Nos afastando do mar e nos aproximando da Cordilheira dos Andes

Acordei em algumas momentos da madrugada e não via nada pela janela do ônibus, e quando o dia começou a amanhecer continuei vendo o nada do deserto. Se no Brasil você só enxerga mato ao viajar entre cidades distantes, no Peru você só enxerga deserto, deserto e deserto. Pelo menos nessa região do país.

Depois de algumas horas, o ônibus que saiu na noite anterior de Ica, começa enfim a se aproximar de Arequipa. Subindo demais, nos afastando do mar e nos aproximando da Cordilheira do Andes, o deserto começa a dar lugar a pequenos cânions e vales, pequenos comparado ao que veríamos ainda, mas gigantes se comparados ao contido relevo carioca, por exemplo.

Arequipa, La Ciudad Blanca

Chegamos bem cedo em Arequipa, atingindo os 2.300m de altitude. O terminal de autobuses  ficava a alguns minutos do centro da cidade e tivemos que pegar um táxi por S./8 para irmos em direção ao hostel, que o Vitor já tinha pesquisado no dia anterior pelo Hostelworld. O taxista não o conhecia, mas pudemos localizá-lo graças ao mapa que eu tinha baixado de Arequipa, disponível no modo offline do Google Maps. Uma função que nos salvou em diversos momentos da viagem. Dica do primeiro dia do nosso amigo e host Vincenzo.

Encontramos o Dragon Fly Hostel bem rápido e em uma ótima localização, bem próximo à Plaza de Armas, centro da cidade de Arequipa. O hostel era bem legalzinho, a hospedagem era S./ 29, mas por algum motivo estavam com desconto e pagamos S./24. Nos acomodamos, tomamos enfim um banho, depois do intenso dia anterior e descansamos um pouco atualizando nossas redes sociais.

Depois de alguma enrolação, saímos para almoçar, conhecer a cidade e procurar uma agência para fecharmos o tour que queríamos fazer no outro dia.

Bastou andar um pouco pelo centro histórico para constatar a razão de um dos apelidos de Arequipa. Devido a uma rocha vulcânica de cor branca estar bastante presente em sua bela arquitetura colonial, a cidade é conhecida como La Ciudad Blanca. Um branco histórico que realmente reluz por toda cidade, principalmente nas construções da Praça de Armas, como na imponente Basílica Catedral de Arequipa (foto). O monumento religioso também conta um museu, que não entramos devido ao preço de S./ 20. 😉

Passeando ainda pela Plaza de Armas, trocamos mais alguns reais em um cambio muito melhor do que o aeroporto de Lima: S./0,84 por R$1. Pudemos ver algumas agências turísticas que ficamos de voltar depois que matássemos nossa fome e também fomos convidados a almoçar em alguns restaurantes do entorno, claramente com preços salgados.

Seguindo a dica do Rafael do blog Viajante Primata, que foi a Arequipa recentemente, nos afastamos da praça e fomos procurar um preço mais em conta na ruas ao lado. Logo na primeira entrada achamos um restaurante formidável com cara bem caseira e um nome sugestivo: La Vuelta de La Plaza. O menu anunciava um dos pratos típicos do Peru: Lomo Saltado, reconhecido quase imediatamente pelo Vitor, o gourmet do grupo.

Conferimos os valores, entramos e pedimos o prato que custou apenas S./10 e mais uma Inka Cola por S./3,5 (um refrigerante amarelo bem tradicional e bem doce do Peru). Depois de alguns poucos minutos já não havia mais nada de uma das melhores refeições da viagem, na minha opinião. <3

Após o almoço, continuamos a caminhar pelo centro histórico de Arequipa, que reserva alguns pontos turísticos que não se pode deixar de ir, como o Monastério Santa Catalina, que não fomos haha. A entrada é bem cara, S./40, mas houve quem dissesse depois que vale a pena.

Caminhando entre as ruas, descobrimos um ponto histórico nem tão turístico assim. O Palácio Viejo, ou o que sobrou de suas ruinas restauradas. A construção tem quase 500 anos e foi uma linda e gratuita alternativa para conhecer a branca arquitetura colonial de Arequipa. É a foto de capa do relato também.

Voltando para o hostel, passamos na agência American Tours, uma que tínhamos conversado antes de almoçar, e fechamos o tour para o Cânion del Colca, 2° maior cânion do mundo e um dos principais destinos dos turistas que visitam Arequipa.

Depois de algumas negociações, conseguimos o valor de S./110 para o tour de 2 dias, um bom preço segundo minhas pesquisas em relatos anteriores. Cientes e alertados que havia trekking, fechamos o tour, sem saber que estávamos entrando na maior arriscada aventura da viagem.

Lembrando que é possível conhecer o Colca em um tour de 1 dia e 3 dias também. Mas devido ao de 1 dia ser bem superficial e não ter trekking e ao de 3 dias ser o mesmo tour do de 2, sendo que em um ritmo mais tranquilo, optamos pelo de 2 dias. Estávamos loucos e meios apertados para encaixar toda trip em 1 mês.

Após tudo acertado, marcamos um 10 no hostel e fomos jantar em algum lugar. Já era noite e a cidade já começava a nos apresentar um frio acima do permitido em solo carioca. Depois de nos informarmos, encontramos um McDonald próximo a Praça de Armas e fomos comer um hambúrguer.

No caminho, passamos por uma loja que estava vendendo uma mochila beeem barata, S./20. Como minha bolsa de ataque tinha rasgado, resolvi comprar para o trekking no dia seguinte. Raphael e Vitor me acompanharam, e saímos com 3 mochilas vermelhas, que seriam fiéis companheiras em todos perrengues até o fim da viagem.

Voltando para o DragonFly, de barriga cheia, arrumamos nossas coisas e fomos dormir empolgados. Acordaríamos às 4h no outro dia num frio do cacete para embarcar em um tour digno de aventureiro. o/

 


 

Gastos do Dia: 

S./8 – táxi até o hostel (S./ 2,6 para cada)
S./24 – hospedagem DragonFly Hostel
S./13,5 – almoço + inka cola
S./18,5 – mcdonald

Gasto Total: S./58,6 (por mochileiro)

Cotação: 1 real = 0,84 soles

 

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