De dia a gente dorme, a noite a gente engorda :8

Começo este relato com um momento difícil para mim.

Após as cerca de 10h de ônibus de Arequipa à Cusco, em um ônibus confortável da TEPSA, com serviço de bordo feito por uma simpática peruana (que caia nas gargalhadas mais gostosas com as piadas do Alluan) e tomadas, mas um wifi mais pra lá do que pra cá e cobertores curtos que me exigiam a decisão de sentir frio nas mãos ou pés, acordamos cedo, com um café da manhã dentro do ônibus e pronto para bailar em Cusco. O dia estava começando bem, eu estava com um sorriso no rosto impulsionado por um programa de pegadinhas que passava na TV do ônibus. Mas ela estava longe, então, para facilitar a visão, vou pegar meus óculos. Eis que… Eles sumiram!

Procurei feito um doido. Nas malas de mão, poltronas e embaixo delas. Organizei uma mini força-tarefa para tal função, liderada pela simpática e risonha peruana… Mas nada dos meus óculos. Eu lembrava de tê-los usado na madrugada, lembrava onde os tinha colocado, lembrava de tudo, mas eles simplesmente desapareceram sem se despedir e me deixaram enxergando tudo embaçado pelo resto da viagem. Senti o baque, foi dolorido, superei, mas chegou o mal humor.

Cusco. Linda e fria.

A post shared by Alluan Lucas ♑ (@alluanlucas) on

Mas como dizem, “tudo piora antes de ficar melhor”. Pois bem, piorou!

Chegando no terminal, conseguimos pegar um taxista gente boa até a região principal de Cusco, o que pelos relatos que li antes de ir, pode ser um problema de vez em quando. Além de taxista, ele também fazia bico como agente de tours autorizado (coisa que não é tão incomum por lá quanto parece) e nos deu uma grande aula sobre as opções de tours até Machu Picchu.

Já estávamos decididos em fazer a versão “Jungle” da trilha Inca, que basicamente tem menos tempo de caminhada e mais variação nas atividades (que incluem um downhill de bike, rafting e tirolesa). O que já sabíamos é que a versão de “Inca Jungle Trail” mais comum envolve 4D + 3N (D = dias e N = noites), sendo um dia inteiro de caminhada. E esse era o nosso receio após a experiência linda, mas traumatizante, do Valle del Colca. Dito isso, não poderíamos ficar mais felizes quando o taxista explicou que boa parte das agências também fazem uma versão de 3D + 2N, cortando justamente o dia de caminhada. <3

dnc-compressor

Obviamente não fechamos por ser o primeiro com quem falamos (e de nós três, só o Alluan tinha essa chata mania de sempre querer fechar no primeiro que vê e nem negociar), mas pegamos o cartão, os preços e seguimos ainda um pouco sem destino. E é ai que entra o problema…

Temos uma mania chata que se repete na personalidade dos três: nós procrastinamos. Então por mais que já tivéssemos pesquisado três opções de hostel em Cusco, fomos empurrando com a barriga e acabamos nunca os reservando. O problema disso? Hostels cheios!

Chegamos em Cusco por volta das 7h da manhã e saltamos na porta da nossa primeira opção, o Kokopelli, lá ainda havia vagas no quarto de 8 camas estilo “pod” (que é um conceito de camas com cortina, iluminação privativa e carregador que está entrando na moda) por S./42. Não é nenhum absurdo, mas era mais caro do que teríamos pago no quarto mais barato, um de 8 camas “normais” por S./30. E foi por essa diferença de S./12 por dia que decidimos ir atrás das nossas duas outras opções, o Milhouse (famosa rede com a qual já havíamos tido uma experiência excelente em Buenos Aires) e o Pariwana, muitíssimo bem elogiado em todos os sites de reservas. Porém… Ambos lotados, mesmo em um período considerado “baixa temporada”. O que nos leva a seguinte dica do dia: Em Cusco, a alta temporada turística é o ano todo, então evite dores de cabeça e sempre reserve seu hostel.

Chegamos em Cusco e como é início do mês, tiramos a manhã pra pagar contas. Triste. 😔

A post shared by Raphael Bueno (@raphaelbbj) on

E foi assim que, com o rabo entre as pernas, voltamos com nossos mochilões para o Kokopelli e pagamos aquele que, até então, achávamos que seria o hostel mais caro da viagem (SPOILER: não foi nem o segundo mais caro! Apenas aprendam a reservar antes de ir para os lugares, sério!).

Demos uma voltinha rápida nas ruas e voltamos para enrolar nos celulares, obviamente com muitos snaps (aliás, sigam carasdomundo, vitordmartins, raphabbj e alluanlucas #merchan) e fotos no Instagram (mesmos users #merchan2) até a hora do check-in, quando por volta das 13h entramos em nossos quartos. Como vocês puderam perceber nos relatos dos dias 05 e 06, os dias em Arequipa foram cheios, então era compreensível que tivéssemos um dia de descanso.

Por isso, após trocar algum dinheiro na casa de câmbio (a S./0,92 por R$1, que foi a melhor cotação que encontramos em todo Peru), almoçamos no KFC num casarão próximo à Plaza das Armas (S./21, preço similar ao que encontramos em real no Brasil) para matar a saudade de fast-food e voltamos ao hostel, onde dormimos até o anoitecer.

O triste dia em que “comer e dormir” venceu a guerra com “beber e dançar”!

Era sexta e nós queríamos sair, mas ao mesmo tempo, chamem-nos de velho, mas os pés doíam tanto… OK, para ser honesto, o Alluan queria mesmo e ficou bem emburrado por eu e Raphael termos trocado a noite alcoólica por uma noite de massas… Sim, massas! Um genial “toda massa que você puder comer” por S./16 organizado pelo próprio Kokopelli (que, por acaso, inventa alguma coisa todo santo dia, dando ainda mais preguiça de sair para curtir algo na rua rs), mas no final ele aceitou e todos terminamos a noite enchendo o bucho de massas e molhos diferenciados enquanto conhecíamos as meninas do bar, aquele tipo de pessoa incrível que você conhece em viagem e faz as amizades mais legais de 15 minutos. Mas para esse tipo de pessoa eu preciso de um post exclusivo <3

🍻🍺🍻🍺🍻🍺🍻

A post shared by Raphael Bueno (@raphaelbbj) on

Depois de algumas cervejas, voltamos ao quarto e dormimos, preparados para no dia seguinte caçar os tours mais baratos e aproveitar o famoso sábado Cusqueño… Mas será que valeu a pena? No próximo post eu conto para vocês!

  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •