O 1º dia de um mochilão pelo Peru, Bolívia e Chile

Cheguei às 14h no Aeroporto Internacional do Galeão e encontrei mis amigos, Vitor e Raphael, já com checkins checados e as devidas malas despachadas. Depois de também realizar minhas tarefas, fômos para a sala de embarque, mas não sem antes passarmos pela revista e eu ter tido meu canivete descoberto dentro da minha bolsa de mão. :O

O que foi uma surpresa não só para o segurança, mas para mim também (não me lembrava de tê-lo deixado ali). Depois de tudo acertado, o canivete confiscado e meu nome checado na lista da CIA, entramos então na sala de embarque, e após alguns minutos no avião em direção a SP.

Una foto publicada por Caras do Mundo (@carasdomundo) el

O vôo até Guarulhos foi bem rápido, como de costume, e tirando o frio na barriga que surge em quem tem medo de altura, tudo ocorreu bem com direito a lanchinho da TAM.

Em Guarulhos, ainda tivemos que aguardar algumas horas para o vôo até Lima. Cheios de fome, fomos obrigados a comprar algo numa lanchonete bem cara no setor internacional do aeroporto. Coxinha de massa com frango por 8 reais. Tava deliciosa.

No momento do embarque foi a vez do Vitor ser barrado. Primeiro, seu desodorante não despachado foi confiscado. Não se pode viajar com frascos que contenham mais que 100ml. E se já não bastasse, ainda houve uma certa tensão devido à sua RG um pouquito fudida. Segundo a atendente, talvez ele pudesse ser barrado na imigração por conta disso. Mas graças à Deus e às boas energias de vocês, tudo ocorreu muito bien.

Após a clássica troca de portão do avião (nunca considere o número que está no bilhete), embarcamos dessa vez em um avião da companhia LAN. Aquela que se juntou com a TAM e formou a LATAM. Uma união bem criativa.

Era um gigante air bus lotado de peruanos e indianos que conversavam ao som de música latina. Foi o maior avião que já peguei e o clima parecia uma mega excursão para o casamento de uma uma indiana que iria se casar com um peruano e a família toda estava bem contente. Fiquei distante do Raphael e Vitor dessa vez, devido ao check-in atrasado e talvez pelo canivete ainda.

A poltrona era bem boa, e eles oferecem cobertor, travesseiro e um fone de ouvido para assistir a TV particular durante as 5h de viagem. Quando você consegue dominar o controle, o menu da TV te oferece desde joguinhos da década de 90 a assistir filmes que ganharam o Oscar recentemente.

Mas contente eu fiquei mesmo quando veio o jantar. As opções eram alguma coisa em um rápido espanhol e alguma outra coisa em um rápido espanhol + frango. Pedi o com frango e estava delicioso.

A refeição ainda vem com um quindim, um pão e uma manteiguinha, além de uma bebida à sua escolha. E como se já não fosse ótimo, se você não aparentar ser menor de idade, a cheirosa aeromoça ainda te oferece cerveja ou vinho. Não me foi oferecido.

O vôo foi tranquilo e sem quebra molas aéreos, graças à Deus.

Llegamos!

Chegamos as 22h45 em Lima. Aqui o fuso-horário conta com 2 horas a menos de diferença, o que nos fez ganhar algum tempo. Nos atrasamos um pouco na imigração porque não preenchemos com antecedência os papéis que nos deram durante o voo.

Depois de preenchidos e os documentos conferidos, pegamos nossas malas e fomos em busca de um câmbio para conseguir alguns soles para pegar um táxi.

Confirmamos no caminho em um guichê turístico, que no outro dia, 1° de maio, também era feriado no Peru e alguns locais não abririam. Decidimos então trocar mais dinheiro, pelo menos o suficiente para os primeiros dias.

Procuramos pelo aeroporto, e a melhor das piores cotações que encontramos foi a de S./0.72 por R$1, no guichê do Interbank. Trocamos alguns reales e fomos em busca de um táxi.

Logo que saímos fomos abordados por um cara que ofereceu nos levar à Miraflores por S./ 60. Vitor disse S./ 50, ele disse S./ 55, Vitor disse S./ 50, e fechamos em S./ 50.

Partiu Miraflores

O trânsito na capital é bem intenso, mesmo após meia-noite. A corrida durou uns 40 minutos embalada ao som de alguma rádio local. Bailamos sentados e felizes ao redescobrir em cada esquina que estávamos NO PERU!

O taxista encontrou fácil o apartamento de nosso host, Vincenzo. Como combinado, ele já havia avisado ao porteiro de nossa chegada.

Pegamos o elevador. Seria nossa primeira experiência com couchsurfing e estávamos ansiosos. Para quem não sabe o que é ou tem dúvidas de como funciona, isso será em breve um post a parte aqui.

Quando o elevador abriu, fomos surpreendidos, a porta já dava dentro do apartamento de Vincenzo. Ele estava sentando a mesa com outras 4 pessoas, incluindo o Alex, que divide apartamento com ele, e 2 amigos de Nicarágua, os últimos couchsurfers que ainda estavam ali, pois perderam o voo de volta para a casa.

Fomos muito bem recebidos! Com uma conversa animada e uma mesa cheia de bebidas, que descobrimos depois, serem resquícios de uma festa que eles fizeram na sexta.

Shot, shot, shot!

Tomamos shots de Tequila, de Pisco (a bebida tradicional do Peru) e mais alguns drinks enquanto talkeavamos, hablavamos e conversávamos. Eu entendi metade do espanhol e metade do inglês falado. O que juntando me fez capaz de participar de metade da conversa.

O apartamento fica de frente para a praia, no 18° andar, e nos presenteou com uma vista INCRÍVEL de parte de Lima, e principalmente de Miraflores, bairro nobre da cidade.

Pra ficar ainda mais foda, Vincenzo nos levou no terraço do prédio, o que resultou no melhor view do primeiro dia e capa desse post. Foto tirada e emprestada pelo nosso amigo nicaraguense, Jaime. Nem o frio atrapalhou a visão do caralho e a emoção de já começar a viagem contemplando as luzes da capital do Peru.

Mas a noite não acabou por ai. Nos despedimos de nossos amigos que iriam embora de madrugada, pegamos algumas informações com Vincenzo e fomos atrás de alguma party. o/

fotodespedida

Fiesta!

Andamos meio bêbados de tantos shots pelas lindas e limpas ruas de Miraflores até chegar a Calle Berlin, onde haviam algumas boates e bares. Era umas 2h30 e Vincenzo tinha nos dito que o bares não costumam ir até muito tarde e as boates, apesar de irem até de manhã, só permitem a entrada até as 3h. Fomos então na que ele indicou. Poréeem, para quem não estava com nome na lista, a entrada custava S./ 100. Dissemos gracias, obrigado, thanks e saímos correndo dali.

Andamos pelo entorno e encontramos uma boate/bar com entrada gratuita. Subimos. Tinham alguns casais dançando música latina freneticamente. Entramos na vibe e seguimos o ritmo.
A bebida era bem cara, S./ 25 soles um litrão de cerveja. Vitor e Raphael compraram uma para os dois, enquanto eu, que não bebo cerveja, comprei um red bull por S./ 12. Bailamos até las 4h da manhã e voltamos para o apartamento satisfeitos com nosso primeiro dia.

Chegando no apê, tomei um banho e dormi num colchão que nosso host deixou separado junto com os cobertores. Raphael e Vitor já dormiam a tempo entre os sofás, como corretos couchsurfers.

E naquela sala em Miraflores, terminou nosso primeiro e já intenso dia de #MochilãoCdM

 



Lições do dia:

Despache seu canivete e desodorante.
Confira a qualidade de sua RG antes de viajar.
Leve caneta para preencher os papéis da imigração durante o voo.

Gastos do dia:

S./50 – táxi até Miraflores (S./16 para cada)
S./25 – cerveja (1 litro)
S./12 – redbull

Gasto total: S./28 (por mochileiro)

Cotação:  1 real = 0.72 soles

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