“When I say jump, you say…” Bungeeeeeee

Esse relato contém muito texto e poucas fotos porque eu estava sozinho na maior parte do dia e não tenho saco para registrar tudo em imagem. Desde já, peço perdão pelo vacilo.

Depois de Machu Picchu, a percepção geral era de que seria uma viagem tranquila e sem grandes aventuras até chegarmos ao esperado Salar do Uyuni, já na Bolívia. Mas eu não poderia estar mais enganado… Esse era um dia que entraria para história. Ou pelo menos para minha ainda humilde história de viajante.

Para começar, deixem-me contextualizar o que não ficou tão claro no relato anterior, do Rapha.

Convivência é foda!

Convivência é um bicho complexo… E por que isso agora? Essa era a segunda vez que eu, Alluan e Raphael viajávamos além das fronteiras brasileiras. E coincidentemente, a segunda vez que houve qualquer tipo de desentendimento entre a gente hahaha

Enquanto o Alluan tem um perfil de apaziguador, eu e Raphael soltamos faíscas em alguns pontos da viagem, sendo a principal delas justamente no dia anterior, durante a trip em Machu Picchu. O motivo era bobo, foi um jeito de falar sobre água, um atraso na subida e sei lá mais o que… Mas fomos grossos um com o outro e desde o dia anterior em decidi dar uma afastada dele para não gerar uma intriga maior. Então mais do que um cansaço, seguimos caminhos diferentes no dia anterior, mas nos reencontramos para voltar ao hostel, embora ainda houvesse rusgas no relacionamento…

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Quando uma briga te dá o estímulo para uma loucura sozinho.  

Dito isso, acordei cedo no dia seguinte e decidi tomar café sozinho. Troquei alguma ideia com as meninas do bar e me esparramei no sofá do Kokopelli que fica bem na entrada. Alluan e Raphael demoraram para acordar, e como eu ainda não estava com vontade de avaliar suas fuças em plena manhã, decidi dar um rolê pela cidade all by myself.

Enquanto caminhava pelas ruas de pedras e históricas de uma ensolarada Cusco, passei em frente ao escritório da Action Valley e decidi entrar novamente. Novamente porque talvez tenhamos esquecido de comentar, mas antes mesmo de irmos para Machu Picchu, consultamos com a Action Valley os preços do salto de bungee jumping, mas enquanto eu estava extremamente animado, o Raphael estava achando o preço caro demais e o Alluan não querendo pagar e depois acabar ficando com medo de pular… E, como eram “2×1”, acabamos desistindo juntos da aventura.

Mas aquilo tinha ficado preso na garganta… Eu queria muito pular. Não sei bem o porquê, mas desde muito novo pular de bungee jumping era algo na minha bucket list mental. Mas por mais que eu não precisasse, eu ia me sentir meio mal de abandoná-los apenas para fazer isso sozinho. Talvez até um pouco egoísta. Então essa briga acabou sendo a desculpa que eu precisava rs

Não pensei duas vezes e contratei o pacote do salto de bungee. O preço foi de S/. 307 (o preço é originalmente cotado em U$, mas no meu cartão o valor está em S/.) e incluía um SD card com fotos e vídeos do salto. Nisso já era cerca de 11h da manhã e eu escolhi o horário de 13h, dai seria o tempo de voltar ao hostel, calçar um tênis, passar o protetor e partir para a aventura.

De volta ao Kokopelli, Alluan e Raphael haviam acordado e trocamos cumprimentos ainda tímidos. O rancor não me deixava falar ainda o que eu tinha feito. E não fosse o Raphael tomando a iniciativa de puxar assunto em um sinal de paz, eu não teria contado antes de ir. Sim, sou meio babaca hahaha

 

Depois que contei que saltaria, rolou um principio de nova discussão. Justificada, admito. Por que não chamei ninguém pra decidirmos juntos, etc. Mas no fim das contas, o que eu imaginava foi confirmado, eles não iriam mesmo. Parte por preço, parte por medo e tal. Eles preferiram ficar e lá fui eu, para uma aventura inesquecível sozinho.

Agora que chegou até aqui, só pula!

Chegando na agência da Action Valley, já havia um taxi (incluso no pacote) e um casal de americanos apenas me esperando para irmos. Não lembro o nome desse casal e nem trocamos contatos, mas foi bastante divertida a viagem (que dura uns 20 minutos até o campo de onde é feito o salto) com eles. Ambos eram da Califórnia, ele surfava profissionalmente e já havia visitado o Brasil em algumas competições e ela trabalhava em um banco, mas como hobby jogava futebol e por isso também tinha muita vontade de conhecer o Brasil. Foram excelentes companhias!

Chegando lá, começam os preparativos. Para pular, é necessário passar por uma pequena bateria de exercícios para provar que não tem problemas cardíacos e passar por duas diferentes balanças para garantir o ajuste correto dos equipamentos.

Algumas vezes a solução é só se jogar 🙈 #bungeejumping #peru

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Nesse momento, ao ver a altura da plataforma, a menina já havia desistido do salto. Lembrei do medo do Alluan de fazer o mesmo e, de certo modo, achei bom que ele não tivesse ido para não passar pelo mesmo. Eu estava muito extasiado pela adrenalina e só queria saber de pular, mas o americano foi primeiro. Eu assisti lá de baixo e nessa hora o que apenas um frio na barriga virou um frio no corpo todo. Estava sol, mas eu me sentia gelado. Era medo, mas a adrenalina era maior. Ele pulou, girou por alguns segundos e desceu, tonto, mas agitado e muito sorridente. Eu escondi bem o meu medo e entrei na agitação com ele… Era minha vez!

Deitei no chão e começaram a montagem de todos os cabos. Depois de levantar, era difícil andar com tanto cabo e medo ao mesmo tempo, mas superei os tropeços do caminho e fui quase me arrastando. Eis que a plataforma começou a subir. Os pensamentos eram mistos… Iam de “F U D E U” até “Será que eu perco dinheiro se desmaiar?!”.

Será que eu perco dinheiro se desmaiar?!

Mas eu não desmaiei. Pelo contrário, no alto de seus 122 metros de altura, o que o dá o título de maior da América Latina, o medo simplesmente sumiu e o sorriso veio na cara. O vento jogava os cachos na minha cara, mas de repente parecia que meu casaco peruano de falsa alpaca conseguia acabar com o frio de todas as partes do corpo e o calor das veias parecia pulsar.

Além das instruções, que são tão simples que nem lembro o que são exatamente, por praxe, eles fazem um monte de perguntas aleatórias, pedem mensagens pra família, pra você falar umas frases pra case deles, tirar umas fotos com placas do Trip Advisor, mas eu não tava com saco para colaborar. Eu queria pular e por mais que a intenção de me pedir uma mensagem para a família para o vídeo fosse fofa (daí o título do post), nada do que gravei nessa preparação ficou bom pelo simples fato de que eu tava pouco me fudendo pra isso e só queria riscar logo o “pular de bungee jumping” da minha lista de coisas para fazer antes de morrer. E eles finalmente perceberam isso e me deixaram pular.

"Are you ready?" 😍👊🏼 #bungeejumping

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E foi num “Are you ready?” que tudo começou e terminou em pouquíssimos segundos que ainda rendem um frio na espinha só de lembrar.

Pouco tempo depois, eu estava no chão, com instrutores me desvencilhando dos equipamentos, uma leve dor (normal) que ia da coluna até a nuca, e os olhos cheios de lágrimas daquele momento simplesmente inesquecível.

Da volta na chuva ao “Templo do Sol”

O americano havia pago ainda pelo salto reverso (que te joga para cima e te puxa para baixo, que eu não fiz por economia, mas depois me arrependi) e depois disso nos sentamos juntos para ver as fotos e vídeos. Depois disso, começou a chover e nós três nos juntamos aos funcionários em volta de uma fogueira improvisada por cerca de meia hora até que o nosso táxi de volta chegasse para nos levar de volta ao Centro de Cusco.

Voltando, nos despedimos, trocamos contatos (que mais tarde eu perdi, por isso os americanos estão sem nome rs) e eu voltei ao Kokopelli. Com todos os acontecimentos anteriores, eu já havia me esquecido da briga e compartilhava dos doces que o Alluan e Raphael trouxeram de uma padaria hipster que haviam visitado.

Depois de contá-los tudo e mostrar todas as fotos e vídeo, no fim da tarde decidimos ir ao “Templo do Sol” de Cusco antes que seguíssemos viagem para Puno. Foram alguns minutos de caminhada, mas o suficiente para anoitecer e darmos de cara com a porta. O Templo já estava fechado e a visita teria que ficar para uma outra vez, o que era uma pena.

Passamos por uma igreja e compramos alguns gorros pelo caminho para presentear, mas voltamos para o hostel antes de seguirmos viagem para Puno, que seria a nossa próxima parada.

E assim terminamos a nossa passagem por Cusco, com a sensação de satisfação, muito cansaço, mas três sorrisos nos rostos que deixavam claro como aquilo tudo vinha valendo a pena <3

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