5421m de altitude acaba com qualquer um, ou só comigo.

Após um dia calmo em La paz, já era hora de viver mais uma aventura (aventura essa que eu não sabia que poderia sofrer tanto).

Acordamos, tomei meu típico chá em busca de acabar com uma tosse que não saia de mim de jeito nenhum, e lá fomos nós. Nos agasalhamos para aguentar o frio da manhã de La Paz e seguimos para a van que nos levaria para um dos principais tours de La Paz: Chalcataya + Valle de La Luna.

A caminho de Chacaltaya.

Chacaltaya é uma montanha localizada a 30km ao norte de La Paz, que conta com um trajeto que dura em média 2 horas. Então logo depois do café entramos na van e partimos.

Passamos por alguns hostels para buscar um pessoal e em um determinado ponto tivemos que esperar por bastante tempo já que alguns passageiros haviam errado a hora do café da manhã (inclusive era uma brasileira que depois desse tour chegou até a nos encontrar novamente no Rio, vocês vão entender como).

E seguimos.

Primeiro passamos por ruas da cidade de La Paz e aos poucos fomos entrando por caminhos entre montanhas. A cada minuto de estrada o frio aumentava e o local ficava mais deserto. Era uma região muito árida e a altitude dificultava cada vez mais a respiração, mas ainda não tínhamos chegado no pior.

Paramos na estrada para fazer umas fotos numa espécie de mirante que da para enxergamos algumas montanhas, como a montanha Huayna Potosí, um dos gigantes picos da Cordilheira dos Andes.

Ali já era capaz de sentir os efeitos da altitude, inclusive nos distanciamos para fazer algumas fotos e com uma corridinha em busca de uma boa foto o cansaço já surgia.

Sem contar o fato que corremos atrás das bicuñas que estavam lá.

Voltamos para van e continuamos o caminho.

Chegamos e descobrimos os efeitos de uma altitude de 5k.

E lá estávamos nós, a quase 5421m de altitude.

A parada da van não é exatamente no cume da montanha, é em uma estação de ski abandonada (sim, você leu abandonada e vou falar sobre ela mais a frente) que fica cerca de 200 metros do ponto mais alto, então tínhamos que dar uma caminhada.

Antes de entrarmos na estação de ski, começamos a caminhada para o ponto mais alto da montanha.

E eu tenho que assumir para vocês, nunca foi tão difícil para mim andar apenas 200 metros.

A subida não era íngrime, mas quando começamos a caminhada, além do frio castigar a gente, a altitude me pegou de jeito. O vento era muito forte e dificultava a respiração. A cada 3 passos eu praticamente cansava como se tivesse feito uma corrida de 40 minutos.

Fui bem devagar e em passos muito curtos. Teve grupos que seguiram na frente e outros que foram mais devagar, junto comigo. Fomos devagar, mas chegamos.

 

A vista é sem igual e o vento que é muito forte, que faz a gente sentir mais frio que o normal.

Eu não consegui ficar muito tempo para explorar por conta desses fatores, mas tiramos algumas fotos e descemos enquanto outro grupo seguia para o outro cume da montanha, que era bem próximo, mas minhas condições me impossibilitaram.

Na descida fizemos uma amiga carioca, a Beatriz. Ela viu meu sofrimento na subida e na descida da montanha e veio me oferecer folhas de coca para eu mastigar e melhorar um pouquinho.

De volta a estação de ski abandonada

Chegando na estação de ski tivemos um tempo para explorá-la.

Foi curioso e assustador ao mesmo tempo, porque é impossível você visitar um local abandonado e não pensar em como as coisas eram antes. Você vê os móveis, a lareira, as portas, os banheiros e começa a imaginar todas as pessoas que passaram ali e se divertiram. É bizarro.

De acordo com o nosso guia, o aquecimento global fez com que uma geleira com quase 18.000 anos de idade desaparecesse desde 2009 (fica a reflexão sobre o aquecimento global).

Depois usei o banheiro da estação abandonada e segui para encontrar todos na van a caminho da próxima parada.

Valle de la Luna

De lá seguimos diretamente para o Valle de la Luna. Nomeada pelo o próprio Neil Armstrong (o primeiro homem que pisou na lua), fica mais próximo de La Paz, cerca de 12km do nosso hostel.

É incrível como a mudança de de temperatura é notória, chegando mais próximo de lá nenhum dos seus agasalhos serão mais necessários, porque faz um calor do c*ralho, se comparado ao topo do Chalcataya.

O Valle é um lugar que pode encher os olhos de qualquer turista. Um local que faz você imaginar diversos motivos para ser como ele é e até mesmo não acreditar que toda aquela coisa foi feita pela natureza (já que parece uma réplica da lua).

A explicação para esse fenômeno, é que ali há muito tempo existia um rio que secou e por conta das erosões surgiram todas esses formatos, cujo chão agora longe de ser sólido, se transformou em argila, em vez de rocha.

O lugar é bem legal, vale a pena conhecer, mas aconselho um passeio de período curto, já que não se tem muita coisa diferente para ver.

De volta ao hostel

Cansados e sofridos depois de um dia com muita altitude, só conseguíamos pensar em comer e descansar.

Almoçamos pelo hostel, descansamos e tomamos um cerveja a noite em uma festa que tivemos lá para recuperar as energias. Logo depois dormimos e nos preparamos para o dia seguinte.

 

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