um pouco, fechamos por S./35 cada + o vendedor do tour entrar na divisão do táxi com a gente (o que resultou em S./2 por pessoa pelo táxi) e fomos. Chegando lá, cada um pegou o seu cavalo, conhecemos nosso guia (que não era tanto um guia e sim uma pessoa para “controlar” os cavalos caso acontecesse alguma coisa) e seguimos o caminho.

As paisagens são bonitas e o passeio é calmo (talvez até demais), mas gostoso de se fazer. Eu montei no Alquille e me empolgava a querer ir rápido, mas os cavalos têm uma “ética” estranha e meio que se recusam a se ultrapassar, seguindo quase numa fila indiana. O Alluan teve um pouco de dificuldade de se adaptar (ele não se dá muito com bem com animais em geral rs), mas superou o medo e seguiu sem problemas em todo o percurso.

A primeira parada foi no sagrado Templo de La Luna, onde o “guia” fica com os cavalos e nos deixa sair a explorar sozinhos. E ai está o grande problema desse passeio… Sozinhos a gente não aprende nada. Passamos por Puka Pukara, vimos algumas construções pré-incas de perto, mesa de rituais, etc, mas infelizmente jamais conhecemos a história por trás de tudo que vimos, o que naturalmente nos causou o arrependimento de não ter seguido com o tour tradicional, mais caro.

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Cusqueño

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Voltamos pelo mesmo, pegando os cavalos próximo ao Templo de La Luna e voltando ao rancho, agora num ritmo um pouco mais “rápido”, com direito a apostarmos algumas corridas, sempre ganhas pelo Blanco, cavalo do Raphael.

Do rancho até San Blas, por onde iriamos passar para voltar ao Centro de Cusco a pé, passamos do lado de parte das ruinas do complexo de Saqsaywaman. Nesse momento o arrependimento bate ainda mais forte.

Os comedores de alpacas :’(

Terminado o passeio, descemos entre as ruelas de San Blas no caminho de volta ao centro de Cusco. Já morrendo de fome, enquanto ainda descíamos as ruas, demos de cara com a placa de um lugar simples, mas com um preço honesto, e no confortável Blue Alpaca experimentamos um delicioso hamburguês de alpaca com um suco de limão por apenas S./15 por pessoa. Demorou um pouco, admito, mas da simpatia da jovem atendente até o sorriso da cozinheira, o tempo de espera foi o menor das nossas preocupações.

Pagamos e voltamos ao hostel, mas não sem antes passarmos na farmácia para o Alluan comprar Ibuprofeno, medicação que recomendaram para evitar o mal de altitude. Melhor decisão tomada! Confesso que folhas de coca em momento nenhum me pareciam fazer efeito, mas com esse remedinho, pouco sentimos os efeitos da altitude (pelo menos até a Chacaltaya, na Bolívia, mas isso vocês saberão mais para frente nos relatos).

Já era de noite, e voltamos na senhorinha que havia nos oferecido o tour barato e confiável pela manhã decididos a reservar. Infelizmente, a agência já havia fechado. E foi assim que acabamos tendo que recomeçar as buscas do zero no dia seguinte.

Depois de enrolar bastante nos confortáveis sofás do hostel, tomar banho e nos arrumar, começamos a noite no bar, na base de Brahma e alguns drinks, onde conhecemos uma brasileira que começava naquele dia a trabalhar no bar do Kokopelli. Ela nos contou como descobriu o hostel no conhecido Worldpackers (que eu também usei recentemente, pagando, e qualquer dia desses faço um post explicando como funciona), mas entrou em contato diretamente com eles para garantir a vaga sem a necessidade de pagar a taxa. Ela foi a segunda pessoa que conheci na viagem que diz ter feito isso. Então caso seja da sua vontade fazer algo do tipo, fica a dica 😉

Uma noite abaixo das expectativas…

Algumas cervejas depois, passamos em um McDonald’s (S./19) e seguimos para uma das mais famosas boates para turistas em Cusco, a The Temple. Próximo à Plaza de Armas, ela é uma das mais famosas pois tem acordo com vários hostels da região, com hóspedes entrando de graça. E foi o nosso caso. Lá dentro, confesso, rolou a decepção após tantas recomendações…

Embora os comentários do Tripadvisor sejam positivos, para o meu gosto, a boate é MUITO turística, em um sentido negativo. A músicas são, em geral, pop music americano de no mínimo cinco anos atrás (imagine “Umbrella”, da Rihanna, como um dos hits mais recentes, pra se basear) e o público além da grande maioria de americanos e europeus, conta com algumas pessoas locais claramente sem a melhor das intenções, e por isso entenda embebedando gringos e tal.

Além disso, não parece haver um controle de idade muito eficiente, uma vez que não era incomum ver meninas peruanas (por peruanas, eu deduzo, devido à fisionomia de características andina delas) muito jovens, quase pré-adolescentes, beijando com gringos na casa dos 30 anos. Não é o tipo de situação que me deixa confortável.

Tendo tudo isso em vista, ficamos algumas horas, mas um pouco desapontados, preferimos nem beber, apenas dançar.

Se tem uma coisa que somos, independente de viajarmos juntos, é independente e, dito isso, o Alluan foi o primeiro a decidir ir embora. O Raphael ainda estava animado dançando, dai eu optei ficar com ele lá, mas uns 10 minutos depois também decidi ir, com o Raphael decidindo ficar mais um pouco, mesmo sozinho, porque as meninas do bar do hostel haviam dito que iriam para lá após o término do turno.

E assim eu me fui, sozinho, a pé, de madrugada pelas ruas de Cusco. Comentaram que não foi das decisões mais inteligente que tomamos (afinal todos nós fomos sozinhos, separadamente, de madrugada e a pé), mas a verdade é que nenhum de nós teve sensação de insegurança no caminho de cerca de 15 minutos caminhando.

Após uma boate meia boca, uma noite de sono caiu bem, mesmo sabendo que teríamos que acordar cedo para procurar um outro tour para fechar em pleno domingo.

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#MochilãoCDM – Dia 03 | Paracas e Huacachina, Peru: Muita água, areia e sol, mas nada de praia

Eram 23h e já estávamos nos preparando para se despedir de Vincenzo e Alex, nossos dois amigos que nos abrigaram por esses (quase) dois dias em Lima (onde tivemos nossa primeira experiência de couchsurfing).

Alex estava em casa e ficou um pouco conosco, rindo e conversando, mas logo depois se despediu e foi dormir. Como de costume, o Vitor  foi o primeiro a seguir o exemplo, e enquanto eu e o Alluan nos preparávamos, ele já estava no décimo sono, enquanto o Vincenzo ainda estava fora com a namorada.

Tentei, mas não consegui dormir de jeito nenhum, provavelmente pela ansiedade do dia que estava previsto. Alluan ficou um tempo acordado comigo e dormiu, sem nem ao menos lembrar de pôr um despertador, já que tínhamos que pegar o ônibus para Paracas as 3h da manhã… Enfim, programei o telefone pra despertar (me sentia um pai nessas horas) e apenas 1h fui tentar novamente tirar um cochilo, já que logo teríamos que seguir para rodoviária.

Minha próxima cena foi o despertador tocando às 2h da matina e eu percebendo que havia conseguido tirar um cochilo pelo menos. Logo quando levantamos, Vincenzo abre a porta do apartamento e chega com a namorada exatamente na hora da despedida. Conversamos um pouco, agradecendo muito pela hospedagem (que foi uma puta experiência), ele pediu por telefone um táxi para nos levar até a rodoviária, confirmou o valor de S./50 (para não tentarem nos passar a perna), esperou com a gente até ele chegar e lá fomos nós, com frio no corpo, mas um frio na barriga maior ainda.

Chegando na rodoviária, pagamos o motorista e seguimos para o balcão, onde perguntamos se cartões de crédito eram aceitos, já que tentávamos segurar a modesta grana em “efectivo” que tínhamos por segurança. Não rolou! E, mais uma vez, ouvimos a mais temida frase da viagem: “Solo Visa”.

Para contextualizar a nossa situação, a questão é que em uma parte da América do Sul, como Argentina, Uruguai e Peru, existe quase um monopólio por parte da bandeira “mais aceita do mundo” e isso é um pouco triste de escutar quando se tem cartões com a bandeira MasterCard. Mas faz parte! Pagamos em dinheiro e seguimos viagem.

Enquanto esperávamos o ônibus, aproveitei uma tomada que da “sala de espera” (aspas porque por sala de espera esperem cadeiras velhas, um banheiro pago e uns orelhões quebrados) para dar uma carga no telefone, mas quando entramos no ônibus tivemos uma grata surpresa que nunca mais veríamos durante a viagem: o ônibus tinha carregador USB e Wi-fi funcionando!

Gente, foi a viagem mais fácil do mochilão! Cerca de 5 horas, com direito à uma refeição (comum até nos trajetos mais curtos pelo Peru) e acesso a esses dois bens da sociedade. <3

Paracas e os “Flanelinhas de Turismo”

Em pouco tempo, chegamos na pequena cidade litorânea. Pegamos nossas coisas, descemos do ônibus e, antes mesmo de tirarmos nossos mochilões do bagageiro, fomos praticamente atacados por “flanelinhas de turismo” (vendedores de pacotes que ficam espreitando todos os ônibus que chegam, desesperados atrás de você) mais sedentos por turistas do que lobos selvagens quando veem um pedaço de carne dando bobeira. Era uma disputa de vendas muito séria e nós éramos o prêmio final.

Dito isso, fomos simultaneamente abordados por uma mulher e dois homens praticamente brigando pela nossa atenção, ou melhor, pelo nosso dinheiro. Eles tentavam explicar, mas ninguém conseguia entender nada naquele falatório… Uma francesa que viajava sozinha tentava se aproximar de nós pra conseguir um preço mais em conta, de grupo, mas no meio de toda a confusão, o Vitor se estressou e debandou foragido dos monstros, enquanto a jovem garota foi abduzida por um dos vendedores sem tempo para ouvir os trâmites da negociação.

Mas a tática (fuga) do Vitor deu certo. Com um vendedor a menos na disputa (após conseguir conquistar a francesa) e depois de ver o Vitor quase socar todos eles (gente, percebam o nível do estresse… O Vitor não faz mal nem a uma mosca!), conseguimos literalmente abrir leilão, fazendo os vendedores exporem suas propostas um na frente do outro (por algum motivo eles tentam esconder seus preços entre si) e fechando o passeio que inicialmente havia sido oferecido por S./55 apenas para as Islas, por S./30 já incluindo um transfer até Huacachina, nosso próximo destino.

E só ai, após o outro não conseguir cobrir a oferta, fechamos com a mulher e, enfim conseguimos alguns minutos de paz. Vejam bem… Minutos! Chegando no “escritório” da mulher, que na verdade é também a recepção de um hostel meia boca, novamente tivemos estresse. A mulher disse que tinha oferecido por S./40 e não os S./30 combinados e o Alluan ainda queria pagar… Mas o Vitor, que ainda estava estressado da situação anterior, discutiu, discutiu e simplesmente pegou a mochila e saiu, dizendo que não ia com ela. E quando eu e o Alluan nos preparávamos para acompanhar, ela voltou atrás e aceitou o preço inicial, pedindo “para não contar para ninguém”. Dissemos OK, mas ué, não é que veio para o site?! HAHA

Depois desse ocorrido desesperador, seguimos para o porto de Paracas. É bem pequeno e tem uma praia que eu não aconselharia ninguém ao banho (mas que dizem no verão ficar cheia). O lugar em si, apesar de vazio, é muito bonito e me lembrou bastante a Praia dos Anjos, em Arraial do Cabo. Já que tinham muitos barcos ancorados e um porto extenso entre eles.

Esperamos por um tempo sentados em uns bancos que tinham em frente a praia, no calçadão de Paracas, e depois pegamos uma fila para entrar no porto, já que deveria ser pago taxas de utilização do porto e entradas nas Islas Ballestas (S./13 no total). A maioria dos turistas teve que enfrentar essa fila, mas como havíamos optado por pagar junto ao tour para a “flanelinha de turismo”, ela entrou na fila e nos trouxe os comprovantes que nos garantiu a ida até a lancha que leva para o passeio, que por sua vez é aberta e comporta diversos turistas.

O guia, que comenta a história tanto em inglês quanto em espanhol em bom nível, se apresenta, pede que todos ponham os coletes e autoriza a viagem para as ilhas, e o visual é o máximo! Assim que começamos a navegar pela baía de Paracas, já podíamos sentir o vento na cara e observar diversas montanhas que, como em todo o Peru, continham vários tipos de construções Incas entre elas, muito maneiro.

Durante o passeio, para Islas Ballestas, a primeira parada é feita para observar o El Candelabro. Uma marca misteriosamente feita em uma das montanhas no entorno da baía e que, prepare-se para essa informação por que ela surpreende, tem formado de um candelabro :O

Existem diversas teorias sobre como ela apareceu por lá (e o guia faz questão de mencionar todas), até mesmo sobre extraterrestres. Mas todas, sem exceção, são apenas teorias, sem provas do que realmente tenha acontecido por lá.

Há mais de 900 anos ali. #MochilãoCdM #MistériosdoPeru

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Islas Ballestas, onde ser cagado por pássaros vale mega a pena

A água é clara como água potável e o sol é idêntico ao do Rio, mas o frio intenso de inverno é impulsionado ainda mais pelo forte vindo. Detesto repetir referências, mas eu ainda vou continuar dizendo que as Islas Ballestas me lembra muito um passeio de barco que fiz em Arraial do Cabo, só que sem calor.

Não só pássaros são comuns na região, mas conseguimos ver desde pinguins, até leões marinhos. Se não me engano são cerca de 200 espécies que vivem por lá e muitas delas já estão preparadas para posar pra fotos.

 

Snapchat: carasdomundo

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O passeio levou cerca de 1 hora, sem contar o tempo de ir e voltar pra Paracas. E a todo momento o guia foi bem atencioso e explicativo, falando sobre diversas espécies que vivem lá e algumas histórias que a ilhas guardam. Mas apesar de tudo, esse ainda pode ser considerado um passeio mais biológico do que histórico.

E sobre os pássaros, vai se acostumando, são muitos e a probabilidade de você levar uma cagada é cerca de 95%, percentual da qual infelizmente eu e Alluan fazemos parte. Mas faz parte, um contato maior com a natureza, né?! #sqn

Depois do passeio voltamos para Paracas, pegamos nossas mochilas no depósito da “flanelinha” e pegamos uma van até Huacachina.

Huacachina: um oásis que parece Marte

Particularmente, essa foi uma das paradas que mais curti em toda viagem!

Enquanto eu jurava que pra chegar lá precisaríamos pegar um 4×4 para seguir no meio do deserto (o que seria irado, para falar a verdade), descobri que na verdade existe uma estrada do deserto de Ica que leva a gente diretamente pra lá.

Foi bem rápido o caminho, cerca de 2 horas. E a vista incomparável da van fez com que eu nem visse a hora passar.

🏜

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Assim que chegamos lá (mortos de fome, é claro), procuramos um lugar para comer e tentamos achar um local com wi-fi. Acredita que conseguimos?! Ai você tá se perguntando, “wi-fi no deserto?”, eu também me perguntei. Mas amigo, Huacachina é foda pra caralho, com direito a wi-fi, hostels, hotéis, boates etc. Resumidamente, tem a porra toda no meio do deserto. Um verdadeiro fucking Oasis.

Paramos no “Huaca Fucking China” (sim, esse é o nome), onde comemos um hambúrguer, com batatas e um suco, por S./20. Pra uma comida no meio do deserto e com uma fome de 8 horas sem comer, aquele prato tinha sabor de felicidade.

Carregando energias para o sandboarding daqui a pouco. 🍔 #MochilãoCdM #HuacachinaSunset

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E realmente, precisávamos recarregar nossas energias, porque estávamos prestes a fazer o passeio de 4×4 (agora sim) pelas dunas com direito ao famoso sandboard da região.
Depois de uma boa rodada pelo Oasis, tivemos que procurar alguma empresa para fazermos o tour, já que com a outra só tínhamos incluso a passagem pra cá. Demos uma volta perguntando nas redondezas e fechamos o tour na “Sun & Sand” por S./30. Eles aceitavam cartão MasterCard, mas com acréscimo (também uma prática comum, infelizmente), então acabamos optando por pagar em dinheiro também.

 

O passeio partia as 16h e voltava as 18h, não sabíamos exatamente como funcionava o trajeto, mas estávamos bem ansiosos. Ainda eram 14h e aproveitamos o tempo pra descansar o almoço e conhecer um pouco mais o local. Não é muito grande, apesar de lindo, mas deu tempo de dar um passeio pela lagoa, sentar e jogar conversa fora.

Ainda durante o almoço, havíamos conhecido uma moça chamada Jane, que está viajando em uma 4×4 com seus filhos e marido. Casados há mais de 17 anos e com uma vida rotineira de trabalho, decidiram largar tudo e dar outra visão de mundo aos seus filhos. Enquanto aguardávamos o horário do tour, a encontramos novamente e passamos o resto do tempo apenas relaxando e trocando muitas informações sobre viagem, já que eles já haviam passado por Chile e Bolívia, países pelos quais passaríamos nas próximas semanas. Ela também relata suas experiências, então quem tiver afim, é só conferir. http://novosolhos.org/

Quando chegou a hora, fomos para o local combinado e pegamos a 4×4. Pagamos uma taxa de S./3 para entrada e seguimos. A 4×4 é aberta e muito grande, com cerca de 12 pessoas em cada carro.

A aventura começa no caminho para as Dunas. Elas são muito altas e íngremes e o nosso motorista não economizava na velocidade. Era como estar numa montanha russa de areia. Eram subidas, descidas e muito frio na barriga, foi muito, mas muito divertido. Durante o trajeto parávamos pra fazer algumas fotos e curtir o visual.

Até que chegamos numa das paradas mais esperadas por todos: o sandboard. A verdade é que achei que era fácil ficar em pé e descer as dunas, mas era muito mais difícil do que parece.

No final, até conseguimos na menor delas, mas em todas as outras preferimos ir de barriga mesmo (ainda que um gringo tenha conseguido em todos, mas ele chegou a comentar que já tinha experiência de anos com snowboard, por isso a facilidade), mas de qualquer forma, ainda é bem divertido!

No final tivemos a última parada, que era o por do sol. Era sensacional ver todo aquele espaço iluminado pela aquelas luzes. Tiramos nossas últimas fotos e ali fiquei com uma grande certeza que foi um dos melhores lugares da viagem, mesmo que tenha sido no início.

Gente, que lugar.

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Assim voltamos para o oásis, com areia até no umbigo (é sério). Tentamos bater o máximo que podíamos para tirar toda areia e nos prepararmos para seguir a Arequipa, em uma viagem de 12h.

Indo para Arequipa

Ainda em Huacachina, fomos atrás de um táxi. Depois de alguma negociação (Vitor tava irritantemente pechincheiro e sem querer mais pagar um sole a mais que o necessário), fechamos o táxi por S./8, mas sem destino certo, apenas pedimos para o taxista nos levar à rodoviária da companhia mais barata, pois lá elas são exclusivas por companhia… Péssima decisão!

Foram 10 minutos até a cidade de Ica, mas ao chegar na primeira rodoviária que ele nos levou, descobrimos que MasterCard não era aceito e, por até então termos trocado muito pouco dinheiro, apenas no aeroporto, não tínhamos o suficiente para pagar. Voltamos ao táxi e seguimos à rodoviária da Cruz del Sur, mais famosa e cara companhia, mas que sabíamos que aceitaria nossos cartões. Com esse novo trajeto, acabamos pagando S./10 para o taxista ao invés dos S./8. E até nisso o Vitor reclamou!  ¬¬

Na Cruz Del Sur, pagamos S./82 na passagem em um ônibus que, teoricamente, teria Wi-Fi e carregador. E se realmente tinha? Tinha nada… E, para adiantar, foi assim todo o resto da viagem, com companhias prometendo, mas nunca tendo. E o que faríamos nesses casos? A gente só podia dormir né, não tinha mais o que fazer, nem voltar pra reclamar dava.

E assim, seguimos pra Arequipa, sem wi-fi, sem carregador, mas levando muita areia nos tênis.

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