Respirando o ar como um típico boliviano

Depois de um dia de literalmente arrancar o ar do peito de qualquer um, no nosso último dia em La Paz. Inicialmente, a ideia era incluir Sucre no roteiro, mas o cansaço nos fez tomar a decisão foi de tirar o pé do acelerador e passar o dia andando um pouco sem destino pelas ruas da capital, um programa que eu particularmente adoro.

Algumas vezes, não tem tour que supere uma boa caminhada entre os locais de uma cidade. Começamos o dia simplesmente circulando as subidas e descidas das feiras de rua enquanto negociávamos absolutamente qualquer compra com qualquer pessoa.

Nessas horas é mais legal ainda ser gringo… Não sei vocês que estão lendo, mas por algum motivo, no Brasil eu acabo evitando chorar preços, mas fora da minha tão amada nação, nunca existiu um cara tão chorão por centavos quanto eu. E se eu já havia provado isso em outras oportunidades como Paracas, por exemplo, aqui não poderia ser diferente.

Até pelo preço, pois quando comparado com o real, a Bolívia é de fato um país barato, lá foi o lugar onde comprei mais bugigangas para dar de presentes, entre casacos, meias, cachimbos, toucas etc. E foi em meio a todas essas negociações que acabei me perdendo do Alluan e Raphael, decidindo voltar pro hostel para descansar um pouco.

Raphael e Alluan voltaram para o almoço (que acabou sendo no tipiquíssimo  Burger King) e voltamos para rua, onde andamos mais um pouco, comemos alguns doces (que mais tarde não fizeram tão bem ao frágil estomago do Raphael rs), vimos um grupo típico tocando na rua (perguntamos pra algumas pessoas o porquê, que ninguém soube informar) e seguimos sem rumo até uma bonita igreja na Praça Murillo, um local que aparentemente abriga diversos prédios públicos, algo que foi mais evidenciado pelo forte policiamento da região, que por um momento nos fez pensar que estava rolando alguma merda.

Observamos atentos, mas sem merdas aparentes, eu e Raphael sentamos nas escadas em frente a uma igreja e foi um momento estranho. Estranho pois foi talvez o primeiro momento da viagem em que simplesmente respiramos, e sentimos uma paz tão grande, mas tão grande, que foi de encher os olhos de lágrimas.

Era só a gente (e o Alluan, que depois vi que havia tirado várias fotos nossas nesse momento), um bando de pombos e as bandeiras balançando com o vento. Foi reflexivo, mas mais do que tudo, foi de cair a ficha. Nós estávamos vivendo aquilo que por meses era expectativa. E viver aquilo era muito, muito estranho <3

A noite, seguimos de volta para a caótica rodoviária de La Paz, de onde pegamos um ônibus madruga adentro para a aguardada cidade de Uyuni.

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