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Chalcataya e Valle de la Luna, Bolívia: Sofrendo pela altitude em uma estação de ski abandonada

Após um dia calmo em La paz, já era hora de viver mais uma aventura (aventura essa que eu não sabia que poderia sofrer tanto).

Acordamos, tomei meu típico chá em busca de acabar com uma tosse que não saia de mim de jeito nenhum, e lá fomos nós. Nos agasalhamos para aguentar o frio da manhã de La Paz e seguimos para a van que nos levaria para um dos principais tours de La Paz: Chalcataya + Valle de La Luna.

A caminho de Chacaltaya.

Chacaltaya é uma montanha localizada a 30km ao norte de La Paz, que conta com um trajeto que dura em média 2 horas. Então logo depois do café entramos na van e partimos.

Passamos por alguns hostels para buscar um pessoal e em um determinado ponto tivemos que esperar por bastante tempo já que alguns passageiros haviam errado a hora do café da manhã (inclusive era uma brasileira que depois desse tour chegou até a nos encontrar novamente no Rio, vocês vão entender como).

E seguimos.

Primeiro passamos por ruas da cidade de La Paz e aos poucos fomos entrando por caminhos entre montanhas. A cada minuto de estrada o frio aumentava e o local ficava mais deserto. Era uma região muito árida e a altitude dificultava cada vez mais a respiração, mas ainda não tínhamos chegado no pior.

Paramos na estrada para fazer umas fotos numa espécie de mirante que da para enxergamos algumas montanhas, como a montanha Huayna Potosí, um dos gigantes picos da Cordilheira dos Andes.

Ali já era capaz de sentir os efeitos da altitude, inclusive nos distanciamos para fazer algumas fotos e com uma corridinha em busca de uma boa foto o cansaço já surgia.

Sem contar o fato que corremos atrás das bicuñas que estavam lá.

Voltamos para van e continuamos o caminho.

Chegamos e descobrimos os efeitos de uma altitude de 5k.

E lá estávamos nós, a quase 5421m de altitude.

A parada da van não é exatamente no cume da montanha, é em uma estação de ski abandonada (sim, você leu abandonada e vou falar sobre ela mais a frente) que fica cerca de 200 metros do ponto mais alto, então tínhamos que dar uma caminhada.

Antes de entrarmos na estação de ski, começamos a caminhada para o ponto mais alto da montanha.

E eu tenho que assumir para vocês, nunca foi tão difícil para mim andar apenas 200 metros.

A subida não era íngrime, mas quando começamos a caminhada, além do frio castigar a gente, a altitude me pegou de jeito. O vento era muito forte e dificultava a respiração. A cada 3 passos eu praticamente cansava como se tivesse feito uma corrida de 40 minutos.

Fui bem devagar e em passos muito curtos. Teve grupos que seguiram na frente e outros que foram mais devagar, junto comigo. Fomos devagar, mas chegamos.

 

A vista é sem igual e o vento que é muito forte, que faz a gente sentir mais frio que o normal.

Eu não consegui ficar muito tempo para explorar por conta desses fatores, mas tiramos algumas fotos e descemos enquanto outro grupo seguia para o outro cume da montanha, que era bem próximo, mas minhas condições me impossibilitaram.

Na descida fizemos uma amiga carioca, a Beatriz. Ela viu meu sofrimento na subida e na descida da montanha e veio me oferecer folhas de coca para eu mastigar e melhorar um pouquinho.

De volta a estação de ski abandonada

Chegando na estação de ski tivemos um tempo para explorá-la.

Foi curioso e assustador ao mesmo tempo, porque é impossível você visitar um local abandonado e não pensar em como as coisas eram antes. Você vê os móveis, a lareira, as portas, os banheiros e começa a imaginar todas as pessoas que passaram ali e se divertiram. É bizarro.

De acordo com o nosso guia, o aquecimento global fez com que uma geleira com quase 18.000 anos de idade desaparecesse desde 2009 (fica a reflexão sobre o aquecimento global).

Depois usei o banheiro da estação abandonada e segui para encontrar todos na van a caminho da próxima parada.

Valle de la Luna

De lá seguimos diretamente para o Valle de la Luna. Nomeada pelo o próprio Neil Armstrong (o primeiro homem que pisou na lua), fica mais próximo de La Paz, cerca de 12km do nosso hostel.

É incrível como a mudança de de temperatura é notória, chegando mais próximo de lá nenhum dos seus agasalhos serão mais necessários, porque faz um calor do c*ralho, se comparado ao topo do Chalcataya.

O Valle é um lugar que pode encher os olhos de qualquer turista. Um local que faz você imaginar diversos motivos para ser como ele é e até mesmo não acreditar que toda aquela coisa foi feita pela natureza (já que parece uma réplica da lua).

A explicação para esse fenômeno, é que ali há muito tempo existia um rio que secou e por conta das erosões surgiram todas esses formatos, cujo chão agora longe de ser sólido, se transformou em argila, em vez de rocha.

O lugar é bem legal, vale a pena conhecer, mas aconselho um passeio de período curto, já que não se tem muita coisa diferente para ver.

De volta ao hostel

Cansados e sofridos depois de um dia com muita altitude, só conseguíamos pensar em comer e descansar.

Almoçamos pelo hostel, descansamos e tomamos um cerveja a noite em uma festa que tivemos lá para recuperar as energias. Logo depois dormimos e nos preparamos para o dia seguinte.

 

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Casal viaja o mundo captando imagens que unem geometria, design, estilo e arquitetura

“Não é suficiente tirar uma foto de um lugar bonito. A imagem precisa contar algo, sem a necessidade de usar palavras para isso”, disse o fotógrafo Daniel Rueda que embarca numa viagem com a designer Anna Devis, de Valência na Espanha, com o objetivo de fazer fotos que mesclam estilo com arquitetura.

O casal sempre tenta interagir com o cenário, fazendo com que pareçam se encaixar perfeitamente na estrutura que está sendo fotografada. São imagens dignas de um ótimo fotografo com a ajuda de uma ótima designer.
É entre portas, paredes, portões e muros que toda a mágica acontece. São cores, formas, texturas, tudo em harmonia.
Confira a arte do casal:
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Copacabana e La Paz, Bolívia: Como se sentir entrando ilegalmente em um país, só que dentro da lei

Depois de uma merecida recuperação na pequena espelunca de Puno, acordamos cedo o suficiente para pegar o primeiro ônibus do dia rumo ao nosso segundo país dessa aventura: a Bolívia.

Dentre os três destinos previstos no roteiro, a Bolívia era certamente o que mais nos enchia de receios. Se o Raphael morria de medo de uma intoxicação alimentar, a minha principal preocupação eram justamente os momentos de entrada e saída que a envolvem, que são as travessias das fronteiras.

Durante toda a nossa pesquisa antes da viagem, não faltaram relatos das dificuldades que poderíamos encontrar nas travessias terrestres do país. Da má vontade das pessoas que trabalham por ali até os pequenos “subornos” que te pedem pra entrar ou sair (e que aparentemente estão dentro da legalidade), tudo me deixava com os dois pés atrás enquanto nos aproximávamos de território boliviano…

E alguma coisa realmente aconteceu. Eu só não sei o que.

De maneira resumida, sim, as fronteiras bolivianas são uma curiosa bagunça. Ninguém sabe exatamente o que precisa ser feito para passar, mas algumas xérox depois, você passa e com a gente não foi diferente. Ainda no Peru, descemos do nosso ônibus direto para uma fila aleatória onde, no final dela, saímos com o carimbo de saída do Peru dado por um funcionário público peruano que sequer abriu o bico.

Quando saímos, nosso ônibus havia sumido. Ou melhor, já havia atravessado, e menos de 100 passos depois, nós também estávamos na Bolívia, em outra fila, onde um funcionário boliviano igualmente mau humorado só abriu o bico pra dizer que não podíamos entrar porque faltava sabe-se lá que documento. Um leve medo bateu por alguns segundos, até que alguém nos explicou que faltava apenas a xérox do nosso documento de saída do Peru, que por algum motivo eles precisavam ter na fronteira da Bolívia. Quer dizer… Eu acho que era isso…

Até hoje, mais de um ano desde esse dia, eu continuo com dúvidas de exatamente o que eles precisavam e se fizemos isso afinal. Sei apenas que entre câmbios e descâmbios durante as negociações de preço, tiramos umas 5 cópias de documentos diferentes, apresentamos, recebemos o carimbo de entrada, e por algum motivo eu sai com a impressão de que todas as cópias tiradas ficaram com a gente. Sinceramente? Não me perguntem, porque desisti de entender o que aconteceu ali.

Copacabana princesinha do mar

IMG_9084Famosa entre os mochileiros que saem do Peru seja por qual for o caminho (existem ônibus saindo de Cusco, Puno, Arequipa, entre outros, indo pra lá) para Bolívia, a princesinha do mar boliviana parece cheia de gringos em todos os cantos e a todo momento (ou seja, não muito diferente da nossa versão carioca).

Talvez essa seja uma impressão infiel com a realidade, mas para mim a cidade pareceu ser um pequeno punhado de ruas composto por muitos ônibus de viagem, mochileiros pra cima e pra baixo e uns restaurantes que tentam transmitir uma vibe de reggae.

E foi num desses restaurantes aparentemente roots, mas que só tinham turistas “tipicamente europeus” mexendo nos seus iPhones de última geração que nós decidimos almoçar um prato “tipicamente não típico”: pizza, que era o mais barato do cardápio.

Depois de comer e atualizar nossos status em todas as redes sociais aproveitando o Wi-Fi do local (afinal eu só tava sendo hipócrita no parágrafo anterior, mas também tava com meu iPhone, embora algumas gerações anteriores e ainda bastante prejudicado pela areia engolida em Huacachina ;), fomos até o píer e negociamos nossa ida até a Ilha do Sol, que era o principal motivo que nos fez fazer esse rápido pit-stop na pequena cidade.

“E tudo começou, há um tempo atrás, na Ilha do Sol”  

Para deixar claro, não é que a Ilha do Sol tenha sido um motivo nosso para parar ali. É meio que um motivo para todo mundo… Basicamente, é o principal ponto turístico da cidade, então não se surpreenda que todos os barcos para lá saiam cheios e a sua margem para negociação de preço seja mínima (não lembro mais por quanto fechamos, mas lembro que não conseguimos abaixar muito o preço).

No fim das contas, conseguimos um lugar na parte de cima de um dos barcos e, para nossa surpresa, Carlos, o paulista que fez o trekking no Vale Del Colca com a gente, estava lá. Fomos caminho inteiro colocando nossas histórias em dia com o vento batendo forte no rosto e a felicidade no peito mais forte ainda.

ezgif-1-2ebaea82a9Descendo do barco, seguimos caminhos diferentes. Carlos estava num outro tour, que ficaria dois dias na ilha, e percebeu que tinha descido no “lado errado” dela. Enquanto ele tentava resolver a vida dele, seguimos nosso caminho, já que estávamos com o horário apertado.

O tour da Ilha do Sol é legal, mas confesso que depois de tantas paisagens incríveis que havíamos visto nos dias anteriores, foi um pouco abaixo da expectativa. Ainda assim, valeu a pena, pois provamos um pouco da água da famosa fonte da juventude do local, e também de outras duas que a lenda diz trazerem saúde e dinheiro, coisas que são sempre bom de ter, né?!

Aproveitamos o passeio, na verdade, para fazer pequenas comprinhas com locais da ilha, em especial colares com a Chakana, a famosa cruz andina, em diferentes cores, pedras e grafias. O tour acaba em um templo Inca (foto que ilustra a capa do post), mas pequeno comparado com os que vimos no Peru, então certamente as viagens de ida e volta no barco acabaram sendo os melhores momentos.

Lição do dia: nem sempre comprar seu ônibus significa garantir seu ônibus

De volta à terra firme, voltamos para a agência onde havíamos reservado o nosso ônibus até La Paz e deixado nossas malas (mas não se engane pela palavra agência, pois a organização que a palavra insinua certamente não existia ali).

Nós havíamos comprado nosso ônibus para La Paz assim que chegamos na cidade e conseguido negociar um excelente preço. O problema: o preço foi tão bom que nem a mulher que vendeu pra gente conseguiu comprar pelo que pagamos. Dito isso, ela pediu mil desculpas, devolveu o dinheiro e basicamente falou pra gente “se virar” e encontrar outro ônibus enquanto a tarde começava a virar noite. E foi aquela correria!

Os últimos ônibus do dia saem mais ou menos no mesmo horário, entre o fim da tarde e o início da noite, e como eu disse antes, mochileiros não faltam ali, o que fez com que rapidamente a bagunça tomasse conta e não só nós, como muitos outros, começassem a entrar em um leilão caçando lugares em ônibus de viagem no meio da rua.

Foi engraçado, mas não desejo a ninguém. No final, conseguimos lugar em um ônibus velho, fedido, mas a um bom preço e parecia que estava tudo certo… Só parecia.

Uma travessia ilegal dentro da legalidade

Em determinado momento da viagem, já a noite, o motorista para e manda todos saírem do ônibus e deixarem suas malas. Não entendemos nada, mas como todos pareciam respeitar, fizemos o mesmo.

Acho que por falta de pesquisa não descobrimos antes, mas nessa travessia entre Copacabana e La Paz, existe um trecho que precisa ser feito pela água, onde todos descem dos ônibus, entram em pequenos barquinhos para a travessia (que custa o equivalente a uns 2 reais) e chegam do outro lado para encontrar o ônibus, que também faz a travessia em um outro tipo de transporte com as malas.

O que ninguém te diz é que o barco da travessia é digno de novela da Globo. Todos se enfiam em um barco cheirando a gasolina, que parece um porão, e seguem sentados no chão no escuro como se escondesse de alguém. Gente, é bizarro…

Mas deu tudo certo e no final já estávamos todos (nós e os outros passageiros do ônibus, na sua maioria Europeus) rindo e fazendo piada com a situação.

Quando em La Paz, pra que paz?

Chegando em La Paz, já por volta de meia noite, pegamos um táxi na rua e seguimos para o Loki Hostel, famoso pelas festas (e com razão, adianto), onde por não termos reserva, não conseguimos quarto coletivo e acabamos pegando um privativo triplo que saiu um pouco mais do equivalente a R$50 a noite para cada. Caro, mas valeu a pena!

O hostel é excelente, localização, ambiente, funcionários etc. Não temos muito do que reclamar, além do fato de que não tinha café da manhã incluso, mas por isso é sempre importante reservar sempre que for um hostel muito famoso antes de ir, como é o caso do Loki.

Deixamos as mochilas no quarto e subimos direto para o bar, onde rolam festas temáticas todos os dias. Nesse primeiro dia, a festa era com o tema de piratas. Comemos um pouco, bebemos bastante e eu já estava cansado, por isso desci ao quarto.

No dia seguinte, fiquei sabendo que o Alluan e o Raphael ainda foram no Hard Rock Café, que eu até cheguei a conhecer num outro dia, mas como eu me ausentei nesse, encerro esse texto deixando vocês apenas um vídeo deles descobrindo que existe funk além da fronteira.

 

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Cusco, Peru: “Você gostaria de mandar uma mensagem para sua família antes de pular?”

Esse relato contém muito texto e poucas fotos porque eu estava sozinho na maior parte do dia e não tenho saco para registrar tudo em imagem. Desde já, peço perdão pelo vacilo.

Depois de Machu Picchu, a percepção geral era de que seria uma viagem tranquila e sem grandes aventuras até chegarmos ao esperado Salar do Uyuni, já na Bolívia. Mas eu não poderia estar mais enganado… Esse era um dia que entraria para história. Ou pelo menos para minha ainda humilde história de viajante.

Para começar, deixem-me contextualizar o que não ficou tão claro no relato anterior, do Rapha.

Convivência é foda!

Convivência é um bicho complexo… E por que isso agora? Essa era a segunda vez que eu, Alluan e Raphael viajávamos além das fronteiras brasileiras. E coincidentemente, a segunda vez que houve qualquer tipo de desentendimento entre a gente hahaha

Enquanto o Alluan tem um perfil de apaziguador, eu e Raphael soltamos faíscas em alguns pontos da viagem, sendo a principal delas justamente no dia anterior, durante a trip em Machu Picchu. O motivo era bobo, foi um jeito de falar sobre água, um atraso na subida e sei lá mais o que… Mas fomos grossos um com o outro e desde o dia anterior em decidi dar uma afastada dele para não gerar uma intriga maior. Então mais do que um cansaço, seguimos caminhos diferentes no dia anterior, mas nos reencontramos para voltar ao hostel, embora ainda houvesse rusgas no relacionamento…

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Quando uma briga te dá o estímulo para uma loucura sozinho.  

Dito isso, acordei cedo no dia seguinte e decidi tomar café sozinho. Troquei alguma ideia com as meninas do bar e me esparramei no sofá do Kokopelli que fica bem na entrada. Alluan e Raphael demoraram para acordar, e como eu ainda não estava com vontade de avaliar suas fuças em plena manhã, decidi dar um rolê pela cidade all by myself.

Enquanto caminhava pelas ruas de pedras e históricas de uma ensolarada Cusco, passei em frente ao escritório da Action Valley e decidi entrar novamente. Novamente porque talvez tenhamos esquecido de comentar, mas antes mesmo de irmos para Machu Picchu, consultamos com a Action Valley os preços do salto de bungee jumping, mas enquanto eu estava extremamente animado, o Raphael estava achando o preço caro demais e o Alluan não querendo pagar e depois acabar ficando com medo de pular… E, como eram “2×1”, acabamos desistindo juntos da aventura.

Mas aquilo tinha ficado preso na garganta… Eu queria muito pular. Não sei bem o porquê, mas desde muito novo pular de bungee jumping era algo na minha bucket list mental. Mas por mais que eu não precisasse, eu ia me sentir meio mal de abandoná-los apenas para fazer isso sozinho. Talvez até um pouco egoísta. Então essa briga acabou sendo a desculpa que eu precisava rs

Não pensei duas vezes e contratei o pacote do salto de bungee. O preço foi de S/. 307 (o preço é originalmente cotado em U$, mas no meu cartão o valor está em S/.) e incluía um SD card com fotos e vídeos do salto. Nisso já era cerca de 11h da manhã e eu escolhi o horário de 13h, dai seria o tempo de voltar ao hostel, calçar um tênis, passar o protetor e partir para a aventura.

De volta ao Kokopelli, Alluan e Raphael haviam acordado e trocamos cumprimentos ainda tímidos. O rancor não me deixava falar ainda o que eu tinha feito. E não fosse o Raphael tomando a iniciativa de puxar assunto em um sinal de paz, eu não teria contado antes de ir. Sim, sou meio babaca hahaha

 

Depois que contei que saltaria, rolou um principio de nova discussão. Justificada, admito. Por que não chamei ninguém pra decidirmos juntos, etc. Mas no fim das contas, o que eu imaginava foi confirmado, eles não iriam mesmo. Parte por preço, parte por medo e tal. Eles preferiram ficar e lá fui eu, para uma aventura inesquecível sozinho.

Agora que chegou até aqui, só pula!

Chegando na agência da Action Valley, já havia um taxi (incluso no pacote) e um casal de americanos apenas me esperando para irmos. Não lembro o nome desse casal e nem trocamos contatos, mas foi bastante divertida a viagem (que dura uns 20 minutos até o campo de onde é feito o salto) com eles. Ambos eram da Califórnia, ele surfava profissionalmente e já havia visitado o Brasil em algumas competições e ela trabalhava em um banco, mas como hobby jogava futebol e por isso também tinha muita vontade de conhecer o Brasil. Foram excelentes companhias!

Chegando lá, começam os preparativos. Para pular, é necessário passar por uma pequena bateria de exercícios para provar que não tem problemas cardíacos e passar por duas diferentes balanças para garantir o ajuste correto dos equipamentos.

Nesse momento, ao ver a altura da plataforma, a menina já havia desistido do salto. Lembrei do medo do Alluan de fazer o mesmo e, de certo modo, achei bom que ele não tivesse ido para não passar pelo mesmo. Eu estava muito extasiado pela adrenalina e só queria saber de pular, mas o americano foi primeiro. Eu assisti lá de baixo e nessa hora o que apenas um frio na barriga virou um frio no corpo todo. Estava sol, mas eu me sentia gelado. Era medo, mas a adrenalina era maior. Ele pulou, girou por alguns segundos e desceu, tonto, mas agitado e muito sorridente. Eu escondi bem o meu medo e entrei na agitação com ele… Era minha vez!

Deitei no chão e começaram a montagem de todos os cabos. Depois de levantar, era difícil andar com tanto cabo e medo ao mesmo tempo, mas superei os tropeços do caminho e fui quase me arrastando. Eis que a plataforma começou a subir. Os pensamentos eram mistos… Iam de “F U D E U” até “Será que eu perco dinheiro se desmaiar?!”.

Será que eu perco dinheiro se desmaiar?!

Mas eu não desmaiei. Pelo contrário, no alto de seus 122 metros de altura, o que o dá o título de maior da América Latina, o medo simplesmente sumiu e o sorriso veio na cara. O vento jogava os cachos na minha cara, mas de repente parecia que meu casaco peruano de falsa alpaca conseguia acabar com o frio de todas as partes do corpo e o calor das veias parecia pulsar.

Além das instruções, que são tão simples que nem lembro o que são exatamente, por praxe, eles fazem um monte de perguntas aleatórias, pedem mensagens pra família, pra você falar umas frases pra case deles, tirar umas fotos com placas do Trip Advisor, mas eu não tava com saco para colaborar. Eu queria pular e por mais que a intenção de me pedir uma mensagem para a família para o vídeo fosse fofa (daí o título do post), nada do que gravei nessa preparação ficou bom pelo simples fato de que eu tava pouco me fudendo pra isso e só queria riscar logo o “pular de bungee jumping” da minha lista de coisas para fazer antes de morrer. E eles finalmente perceberam isso e me deixaram pular.

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"Are you ready?" 😍👊🏼 #bungeejumping

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E foi num “Are you ready?” que tudo começou e terminou em pouquíssimos segundos que ainda rendem um frio na espinha só de lembrar.

Pouco tempo depois, eu estava no chão, com instrutores me desvencilhando dos equipamentos, uma leve dor (normal) que ia da coluna até a nuca, e os olhos cheios de lágrimas daquele momento simplesmente inesquecível.

Da volta na chuva ao “Templo do Sol”

O americano havia pago ainda pelo salto reverso (que te joga para cima e te puxa para baixo, que eu não fiz por economia, mas depois me arrependi) e depois disso nos sentamos juntos para ver as fotos e vídeos. Depois disso, começou a chover e nós três nos juntamos aos funcionários em volta de uma fogueira improvisada por cerca de meia hora até que o nosso táxi de volta chegasse para nos levar de volta ao Centro de Cusco.

Voltando, nos despedimos, trocamos contatos (que mais tarde eu perdi, por isso os americanos estão sem nome rs) e eu voltei ao Kokopelli. Com todos os acontecimentos anteriores, eu já havia me esquecido da briga e compartilhava dos doces que o Alluan e Raphael trouxeram de uma padaria hipster que haviam visitado.

Depois de contá-los tudo e mostrar todas as fotos e vídeo, no fim da tarde decidimos ir ao “Templo do Sol” de Cusco antes que seguíssemos viagem para Puno. Foram alguns minutos de caminhada, mas o suficiente para anoitecer e darmos de cara com a porta. O Templo já estava fechado e a visita teria que ficar para uma outra vez, o que era uma pena.

Passamos por uma igreja e compramos alguns gorros pelo caminho para presentear, mas voltamos para o hostel antes de seguirmos viagem para Puno, que seria a nossa próxima parada.

E assim terminamos a nossa passagem por Cusco, com a sensação de satisfação, muito cansaço, mas três sorrisos nos rostos que deixavam claro como aquilo tudo vinha valendo a pena <3

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Inca Jungle, Peru: Tirolesa, trekking e muita natureza rumo à Machu Picchu

Depois de um primeiro dia de Inca Jungle no mínimo radical, que começou com um downhill de curvas assustadoras, passou por um rafting que já terminou no escuro e se encerrou com a rota potencialmente mortal em um penhasco entre Santa Maria e Santa Tereza, nada mais justo que um dia calmo para recuperar as energias. Mas pera lá! Nem tão calmo assim.

Como o Alluan foi direto ao ponto no relato do primeiro dia (e um pouco desapegado aos detalhes, se me permitem dizer a verdade), vou me permitir começar apresentando nosso grupo. Se no primeiro dia era um grupo gigante que se uniu após o downhill, logo após o almoço um pequeno grupo de 15 pessoas se separou do bando e seguiu para o tour de 3, ao invés do tradicional de 4 dias. E é a partir dai que as coisas começam a ficar diferentes para a gente.

Só vai, ou melhor, se joga

Se o segundo dia do tour de 4D + 3N é de apenas caminhada, no nosso ele já começava diferente, com uma aventura de tirolesa entre montanhas no Peru.

Para esse tour fomos todos, três americanos (uma mãe, seu filho e o melhor amigo dele), quatro peruanos (um casal de pais e um casal de meninas, sendo uma delas filha deles), uma belga, três israelitas (um casal e uma amiga da menina, sendo as duas recém-saídas do exército), eu, Raphael e Alluan, além do guia que nos acompanhava.

Chegamos cedo, aparentemente o primeiro grupo do dia, e logo nos montamos com os equipamentos de segurança antes de começar a aventura. Subimos um pouco uma montanha e lá de cima demos inicio a série de tirolesas do caminho.

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Uma das israelitas desistiu logo no começo, por medo de altura e teve que voltar a pé e para todos os outros a dica era simples: só vai!

Ok, tem mais coisa por trás disso. Há algumas instruções básicas sobre como reduzir a velocidade antes da chegada, por exemplo, mas nada que você lembre quando começa a ouvir o barulho da corda no gancho e uns “tiques” que parecem que farão o cabo se romper. Mas tudo deu certo. Os peruanos, pais de uma das meninas tiveram certa dificuldade em alguns momentos, mas no geral, não há muito segredo além do visual incrível visto de cima.

Após 4 ou 5 trechos de tirolesa, o último tem cara de desafio do Faustão e é basicamente atravessar uma ponte presa por cordas. Nada absurdo, mas a parte mais cansativa do tour, sem dúvidas. Já na saída, foi possível ver outros grupos no ponto de partida e uma fila enorme, o que nos leva a dica: se for fazer o tour, convença seu guia a ir cedo. É um salvador de tempo!

Aquele típico almoço e uma caminhada renovadora

Saindo de lá, pegamos novamente e van e seguimos para o famoso ponto para todos aqueles que optam por fazer o caminho até Águas Calientes, cidade-base para Machu Picchu, a pé, independente da trilha: A hidroelétrica.
Lá, a van nos deixa e é preciso seguir a pé por mais aproximadamente 3 horas para, ai sim, chegar de fato em Águas Calientes, mas não sem antes de um almoço reforç… quer dizer… um almoço, pelo menos, né. Novamente a refeição se iniciou com uma sopa de quinua e passou por um prato principal, com opção com carne ou vegetariana, e um suco de manga.

Almoços devorados, não temos tempo a perder, todos pegam seus cajados improvisados, suas mochilas de ataque e seguem para mais 3h horas de uma caminhada tranquila. Mas aqui vale um adendo, para aqueles que tiverem preguiça de seguirem com as malas, pode-se pagar uma taxa para que o levem de carro mais tarde. Nós obviamente não o faríamos, mas os país das peruanas o fizeram e, segundo eles, não houve arrependimento. Em todo caso, é mesmo uma caminhada fácil, eu não recomendaria.

E assim seguimos, lenta e confortavelmente, com paradas para fotos, água e tudo mais que tinha direito sem pressa. Mais um dos benefícios de termos acordado cedo, pois não precisamos acelerar o passo para chegar antes de anoitecer.

A maior parte da trilha era por cima de trihos de trens da cidade. Eram trens enormes e bem antigos, eles seguiam uma boa parte da trilha, mas só os residentes país podiam embarcar, sem contar que eles só passavam nos trihos por volta de 13h e 15h, eram dois trens.

As vistas eram incomparáveis e invesquecíveis. O contato com a natureza era inevitável e a experiencia sem comparação. O lago que cercava o caminho era lindo e também transformava aquela experiencia muito mais especial com o barulho da água batendo entre as pedras rio abaixo.

 

 

Enfim, Águas Calientes

Chegamos em Águas Calientes por volta das 15h. A cidade é bonita, mas bastante turística, o que confirmava a informação do guia de que ela havia sido criada apenas por causa dos turistas e é raro que mesmo quem more/trabalhe lá não tenha vindo de outra cidade maior das redondezas.


Demos check-in no hostel com cara de hotel e mais uma vez acabamos tendo que dividir o quarto com a Emma, uma enfermeira belga que viajava sozinha após cumprir um estágio num hospital público de Cusco. Para nós não era nenhum problema dividir o quarto, mas imaginávamos que poderia ser desconfortável para ela ficar com três rapazes no quarto. Mero engano! Emma é uma das pessoas mais desencanadas com a vida que já tive o prazer de conhecer e vale a pena mencionar isso.

Já de noite, saímos a procura de um lugar para comer e encontramos uma pizzaria com preços populares antes do jantar oferecido pelo tour. E olha, não recomendo… Esperamos quase 1h por duas pizzas de mussarela e tínhamos que caçar pessoas por um copo de limonada. Detalhe: não tinha mais ninguém restaurante além da gente, então a demora era obviamente injustificável.

Ao voltarmos para o hostel, encontramos todos já na porta nos esperando para ir jantar. Como já havíamos acabado de comer…. fomos do mesmo jeito. Afinal quem somos nós pra dispensar comida de graça?! Hahahahha
Depois de jantarmos, minha perna já começava a dar sinais de desgaste. Sendo desgaste uma palavra gourmet para “doendo para caralho” e eu passei numa farmácia pra comprar aquelas fitas adesivas para dor (tipo Dorflex Icyhot ou Salompas, por exemplo). É um comentário aleatório, mas que eu estou comentando porque vai justificar o dia seguinte que, como vocês vão perceber no próximo relato, para mim se apresentará sofrido, mas isso é papo para uma próxima conversa.

Antes de ir dormir, passei no posto local e comprei o ticket para o ônibus do dia seguinte até Machu Picchu. Apenas eu mesmo, pois já sofria bastante com a perna, enquanto Raphael e Alluan decidiram subir pelas escadarias a pé mesmo. Para ser sincero, não sei se tentaria a opção mesmo com a perna boa, mas ok…

Finalizado o dia, seguimos para uma gostosa noite de sono antes de estarmos de pé cerca das 5h da manhã para seguirmos até Machu Picchu, que claro, vem no próximo relato <3
Isso é tudo, pessoal!

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#MochilãoCdM – Dia 08 | Cusco, Peru: De tanto tentar economizar, acabamos pagando para não ver

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Após uma noite de barrigas cheias e muita preguiça, acordamos cedo na tentativa de compensar o que deixamos de explorar no dia anterior em razão do cansaço. Mas antes de mais nada, fizemos nosso revezamento de banhos e tomamos o café da manhã, já incluso na diária do hostel. Aliás, preciso ser justo e falar um pouco melhor sobre o Kokopelli, local onde nos hospedamos na capital peruana do turismo.

Assim como os principais hostels da região, o Kokopelli é construído em um casarão histórico, mas quem vê a sua arquitetura extremamente tradicional não desconfia do quão confortável ele consegue ser. Pelos S./42 da diária que pagamos por uma cama estilo pod (que eu expliquei o conceito um pouco melhor relato anterior), está incluso ainda um café da manhã honesto, com pães, geleias e margarina, leite e suco à vontade. Há algumas restrições chatas, como a limitação de uma fruta por hóspede, que tem que dar o nome para validação a lista para que um funcionário dê a fruta, mas em compensação, nos melhores dias, há ainda opções de pudim e iogurte grego com flocos de arroz (maravilho, diga-se de passagem!) sem custo adicional. Mas ainda assim, a limitação de frutas soa uma mesquinharia um pouco exagerada.

É dia de pechinchar, bebê!

Com cafés da manhãs e banhos tomados, fomos para a rua pesquisar preços de tours. Não vou me estender muito nessa pesquisa porque, basicamente, agências de tours são o principal tipo de comércio em Cusco, com várias lojinhas nas mesmas ruas, oferecendo os mesmos roteiros e serviços, restando ao viajante, na base da lábia e pechincho, negociar as melhores oportunidades e, na base do feeling, fechar com aquele que transmitir maior confiança naquilo que oferece.

Nesse sentido, posso dizer que tivemos sorte com todas as agências que fechamos, mas ao mesmo tempo, vimos pessoas tendo problemas com elas e preferimos não recomendar, pois por economia, nem mesmo nós fechamos com as mais recomendadas. Em todo caso, para Inca Jungle Trail, todos (no albergue, na internet, nas conversas de bar, etc) recomendam a Lorenzo Expedition por ter sido a criadora do roteiro e especializada nesse tipo de trilha. Não fechamos com eles pelo preço, naturalmente um pouco mais caro, mas se você chegou aqui atrás de recomendação, essa é a melhor que lhes posso oferecer 😉

Border-line-of-alcoholismVoltando ao relato, apesar da pesquisa ter resultado algumas boas ofertas (sendo a melhor delas de uma simpática senhorinha que lavava a rua na porta da agência enquanto passávamos, mas explicou tudo com tanta propriedade e “honestidade” que acabamos decidimos ser “a escolhida”), decidimos não fechar nada nesse primeiro momento, pois almoçaríamos e voltaríamos mais tarde.

Vale dizer que nesse momento fomos abordados por um ambulante na rua vendendo casacos de “lã de alpaca” por $250 (dólares), com quem após muita negociação, conseguimos abaixar até comprar pelo preço de R$50 (reais).

Obs.: Mais tarde descobrimos que fomos parcialmente enrolados, pois não se tratava de lã de alpaca (acho até que fiquei mais feliz ao saber disso já que, pessoalmente, isso é mais motivo para não comprar) e sim sintética, mas mesmo assim, comparamos o preço com similares em lojas e em nenhum lugar encontramos por menos de S./100, então ponto para nós 😉

E foi aí que tudo mudou…

Enquanto rodávamos várias agências, conhecemos um brasileiro que trabalhava em uma delas. Paulista, ele nos contou que morava no Peru há alguns anos, após casar-se com uma peruana, e enquanto falávamos de muitos assuntos (dentre eles a história da lã alpaca que comentei acima, ele que nos contou não ser de real alpaca porque a real é fria por fora e quente por dentro, enquanto a nossa não era fria por fora), ele nos contou sobre as ruínas de Sacsayhuaman, um complexo de ruínas da região que poderíamos visitar a pé ou de táxi por cerca de S./10.

Pão-duros que somos, fomos a pé, e após cerca de meia hora andando com muitas ladeiras subindo (trauma!!!), chegamos na porta do Parque Nacional, onde precisaríamos pagar S./130 para visitação no complexo :O

Fomos pegos no susto pela informação. Como já deve ter ficado claro, viajávamos em um budget limitado, então esse custo surpresa de cerca de R$150 (convertendo para reais) não era algo que eu estava disposto a pagar. Raphael queria. Alluan estava na dúvida. E naquele impasse em que nos encontrávamos, outro “ambulante” tirou proveito da situação com uma proposta: fazer um caminho alternativo a cavalo por apenas S./45 por pessoa pelo tour + S./8 de táxi até o estábulo, que era meio longe, dividido entre todos.

Negociamos um pouco, fechamos por S./35 cada + o vendedor do tour entrar na divisão do táxi com a gente (o que resultou em S./2 por pessoa pelo táxi) e fomos. Chegando lá, cada um pegou o seu cavalo, conhecemos nosso guia (que não era tanto um guia e sim uma pessoa para “controlar” os cavalos caso acontecesse alguma coisa) e seguimos o caminho.

As paisagens são bonitas e o passeio é calmo (talvez até demais), mas gostoso de se fazer. Eu montei no Alquille e me empolgava a querer ir rápido, mas os cavalos têm uma “ética” estranha e meio que se recusam a se ultrapassar, seguindo quase numa fila indiana. O Alluan teve um pouco de dificuldade de se adaptar (ele não se dá muito com bem com animais em geral rs), mas superou o medo e seguiu sem problemas em todo o percurso.

A primeira parada foi no sagrado Templo de La Luna, onde o “guia” fica com os cavalos e nos deixa sair a explorar sozinhos. E ai está o grande problema desse passeio… Sozinhos a gente não aprende nada. Passamos por Puka Pukara, vimos algumas construções pré-incas de perto, mesa de rituais, etc, mas infelizmente jamais conhecemos a história por trás de tudo que vimos, o que naturalmente nos causou o arrependimento de não ter seguido com o tour tradicional, mais caro.

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Cusqueño

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Voltamos pelo mesmo, pegando os cavalos próximo ao Templo de La Luna e voltando ao rancho, agora num ritmo um pouco mais “rápido”, com direito a apostarmos algumas corridas, sempre ganhas pelo Blanco, cavalo do Raphael.

Do rancho até San Blas, por onde iriamos passar para voltar ao Centro de Cusco a pé, passamos do lado de parte das ruinas do complexo de Saqsaywaman. Nesse momento o arrependimento bate ainda mais forte.

Os comedores de alpacas :’(

Terminado o passeio, descemos entre as ruelas de San Blas no caminho de volta ao centro de Cusco. Já morrendo de fome, enquanto ainda descíamos as ruas, demos de cara com a placa de um lugar simples, mas com um preço honesto, e no confortável Blue Alpaca experimentamos um delicioso hamburguês de alpaca com um suco de limão por apenas S./15 por pessoa. Demorou um pouco, admito, mas da simpatia da jovem atendente até o sorriso da cozinheira, o tempo de espera foi o menor das nossas preocupações.

Pagamos e voltamos ao hostel, mas não sem antes passarmos na farmácia para o Alluan comprar Ibuprofeno, medicação que recomendaram para evitar o mal de altitude. Melhor decisão tomada! Confesso que folhas de coca em momento nenhum me pareciam fazer efeito, mas com esse remedinho, pouco sentimos os efeitos da altitude (pelo menos até a Chacaltaya, na Bolívia, mas isso vocês saberão mais para frente nos relatos).

Já era de noite, e voltamos na senhorinha que havia nos oferecido o tour barato e confiável pela manhã decididos a reservar. Infelizmente, a agência já havia fechado. E foi assim que acabamos tendo que recomeçar as buscas do zero no dia seguinte.

Depois de enrolar bastante nos confortáveis sofás do hostel, tomar banho e nos arrumar, começamos a noite no bar, na base de Brahma e alguns drinks, onde conhecemos uma brasileira que começava naquele dia a trabalhar no bar do Kokopelli. Ela nos contou como descobriu o hostel no conhecido Worldpackers (que eu também usei recentemente, pagando, e qualquer dia desses faço um post explicando como funciona), mas entrou em contato diretamente com eles para garantir a vaga sem a necessidade de pagar a taxa. Ela foi a segunda pessoa que conheci na viagem que diz ter feito isso. Então caso seja da sua vontade fazer algo do tipo, fica a dica 😉

Uma noite abaixo das expectativas…

Algumas cervejas depois, passamos em um McDonald’s (S./19) e seguimos para uma das mais famosas boates para turistas em Cusco, a The Temple. Próximo à Plaza de Armas, ela é uma das mais famosas pois tem acordo com vários hostels da região, com hóspedes entrando de graça. E foi o nosso caso. Lá dentro, confesso, rolou a decepção após tantas recomendações…

Embora os comentários do Tripadvisor sejam positivos, para o meu gosto, a boate é MUITO turística, em um sentido negativo. A músicas são, em geral, pop music americano de no mínimo cinco anos atrás (imagine “Umbrella”, da Rihanna, como um dos hits mais recentes, pra se basear) e o público além da grande maioria de americanos e europeus, conta com algumas pessoas locais claramente sem a melhor das intenções, e por isso entenda embebedando gringos e tal.

Além disso, não parece haver um controle de idade muito eficiente, uma vez que não era incomum ver meninas peruanas (por peruanas, eu deduzo, devido à fisionomia de características andina delas) muito jovens, quase pré-adolescentes, beijando com gringos na casa dos 30 anos. Não é o tipo de situação que me deixa confortável.

Tendo tudo isso em vista, ficamos algumas horas, mas um pouco desapontados, preferimos nem beber, apenas dançar.

Se tem uma coisa que somos, independente de viajarmos juntos, é independente e, dito isso, o Alluan foi o primeiro a decidir ir embora. O Raphael ainda estava animado dançando, dai eu optei ficar com ele lá, mas uns 10 minutos depois também decidi ir, com o Raphael decidindo ficar mais um pouco, mesmo sozinho, porque as meninas do bar do hostel haviam dito que iriam para lá após o término do turno.

E assim eu me fui, sozinho, a pé, de madrugada pelas ruas de Cusco. Comentaram que não foi das decisões mais inteligente que tomamos (afinal todos nós fomos sozinhos, separadamente, de madrugada e a pé), mas a verdade é que nenhum de nós teve sensação de insegurança no caminho de cerca de 15 minutos caminhando.

Após uma boate meia boca, uma noite de sono caiu bem, mesmo sabendo que teríamos que acordar cedo para procurar um outro tour para fechar em pleno domingo.

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#MochilãoCdM – Dia 07 | Cusco, Peru: Cara, onde foram parar os meus óculos?!

Começo este relato com um momento difícil para mim.

Após as cerca de 10h de ônibus de Arequipa à Cusco, em um ônibus confortável da TEPSA, com serviço de bordo feito por uma simpática peruana (que caia nas gargalhadas mais gostosas com as piadas do Alluan) e tomadas, mas um wifi mais pra lá do que pra cá e cobertores curtos que me exigiam a decisão de sentir frio nas mãos ou pés, acordamos cedo, com um café da manhã dentro do ônibus e pronto para bailar em Cusco. O dia estava começando bem, eu estava com um sorriso no rosto impulsionado por um programa de pegadinhas que passava na TV do ônibus. Mas ela estava longe, então, para facilitar a visão, vou pegar meus óculos. Eis que… Eles sumiram!

Procurei feito um doido. Nas malas de mão, poltronas e embaixo delas. Organizei uma mini força-tarefa para tal função, liderada pela simpática e risonha peruana… Mas nada dos meus óculos. Eu lembrava de tê-los usado na madrugada, lembrava onde os tinha colocado, lembrava de tudo, mas eles simplesmente desapareceram sem se despedir e me deixaram enxergando tudo embaçado pelo resto da viagem. Senti o baque, foi dolorido, superei, mas chegou o mal humor.

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Cusco. Linda e fria.

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Mas como dizem, “tudo piora antes de ficar melhor”. Pois bem, piorou!

Chegando no terminal, conseguimos pegar um taxista gente boa até a região principal de Cusco, o que pelos relatos que li antes de ir, pode ser um problema de vez em quando. Além de taxista, ele também fazia bico como agente de tours autorizado (coisa que não é tão incomum por lá quanto parece) e nos deu uma grande aula sobre as opções de tours até Machu Picchu.

Já estávamos decididos em fazer a versão “Jungle” da trilha Inca, que basicamente tem menos tempo de caminhada e mais variação nas atividades (que incluem um downhill de bike, rafting e tirolesa). O que já sabíamos é que a versão de “Inca Jungle Trail” mais comum envolve 4D + 3N (D = dias e N = noites), sendo um dia inteiro de caminhada. E esse era o nosso receio após a experiência linda, mas traumatizante, do Valle del Colca. Dito isso, não poderíamos ficar mais felizes quando o taxista explicou que boa parte das agências também fazem uma versão de 3D + 2N, cortando justamente o dia de caminhada. <3

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Obviamente não fechamos por ser o primeiro com quem falamos (e de nós três, só o Alluan tinha essa chata mania de sempre querer fechar no primeiro que vê e nem negociar), mas pegamos o cartão, os preços e seguimos ainda um pouco sem destino. E é ai que entra o problema…

Temos uma mania chata que se repete na personalidade dos três: nós procrastinamos. Então por mais que já tivéssemos pesquisado três opções de hostel em Cusco, fomos empurrando com a barriga e acabamos nunca os reservando. O problema disso? Hostels cheios!

Chegamos em Cusco por volta das 7h da manhã e saltamos na porta da nossa primeira opção, o Kokopelli, lá ainda havia vagas no quarto de 8 camas estilo “pod” (que é um conceito de camas com cortina, iluminação privativa e carregador que está entrando na moda) por S./42. Não é nenhum absurdo, mas era mais caro do que teríamos pago no quarto mais barato, um de 8 camas “normais” por S./30. E foi por essa diferença de S./12 por dia que decidimos ir atrás das nossas duas outras opções, o Milhouse (famosa rede com a qual já havíamos tido uma experiência excelente em Buenos Aires) e o Pariwana, muitíssimo bem elogiado em todos os sites de reservas. Porém… Ambos lotados, mesmo em um período considerado “baixa temporada”. O que nos leva a seguinte dica do dia: Em Cusco, a alta temporada turística é o ano todo, então evite dores de cabeça e sempre reserve seu hostel.

E foi assim que, com o rabo entre as pernas, voltamos com nossos mochilões para o Kokopelli e pagamos aquele que, até então, achávamos que seria o hostel mais caro da viagem (SPOILER: não foi nem o segundo mais caro! Apenas aprendam a reservar antes de ir para os lugares, sério!).

Demos uma voltinha rápida nas ruas e voltamos para enrolar nos celulares, obviamente com muitos snaps (aliás, sigam carasdomundo, vitordmartins, raphabbj e alluanlucas #merchan) e fotos no Instagram (mesmos users #merchan2) até a hora do check-in, quando por volta das 13h entramos em nossos quartos. Como vocês puderam perceber nos relatos dos dias 05 e 06, os dias em Arequipa foram cheios, então era compreensível que tivéssemos um dia de descanso.

Por isso, após trocar algum dinheiro na casa de câmbio (a S./0,92 por R$1, que foi a melhor cotação que encontramos em todo Peru), almoçamos no KFC num casarão próximo à Plaza das Armas (S./21, preço similar ao que encontramos em real no Brasil) para matar a saudade de fast-food e voltamos ao hostel, onde dormimos até o anoitecer.

O triste dia em que “comer e dormir” venceu a guerra com “beber e dançar”!

Era sexta e nós queríamos sair, mas ao mesmo tempo, chamem-nos de velho, mas os pés doíam tanto… OK, para ser honesto, o Alluan queria mesmo e ficou bem emburrado por eu e Raphael termos trocado a noite alcoólica por uma noite de massas… Sim, massas! Um genial “toda massa que você puder comer” por S./16 organizado pelo próprio Kokopelli (que, por acaso, inventa alguma coisa todo santo dia, dando ainda mais preguiça de sair para curtir algo na rua rs), mas no final ele aceitou e todos terminamos a noite enchendo o bucho de massas e molhos diferenciados enquanto conhecíamos as meninas do bar, aquele tipo de pessoa incrível que você conhece em viagem e faz as amizades mais legais de 15 minutos. Mas para esse tipo de pessoa eu preciso de um post exclusivo <3

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Depois de algumas cervejas, voltamos ao quarto e dormimos, preparados para no dia seguinte caçar os tours mais baratos e aproveitar o famoso sábado Cusqueño… Mas será que valeu a pena? No próximo post eu conto para vocês!

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#MochilãoCdM – Dia 06 | Arequipa, Peru: Quando a gente descobre que menos é mais. Porra a gente só queria descansar!

Era 4 da manhã e o despertador toca. Esse sou eu, o cara que sempre acorda a galera, o senhor do despertador, o pontual, a pessoa que sempre segura a responsa… Vocês me devem “essas” Alluan e Vitor. Estava um frio do cão e era impossível enxergar qualquer coisa aquela hora, afinal estávamos no meio de um Oasis completamente sem luz. Peguei meu iPhone (que serviu de lanterna durante o dia) e sai do quarto para ver como as coisas estavam, enquanto todos dormiam.

Como me sinto todas as manhãs.

A saída da porta do nosso quarto dava direto num pátio a céu aberto, e lá estava eu conferindo a madrugada. Aquele momento não sabia que teria uma das visões mais fodas da viagem, mas simplesmente deu vontade de apagar a luz do iPhone por um instante naquele lugar completamente escuro. Em seguida pude ver uma forte iluminação vindo do alto e quando olhei pra cima, PQP… Eu vi o céu mais bonito da minha vida, é de arrepiar só de lembrar. Ele era completamente preenchido, via nebulosas, planetas, muitas, mas muitas estrelas e diversas coisas que não fazia a mínima ideia do que poderiam ser.

Minha primeira reação foi acordar o Alluan, já que ele é fissurado pelo céu. Fim das contas, ficamos igual dois idiotas parados olhando pro céu.

Depois de alguns minutos era possível ver algumas luzes em nossa volta, percebemos que os outros hóspedes estavam acordando e se preparando pra mais um dia de trekking. Resolvemos entrar no quarto e foi o momento onde tive que acordar todos. Chamei nossos novos amigos noruegueses Frode Blixt e Christopher Shah, nos preparamos e saímos. O Carlos (nosso amigo brasileiro que também é do nosso tour) estava em outro quarto, logo ia nos encontrar na saída. Vitor ia mais tarde por conta de ter pago a mula, por isso apenas avisamos a ele e partimos. Ele disse que iria nos encontrar no meio do caminho, porque era provável que ele passaria por nós cavalgando.

Hora do Fucking Trekking

Tudo preparado, partiu. Encontramos nosso guia no pátio do oásis e ele disse que havia alguns cajados (que são muito úteis) por ali . Fiquei caçando alguns e no fim consegui pra todos nós. Seguimos para a porta de saída para encontrar Carlos, ele atrasou um pouco, mas logo surgiu, e lá fomos nós.

Estava muito escuro, mas o iPhone dava conta pra mim e pro Alluan enxergarmos bem. Enquanto isso a maioria da galera tinha comprado uma lanterna com um suporte na cabeça. Era bem útil também, mas de qualquer forma meu método funcionou.

Fomos subindo no escuro com a lanterna do iPhone enquanto o dia clareava. O frio era muito, mas assim que a caminhada começou já iniciei a retirada de todos meus casacos por conta do esforço que me fazia suar demais. Inclusive morri de medo de ficar doente depois.

As subidas eram bem ingrimes e realmente cansativas, a verdade é que o guia acertou quando falou que a volta de 3h é bem mais difícil que a ida de 8h. Parávamos a cada 20 minutos, aproveitando o fato de estarmos cansados por conta da altitude e do esforço para admirarmos a vista também. Era lindo, as luzes do sol iam entrando aos poucos entre as montanhas, se fundiam com as neblinas e davam um efeito sensacional. Sem contar que corríamos a todo instante das sombras, estávamos mesmo desesperados para sermos aquecidos pelo sol.

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Frode Blixt

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Foi uma das 3h mais longas da minha vida. Eu realmente achei que não iria conseguir subir aquilo tudo. Sem contar o fato de não termos tomado café da manhã, não termos mantimentos e ainda por cima a água era pouca. Nunca valorizei tanto um biscoito e uma garrafa d’água em minha vida. Não víamos a hora de chegar no topo e poder pelo menos comprar um biscoitinho.

E o topo era como uma miragem constante, muito bizarro. Era doloroso, porque conseguíamos ver exatamente o ponto final da subida, mas a cada vez que subíamos apareciam mais subidas. A gente sempre decepcionava com falsas conclusões. Enfim, bem frustante, pelo menos o sol já estava nos aquecendo.

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Eu e Alluan com o Carlos, os noruegueses e nosso guia peruano, Royal.

Por cerca de 2h de caminhada começaram a aparecer as mulas. Elas surgem em grupos e geralmente temos que abrir espaços na trilha estreita pra passarem. Pelo visto realmente são bem seguras, rápidas e nada cansativas. E o melhor momento foi quando o Vitor apareceu, foram um dos últimos grupos, mas com a maior quantidade de pessoas. Enfim, até ele andando na mula deu um puta de um vídeo por conta da vista.

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Quando Vitor passou faltavam cerca de 40m para chegarmos ao topo. E depois de mais dores e muito esforço, conseguimos. Chegar no topo foi uma realização e tanto. Foi superar um limite meu que nem sabia que existia. E o mais engraçado é que durante todo o trajeto eu e Alluan nos apoiamos o tempo inteiro, o apoio um do outro foi essencial pra chegarmos. Obrigado amigo.

No topo tinha uma venda com alguns snacks e água. Comprei logo um chocolate pra repor as energias, mas me pergunto até hoje se o chocolate realmente me ajuda me dando energia ou se eu fico apenas feliz comendo ele, de qualquer forma não importa isso agora, o chocolate era sempre um incentivo pra continuar. Compramos água e banana também, só pra ser saudável.

Depois de comer e descansar um pouco, conhecemos uns brasileiros e reencontramos alguns que já tínhamos conhecido (na viagem esbarramos o tempo inteiro por gente que conhecemos, mesmo que não seja brasileiro, mas por conta de roteiros semelhantes). Eu gostava de encontrar brasileiros as vezes, eles sempre me fazem me sentir em casa, ainda mais porque eu sinto maior saudades de falar português. Depois rolou até uma foto grupal da galera.

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Todo mundo cansado, mas bem feliz. Só que a caminhada não terminou por ai, ainda tinha muita coisa pela frente, mas pelo menos agora era plano né?

De cima da montanha não tem descanso, mas muito verde

E assim continuamos nosso caminho rumo ao término do trekking e também do tão esperado café da manhã.

Era um caminho muito mais tranquilo e a beleza continuava. Entrávamos em meio de umas plantações e riachos. Era um lugar muito bonito e calmo, o chão era de terra e não era subida. Um local cercado por fazendas peruanas, repleto de agricultura, com as tradicionais terrazas andinas, que ali no Colca, datam de um período pré-inca. O som do riacho, dos animais e o céu azul completavam a paisagem.

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Frode Blixt
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Frode Blixt
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Frode Blixt
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Frode Blixt
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Frode Blixt

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Chegando próximo do final do nosso trajeto as coisas já ficavam um pouco mais urbanas, porém o aspecto de cidade de interior ainda era muito forte nos traços. Sem contar que o chão ainda era de terra, foi como uma transição suave que nos avisa que estamos próximos ao nosso café da manhã.

IMG_8055IMG_8060E realmente dessa vez estava correto. Depois de uns 20 minutos de caminhada chegamos na praça do vilarejo Cabanaconde. Um pouco mortos de cansaço e também de fome, seguimos para o café que era num restaurante do lado da praça.

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Frode Blixt

Ficamos cerca de 1h por lá. Tomamos café da manhã com pães, ovos, chá, café e bananas. Logo depois voltamos pra praça e nos preparamos para pegar a van e partir para as próximas aventuras do dia.

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Frode Blixt

O mochileiro cansou.

Uma foto publicada por Raphael Bueno (@raphabbj) em

Próxima parada: Achoma, Mirante e Águas Termais

E pra você que achava que íamos descansar depois de tudo isso, se enganou muito amiguinho. Pelo menos o período da van entre os locais que passamos era um bom local para alguns cochilos quebrados.

Nossa primeira parada foi em um mirante onde tínhamos uma ótima visão do Colca e de suas terrazas e também umas boas lembranças pra comprar. Não cheguei a gastar nada lá, mas acabei tirando uma das minhas fotos preferidas da viagem (Obs: o mershan não é proposital).

Agora no Peru tem elefante.

Uma foto publicada por Raphael Bueno (@raphabbj) em

Nossa próxima parada foi em Achoma, um vilarejo bem pequeno do Valle del Colca que vive principalmente da venda de artesanatos para os turistas. Para falar a verdade eu só vi isso, lojinhas de lembranças, lugares pra comer e sorvete, aliás depois de tanto esforço o chocolate não foi o suficiente para repor minhas energias, logo, eu me presentei com um sorvetinho.

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A próxima parada foi nas Águas Termais, em que a entrada custava S./15. Era uma das experiências que queríamos muito ter, porém fomos aconselhados que haviam outras melhores do que essa durante a viagem. Então acabamos deixando pra próxima.

Mas como íamos sair direto do tour e seguir para Cusco, pagamos S./5 por uma ducha. Afinal, depois de tudo que passamos acabamos aprendendo a dar o real valor à uma ducha quente. No fim das contas valeu muito, mas muito a pena. Nunca fiquei tão feliz com um banho.

Fizemos umas fotos do local que é sensacional e partimos para o almoço.

E para premiar todo o esforço, no 2° dia é possível relaxar os músculos nas águas termais por S./ 15. #MochilãoCdM

Uma foto publicada por Caras do Mundo (@carasdomundo) em

 

O mirante que fomos, já retornando à Arequipa, foi um dos picos mais alto das montanhas que cercavam o vale. Fazia muito frio e ventava muito devido a altura em que estávamos, que nos permitiu também observar alguns gigantes vulcões, entre eles o Volcán Misti e o Volcán Chachani.

Vimos também algumas lhamas ao redor. Eu não aguentei ficar muito tempo fora da van, por causa do combo de vento+frio. Eu corria, tirava fotos e voltava o mais rápido possível em busca de um lugar quente dentro do carro.

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Depois de todo esse tour, mesmo cansados, chegou o momento onde voltamos para Arequipa e nos preparamos para a próxima viagem de busão.

De volta para Arequipa, seguindo para Cusco

Chegamos em Arequipa no fim da tarde, quase noite. Nos despedimos de nossos amigos que conhecemos e alguns que até encontraremos em outros caminhos da viagem.

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Estávamos bem cansados (já disse isso 100 vezes) e precisávamos reorganizar nossas malas, então fomos direto para o hostel em que estávamos hospedados. Pedimos um espaço para nos arrumar lá dentro, na sala mesmo. Só queríamos atualizar nossas redes, avisar aos nossas pais o que havia acontecido (afinal já estávamos um bom tempo sem dar sinal de vida) e por fim, seguir viagem.

Antes da rodoviária, ainda tivemos fôlego para passar pelo Mercado Municipal de Arequipa, que conhecemos por indicação do Carlos, um dos amigos que fizemos no trekking. Era um lugar bem popular, com barracas simples que vendiam desde carne de açougue, até chapéu peruano. O único problema é que já era tarde e não conseguimos pegar muitas barracas abertas. Logo, pegamos um táxi em direção a rodoviária de Arequipa por S./8, e compramos nossa passagem para seguir para Cusco.

A partir dai conseguimos descansar, ou não né?

O que aconteceu é que pra mim foi umas das viagens mais difíceis, já que a temperatura na estrada pra Cusco cai de uma forma sem igual, principalmente a noite, e eu não estava agasalhado o suficiente. Não tínhamos wi-fi e nada para nos distrair. Minha viagem naquele ônibus não foi só muito frio frio pra caralho, como também muito longa.

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#MochilãoCdM – Dia 05 | Arequipa, Peru: O Mal da Montanha surge no 2º maior cânion do mundo

Acordamos às 4h da manhã, como jovens organizados, já havíamos deixado as mochilas arrumadas, então só foi preciso levantar e colocar as outras camadas de roupa. Eu estava com uma blusa de manga comprida, uma blusa de manga curta, um colete e um casaco bem grosso por cima. Além de uma calça e uma bota para trekking.

Depois de tudo ajeitado, pagamos a hospedagem do dia anterior e fomos para a rua. A agência American Tours tinha combinado de nos buscar as 4h30 na porta do hostel, mas como não estávamos tão confiantes disso e por ela ser apenas à 1 quadra dali, fui até ela enquanto Raphael ficou na esquina e o Vitor ficou na rua do hostel. E nos comunicamos gritando às 4h da manhã na ruas de Arequipa. Passaram várias vans brancas de outras agências até que surgiu a nossa.

A viagem tinha duração de 3 horas. Passando pela madrugada escura de Arequipa só deu para notar que era uma cidade grande, e assim como toda metrópole, contava com algumas periferias. Depois de alguns cochilos, a van sai da cidade e começa subir as montanhas. E foi ai que o bagulho começou a ficar sério.

Arequipa está a 2.300m de altitude e a estrada para se chegar em nosso primeiro destino contava com trechos que atingiam quase os 5.000m de altitude. E a cada metro de subida embalado pelas curvas da rodovia, meu estômago revirava e eu sentia o Mal da Montanha cada vez mais perto de mim. Pela janela era possível ver neve (primeira vez que eu vi tão perto) mas eu só conseguia pensar em controlar meu corpo. Até um momento em que não consegui, peguei rapidamente um saco com o Raphel e botei para fora o que estava me incomodando.

 

 

Ao chegar em nossa primeira parada, Chivay, uma pequena cidade do Vale do Colca, já havia amanhecido e eu me sentia muito melhor a 3.600m de altitude. Depois de pagarmos a taxa de entrada do vale, S./ 40 para sul-americanos, fomos tomar o café da manhã desayuno.

Haviam pães, manteiga, geleia, suco e água quente para o chá. Também nos foi oferecido folha de coca, uma erva tradicional andina e de grande ajuda para combater os más sintomas da altitude. Eu prontamente peguei uma, mastiguei e engoli. Tinha gosto de boldo e descobri logo após que basta ser mastigada como chiclete e depois cuspida. Engolir folha de coca pode causar dor de barriga. Aproveitamos e compramos água e um pacotinho com balas de coca também.

Os maiores do mundo

A próxima parada foi na estrada para ver alguns condores descansando nas montanhas. O condor é a maior ave voadora do mundo, parente do nosso urubu, é uma ave negra símbolo nacional do Peru e de outros países dos Andes. Pela sua imponência tem um papel importante na cultura e nas crenças andinas, como na cultura inca, onde é considerado um animal sagrado e compõe parte da trilogia: representada também pelo puma e a serpente.

Depois disso, passamos por alguns vilarejos e chegamos à Cruz del Condor, o mirante mais foda que eu já mirei, onde é possível ver as aves voando livremente sob a imensidão do Vale do Colca. Uma visão do caralho!

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Foto de Frode Blixt

O Valle del Colca foi formado por diversas atividades vulcânicas da região, há milhares de anos atrás, e graças a erosão causada pelo Rio Colca e outros diversos fatores, deu origem ao Canion del Colca, defendido pelos nativos, como o maior cânion em profundidade do mundo. Com 4.160, o Colca tem mais do que o dobro de profundidade do Grand Canyon dos EUA.

Quero minha casa

A vista é de se emocionar e de não conseguir registrar em fotos, porém tive pouco tempo para contemplar o mirante. Até o momento, eu estava crente crente que todo mal da altitude tinha ficado naquele saco de vômito. Errado. Depois de algumas fotos, parece que tudo voltou em poucos segundos. Uma dor de cabeça fraca que estava me incomodando, aumentou. Meu estômago começou a revirar, comecei a ficar tonto, suar frio, a sentir dor na barriga e não conseguia caminhar direito. Avisei meus amigos, mas não havia muito o que fazer. Fui até a beirada do mirante e vomitei ali, montanha abaixo do Valle del Colca.

Tive um pouco de alívio, um pouco. Uma guia de um outro grupo chegou para tentar me ajudar. Perguntou o que eu estava sentindo, disse que era devido ao soroche, o mal da montanha, e me indicou folha de coca, isotônico, voltar para a van e ficar com os pés para o alto. Uma outra pessoa apareceu me oferecendo um chá, que só de ver a cor me deu vontade de vomitar novamente.

Enquanto todos falavam e tentavam me dar dicas, eu só pensava em uma maneira de sair daquela altitude e daquele frio. Eram quase uns 100 turistas no mirante e eu não via ninguém passando mal, ninguém. Queria meu Rio de Janeiro, e se tivesse um voo direto para casa naquele momento, eu iria.

Conversei com uma guia sobre a possibilidade de voltar para Arequipa naquele momento, ela me disse que seria melhor eu seguir o tour, porque eu iria descer, diferente do caminho de volta para a cidade.

Depois de vomitar mais uma vez, fui no banheiro, sentia que tinha parte do mal da montanha querendo sair por outra parte do meu corpo. Ciente de que já estava estourando o tempo de visitação ao mirante, andei mais rápido, mas oxigênio na altitude não é fácil de encontrar.

Após terminar minha tarefa no vaso sanitário, notei que não havia papel higiênico, uma falta que seria constante durante viagem. Eu só escutava voz feminina e estrangeira, rezando por um milagre e já pensando em outras soluções, eis que surge o Carlos, São Carlos! Um paulista que estava na nossa van e foi me chamar, pois eles já estavam saindo. Pedi a ele, e ele pediu alguém, me salvando de alternativas que eu não poderia mencionar nesse relato.

De volta a van, eu me senti melhor, acreditando mais uma vez que o Mal da Montanha havia me deixado (inocente). Nesse ponto, quem optou pelo tour de 1 dia, volta em direção à Arequipa, parando em alguns outros pontos do Colca. Já quem optou por trekking, segue para o ponto de partida da aventura.

Meu Deus, chegou o trekking

Chegamos na base para iniciar o trekking e fomos apresentados ao nosso novo guia, Royal. Pudemos também comprar água e nos preparar, o que se resumiu em tirar um dos casacos. Diferente dos outros mochileiros, que nesse momento quase que trocaram de roupa, passaram produtos na pele, tiraram o chapéu da mochila, entre outros atos que nos fizeram sentir despreparados para o que estávamos nos metendo.

Eu tomei um chá de coca, por precaução, comi uma banana e comprei um cajado de madeira para me ajudar na caminhada. Além de fazer uma oferta à Pacha Mama, a Mãe Terra, uma das deusas da mitologia inca e ainda bastante presente no que restou da cultura andina. A oferenda, que consiste em empilhar algumas pedras e pedir proteção, estão espalhadas por todo Peru.

A primeira parte do trekking foi em um terreno plano em que andamos em direção a boca do cânion. Chegando a borda, tivemos mais uma vista surreal e iniciamos a descida.

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Lá embaixo, nosso destino final do dia, o vilarejo onde dormiríamos. Foto de Frode Blixt.

A manhã do primeiro dia de tour consiste em chegar até o ponto mais baixo, onde atravessamos o Rio Colca e almoçamos em um dos vilarejos do cânion. Uma descida de quase 4h em que o meu cajado foi essencial. Apesar de ‘para descer todo santo ajuda’, depois de algum tempo o corpo começar a reclamar do trabalho de ficar se travando e freando para não cair precipício abaixo.

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No nosso grupo, além de eu, Raphael e Vitor, estavam 2 noruegueses e o paulista Carlos, que me salvou. Juntos ao nosso guia, descemos em um ritmo constante, parando para algumas fotos. Com o esforço físico e o sol cada vez mais em cima, o frio ia se afastando, graças a Deus!

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Foto de Frode Blixt, nosso amigo norueguês

Depois de algumas horas, movidos a água e bala de coca, chegamos ao fundo do cânion, às margens do Rio Colca. Descansamos um pouco sentados no início da ponte e depois a atravessamos. Do outro lado nos esperava uma subida bem íngreme de uns 10 minutos que nos levaria ao vilarejo em que iriamos almoçar.

Raphael e o resto do grupo subiam bem. Vitor cansava um pouco rápido, precisando parar durante a subida para recuperar o fôlego. Meu corpo estava tranquilo até então, mas creio que devido ao esforço da subida e o oxigênio que não vinha, voltei a passar mal, voltou o enjoo e a dor de cabeça. E ao terminar a curta subida, comemorei vomitando mais uma vez.

A hora do (f)rango

Melhorei um pouco, o suficiente para chegar ao ponto de almoço. Já tinham alguns outros grupos ali também e logo depois foram chegando mais outros. Me sentia em um exame chunin em que meu guia era o sensei da minha equipe.

No almoço nos foi servido um caseiro prato de entrada (sopa) e o prato principal (arroz com pollo, como eles chamam o frango). Eu tentei comer alguma coisa, beber uma inka cola, mas só adiantou para eu ficar ainda mais enjoado e vomitar novamente, dessa vez na sacada que dava pro mato do humilde restaurante.

Voltando a passar mal, pensei até em ficar no vilarejo descansando enquanto meu grupo seguia em frente. Não estava confiante de aguentar mais algumas horas de trekking até o ponto em que iríamos dormir.

Pensando em dormir, acho que cochilei na cadeira durante alguns poucos minutos. Um cochilo divino, que ao acordar, só me incomodava uma dor de cabeça ainda. Tomei mais um chá de coca e motivado pelos meus amigos, e por Royal, nosso guia que se mostrou a todo momento preocupado comigo, levantei e segui em frente mais uma vez.

Mais trekking

O início foi tranquilo, o caminho era plano, e entre um biscoito salgado e água, eu ia melhorando. Após algum tempo chegou a parte da subida, mas graças a Deus e a Pacha Mama não passei mal. Vitor precisou parar em alguns momentos para encontrar oxigênio enquanto o resto do grupo subia em um ritmo constante.

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Foto de Frode Blixt

No fim da subida, tivemos uma parada em um quiosque de nativos para comprar alguns snacks e água. Depois seguimos em caminho plano, passando por alguns vilarejos, e logo após uma descida de volta ao Rio Colca e ao fundo do cânion.

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Enfim, o oásis!

Depois de 3 horas, chegamos com o sol quase indo embora no oásis, um grupo de casas que ficam ao fundo do cânion e hospedam os turistas loucos que inventam de fazer isso esse tour.

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O ponto de chegada do 1° dia. #MochilãoCdM

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Nosso guia nos acomodou em um quarto junto com os dois amigos noruegueses e quase choramos de emoção ao ver que tínhamos chegado ao destino final daquele dia. Tomamos um banho de água gelada num protótipo de chuveiro sem luz e aguardamos o jantar no quase bar/restaurante, onde podemos conhecer mais o grupo que estava viajando com a gente. Conversamos sobre nossa vidas e embalados por algumas cervejas Vitor e Raphael talkeavam de projetos até a politica brasileira com os noruegueses e o Carlos.

Eu só escutava, admirando as fotos do dia no meu celular e rezando para conseguir sair daquele cânion no outro dia de manhã. Por fim, jantamos uma sopa e mais um prato de arroz e pollo (frango) e fomos nos deitar.

Não sem antes o Vitor barganhar e agendar a mula dele por S./50 para a subida do dia seguinte. Nosso guia nos havia prometido um trekking mais curto para sair do cânion, porém alertou que seria uma subida íngreme de mais de 2 horas, começando às 4h da manhã. Vitor já estava bem cansado e optou por uma outra opção segura, segundo nosso guia, subir o cânion montado em uma mula.

Eu, confiante de que acordaria 100%, dispensei a mula e subiria a pé com o Raphael e meu grupo. E rezando a Deus e a Pacha Mama, iluminado por um dos céus mais estrelados que eu já vi na vida, fui dormir, no fundo de um cânion do outro lado da América do Sul.

 


Gastos do dia:

Tour de 2 dias: Vale do Colca – S./110 (transporte, refeições e hospedagem inclusa)
Taxa de entrada no vale – S./40 (para sul-americanos)
Gastos com água – S./13
Gastos extras (banana, chás, cajado) – S./5

Gasto médio total: S./168 (por mochileiro)

Cotação: R$ 1 = S./0,84

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#MochilãoCdM – Dia 04 | Arequipa, Peru: La Ciudad Blanca, o primeiro encontro com frio e altitude

Acordei em algumas momentos da madrugada e não via nada pela janela do ônibus, e quando o dia começou a amanhecer continuei vendo o nada do deserto. Se no Brasil você só enxerga mato ao viajar entre cidades distantes, no Peru você só enxerga deserto, deserto e deserto. Pelo menos nessa região do país.

Depois de algumas horas, o ônibus que saiu na noite anterior de Ica, começa enfim a se aproximar de Arequipa. Subindo demais, nos afastando do mar e nos aproximando da Cordilheira do Andes, o deserto começa a dar lugar a pequenos cânions e vales, pequenos comparado ao que veríamos ainda, mas gigantes se comparados ao contido relevo carioca, por exemplo.

Arequipa, La Ciudad Blanca

Chegamos bem cedo em Arequipa, atingindo os 2.300m de altitude. O terminal de autobuses  ficava a alguns minutos do centro da cidade e tivemos que pegar um táxi por S./8 para irmos em direção ao hostel, que o Vitor já tinha pesquisado no dia anterior pelo Hostelworld. O taxista não o conhecia, mas pudemos localizá-lo graças ao mapa que eu tinha baixado de Arequipa, disponível no modo offline do Google Maps. Uma função que nos salvou em diversos momentos da viagem. Dica do primeiro dia do nosso amigo e host Vincenzo.

Encontramos o Dragon Fly Hostel bem rápido e em uma ótima localização, bem próximo à Plaza de Armas, centro da cidade de Arequipa. O hostel era bem legalzinho, a hospedagem era S./ 29, mas por algum motivo estavam com desconto e pagamos S./24. Nos acomodamos, tomamos enfim um banho, depois do intenso dia anterior e descansamos um pouco atualizando nossas redes sociais.

Depois de alguma enrolação, saímos para almoçar, conhecer a cidade e procurar uma agência para fecharmos o tour que queríamos fazer no outro dia.

Bastou andar um pouco pelo centro histórico para constatar a razão de um dos apelidos de Arequipa. Devido a uma rocha vulcânica de cor branca estar bastante presente em sua bela arquitetura colonial, a cidade é conhecida como La Ciudad Blanca. Um branco histórico que realmente reluz por toda cidade, principalmente nas construções da Praça de Armas, como na imponente Basílica Catedral de Arequipa (foto). O monumento religioso também conta um museu, que não entramos devido ao preço de S./ 20. 😉

Passeando ainda pela Plaza de Armas, trocamos mais alguns reais em um cambio muito melhor do que o aeroporto de Lima: S./0,84 por R$1. Pudemos ver algumas agências turísticas que ficamos de voltar depois que matássemos nossa fome e também fomos convidados a almoçar em alguns restaurantes do entorno, claramente com preços salgados.

Seguindo a dica do Rafael do blog Viajante Primata, que foi a Arequipa recentemente, nos afastamos da praça e fomos procurar um preço mais em conta na ruas ao lado. Logo na primeira entrada achamos um restaurante formidável com cara bem caseira e um nome sugestivo: La Vuelta de La Plaza. O menu anunciava um dos pratos típicos do Peru: Lomo Saltado, reconhecido quase imediatamente pelo Vitor, o gourmet do grupo.

Conferimos os valores, entramos e pedimos o prato que custou apenas S./10 e mais uma Inka Cola por S./3,5 (um refrigerante amarelo bem tradicional e bem doce do Peru). Depois de alguns poucos minutos já não havia mais nada de uma das melhores refeições da viagem, na minha opinião. <3

Após o almoço, continuamos a caminhar pelo centro histórico de Arequipa, que reserva alguns pontos turísticos que não se pode deixar de ir, como o Monastério Santa Catalina, que não fomos haha. A entrada é bem cara, S./40, mas houve quem dissesse depois que vale a pena.

Caminhando entre as ruas, descobrimos um ponto histórico nem tão turístico assim. O Palácio Viejo, ou o que sobrou de suas ruinas restauradas. A construção tem quase 500 anos e foi uma linda e gratuita alternativa para conhecer a branca arquitetura colonial de Arequipa. É a foto de capa do relato também.

Voltando para o hostel, passamos na agência American Tours, uma que tínhamos conversado antes de almoçar, e fechamos o tour para o Cânion del Colca, 2° maior cânion do mundo e um dos principais destinos dos turistas que visitam Arequipa.

Depois de algumas negociações, conseguimos o valor de S./110 para o tour de 2 dias, um bom preço segundo minhas pesquisas em relatos anteriores. Cientes e alertados que havia trekking, fechamos o tour, sem saber que estávamos entrando na maior arriscada aventura da viagem.

Lembrando que é possível conhecer o Colca em um tour de 1 dia e 3 dias também. Mas devido ao de 1 dia ser bem superficial e não ter trekking e ao de 3 dias ser o mesmo tour do de 2, sendo que em um ritmo mais tranquilo, optamos pelo de 2 dias. Estávamos loucos e meios apertados para encaixar toda trip em 1 mês.

Após tudo acertado, marcamos um 10 no hostel e fomos jantar em algum lugar. Já era noite e a cidade já começava a nos apresentar um frio acima do permitido em solo carioca. Depois de nos informarmos, encontramos um McDonald próximo a Praça de Armas e fomos comer um hambúrguer.

No caminho, passamos por uma loja que estava vendendo uma mochila beeem barata, S./20. Como minha bolsa de ataque tinha rasgado, resolvi comprar para o trekking no dia seguinte. Raphael e Vitor me acompanharam, e saímos com 3 mochilas vermelhas, que seriam fiéis companheiras em todos perrengues até o fim da viagem.

Voltando para o DragonFly, de barriga cheia, arrumamos nossas coisas e fomos dormir empolgados. Acordaríamos às 4h no outro dia num frio do cacete para embarcar em um tour digno de aventureiro. o/

 


 

Gastos do Dia: 

S./8 – táxi até o hostel (S./ 2,6 para cada)
S./24 – hospedagem DragonFly Hostel
S./13,5 – almoço + inka cola
S./18,5 – mcdonald

Gasto Total: S./58,6 (por mochileiro)

Cotação: 1 real = 0,84 soles

 

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#MochilãoCDM – Dia 03 | Paracas e Huacachina, Peru: Muita água, areia e sol, mas nada de praia

Eram 23h e já estávamos nos preparando para se despedir de Vincenzo e Alex, nossos dois amigos que nos abrigaram por esses (quase) dois dias em Lima (onde tivemos nossa primeira experiência de couchsurfing).

Alex estava em casa e ficou um pouco conosco, rindo e conversando, mas logo depois se despediu e foi dormir. Como de costume, o Vitor  foi o primeiro a seguir o exemplo, e enquanto eu e o Alluan nos preparávamos, ele já estava no décimo sono, enquanto o Vincenzo ainda estava fora com a namorada.

Tentei, mas não consegui dormir de jeito nenhum, provavelmente pela ansiedade do dia que estava previsto. Alluan ficou um tempo acordado comigo e dormiu, sem nem ao menos lembrar de pôr um despertador, já que tínhamos que pegar o ônibus para Paracas as 3h da manhã… Enfim, programei o telefone pra despertar (me sentia um pai nessas horas) e apenas 1h fui tentar novamente tirar um cochilo, já que logo teríamos que seguir para rodoviária.

Minha próxima cena foi o despertador tocando às 2h da matina e eu percebendo que havia conseguido tirar um cochilo pelo menos. Logo quando levantamos, Vincenzo abre a porta do apartamento e chega com a namorada exatamente na hora da despedida. Conversamos um pouco, agradecendo muito pela hospedagem (que foi uma puta experiência), ele pediu por telefone um táxi para nos levar até a rodoviária, confirmou o valor de S./50 (para não tentarem nos passar a perna), esperou com a gente até ele chegar e lá fomos nós, com frio no corpo, mas um frio na barriga maior ainda.

Chegando na rodoviária, pagamos o motorista e seguimos para o balcão, onde perguntamos se cartões de crédito eram aceitos, já que tentávamos segurar a modesta grana em “efectivo” que tínhamos por segurança. Não rolou! E, mais uma vez, ouvimos a mais temida frase da viagem: “Solo Visa”.

Para contextualizar a nossa situação, a questão é que em uma parte da América do Sul, como Argentina, Uruguai e Peru, existe quase um monopólio por parte da bandeira “mais aceita do mundo” e isso é um pouco triste de escutar quando se tem cartões com a bandeira MasterCard. Mas faz parte! Pagamos em dinheiro e seguimos viagem.

Enquanto esperávamos o ônibus, aproveitei uma tomada que da “sala de espera” (aspas porque por sala de espera esperem cadeiras velhas, um banheiro pago e uns orelhões quebrados) para dar uma carga no telefone, mas quando entramos no ônibus tivemos uma grata surpresa que nunca mais veríamos durante a viagem: o ônibus tinha carregador USB e Wi-fi funcionando!

Gente, foi a viagem mais fácil do mochilão! Cerca de 5 horas, com direito à uma refeição (comum até nos trajetos mais curtos pelo Peru) e acesso a esses dois bens da sociedade. <3

Paracas e os “Flanelinhas de Turismo”

Em pouco tempo, chegamos na pequena cidade litorânea. Pegamos nossas coisas, descemos do ônibus e, antes mesmo de tirarmos nossos mochilões do bagageiro, fomos praticamente atacados por “flanelinhas de turismo” (vendedores de pacotes que ficam espreitando todos os ônibus que chegam, desesperados atrás de você) mais sedentos por turistas do que lobos selvagens quando veem um pedaço de carne dando bobeira. Era uma disputa de vendas muito séria e nós éramos o prêmio final.

Dito isso, fomos simultaneamente abordados por uma mulher e dois homens praticamente brigando pela nossa atenção, ou melhor, pelo nosso dinheiro. Eles tentavam explicar, mas ninguém conseguia entender nada naquele falatório… Uma francesa que viajava sozinha tentava se aproximar de nós pra conseguir um preço mais em conta, de grupo, mas no meio de toda a confusão, o Vitor se estressou e debandou foragido dos monstros, enquanto a jovem garota foi abduzida por um dos vendedores sem tempo para ouvir os trâmites da negociação.

Mas a tática (fuga) do Vitor deu certo. Com um vendedor a menos na disputa (após conseguir conquistar a francesa) e depois de ver o Vitor quase socar todos eles (gente, percebam o nível do estresse… O Vitor não faz mal nem a uma mosca!), conseguimos literalmente abrir leilão, fazendo os vendedores exporem suas propostas um na frente do outro (por algum motivo eles tentam esconder seus preços entre si) e fechando o passeio que inicialmente havia sido oferecido por S./55 apenas para as Islas, por S./30 já incluindo um transfer até Huacachina, nosso próximo destino.

E só ai, após o outro não conseguir cobrir a oferta, fechamos com a mulher e, enfim conseguimos alguns minutos de paz. Vejam bem… Minutos! Chegando no “escritório” da mulher, que na verdade é também a recepção de um hostel meia boca, novamente tivemos estresse. A mulher disse que tinha oferecido por S./40 e não os S./30 combinados e o Alluan ainda queria pagar… Mas o Vitor, que ainda estava estressado da situação anterior, discutiu, discutiu e simplesmente pegou a mochila e saiu, dizendo que não ia com ela. E quando eu e o Alluan nos preparávamos para acompanhar, ela voltou atrás e aceitou o preço inicial, pedindo “para não contar para ninguém”. Dissemos OK, mas ué, não é que veio para o site?! HAHA

Depois desse ocorrido desesperador, seguimos para o porto de Paracas. É bem pequeno e tem uma praia que eu não aconselharia ninguém ao banho (mas que dizem no verão ficar cheia). O lugar em si, apesar de vazio, é muito bonito e me lembrou bastante a Praia dos Anjos, em Arraial do Cabo. Já que tinham muitos barcos ancorados e um porto extenso entre eles.

Esperamos por um tempo sentados em uns bancos que tinham em frente a praia, no calçadão de Paracas, e depois pegamos uma fila para entrar no porto, já que deveria ser pago taxas de utilização do porto e entradas nas Islas Ballestas (S./13 no total). A maioria dos turistas teve que enfrentar essa fila, mas como havíamos optado por pagar junto ao tour para a “flanelinha de turismo”, ela entrou na fila e nos trouxe os comprovantes que nos garantiu a ida até a lancha que leva para o passeio, que por sua vez é aberta e comporta diversos turistas.

O guia, que comenta a história tanto em inglês quanto em espanhol em bom nível, se apresenta, pede que todos ponham os coletes e autoriza a viagem para as ilhas, e o visual é o máximo! Assim que começamos a navegar pela baía de Paracas, já podíamos sentir o vento na cara e observar diversas montanhas que, como em todo o Peru, continham vários tipos de construções Incas entre elas, muito maneiro.

Durante o passeio, para Islas Ballestas, a primeira parada é feita para observar o El Candelabro. Uma marca misteriosamente feita em uma das montanhas no entorno da baía e que, prepare-se para essa informação por que ela surpreende, tem formado de um candelabro :O

Existem diversas teorias sobre como ela apareceu por lá (e o guia faz questão de mencionar todas), até mesmo sobre extraterrestres. Mas todas, sem exceção, são apenas teorias, sem provas do que realmente tenha acontecido por lá.

Há mais de 900 anos ali. #MochilãoCdM #MistériosdoPeru

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Islas Ballestas, onde ser cagado por pássaros vale mega a pena

A água é clara como água potável e o sol é idêntico ao do Rio, mas o frio intenso de inverno é impulsionado ainda mais pelo forte vindo. Detesto repetir referências, mas eu ainda vou continuar dizendo que as Islas Ballestas me lembra muito um passeio de barco que fiz em Arraial do Cabo, só que sem calor.

Não só pássaros são comuns na região, mas conseguimos ver desde pinguins, até leões marinhos. Se não me engano são cerca de 200 espécies que vivem por lá e muitas delas já estão preparadas para posar pra fotos.

 

Snapchat: carasdomundo

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O passeio levou cerca de 1 hora, sem contar o tempo de ir e voltar pra Paracas. E a todo momento o guia foi bem atencioso e explicativo, falando sobre diversas espécies que vivem lá e algumas histórias que a ilhas guardam. Mas apesar de tudo, esse ainda pode ser considerado um passeio mais biológico do que histórico.

E sobre os pássaros, vai se acostumando, são muitos e a probabilidade de você levar uma cagada é cerca de 95%, percentual da qual infelizmente eu e Alluan fazemos parte. Mas faz parte, um contato maior com a natureza, né?! #sqn

Depois do passeio voltamos para Paracas, pegamos nossas mochilas no depósito da “flanelinha” e pegamos uma van até Huacachina.

Huacachina: um oásis que parece Marte

Particularmente, essa foi uma das paradas que mais curti em toda viagem!

Enquanto eu jurava que pra chegar lá precisaríamos pegar um 4×4 para seguir no meio do deserto (o que seria irado, para falar a verdade), descobri que na verdade existe uma estrada do deserto de Ica que leva a gente diretamente pra lá.

Foi bem rápido o caminho, cerca de 2 horas. E a vista incomparável da van fez com que eu nem visse a hora passar.

🏜

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Assim que chegamos lá (mortos de fome, é claro), procuramos um lugar para comer e tentamos achar um local com wi-fi. Acredita que conseguimos?! Ai você tá se perguntando, “wi-fi no deserto?”, eu também me perguntei. Mas amigo, Huacachina é foda pra caralho, com direito a wi-fi, hostels, hotéis, boates etc. Resumidamente, tem a porra toda no meio do deserto. Um verdadeiro fucking Oasis.

Paramos no “Huaca Fucking China” (sim, esse é o nome), onde comemos um hambúrguer, com batatas e um suco, por S./20. Pra uma comida no meio do deserto e com uma fome de 8 horas sem comer, aquele prato tinha sabor de felicidade.

Carregando energias para o sandboarding daqui a pouco. 🍔 #MochilãoCdM #HuacachinaSunset

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E realmente, precisávamos recarregar nossas energias, porque estávamos prestes a fazer o passeio de 4×4 (agora sim) pelas dunas com direito ao famoso sandboard da região.
Depois de uma boa rodada pelo Oasis, tivemos que procurar alguma empresa para fazermos o tour, já que com a outra só tínhamos incluso a passagem pra cá. Demos uma volta perguntando nas redondezas e fechamos o tour na “Sun & Sand” por S./30. Eles aceitavam cartão MasterCard, mas com acréscimo (também uma prática comum, infelizmente), então acabamos optando por pagar em dinheiro também.

 

O passeio partia as 16h e voltava as 18h, não sabíamos exatamente como funcionava o trajeto, mas estávamos bem ansiosos. Ainda eram 14h e aproveitamos o tempo pra descansar o almoço e conhecer um pouco mais o local. Não é muito grande, apesar de lindo, mas deu tempo de dar um passeio pela lagoa, sentar e jogar conversa fora.

Ainda durante o almoço, havíamos conhecido uma moça chamada Jane, que está viajando em uma 4×4 com seus filhos e marido. Casados há mais de 17 anos e com uma vida rotineira de trabalho, decidiram largar tudo e dar outra visão de mundo aos seus filhos. Enquanto aguardávamos o horário do tour, a encontramos novamente e passamos o resto do tempo apenas relaxando e trocando muitas informações sobre viagem, já que eles já haviam passado por Chile e Bolívia, países pelos quais passaríamos nas próximas semanas. Ela também relata suas experiências, então quem tiver afim, é só conferir. http://novosolhos.org/

Quando chegou a hora, fomos para o local combinado e pegamos a 4×4. Pagamos uma taxa de S./3 para entrada e seguimos. A 4×4 é aberta e muito grande, com cerca de 12 pessoas em cada carro.

A aventura começa no caminho para as Dunas. Elas são muito altas e íngremes e o nosso motorista não economizava na velocidade. Era como estar numa montanha russa de areia. Eram subidas, descidas e muito frio na barriga, foi muito, mas muito divertido. Durante o trajeto parávamos pra fazer algumas fotos e curtir o visual.

Até que chegamos numa das paradas mais esperadas por todos: o sandboard. A verdade é que achei que era fácil ficar em pé e descer as dunas, mas era muito mais difícil do que parece.

No final, até conseguimos na menor delas, mas em todas as outras preferimos ir de barriga mesmo (ainda que um gringo tenha conseguido em todos, mas ele chegou a comentar que já tinha experiência de anos com snowboard, por isso a facilidade), mas de qualquer forma, ainda é bem divertido!

No final tivemos a última parada, que era o por do sol. Era sensacional ver todo aquele espaço iluminado pela aquelas luzes. Tiramos nossas últimas fotos e ali fiquei com uma grande certeza que foi um dos melhores lugares da viagem, mesmo que tenha sido no início.

Gente, que lugar.

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Assim voltamos para o oásis, com areia até no umbigo (é sério). Tentamos bater o máximo que podíamos para tirar toda areia e nos prepararmos para seguir a Arequipa, em uma viagem de 12h.

Indo para Arequipa

Ainda em Huacachina, fomos atrás de um táxi. Depois de alguma negociação (Vitor tava irritantemente pechincheiro e sem querer mais pagar um sole a mais que o necessário), fechamos o táxi por S./8, mas sem destino certo, apenas pedimos para o taxista nos levar à rodoviária da companhia mais barata, pois lá elas são exclusivas por companhia… Péssima decisão!

Foram 10 minutos até a cidade de Ica, mas ao chegar na primeira rodoviária que ele nos levou, descobrimos que MasterCard não era aceito e, por até então termos trocado muito pouco dinheiro, apenas no aeroporto, não tínhamos o suficiente para pagar. Voltamos ao táxi e seguimos à rodoviária da Cruz del Sur, mais famosa e cara companhia, mas que sabíamos que aceitaria nossos cartões. Com esse novo trajeto, acabamos pagando S./10 para o taxista ao invés dos S./8. E até nisso o Vitor reclamou!  ¬¬

Na Cruz Del Sur, pagamos S./82 na passagem em um ônibus que, teoricamente, teria Wi-Fi e carregador. E se realmente tinha? Tinha nada… E, para adiantar, foi assim todo o resto da viagem, com companhias prometendo, mas nunca tendo. E o que faríamos nesses casos? A gente só podia dormir né, não tinha mais o que fazer, nem voltar pra reclamar dava.

E assim, seguimos pra Arequipa, sem wi-fi, sem carregador, mas levando muita areia nos tênis.

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#MochilãoCDM – Dia 02 | Lima, Peru: É domingo e feriado, mas (quase) todos trabalham. WTF, Peru?

Depois de uma chegada no mínimo animada (que você pode ler com mais detalhes clicando aqui), é claro e evidente que a ressaca de alguma forma se faria presente. Mas nada que, com um pouco de esforço, não pudesse ser superada. E isso logo às “8 de la mañana”… 😱

Para começar o dia bem, logo que acordamos Raphael encontrou em suas coisas um bilhete do Jaime, nosso amigo nicaraguense que conhecemos na noite anterior. E é aí que a gente começa a lembrar como é viajando que conhecemos as melhores pessoas!

Apesar das poucas horas juntos, Jaime nos deixou um bilhete fofo nos convidando a visitar seu país natal e uma nota de dez córdobas nicaraguenses simbolizando o convite. Como não amar pessoas assim?! <3

Após a nossa primeira noite de couchsurfing (diga-se de passagem, num sofá mais confortável que minha cama “normal”), Alex, um peruano que era um dos nossos hosts no apartamento, estava cedo à nossa frente gentilmente se oferecendo para nos dar um tour de carro pelo Centro Histórico de Lima, e assim o fizemos.

Apesar de ser do Peru, Alex é nascido, criado, morador e trabalha em Miraflores, região nobre de Lima. Dito isso, a experiência de descoberta valeu tanto para nós, turistas brasileiros, quanto para ele, que pouquíssimas vezes havia precisado passar pelo Centro Histórico espontaneamente.

A região por si só tem uma arquitetura bastante marcante e de fortes influências dos espanhóis, como é de se esperar devido à sua força como colonizadores, mas que de uma maneira geral, se repete em grande parte do Peru.

Dito isso, em parte por culpa da nossa ressaca da noite anterior e falta de familiaridade do nosso guia com a região, nosso passeio não durou muito mais que o tempo de cruzar algumas ruas, tomar um café, comer uns churros e entrar em algumas igrejas, como o Convento San Francisco y Catacumbas, mostrada na foto mais abaixo.

Mas se é pra ser sincero na opinião, segue uma que certamente é controversa.

Para mim, se há uma região visualmente “em comum” entre várias grandes cidades da América do Sul, essa é a região central / downtown delas, normalmente com uma notável arquitetura peculiar e histórica, comercialmente forte durante o dia, perigosas durante a noite, etc. É assim no Rio, em Montevidéu, Buenos Aires e em boa parte do Centro de São Paulo e, nesse ponto, Lima não é muito diferente.

Mas isso é questão de percepção e apenas uma forma de justificar o quão pouco exploramos a região nesse relato (peço perdão pelo vacilo rs).

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Centro histórico de Lima. #MochilãoCdM

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Durante o retorno à Miraflores, ficou claro que Alex estava cada vez mais “de volta” ao seu habitat natural e foi nos explicando um pouco mais sobre a curiosa realidade na qual vivem os peruanos da região de Lima.

Se no Brasil terremotos são raros e, quando ocorrem, são sentidos em pouquíssimos lugares e com fraca intensidade, no Peru eles fazem parte da realidade, o que faz com que todas as construções da cidade sejam planejadas para resistirem aos tremores de terra, como o sofrido pelo país em 1992, segundo Alex, o de maior escala que a geração dele já sentiu.

Vale pontuar ainda que, ao longo de todo o ano, Lima sofre diversos pequenos tremores por várias vezes devido à sua localização geográfica, ao ponto de não serem mais motivo de grandes preocupações pelos moradores e visto como algo natural, o que certamente é estranho de acreditar para nós, brasileiros, cujas maiores movimentações que sentidas são no bolso, durante tempos políticos conturbados, como o atual.

Já de volta ao bairro, próximo à orla chamam atenção ainda algumas grandes rochas acumuladas umas sobre as outras e protegidas por uma rede para evitar deslizamentos. Nada mais que mais uma “tática de contenção”, caso tremores mais fortes acabem dando origem à tsunamis. 😱 E é considerando essa possibilidade que nenhuma residência pode ser construída a frente dessa contenção, como forma de precaução.

Ainda assim, soa assustador viver tão próximo do mar sabendo dessa possibilidade, mas pela calma e paz que Vincenzo e Alex transmitem, essa é uma possibilidade claramente superada pelos benefícios da nobre região (além da vista foda que o apartamento deles rende). ❤️

De volta ao apartamento, como bons cariocas que somos, tiramos alguns minutos para fotos e apresentar novos clássicos do funk brasileiro ao Alex, como MC TH e Inês Brasil, e a reação, como esperada, foi de um mix de sorrisos e constrangimento embutido, embora ele claramente não conseguisse entender a poesia das letras por conta das barreiras de idioma.

Com o término da nossa sessão musical, a fome já começava a apertar. Enquanto procurávamos online onde comer, Alex foi encontrar seus pais para almoçar e nós saímos sozinhos para explorar a região e encontrar o pequeno, mas elogiadíssimo no TripAdvisor, Al Toke Pez. Foram quase 30 minutos de caminhada até o bairro de Surquillo, vizinho não-tão-nobre à Miraflores, recompensado com um combo simples, mas extremamente bem feito, com cebiche misto, chicharrón de pescado e arroz com mariscos, acompanhado com um copo de chicha morada que claramente não foi suficiente e tivemos que pedir outro cada.

No total, o combo custou S./ 15 e o copo extra de chicha mais S./ 1,50, totalizando S./16,50 em uma refeição MARAVILHOSA! Tão maravilhosa que em breve teremos um post exclusivo para ela, explicando os pratos e como chegar até lá.

 

Ainda enquanto íamos, havíamos descoberto por acaso que as populares ruínas de Huaca Pucllana (que já estavam na nossa to-do list para a cidade) eram no caminho e tentamos aproveitar a oportunidade para cortar essa atração da lista. Mas não contávamos com um pequeno detalhe: assim como no Brasil, em 01 de maio é comemorado o dia dos trabalhadores no Peru, sendo esse um dos únicos dias do ano em que as ruínas não estavam abertas para visitação. 😢

Ficamos na porta e chateados, uma vez que sabíamos que aquele seria nosso único dia em Lima e, portanto, não conseguiríamos voltar para visitá-lo depois. Mas como vocês não merecem deixar de conhecer sobre esse ponto da viagem por conta da nossa (falta de) sorte, seguem alguns relatos bons sobre a visita: Dicas das AméricasUma Senhora Viagem e Viagem Primata.

Ao sair de Huaca Pucllana e com a notícia de que, assim como ela, todas as ruínas da capital peruana estavam igualmente fechadas, decidimos aproveitar o resto do nosso dia relaxando na Malecón Cisneros, orla de Miraflores.

Assim como a orla de Montevidéu ou um domingo no Aterro do Flamengo, a “Malecón” de Lima é recheada de famílias e atividades para todos os gostos. Desde grandes e verdes gramados para um piquenique até um grupo de capoeiristas brasileiros, literalmente “manjando dos paranauês”.

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Mais feliz impossível.

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Voltando ao apartamento, já no fim da tarde e sedentos por um banho, encontramos Vincenzo e sua namorada animados para nos levar em um shopping popular na região do qual não me recordo o nome no momento. Seria incrível… isso se já não estivéssemos mortos de todo o dia e nos preparando para ir ao “Parque das Águas” pela noite. E foi aí nos encontramos no que certamente é o ponto mais “complicado” do couchsurfing: dizer não ao host.

Não me entendam errado! Nunca fomos obrigados, nem induzidos, nem forçados, nem pressionados a absolutamente nada. Mesmo! Mas tendo hosts tão legais quanto Alex e Vincenzo sempre dispostos a ajudar e se oferecendo para apresentar a cidade nas pouco mais de 24h que prevíamos ficar por lá, um simples “não” pode soar até ingrato… Mas dada a situação, preferimos explicar a situação para ele que, claro, entendeu e ainda nos explicou as melhores formas de chegar ao Parque. O lado negativo é que perdemos a oportunidade de conhecer melhor aquele que já havia se mostrado incrivelmente gente boa e amante do mundo durante os meses de conversas por Facebook que antecederam nossa ida.

Depois de banho tomado e energias recarregadas (tanto no sentido literal das baterias dos celulares quanto figurado, para os nossos corpos), seguimos já de noite até o “Parque das águas”. Para tanto, as formas recomendadas para ir de Miraflores até lá seriam um táxi ou dois ônibus.

Pães duros que somos, no lugar dos dois ônibus, preferimos caminhar por cerca de 30 minutos em ruas desertas típicas de um domingo à noite (mas ainda assim, diferente de boa parte do Rio, com boa sensação de segurança) até um ponto de nós pegamos um tradicional “colectivo”, que são como vans piratas, mas que no domingo tinham em maior frequência que os ônibus normais. Pagamos S./ 1,50 cada nos “colectivos” e, apesar de desconfortável por serem verdadeiras latas velhas, foi uma viagem rápida e tranquila.

Chegando lá, pagamos mais S./ 4 de entrada e pronto, estávamos dentro do parque. Essa é a parte onde eu preciso alertar que todo relato é baseado em opinião e elas variam por pessoa e, claro, personalidades.

Dito isso, quem me acompanha no meu snapchat (vitordmartins), me viu criticar profundamente o passeio. Resumidamente, a minha percepção de uma das atrações mais recomendadas de Lima é de que tudo parece algo meio infantil. Um lugar para onde eu poderia levar o meu sobrinho de dois anos num domingo em que ele estivesse entediado e ele ficaria com os olhos brilhando de felicidade.

Mas para eu, sozinho com dois amigos, foi um programa extremamente bobo e desnecessário. Nada demais. Apenas muita água, algumas luzes e, sei lá, famílias comendo pipoca… Minha opinião geral: Eu dispensaria.

Por outro lado, para toda história podem haver mais de uma versão.

Quem acompanhou o dia pelo Snapchat oficial do CdM (carasdomundo), acompanhou um ponto de vista completamente diferente do meu. Raphael e Alluan adoraram o passeio! Não lembro no de qual exatamente, mas com o perfil do CdM logado no celular de um deles, a visão passada foi de um passeio bonito, completo e muito satisfatório. A verdade é que teremos que concordar em discordar.

Minha dica é, por ser um passeio famoso e tradicional para qualquer um que faça turismo na capital peruana, não deixe de fazê-lo. Claramente as chances de você gostar ou não variam conforme a sua vivência e personalidade, então S./ 4 é um preço barato a se pagar caso você não curta, concorda?!

Terminada a visita ao Parque, voltamos ao apartamento (dessa vez de ônibus normal, que passou antes do colectivo e custou os mesmos S./ 1,50) e fomos dormir já tendo em mente que no próximo dia pegaríamos um ônibus para Paracas às 3h da manhã e o início do primeiro grande dia de “aventuras” da viagem. Mas essas são histórias para o próximo relato! 😉

E caso pretenda ir à Lima e queira se arriscar num couchsurfing com dois hosts incríveis, fala nos comentários que eu envio privadamente o perfil do Vincenzo na rede para que você possa confirmar a disponibilidade deles. Recomendo muito esses rapazes!

Hasta la proxima!

 

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