Não foi cansativo, foi lindo.

Depois de um primeiro dia de Inca Jungle no mínimo radical, que começou com um downhill de curvas assustadoras, passou por um rafting que já terminou no escuro e se encerrou com a rota potencialmente mortal em um penhasco entre Santa Maria e Santa Tereza, nada mais justo que um dia calmo para recuperar as energias. Mas pera lá! Nem tão calmo assim.

Como o Alluan foi direto ao ponto no relato do primeiro dia (e um pouco desapegado aos detalhes, se me permitem dizer a verdade), vou me permitir começar apresentando nosso grupo. Se no primeiro dia era um grupo gigante que se uniu após o downhill, logo após o almoço um pequeno grupo de 15 pessoas se separou do bando e seguiu para o tour de 3, ao invés do tradicional de 4 dias. E é a partir dai que as coisas começam a ficar diferentes para a gente.

Só vai, ou melhor, se joga

Se o segundo dia do tour de 4D + 3N é de apenas caminhada, no nosso ele já começava diferente, com uma aventura de tirolesa entre montanhas no Peru.

Para esse tour fomos todos, três americanos (uma mãe, seu filho e o melhor amigo dele), quatro peruanos (um casal de pais e um casal de meninas, sendo uma delas filha deles), uma belga, três israelitas (um casal e uma amiga da menina, sendo as duas recém-saídas do exército), eu, Raphael e Alluan, além do guia que nos acompanhava.

Chegamos cedo, aparentemente o primeiro grupo do dia, e logo nos montamos com os equipamentos de segurança antes de começar a aventura. Subimos um pouco uma montanha e lá de cima demos inicio a série de tirolesas do caminho.

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Uma das israelitas desistiu logo no começo, por medo de altura e teve que voltar a pé e para todos os outros a dica era simples: só vai!

Ok, tem mais coisa por trás disso. Há algumas instruções básicas sobre como reduzir a velocidade antes da chegada, por exemplo, mas nada que você lembre quando começa a ouvir o barulho da corda no gancho e uns “tiques” que parecem que farão o cabo se romper. Mas tudo deu certo. Os peruanos, pais de uma das meninas tiveram certa dificuldade em alguns momentos, mas no geral, não há muito segredo além do visual incrível visto de cima.

Após 4 ou 5 trechos de tirolesa, o último tem cara de desafio do Faustão e é basicamente atravessar uma ponte presa por cordas. Nada absurdo, mas a parte mais cansativa do tour, sem dúvidas. Já na saída, foi possível ver outros grupos no ponto de partida e uma fila enorme, o que nos leva a dica: se for fazer o tour, convença seu guia a ir cedo. É um salvador de tempo!

Aquele típico almoço e uma caminhada renovadora

Saindo de lá, pegamos novamente e van e seguimos para o famoso ponto para todos aqueles que optam por fazer o caminho até Águas Calientes, cidade-base para Machu Picchu, a pé, independente da trilha: A hidroelétrica.
Lá, a van nos deixa e é preciso seguir a pé por mais aproximadamente 3 horas para, ai sim, chegar de fato em Águas Calientes, mas não sem antes de um almoço reforç… quer dizer… um almoço, pelo menos, né. Novamente a refeição se iniciou com uma sopa de quinua e passou por um prato principal, com opção com carne ou vegetariana, e um suco de manga.

Almoços devorados, não temos tempo a perder, todos pegam seus cajados improvisados, suas mochilas de ataque e seguem para mais 3h horas de uma caminhada tranquila. Mas aqui vale um adendo, para aqueles que tiverem preguiça de seguirem com as malas, pode-se pagar uma taxa para que o levem de carro mais tarde. Nós obviamente não o faríamos, mas os país das peruanas o fizeram e, segundo eles, não houve arrependimento. Em todo caso, é mesmo uma caminhada fácil, eu não recomendaria.

E assim seguimos, lenta e confortavelmente, com paradas para fotos, água e tudo mais que tinha direito sem pressa. Mais um dos benefícios de termos acordado cedo, pois não precisamos acelerar o passo para chegar antes de anoitecer.

A maior parte da trilha era por cima de trihos de trens da cidade. Eram trens enormes e bem antigos, eles seguiam uma boa parte da trilha, mas só os residentes país podiam embarcar, sem contar que eles só passavam nos trihos por volta de 13h e 15h, eram dois trens.

As vistas eram incomparáveis e invesquecíveis. O contato com a natureza era inevitável e a experiencia sem comparação. O lago que cercava o caminho era lindo e também transformava aquela experiencia muito mais especial com o barulho da água batendo entre as pedras rio abaixo.

 

 

Enfim, Águas Calientes

Chegamos em Águas Calientes por volta das 15h. A cidade é bonita, mas bastante turística, o que confirmava a informação do guia de que ela havia sido criada apenas por causa dos turistas e é raro que mesmo quem more/trabalhe lá não tenha vindo de outra cidade maior das redondezas.


Demos check-in no hostel com cara de hotel e mais uma vez acabamos tendo que dividir o quarto com a Emma, uma enfermeira belga que viajava sozinha após cumprir um estágio num hospital público de Cusco. Para nós não era nenhum problema dividir o quarto, mas imaginávamos que poderia ser desconfortável para ela ficar com três rapazes no quarto. Mero engano! Emma é uma das pessoas mais desencanadas com a vida que já tive o prazer de conhecer e vale a pena mencionar isso.

Já de noite, saímos a procura de um lugar para comer e encontramos uma pizzaria com preços populares antes do jantar oferecido pelo tour. E olha, não recomendo… Esperamos quase 1h por duas pizzas de mussarela e tínhamos que caçar pessoas por um copo de limonada. Detalhe: não tinha mais ninguém restaurante além da gente, então a demora era obviamente injustificável.

Ao voltarmos para o hostel, encontramos todos já na porta nos esperando para ir jantar. Como já havíamos acabado de comer…. fomos do mesmo jeito. Afinal quem somos nós pra dispensar comida de graça?! Hahahahha
Depois de jantarmos, minha perna já começava a dar sinais de desgaste. Sendo desgaste uma palavra gourmet para “doendo para caralho” e eu passei numa farmácia pra comprar aquelas fitas adesivas para dor (tipo Dorflex Icyhot ou Salompas, por exemplo). É um comentário aleatório, mas que eu estou comentando porque vai justificar o dia seguinte que, como vocês vão perceber no próximo relato, para mim se apresentará sofrido, mas isso é papo para uma próxima conversa.

Antes de ir dormir, passei no posto local e comprei o ticket para o ônibus do dia seguinte até Machu Picchu. Apenas eu mesmo, pois já sofria bastante com a perna, enquanto Raphael e Alluan decidiram subir pelas escadarias a pé mesmo. Para ser sincero, não sei se tentaria a opção mesmo com a perna boa, mas ok…

Finalizado o dia, seguimos para uma gostosa noite de sono antes de estarmos de pé cerca das 5h da manhã para seguirmos até Machu Picchu, que claro, vem no próximo relato <3
Isso é tudo, pessoal!

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